sábado, 21 de fevereiro de 2026

SOBE PARA 7 O NÚMERO DE MORTOS APÓS INCÊNDIO DEVASTADOR EM BAFATÁ

Por RSM 21.02.2026

Subiu para sete (7) o número de mortos resultantes do incêndio devastador que atingiu 171 pessoas na cidade de Bafatá leste da Guiné-Bissau.

A confirmação foi feita este sábado, 21 de fevereiro,  por uma fonte ligada ao Hospital Nacional Simão Mendes, que informou o registo de mais duas vítimas mortais nas últimas horas.

De acordo com as autoridades de saúde, várias vítimas continuam internadas em estado crítico, o que mantém a população em alerta e apreensão quanto à possível evolução do número de óbitos.

A Polícia Judiciária anunciou a detenção do proprietário da bomba improvisada que terá provocado o incêndio. 

Segundo as primeiras informações, o artefacto terá estado na origem da explosão que desencadeou o fogo de grandes proporções.

As autoridades garantem que as investigações prosseguem para apurar responsabilidades criminais e eventuais cúmplices.

O caso continua a gerar forte comoção em toda a sociedade guineense. Autoridades governamentais, organizações civis e cidadãos manifestam solidariedade às famílias das vítimas, ao mesmo tempo que exigem medidas rigorosas para evitar tragédias semelhantes no futuro.

A cidade de Bafatá permanece sob forte impacto emocional, enquanto decorrem investigações e esforços médicos para salvar os feridos.

Mais atualizações poderão ser divulgadas a qualquer momento.

PJ ABRE INQUÉRITO E DETÉM RESPONSÁVEL POR BOMBA DE COMBUSTÍVEL NA SEQUÊNCIA DO INCÊNDIO EM BAFATÁ.

A Polícia Judiciária (PJ) informa a opinião pública que, na sequência do incêndio ocorrido numa bomba de combustível na cidade de Bafatá — incidente que resultou na morte de uma pessoa e em ferimentos graves de mais de uma centena de cidadãos — foi imediatamente instaurado o competente inquérito criminal, com vista ao apuramento rigoroso dos factos, das suas causas e das eventuais responsabilidades.

No âmbito das diligências investigativas já realizadas, uma equipa integrada por agentes de investigação criminal e peritos da PJ deslocou-se a Bafatá, onde procedeu a recolha de vestígios, levantamento técnico no local, obtenção de elementos probatórios e audição de intervenientes relevantes para a investigação.

Como resultado das diligências em curso, a PJ procedeu à detenção do proprietário da empresa, o qual foi transferido para o Centro de Detenção da Polícia Judiciária, em Bissau, ficando à disposição das autoridades competentes, nos termos da lei.

A Polícia Judiciária esclarece que as investigações prosseguem, mantendo-se em curso o trabalho técnico-pericial destinado a identificar a origem e a causa do incêndio, bem como a determinar a eventual responsabilidade de outros autores, a título de participação, coautoria ou omissão relevante.

Informa-se, ainda, que na próxima semana serão ouvidos em Bissau altos responsáveis da administração do setor, representantes da Delegacia Regional da Energia e demais entidades competentes, no quadro da recolha de informações e do aprofundamento da prova, visando o completo esclarecimento do sucedido.

A Polícia Judiciária reitera o seu compromisso com a legalidade, a verdade material e a responsabilização efetiva, assegurando que manterá a população informada dentro dos limites do segredo de justiça e da salvaguarda da investigação.

Polícia Judiciária da Guiné-Bissau

Direção Nacional – Bissau

Sobe para 230 total de mortos na época das chuvas em Moçambique... O número total de mortos na atual época das chuvas em Moçambique subiu para 230, com registo de quase de 863,5 mil pessoas afetadas, desde outubro, indicou hoje o instituto de gestão de desastres.

Por LUSA 

De acordo com informação atualizada da base de dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), foram afetadas 863.433 pessoas na presente época das chuvas, correspondente a 200.702 famílias, havendo também 12 desaparecidos e 321 feridos.

Este balanço contabiliza mais dois mortos face à atualização de quinta-feira.

Só as cheias de janeiro provocaram, pelo menos, 27 mortos - afetando 724.131 pessoas - e a passagem do ciclone Gezani em Inhambane, em 13 e 14 de fevereiro, causou mais quatro mortos, segundo os dados atualizados do INGD sobre a época das chuvas.

Acrescenta-se que um total de 15.254 casas ficaram parcialmente destruídas, 6.121 totalmente destruídas e 183.824 inundadas, na presente época chuvosa. Um total de 272 unidades de saúde, 82 locais de culto e 679 escolas foram afetadas em pouco mais de quatro meses e meio.

Os dados do INGD indicam ainda que 555.040 hectares de áreas agrícolas foram afetados neste período, 288.016 hectares dos quais dados como perdidos, atingindo 365.784 agricultores. Também 530.998 animais morreram, entre bovinos, caprinos e aves, e foram afetados 7.845 quilómetros de estrada, 36 pontes e 123 aquedutos.

Desde outubro, o instituto de gestão de desastres moçambicano ativou 149 centros de acomodação, que albergaram 113.478 pessoas, dos quais 41 ainda estão ativos, com pelo menos 33.905 pessoas.

Zelensky garante que a Ucrânia não está a perder a guerra... Em entrevista à AFP, o chefe de Estado ucraniano afirmou que está em curso uma nova contra-ofensiva e que já foram libertados 300 quilómetros de território sob ocupação russa.

Por Sicnoticias 

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, garante que a Ucrânia não está a perder a guerra. A declaração surge numa altura em que se aproxima uma nova ronda de negociações e em que a Europa se prepara militarmente para um eventual escalar do conflito.

A guerra moderna no velho continente, que se previa durar apenas alguns dias, completa este domingo quatro anos. O número expressivo poderá ter levado Zelensky a reforçar a ideia de que a Ucrânia mantém a sua posição no terreno.

Em entrevista à AFP, o chefe de Estado ucraniano afirmou que está em curso uma nova contra-ofensiva e que já foram libertados 300 quilómetros de território sob ocupação russa.

Apesar de as tropas ucranianas continuarem a responder à altura do conflito armado, a Ucrânia é hoje um país irreconhecível, onde a alegria das ruas foi arrancada à força.

As imagens mostram Pokrovsk, onde parte da cidade já foi tomada pelas forças russas, enquanto os confrontos prosseguem entre os escombros.

