O Irão condenou hoje a decisão do Reino Unido de declarar a Guarda Revolucionária iraniana como uma organização terrorista e responsabilizou o Governo britânico por eventuais "consequências políticas, jurídicas e diplomáticas" da decisão.
O Irão condenou hoje a decisão do Reino Unido de declarar a Guarda Revolucionária iraniana como uma organização terrorista e responsabilizou o Governo britânico por eventuais "consequências políticas, jurídicas e diplomáticas" da decisão.
"Trata-se de uma medida injustificada, irresponsável e contrária aos princípios e normas fundamentais do direito internacional", denunciou o Ministério dos Negócios Estrangeiros num comunicado citado pela agência de notícias espanhola EFE.
A diplomacia iraniana qualificou de "mesquinha, provocadora e contrária ao direito internacional e à Carta das Nações Unidas" a decisão de classificar a Guarda Revolucionária como uma ameaça ao abrigo da Lei de Segurança Nacional britânica.
Para Teerão, a intenção de Londres põe em causa "o princípio da igualdade soberana dos Estados e o princípio da não-ingerência nos assuntos internos de outros países".
O Irão acrescentou que se reserva o direito de adotar medidas recíprocas em resposta e responsabilizou o Governo britânico pelas "consequências políticas, jurídicas e diplomáticas" que, no seu entender, a medida possa acarretar.
A reação do Irão surge depois de o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, ter anunciado na segunda-feira que o Governo vai declarar a Guarda Revolucionária como uma organização terrorista por considerá-la uma ameaça à segurança nacional.
Nesse sentido, o executivo vai apresentar nos próximos dias uma proposta de regulamentação ao Parlamento para formalizar a medida.
Se for aprovada, quem atuar em nome do corpo militar de elite iraniano em território britânico poderá enfrentar penas de prisão perpétua por atos de sabotagem.
O Reino Unido registou nos últimos meses vários ataques, incluindo atos de fogo posto, contra alvos da comunidade judaica e até contra propriedades do próprio Starmer, alguns dos quais as autoridades associaram ao Estado iraniano.
A medida britânica segue o exemplo da União Europeia (UE), que em janeiro incluiu a Guarda Revolucionária na lista de organizações terroristas.
A decisão da UE seguiu-se à repressão de protestos antigovernamentais no Irão, que resultou na morte de mais de 7.000 pessoas, segundo a organização não-governamental HRANA, com sede nos Estados Unidos.
A Austrália, o Canadá, a Argentina e os Estados Unidos também já declararam o exército ideológico da República Islâmica como uma organização terrorista.

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