© Alex Wong/Getty Images Por LUSA 06/06/2026
"A paz só é garantida pela força", defendeu Pete Hegseth no cemitério militar de Colleville-sur-mer, perante as 9.387 cruzes brancas de soldados norte-americanos mortos em combate durante a batalha da Normandia, em 1944.
O secretário da guerra do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tinha anunciado na sexta-feira que renunciava à cerimónia internacional prevista para hoje para se dedicar à cerimónia norte-americana.
Hegseth afirmou que os soldados enterrados na Normandia "combateram no seio de uma aliança guerreira na qual cada parceiro contribuiu com a medida da sua indústria, da sua coragem e do seu sacrifício".
"Nem 'slogans' vazios, nem cimeiras faustosas, nem comunicados", ironizou, referindo que "cada nação" aliada que combateu a Alemanha nazi "sangrou e assumiu a sua parte" em 1944.
"A América deve mostrar o caminho, e nós fá-lo-emos, mas os nossos aliados têm de estar connosco, ombro a ombro", pediu, citado pela agência France-Presse (AFP), num discurso sem referências explícitas às guerras no Irão ou na Ucrânia.
Hegseth pareceu também fazer referência a uma ameaça que a imigração representará para a "civilização ocidental", numa analogia com o desembarque organizado há 82 anos.
"Infelizmente, hoje, diferentes praias europeias estão a ser tomadas de assalto por diversas ideologias perigosas: nas praias de Espanha, Itália, Grécia e Bulgária, barcos e homens estão a desembarcar", criticou.
Na presença da homóloga francesa, Catherine Vautrin, Hegseth desafiou os países da Europa a travar a nova "invasão".
"Irão as capitais europeias agir contra esta invasão ou já é demasiado tarde?", disse Hegseth, antes de concluir com uma citação bíblica.
Donald Trump tem ameaçado diminuir a presença militar norte-americana na Europa, nomeadamente no âmbito da NATO, e exigido um maior investimento dos aliados europeus em defesa.
O desembarque na Normandia, em 06 de junho de 1944, é a maior operação anfíbia da história.
Uma armada de 6.939 navios e 132.700 britânicos, canadianos, norte-americanos, belgas, noruegueses ou polacos tomaram de assalto 80 quilómetros de praias normandas.
A operação contribuiu de forma decisiva para a vitória sobre a Alemanha nazi, que ficou encurralada pela União Soviética a leste.
Do lado francês, as comemorações decorrem em Ouistreham, com a cerimónia dedicada aos fuzileiros navais.
A cerimónia internacional conta com a presença do primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, e do ministro da Defesa do Reino Unido, John Healey.
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