Em Odessa, as autoridades tentam agora minimizar os danos provocados pelos ataques da última noite. Casas e infraestruturas energéticas ficaram destruídas, deixando 99 mil pessoas sem eletricidade.

Kiev e Moscovo preparam-se para uma nova ronda de negociações para a paz, que deverá decorrer nos próximos dias em Genebra.

"Putin não vai terminar esta guerra até que os custos sejam superiores aos benefícios. E é esse o ponto a que temos de chegar", garante Kaja Kallas, chefe da diplomacia europeia.

A Europa tem vindo a reforçar a sua preparação, com exercícios militares em curso em vários países e envolvendo milhares de militares. A chefe da diplomacia europeia acredita ainda que o vigésimo pacote de sanções contra a Rússia deverá ser aprovado na segunda-feira.

Ucrânia ataca fábrica de mísseis balísticos russa... As Forças Armadas ucranianas anunciaram hoje que atacaram uma fábrica russa de produção de mísseis balísticos hipersónicos Oréshnik na região de Udmurtia.

Por LUSA 

"Algumas unidades das Forças de Mísseis e da artilharia das Forças Armadas da Ucrânia atacaram utilizando mísseis de cruzeiro FP-5 'Flamingo'. A empresa do complexo militar-industrial 'Planta Votkinsk', na cidade de Votkinsk [República da Udmúrtia] foi atingida" esta madrugada, detalhou o Exército ucraniano nas redes sociais.

A região de Udmurtia fica a cerca de mil quilómetros a leste de Moscovo e a cerca de 1.500 da fronteira com a Ucrânia.

"Foi detetado um incêndio no território da fábrica. Os resultados estão a ser esclarecidos", acrescentou o exército.

Além deste ataque, na noite passada também foi atacada a fábrica de processamento de gás de Neftegorsk, na região russa de Samara, que, entre outras funções, abastece o exército russo, indicou na mesma mensagem.

De acordo com as autoridades russas, 11 pessoas ficaram feridas no ataque à fábrica de Votkinsk, das quais três foram hospitalizadas.

O canal de Telegram Astra, que tinha reportado inicialmente os ataques ucranianos, citando testemunhas oculares e residentes da zona, afirmou que o ataque causou danos em duas das oficinas da fábrica.

Na sexta-feira, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, assegurou que a Ucrânia não está a perder a guerra contra a Rússia, embora reconheça que o desfecho do conflito permanece incerto e com um custo elevado.

"Não podemos dizer que estamos a perder a guerra, sinceramente, não estamos certamente. A questão é se vamos ganhar, essa é a questão, mas uma questão que tem um preço muito elevado", declarou Zelensky numa entrevista à agência de notícias France-Presse, a poucos dias do quarto aniversário do início da invasão russa.

O chefe de Estado indicou ainda que as forças ucranianas recuperaram recentemente cerca de 300 quilómetros quadrados no sul do país, no âmbito de uma contraofensiva em curso, informação que a AFP não conseguiu confirmar de forma independente.

A guerra, iniciada a 24 de fevereiro de 2022, constitui o conflito mais grave na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

As negociações diretas entre Kyiv e Moscovo, mediadas pelos Estados Unidos, continuam bloqueadas pela exigência russa de que a Ucrânia se retire do Donbass, região industrial no leste do país atualmente quase totalmente sob controlo das forças russas.

Pelo menos 50 mortos em ataque a aldeia no noroeste da Nigéria... Pelo menos 50 pessoas morreram e um número ainda indeterminado foi sequestrado, na quinta-feira, num ataque de homens armados a uma aldeia no estado de Zamfara, noroeste da Nigéria, avançou hoje uma organização não-governamental local.

© Maksim Konstantinov/SOPA Images/LightRocket via Getty Images   Por  LUSA  21/02/2026 

"Recebemos informações de que dezenas de bandidos atacaram a aldeia de Dutsin Dan Aniya na noite de quinta-feira e mataram pelo menos 50 residentes", disse à agência de notícias EFE o secretário da Coligação da Sociedade Civil de Zamfara (ZASCON), Attahiru Mohammed.

"Segundo os residentes, cerca de 100 bandidos que se deslocavam em motocicletas dispararam (...) contra as vítimas. Bloquearam todas as vias de entrada e saída enquanto realizavam os ataques, tornando quase impossível a fuga. Transformaram a aldeia num campo de extermínio", relatou.

De acordo com Attahiru Mohammed, o ataque, cujo motivo ainda não foi determinado, ocorreu durante a noite de quinta-feira, quando a maioria das vítimas --- mulheres e crianças --- foram assassinadas, enquanto um número indeterminado de pessoas foi sequestrado pelos "bandidos", que as mantiveram em cativeiro até às 02:00 hora local (01:00 em Lisboa), sem que as forças de segurança interviessem.

"Exortamos o Governo e as agências de segurança a agirem com determinação e a porem fim ao massacre imediatamente. Não podemos continuar à mercê de bandidos que atacam as nossas aldeias e comunidades à vontade", afirmou o secretário da ZASCON.

A EFE tentou contactar as autoridades policiais do estado de Zamfara, mas não obteve resposta.


Leia Também: Grupo armado mata 33 pessoas no noroeste da Nigéria em novos ataques

Pelo menos 33 pessoas foram mortas após militantes islâmicos lançarem ataques simultâneos num distrito no noroeste da Nigéria, de acordo com a polícia local, noticia hoje a agência norte-americana The Associated Press (AP).

Aeroporto da Florida vai ser renomeado em homenagem a Trump... A maioria parlamentar do Partido Republicano no estado norte-americano da Florida decidiu atribuir ao Aeroporto Internacional de Palm Beach o nome de Donald Trump, em homenagem ao Presidente, que ali tem uma residência privada.

© Samuel Corum/Getty Images  Por LUSA  21/02/2026 

O projeto de lei para renomear a infraestrutura "Aeroporto Internacional Presidente Donald J. Trump" foi aprovado hoje pela Câmara dos Representantes e o Senado do estado da Florida (sudeste). 

O aeroporto, na cidade conhecida pelas suas praias de areia branca e luxuosas mansões, está localizado a poucos quilómetros da residência de Trump em Mar-a-Lago.

Espera-se que o governador republicano Ron DeSantis, antigo adversário de Trump, promulgue a lei, embora esta ainda necessite da aprovação da Administração Federal de Aviação (FAA).

O aeroporto passará então a integrar a lista de edifícios e infraestruturas que têm o nome de Trump.

