© Shutterstock Por LUSA 29/05/2026
As eleições de 31 de maio, adiadas por uma semana a pedido dos líderes religiosos, marcam uma nova etapa no país da África Ocidental no retorno à ordem constitucional, após quatro anos de transição.
Nestas eleições vai ser concretizado o sistema político de duas câmaras legislativas, introduzido depois do referendo constitucional de 2025.
Segundo a Direção-Geral de Eleições da Guiné-Conacri (DGE), dos 28 partidos candidatos, 21 foram aprovados provisoriamente, sendo que no 'site' oficial ainda não constam os candidatos e as listas.
Cerca de 40 partidos políticos, incluindo as maiores grupos da oposição - a União das Forças Democráticas da Guiné (UFDG), a Reunião do Povo Guineense (RPG) e a União das Forças Republicanas (UFR) -, foram dissolvidos pelo Governo guineense em março, menos de dois meses após a tomada de posse do Presidente da Guiné-Conacri, Mamadi Doumbouya, que governa o país com mão de ferro.
Os partidos políticos guineenses tinham até 25 de maio para atualizar os estatutos e regulamentos internos, organizar congressos para os adaptar à nova lei e comprovar a localização das sedes.
No início de maio, o líder da oposição guineense, Abdoulaye Yéro Baldé, da Frente para a Democracia na Guiné-Conacri (FRONDEG), retirou a candidatura.
Diversas organizações da sociedade civil guineense decidiram boicotar as eleições, pois consideram fraudulento o processo eleitoral conduzido pelas autoridades de transição lideradas por Doumbouya.
As autoridades guineenses restringiram o acesso às redes sociais em abril, sendo depois levantadas.
Após as restrições, o presidente da Associação de 'Bloggers' da Guiné-Conacri (Ablogui), Baro Condé, alertou para um possível novo bloqueio durante as eleições, "uma vez que o Estado guineense tem o hábito de restringir as redes sociais durante os períodos eleitorais".
Os guineenses vão eleger 147 membros para a Assembleia Nacional e 342 vereadores, sendo que pelo menos 30% do número de cargos vão ser ocupados por mulheres.
Chegado ao poder através de um golpe de Estado em setembro de 2021, Doumbouya foi eleito em dezembro chefe de Estado numa eleição presidencial sem adversários.
Desde o golpe de Estado, um clima de repressão tomou conta do país.
A Guiné-Conacri foi reintegrada na Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e na União Africana (UA), das quais fora excluída após o golpe de Estado.
Após o golpe de Estado no país africano em 2021, foi acordado em 2022 um cronograma de transição entre a Guiné-Conacri e a CEDEAO.
"Embora o país tenha feito progressos institucionais e políticos (...), enfrenta uma crise democrática", declarou o Instituto de Estudos de Segurança (ISS, na sigla em inglês), acrescentando que as eleições são controversas.
Desde a sua independência de França em 1958, o país da África Ocidental tem sido governado por regimes autoritários.
Apesar de rico em minerais, como ouro, ferro e diamantes, mais de metade dos habitantes vivem abaixo do limiar da pobreza, de acordo com os dados do Banco Mundial.

Sem comentários:
Enviar um comentário