 Os Presidentes norte-americanos recebem geralmente nomes de edifícios ou infraestruturas quando deixam o cargo ou após a sua morte.

Mas Trump, bilionário do setor imobiliário que é proprietário de uma torre com o seu nome na prestigiada Quinta Avenida de Nova Iorque, tem procurado assegurar desde já a homenagem.

Em dezembro, o conselho de curadores do Kennedy Center - escolhido pelo Presidente republicano - votou a renomeação desta prestigiada instituição cultural de Washington como "Trump Kennedy Center".

Entretanto, o bilionário quer construir um "Arco da Independência", semelhante ao Arco do Triunfo em Paris, e iniciou a construção de um novo salão de baile na Casa Branca, demolindo a Ala Leste do edifício histórico.

Anunciou também o lançamento de uma nova classe de grandes navios de guerra que terão o seu nome.

O Departamento do Tesouro confirmou ainda a existência de um plano para uma moeda comemorativa de um dólar com a imagem de Trump, embora as leis proíbam colocar em notas a imagem de um Presidente em funções ou vivo.

Segundo vários media, incluindo a CNN e a NBC, Trump quis que o seu nome fosse dado a dois dos locais mais movimentados dos Estados Unidos: a Penn Station, em Nova Iorque, e o Aeroporto Internacional Dulles, em Washington.

Citando fontes anónimas, os media relataram este mês que Trump ofereceu ao líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, a libertação de mais de 16 mil milhões de dólares (13,5 mil milhões de euros) em fundos federais congelados pela sua administração, destinados a um grande projeto de túnel ferroviário entre Nova Iorque e Nova Jérsia, caso o político democrata concordasse em ajudar a renomear a estação ferroviária e o aeroporto.

Schumer, também senador por Nova Iorque, rejeitou a proposta, segundo as referidas fontes.  

Trump celebra este ano, em junho, o 80.º aniversário, sendo já o Presidente mais idoso a exercer o cargo. 

Também este ano, os Estados Unidos comemoram o 250.º aniversário da independência, estando em preparação um conjunto pouco usual de eventos relacionados, incluindo uma corrida de fórmula Indy pelas ruas de Washington, DC e combates de luta livre na Casa Branca.


Leia Também: Força aérea dos EUA interceta cinco aeronaves russas perto do Alasca

A força aérea dos Estados Unidos (EUA) enviou caças militares para intercetar cinco aeronaves russas que sobrevoavam o espaço aéreo internacional na costa oeste do Alasca, mas garantiu que não foram vistas como uma provocação.

Sistema de saúde de Cuba perto do colapso devido ao bloqueio dos EUA... O ministro da Saúde de Cuba disse que o sistema de saúde do país está à beira do colapso devido ao bloqueio imposto pelos Estados Unidos (EUA) ao fornecimento de petróleo à ilha.

© Lusa   21/02/2026 

Numa entrevista à agência de notícias Associated Press, José Ángel Portal Miranda alertou as sanções dos EUA já não estão apenas a prejudicar a economia de Cuba, mas também a ameaçar a "segurança humana básica". 

"Não se pode prejudicar a economia de um Estado sem afetar os seus habitantes", disse o ministro. "Esta situação pode colocar vidas em risco", acrescentou, na sexta-feira.

Portal disse que cinco milhões de pessoas em Cuba que vivem com doenças crónicas poderão enfrentar escassez de medicamentos ou adiamento de tratamentos, incluindo radioterapia para 16 mil doentes oncológicos e quimioterapia para outros 12.400.

Os serviços de cardiologia, ortopedia, oncologia e tratamento de doentes em estado crítico que necessitam de energia elétrica de reserva estão entre as áreas mais impactadas, afirmou o ministro.

Os tratamentos para doenças renais e os serviços de ambulância de emergência também foram adicionados à lista de serviços afetados, acrescentou Portal.

O sistema de saúde de Cuba segue um modelo universal e gratuito, oferecendo clínicas locais em quase todos os quarteirões e medicamentos subsidiados pelo Estado.

Mas também entrou em estado de crise nos últimos anos, sobretudo desde a pandemia de covid-19. Milhares de médicos emigraram do país e a escassez de medicamentos obrigou muitos pacientes a comprá-los no mercado negro.

Portal admitiu que os problemas se agravem nas próximas semanas, embora tenha sublinhado que o Governo cubano tem tentado adaptar-se à nova realidade, instalando painéis solares nas clínicas e dando prioridade no atendimento a crianças e idosos.

As autoridades impuseram restrições a tecnologias que dependem mais de energia, como as tomografias computorizadas e os exames laboratoriais, obrigando os médicos a recorrer a métodos mais básicos para tratar os doentes, privando efetivamente muitos do acesso a cuidados de alta qualidade, lamentou o ministro.

"Estamos perante um cerco energético com implicações diretas para a vida dos cubanos, para a vida das famílias cubanas", disse Portal.

Desde janeiro que os Estados Unidos impõem um bloqueio energético a Cuba, invocando a ameaça que a ilha, situada a apenas 150 quilómetros da costa do estado da Florida (sudeste), representa para a segurança nacional norte-americana.

A ilha está perante uma crise humanitária, uma vez que se registam faltas generalizadas de alimentos e a falta de energia elétrica está a afetar o funcionamento dos hospitais.

O Presidente norte-americano Donald Trump ameaçou impor tarifas aos países que vendem petróleo para Havana após suspender o envio de petróleo venezuelano para Cuba na sequência da captura do líder Nicolás Maduro, no início de janeiro.

Coincidência astronómica: Quaresma, Ramadão e Ano Novo Lunar começam quase em simultâneo... Em 2026, três tradições com base no ciclo da Lua cruzam-se quase no mesmo momento: a Quaresma cristã, o Ramadão islâmico e o Ano Novo Lunar celebrado em vários países asiáticos.

Por  Catarina Solano de Almeida  sicnoticias.pt  21.02.2026

Numa rara coincidência, esta semana começaram quase ao mesmo tempo a Quaresma cristã, o Ramadão islâmico e o Ano Novo Lunar, celebrado em vários países asiáticos.

A coincidência das datas destas celebrações este ano não resulta de um entendimento inter-religioso nem de uma decisão comum. É simplesmente o efeito da convergência de três formas diferentes de medir o tempo, todas elas baseadas, de algum modo, na observação da Lua.

A explicação está nos diferentes calendários utilizados por cada tradição e na forma como estes se relacionam com os ciclos da Lua.

Quaresma: depende da data da Páscoa

A Quaresma começa na Quarta-feira de Cinzas, 40 dias antes da Páscoa (não contabilizando os domingos), que este ano calha a 18 de fevereiro.

Uma mulher recebe uma cruz de cinzas na testa após a missa da Quarta-feira de Cinzas, na Igreja de Baclaran, em Paranaque, região metropolitana de Manila, FilipinasLISA MARIE DAVID / REUTERS

A data da Páscoa é determinada segundo uma regra fixada nos primeiros concílios da Igreja: celebra-se no domingo seguinte à primeira lua cheia após o equinócio da primavera (fixado convencionalmente a 21 de março). Este cálculo é feito com base no calendário gregoriano e numa “lua eclesiástica”, que não coincide sempre exatamente com a lua astronómica.

Como a Páscoa varia entre 22 de março e 25 de abril, também a Quaresma oscila entre o início de fevereiro e o início de março.

Ramadão: um mês que recua todos os anos

O Ramadão é o nono mês do calendário islâmico, que é estritamente lunar. Cada ano tem cerca de 354 dias, menos 10 ou 11 do que o ano solar.

Por isso, o Ramadão “anda para trás” cerca de 10 dias por ano no calendário gregoriano. Ao fim de aproximadamente 33 anos, completa um ciclo e volta a coincidir com a mesma época do ano solar.

Fiéis palestinianos muçulmanos participam nas orações noturnas de ‘Tarawih’ do mês sagrado muçulmano do Ramadão, junto ao Domo da Rocha, no complexo de Al-Aqsa, conhecido pelos judeus como Monte do Templo, na Cidade Velha de Jerusalém, a 17 de fevereiro de 2026.JAMAL AWAD / REUTERS

O início do mês depende tradicionalmente do avistamento da lua crescente após a lua nova. Em alguns países, a decisão é tomada por autoridades religiosas nacionais; noutros, recorre-se a cálculos astronómicos. Por isso, o início pode variar um dia de país para país.

Em 2026, o Ramadão começou ao pôr do sol de 17 ou 18 de fevereiro, dependendo da observação lunar.

É esta diferença estrutural entre um calendário solar (gregoriano) e um calendário lunar (islâmico) que explica a coincidência aproximada entre Quarta-feira de Cinzas e início do Ramadão cerca de cada 33 anos.

Ano Novo Lunar: lua nova entre janeiro e fevereiro

O chamado Ano Novo Lunar, celebrado na China, na Coreia, no Vietname e noutras comunidades asiáticas, segue um calendário lunissolar. O novo ano começou na segunda lua nova após o solstício de inverno, o que o situa entre 21 de janeiro e 20 de fevereiro.

Em 2026, a lua nova ocorreu a 17 de fevereiro, marcando o início do novo ano.

Coincidência não é excecional, mas é rara

A coincidência exata no mesmo dia entre Quarta-feira de Cinzas e início do Ramadão não é frequente, mas também não é excecional, resulta do ciclo de cerca de 33 anos do calendário islâmico.

Já a proximidade simultânea com o Ano Novo Lunar é menos comum, porque depende da combinação entre três calendários distintos: solar, lunar e lunissolar.

Três celebrações com raízes semelhantes

Apesar das diferenças religiosas e culturais, as três celebrações partilham uma dimensão de renovação, transição e reflexão.

Quaresma

Na tradição cristã, a Quaresma é um período de 40 dias de preparação para a Páscoa, evocando os 40 dias que, segundo os Evangelhos, Jesus passou no deserto.

É marcada por práticas de jejum, penitência, oração e caridade. Muitos fiéis optam por abdicar de determinados hábitos ou alimentos. O período culmina na Semana Santa e na celebração da ressurreição de Cristo.

Ramadão

O Ramadão é um dos Cinco Pilares do Islão. Durante este mês, os muçulmanos adultos e saudáveis jejuam desde o amanhecer até ao pôr do sol, abstendo-se de comida, bebida e relações sexuais.

O dia começa com o suhoor, a refeição antes do nascer do sol, e termina com o iftar, a refeição de quebra do jejum, frequentemente partilhada em comunidade.

Para além do jejum, é um período de oração intensificada, leitura do Alcorão, caridade e autocontrolo espiritual. O mês termina com o Eid al-Fitr, uma das principais festas islâmicas.

Ano Novo Lunar

O Ano Novo Lunar marca o início de um novo ciclo no calendário tradicional chinês e noutras culturas do Leste Asiático.

As celebrações incluem reuniões familiares, ofertas de envelopes vermelhos com dinheiro, decoração com símbolos de prosperidade e rituais destinados a atrair boa sorte para o novo ano.

Cada ano está associado a um dos 12 animais do zodíaco chinês e a um dos cinco elementos, formando ciclos de 60 anos.


A chamada Semana Santa está constantemente a mudar. Este ano, excecionalmente, a data é assinalada ao mesmo tempo por Cristãos Católicos e Cristãos Ortodoxos. O que representa este dia, central no Cristianismo, e o que tem a ver com a Páscoa Judaica?


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Trump admite estar "a considerar" um ataque militar contra o Irão... O presidente norte-americano, Donald Trump, admitiu estar "a considerar" encetar um ataque militar contra o Irão, para pressionar o país a chegar a um acordo no que diz respeito ao seu programa nuclear.

© Reprodução Truth Social/ Donald Trump    Por  Notícias ao Minuto com Lusa  20/02/2026

O presidente norte-americano, Donald Trump, admitiu, esta sexta-feira, estar "a considerar" levar a cabo um ataque militar contra o Irão, por forma a pressionar o país a chegar a um acordo no que diz respeito ao seu programa nuclear.

"Creio que posso dizer que estou a considerar isso", disse Trump, no início de uma reunião com governadores na Casa Branca, citado pelo The New York Times.

Sublinhe-se que, na quinta-feira, o chefe de Estado deu um prazo de 10 dias para a situação no Irão "se esclarecer", advertindo que, caso contrário, poderiam ocorrer "coisas más".

"Talvez tenhamos de ir mais longe, ou talvez não, talvez cheguemos a um acordo. Provavelmente saberão nos próximos 10 dias", declarou, em Washington, antes da primeira reunião do Conselho da Paz.

E alertou: "Agora é o momento de o Irão se juntar a nós num caminho que complete o que estamos a fazer. Se se juntarem a nós, será ótimo. Se não se juntarem, também será ótimo, mas será um caminho muito diferente."

Pouco depois, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, ameaçou o Irão com uma resposta brutal, caso Teerão ataque Israel.

"Se os 'ayatollahs' cometerem o erro de nos atacar, enfrentarão uma resposta que nem sequer conseguem imaginar. […] Estamos preparados para qualquer cenário", disse Netanyahu, numa alocução televisiva proferida durante uma cerimónia militar.

Entretanto, o Irão informou o secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, que responderá "de forma decisiva" em caso de ataque e que considerará as bases dos Estados Unidos na região como alvos legítimos.

"Em caso de agressão militar contra o Irão, este responderá de forma decisiva e proporcional, de acordo com os princípios de autodefesa consagrados no artigo 51.º da Carta da ONU", escreveu o embaixador iraniano, numa carta enviada ao português.

O responsável acrescentou que, "nestas circunstâncias, todas as bases, infraestruturas e ativos norte-americanos na região constituem alvos legítimos".

Estas declarações surgem num contexto de reforço do destacamento militar norte-americano no Médio Oriente, com mobilização de meios navais e aéreos, numa demonstração de pressão sobre a República Islâmica.

Recorde-se que os Estados Unidos e o Irão concluíram uma segunda ronda de negociações na terça-feira, na Suíça, sem uma aproximação entre os dois países.

Note-se ainda que a Guarda Revolucionária Islâmica, o exército ideológico do país, está a realizar manobras militares no Estreito de Ormuz, um ponto estratégico crucial para o comércio global de petróleo.

UE pede estabilidade após tarifas de Trump consideradas ilegais... A Comissão Europeia disse hoje tomar nota da decisão do Supremo Tribunal dos Estados Unidos, de que as tarifas impostas pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, são ilegais, apelando à "estabilidade e da previsibilidade" das relações comerciais transatlânticas.

© Aaron Schwartz/Getty Images   Por  LUSA   20/02/2026 

"Tomamos nota da decisão do Supremo Tribunal dos Estados Unidos e estamos a analisá-la cuidadosamente. Continuamos em contacto próximo com a administração dos Estados Unidos, enquanto procuramos esclarecimentos sobre as medidas que pretendem tomar em resposta a esta decisão", reagiu o porta-voz da Comissão Europeia para o Comércio, Olof Gill.

Numa declaração enviada à imprensa europeia em Bruxelas, o responsável adiantou: "As empresas de ambos os lados do Atlântico dependem da estabilidade e da previsibilidade nas relações comerciais e, por isso, continuamos a defender tarifas baixas e a trabalhar no sentido de as reduzir".

O Supremo Tribunal dos Estados Unidos anulou hoje, por seis votos contra três, as tarifas globais impostas pelo Presidente Donald Trump ao abrigo de uma lei de poderes de emergência.

A decisão incide sobre as chamadas "tarifas recíprocas" aplicadas em abril de 2025 à maioria dos países, bem como sobre outras taxas decretadas com base numa lei de 1977 que permite ao Presidente regular importações em situação de emergência nacional.

A maioria dos juízes considerou que a lei não confere ao chefe do executivo autoridade para impor impostos sobre importações, competência que a Constituição atribui ao Congresso.

Os juízes conservadores Samuel Alito, Clarence Thomas e Brett Kavanaugh votaram vencidos.

O caso representa o primeiro grande dossiê da agenda de Trump a chegar diretamente ao Supremo Tribunal, que o Presidente ajudou a moldar com a nomeação de três magistrados conservadores durante o seu primeiro mandato.

Trump classificara o processo como um dos mais importantes da história dos Estados Unidos, advertindo que uma decisão contra si representaria um golpe económico para o país.

A oposição às tarifas ultrapassou divisões partidárias, incluindo críticas de grupos empresariais e libertários tradicionalmente alinhados com o Partido Republicano, enquanto sondagens indicam fraca popularidade das medidas entre o eleitorado.

A decisão surge após várias vitórias judiciais de curto prazo do governo de Donald Trump em matérias relacionadas com o alargamento do poder executivo, mas não impede o Presidente de recorrer a outras leis para impor tarifas, ainda que sujeitas a maiores restrições processuais.


Leia Também: Supremo Tribunal dos EUA anula tarifas impostas por Trump a nível global

O Supremo Tribunal dos Estados Unidos anulou, esta sexta-feira, a maioria das tarifas impostas pelo presidente norte-americano, Donald Trump, a nível global. Os magistrados consideraram que o chefe de Estado excedeu a sua autoridade, ao ter recorrido a uma lei reservada para situações de emergência nacional.

ENVIADO ESPECIAL DA UA AFIRMA HAVER ESPAÇO PARA MELHORAR A SITUAÇÃO NA GUINÉ-BISSAU

O Enviado Especial do Presidente da #União #Africana, #Patrice #Trovoada, fala à imprensa no âmbito da missão que realiza no país.

Com  JORNAL ODEMOCRATA  20/02/2026  
O Enviado Especial da União Africana (UA) para a Guiné-Bissau, Patrice Trovoada, afirmou esta sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026, que existe espaço para melhorar a situação política e institucional do país.

Trovoada sublinhou que a União Africana, em coordenação com a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), está a trabalhar no sentido de estabelecer um diálogo permanente com as autoridades militares e com todos os atores da vida política e social da Guiné-Bissau.

O ex-primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe destacou que esse diálogo deve assentar na criação de um clima de confiança e de contenção dos ânimos, envolvendo todas as partes, para que, no final do período de transição, sejam realizadas eleições livres, democráticas e participativas. Segundo ele, esse processo permitirá ao país retomar o curso normal da sua vida política e social, em benefício da população.

Patrice Trovoada falava durante uma conferência de imprensa realizada num dos hotéis da capital, Bissau, onde fez o balanço dos encontros mantidos com as autoridades nacionais e com a oposição guineense.

Assumiu publicamente que as duas organizações — União Africana e CEDEAO — não pretendem substituir os guineenses nesse processo, sublinhando que a Guiné-Bissau pertence aos guineenses.

Neste contexto, lembrou que a Guiné-Bissau, enquanto membro e signatária da Carta da União Africana, atualmente suspensa, deve continuar a ser acompanhada pela organização continental.

“Levo como primeira impressão a disponibilidade de todos os atores políticos, militares e da sociedade civil para contribuirmos para que a Guiné-Bissau regresse, o mais rapidamente possível, à normalidade constitucional e democrática, credível e aceitável para todos”, enfatizou.

Trovoada revelou aos jornalistas que foi recebido pelo Presidente da República de Transição, pelo Primeiro-Ministro, pelo Presidente do Conselho Nacional de Transição, pelo Procurador-Geral da República, pela Comissão Nacional de Eleições, pelo candidato às eleições presidenciais Fernando Dias da Costa e pelo vice-presidente do PAIGC, Geraldo Martins.

Informou ainda que, no âmbito da sua missão em Bissau, solicitou às autoridades um encontro com o líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, o que “ainda não aconteceu”.

“Espero que, antes da minha partida, consiga encontrá-lo para saber como se encontra na situação de prisão domiciliária”, acrescentou.

O Enviado Especial da UA informou igualmente que, durante esta visita, reuniu-se com os parceiros da Guiné-Bissau, nomeadamente a CEDEAO, o grupo dos embaixadores africanos, o Embaixador de Portugal, o representante do Sistema das Nações Unidas e o Embaixador da União Europeia. Segundo disse, sentiu que todos estão interessados em ver um futuro melhor para o país.

Patrice Trovoada sublinhou que é necessário continuar a trabalhar de forma séria, com base em princípios, e demonstrar disponibilidade para ajustar posições, de modo a alcançar resultados satisfatórios.

Revelou ainda que, na última cimeira da União Africana, foi reafirmado que todos os conflitos têm causas profundas, mas que, quando chegam ao fim, as soluções devem ser credíveis e duradouras. Nesse sentido, garantiu que a UA continuará a trabalhar nesta perspetiva, contando com a colaboração de todos, sobretudo das autoridades atualmente no poder.
Por: Aguinaldo Ampa

"As aves são Indicadores do bom estado de conservação dos ecossistemas"... A Guiné-Bissau efectuou em finais de Janeiro a contagem mundial 2026 das aves aquáticas migradoras, uma das maiores operações a nível internacional para a monitorização da biodiversidade.

A Garça Golias é uma ave que podemos encontrar no arquipélago dos Bijagós. © IBAP   Por: Liliana Henriques rfi.fr/pt  20/02/2026

A Guiné-Bissau efectuou em finais de Janeiro a contagem mundial 2026 das aves aquáticas migradoras, uma das maiores operações a nível internacional para a monitorização da biodiversidade. Esta contagem que decorreu em simultâneo em vários países inseridos nas rotas migratórias, foi realizada na Guiné-Bissau pelo IBAP, Instituto de Biodiversidade e das Áreas Protegidas, em parceria com outras entidades.

Durante uma semana, oito equipas envolvendo um total de mais de 40 técnicos efectuaram essa contagem ao longo do litoral norte, centro e sul do país, bem como no arquipélago dos Bijagós que -lembramos- desde o passado mês de Julho alcançou o estatuto de Património Mundial Natural da UNESCO.

António Pires, coordenador da Reserva da Biosfera dos Bijagós, esteve envolvido nesta contagem e explicitou a importância que tem designadamente para medir o estado de conservação em que se encontra determinado ecossistema.

RFI: Antes de falarmos da contagem propriamente dita, onde decorreu e de que aves estamos a falar?

António Pires: Estamos a falar de aves migradoras que procuram o arquipélago de Bolama-Bijagós durante o período do inverno europeu e em 2025 efectuamos a contagem mundial do arquipélago de Bolama-Bijagós e também na zona costeira da Guiné-Bissau. No arquipélago, temos três grandes zonas de contagem, devido à sua dimensão que cobre a parte de Bubaque-Soga, depois temos a parte de Formosa, mais para o norte do arquipélago, e depois a parte de Orango até mais a oeste do arquipélago. É efectuada assim a contagem do nosso espaço geográfico. Em termos da zona costeira, são efectuadas a partir do Parque Nacional Natural do Rio Cacheu até ao Parque Nacional de Cantanhez, que é a mais a sul da Guiné-Bissau.

RFI: Estamos a falar que tipo de aves é que nós encontramos?

António Pires: Principalmente das espécies de limícolas (aves que vivem nas praias e mangais). Fundamentalmente limícolas, que efectuam grandes migrações para o sul. Mas também encontramos as outras espécies de aves de médio e grande porte, como as garças, os mergulhões, etc, etc. Mas o alvo da contagem reside fundamentalmente nas limícolas, que empreendem grandes migrações a partir da zona de reprodução mais a norte da Europa, mais ou menos na zona da Sibéria, que ali nidificam e procuram o arquipélago Bijagós para a alimentação durante o período do inverno.

RFI: Para nós termos um pouco a noção, quando elas migram de África rumo à Europa, para onde é que vão estas aves?

António Pires: Existem vários pontos de paragem. Também irá depender da capacidade de cada grupo de aves para efectuar a migração de África para a Europa. Nesse caso há dois grandes sítios de grande concentração das aves nesse corredor de migração que é o arquipélago Bolama-Bijagós, ou também na Mauritânia, que é o Banco de Argan e há uma parte da população que também faz uma paragem na Europa. Parte dessa população fica na zona mais ocidental, em Lisboa, depois no Mar de Wadden (nos Países Baixos) e dali, depois, procuram o norte da Europa, que é a Sibéria para a reprodução.

RFI: Desde quando é que efectuam essa contagem anual?

António Pires: A Guiné-Bissau tem vindo a efectuar essa contagem há mais de dez anos, se não estou em erro. Isso foi fruto de um acordo trilateral no início entre a Dinamarca, a Alemanha e a Holanda, onde foi estabelecida uma equipa nacional para a monitorização dos sítios importantes das limícolas nos Bijagós. Depois disso, veio a desenvolver-se até à data presente. Desde 1997, mais ou menos, até esta data, temos vindo a contar regularmente as aves limícolas, também com o apoio de equipas portuguesas, de equipas holandesas, de equipas alemãs que contribuem junto com a equipa da Guiné-Bissau nas contagens ao longo desse período, mais ou menos de dez anos, se não estou em erro.

RFI: Qual é a importância de estarmos todos os anos a efectuar essa contagem?

António Pires: Bom, uma das importâncias da contagem mundial é para sabermos o efectivo da população que migra do norte ao sul ou do sul ao norte. Isso é a primeira questão. A outra segunda questão é o estado de conservação do espaço e também da disponibilidade do alimento que esses sítios oferecem. Porque as aves são Indicadores do bom estado de conservação dos ecossistemas. E outro aspecto também, ajuda de forma não directa, mediante estudos, a determinar a contaminação do sítio da contagem, por serem indicadores de metais pesados, mas isso numa esfera um bocadinho mais avançada, onde são efectuados estudos específicos nesse sentido.

RFI: Durante uma semana, umas quantas equipas andaram tanto nos Bijagós como também na zona costeira da Guiné-Bissau para contar e ver as condições em que se encontram essas aves migradoras, O que é que andaram concretamente a fazer durante essa semana? Quais foram os critérios que aplicaram nas vossas buscas?

António Pires: A equipa da Guiné-Bissau está constituída por oito grupos, no total de 46 pessoas. Nessas contagens procura-se saber o número de cada indivíduo. Procura-se também saber o estado do habitat onde eles se alimentam. Também são identificadas as ameaças associadas aos habitats e também as ameaças relacionadas com a presença das espécies no sítio. Mas também há factores que são recolhidos: factores do tempo, da maré, da incidência do sol, à pressão atmosférica. Há vários factores que são tomados em consideração durante o processo da contagem. O habitat até está em bom estado de conservação. A característica do sedimento, a vegetação que está à volta da área de contagem. Porque, por exemplo, nos Bijagós já temos um ecossistema de mangal que também é uma zona muito importante, onde a população humana dedica-se, fundamentalmente as mulheres, à recolha dos moluscos e durante a maré baixa utilizam este espaço para recolha desses moluscos. Então, existe mais ou menos uma relação entre a ave e as pessoas que utilizam o espaço durante a maré baixa.

RFI: Nestes dez anos em que andaram a contar as aves migradoras, notaram alguma evolução?

António Pires: Em termos do efectivo da população que procura o arquipélago, a zona costeira da Guiné-Bissau, não existe a diminuição do efectivo fruto de uma acção humana. Por exemplo, as flutuações da população dependem muito da disponibilidade do alimento ou da procura de novos sítios por essas espécies. Então, existe uma mobilidade à volta da zona costeira e do arquipélago Bolama-Bijagós. Mas pela disponibilidade do alimento, por exemplo, o arquipélago Bolama-Bijagós é muito influenciado pela dinâmica marinha e costeira. Então, isso faz com que os nutrientes estejam sempre à deriva de um lado a outro e depois é depositado num sítio específico ou num habitat específico durante a maré cheia e a maré baixa. Esses alimentos estão distribuídos dentro do espaço e as aves procuram nichos específicos para a alimentação. Mas não existe uma diminuição da espécie, de forma que a intervenção de uma outra actividade seja a excepção. Mas os habitats ou os sítios onde contamos, não existe uma diferença muito significativa. Também poderá ser em função da percepção da contagem dos factores também que interferem durante a contagem, por exemplo, a visibilidade, a distância que é contada. Isso interfere nos valores, mas não é significativo.

RFI: Quais são os desafios, os problemas, os obstáculos que eventualmente estas aves encontram? Falou muito da questão de encontrar alimentos. Há outras problemáticas que enfrentam essas aves migradoras?

António Pires: É mais associado ao habitat. Temos, por exemplo, o que é notório, a questão do lixo. Esse é um problema não só da Guiné-Bissau. Temos estado a constatar a presença do lixo que é trazido pelas correntes. Como sabe, a Guiné-Bissau está banhada por duas correntes, quer o mar do Golfo da Guiné e também a corrente fria que vem até à Guiné-Bissau. Então estas duas correntes, com a influência oceânica, trazem lixos para o interior do arquipélago. Mas não só, também dos lixos são produzidos nas grandes cidades e também a nível do arquipélago Bolama-Bijagós. Depois, com a chuva, parte desse lixo vai parar aos sítios de contagem e isso interfere um bocadinho nessa dinâmica da disponibilidade do habitat. O outro desafio é a necessidade da capacitação dos nossos técnicos para continuarmos nessa dinâmica internacional ligada ao Freeway, que é um corredor de migração das aves, fundamentalmente que ocorre desde a Sibéria, a parte da Europa, o banco de Argan e o arquipélago.

RFI: Qual é o balanço que faz da contagem que efectuaram há alguns dias agora?

António Pires: Eu considero que a contagem foi um sucesso. Os meios logísticos postos à disposição são consideráveis desde os recursos humanos, desde as embarcações, o combustível, o custo das deslocações, etc, etc. Isso fez com que a contagem fosse positiva. O outro aspecto é o nível de novas pessoas que foram incorporadas dentro dessa estrutura de contagem, porque é um trabalho que requer muito conhecimento, muita técnica e também muito trabalho de campo, anos de trabalho de campo que nos permitam identificar com certeza e dizer que é uma determinada espécie ou não. Na Guiné-Bissau, por tradição, temos estado nesse esforço, como referi anteriormente, há mais de dez anos. E bom, as dificuldades continuam a existir do ponto de vista da logística, porque estes meios também são implicados nas outras actividades. Depois é que são solicitados para a contagem mundial, por ser uma necessidade muito importante para o país.

RFI: Quais são os desafios que encontram na conservação dessa biodiversidade?

António Pires: Os desafios são vários. Temos o desafio desde o ponto de vista do aumento da população. Temos o desafio ligado ao desenvolvimento sustentável. Temos o desafio ligado à questão do turismo para o arquipélago ser agora um sítio de Património natural Mundial da UNESCO. O nível de importância aumentou consideravelmente. Isso faz com que o arquipélago Bijagós seja um sítio de procura. O número de turistas tem estado a aumentar, não de forma expressiva, mas sente-se a presença de cada vez mais pessoas à procura do arquipélago Bijagós. Em termos de conservação, temos o desafio ligado às mudanças climáticas. Em alguns sítios importantes, a erosão costeira tem estado a afectar alguns habitats muito importantes, sítios de reprodução das tartarugas, as zonas de alimentação de algumas espécies. Isso também é um problema. A pesca artesanal também é uma preocupação, por o arquipélago ser um sítio de excelência de actividade de pesca artesanal para os pescadores autóctones. Mas a Guiné-Bissau tem estabelecido protocolos de acordo com alguns países da África Ocidental, principalmente o Senegal. Procuram as nossas águas para as actividades de pesca, mas tudo com base na regulamentação que é estabelecida. Existe um sistema de fiscalização da actividade ilegal da pesca que é efectuada pelo Ministério das Pescas através de um departamento que tem a competência de fiscalizar actividades de pesca, não só no arquipélago, mas na zona costeira da Guiné-Bissau também. Outro desafio ligado à biodiversidade poderá estar associado à gestão do espaço e do recurso. Por ser uma reserva da biosfera, existe múltiplos actores. Há uma necessidade de estabelecer uma sinergia, uma cooperação, uma troca de informação em tempo útil para permitir que as medidas de gestão e de conservação sejam tomadas de forma atempada, evitando assim grandes problemas para o futuro.

RFI: As populações locais entendem a necessidade de se cuidar da biodiversidade?

António Pires: Sim, existem vários canais que temos estabelecido com os nossos parceiros, desde a comunidade local, do poder tradicional, das associações de base, das ONGs, da administração local, mesmo o Estado. Há um mecanismo de sensibilização ligado à importância do arquipélago Bijagós e mesmo ligado também à conservação da biodiversidade no arquipélago. Por exemplo, temos ONGs que têm a vocação específica ligada à questão da sensibilização, que começa desde a escola até a um nível mais alto, por exemplo, com os deputados, com os membros do governo. São efectuados esses trabalhos de sensibilização, de lobby, para despertar a atenção da importância do arquipélago e do cuidado que se deve ter em termos do desenvolvimento. Por exemplo, também as escolas de verificação ambiental. Há associações de amigos do ambiente, associações de professores, que também estão direccionados para questões ambientais. Agora, também há jornalistas de amigos do ambiente que estão a solicitar uma visita ao arquipélago, para irem conhecer. Então, essa dinâmica já está instalada. Mas é preciso um reforço dessa ferramenta de comunicação que nos irá permitir trabalhar não só a nossa instituição, que tem a responsabilidade da conservação, mas também as outras instituições também, que têm interesse dentro dessa região, para alinharmos o processo da conservação e a promoção do desenvolvimento sustentável nos diferentes eixos que são propostos.

JUIZA CARMEN ISAURA LOBO ASSUME PRESIDÊNCIA DA COMISSÃO NACIONAL DE ELEIÇÕES

Por: Assana Sambú  JORNAL ODEMOCRATA  20/02/2026

O Conselho Nacional de Transição (CNT) elegeu, esta sexta‑feira, 20 de fevereiro de 2026, a juíza conselheira Carmem Isaura Lobo como nova presidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE).

A eleição teve lugar durante a reunião ordinária daquele órgão legislativo de Transição, criado pelo Alto Comando Militar para a Restauração da Segurança Nacional e da Ordem Pública.

Para a escolha, os conselheiros de transição receberam do Supremo Tribunal de Justiça dois nomes para apreciação: a juíza conselheira Carmem Isaura Lobo e o juiz conselheiro Pansau Tcharé.

Segundo apurou O Democrata, os conselheiros acabaram por eleger, por unanimidade, a juíza Carmem Isaura Lobo para o cargo de presidente da Comissão Nacional de Eleições.

De acordo com uma fonte do Conselho Nacional de Transição, os restantes membros do Secretariado Executivo da CNE deverão manter‑se em funções, passando a trabalhar com a nova presidente.

Importa recordar que N’Pabi Cabi, então secretário executivo da CNE, assumiu a presidência daquela instituição em 2020, na sequência da renúncia do juiz conselheiro Pedro Sambú, que se candidatou ao cargo de presidente do Supremo Tribunal de Justiça.

André Ventura com imunidade levantada após queixa crime de Pinto Moreira... A Assembleia da República autorizou hoje, por unanimidade, o levantamento da imunidade parlamentar do presidente do Chega para responder a uma queixa de difamação que foi apresentada pelo antigo deputado do PSD Joaquim Pinto Moreira.

© FILIPE AMORIM / AFP via Getty Images  Por  LUSA   20/02/2026 

Este processo, em que André Ventura é alvo de uma queixa por difamação apresentada pelo antigo presidente da Câmara de Espinho, corre no Juízo de Instrução Criminal de Santa Maria da Feira.

Em dezembro passado, o Ministério Público pediu à Assembleia da República o levantamento da imunidade parlamentar de André Ventura para ser ouvido como arguido - requerimento que foi depois

Em causa estão declarações do presidente do Chega, numa entrevista à SIC, em março deste ano, em que disse que Pinto Moreira terá recebido "dinheiro para fazer obras" e de "trocar obras por presentes".

Segundo o antigo presidente da Câmara de Espinho, André Ventura proferiu estas declarações "com clara intenção de ofender a honra", considerando que André atuou propositadamente para lhe "imputar atos corruptivos" e "para os publicitar".

Ou seja, o líder do Chega terá atuado "de forma dolosa", tendo ofendido "gravemente na sua honra e consideração".

Em dezembro, em Ponta Delgada, no âmbito da sua candidatura presidencial, André Ventura comentou este caso que o envolve. Lamentou então que o ex-deputado social-democrata Pinto Moreira tenha "optado pela judicialização" do debate político e voltou a acusá-lo de corrupção.

Depois, disse que o antigo autarca de Espinho e ex-deputado do PSD é "conhecido de todos pela forma pouco séria e até corrupta como geriu os destinos da Câmara" e "desviou dinheiro".

Joaquim Pinto Moreira está envolvido no processo Vórtex e foi acusado de dois crimes de corrupção passiva agravada, um crime de tráfico de influências e um crime de violação de regras urbanísticas por funcionário.


Leia Também: Mais de 5.000 mulheres morreram e 14 mil foram feridas na Ucrânia

Mais de 5.000 mulheres e raparigas morreram e cerca de 14.000 ficaram feridas na Ucrânia desde o início da invasão russa, há quatro anos, alertou hoje a ONU Mulheres, que teme o encerramento da rede de ajuda a vítimas.

Polónia abandona tratado contra minas e gera críticas: "Um dia sombrio"... A coligação de organizações que defende a proibição de minas terrestres lamentou a saída da Polónia do tratado de não-utilização destas armas, hoje concluída, considerando tratar-se de "um dia sombrio para os civis em conflitos".

© Reuters   Por LUSA  20/02/2026 

A Polónia deixou hoje de estar vinculada às disposições do tratado que proíbem a utilização, a produção e a transferência de minas antipessoais, depois de ter terminado o período de espera legal de seis meses após a notificação de retirada feita às Nações Unidas.

Esta decisão, justificada por Varsóvia com a degradação da segurança no flanco leste da NATO, quebra "um consenso de décadas de que estas armas indiscriminadas não têm lugar nos arsenais modernos", lamentou a coligação de organizações que defendem o fim das minas terrestres, referindo tratar-se de uma posição "altamente invulgar".

A notificação da retirada da Polónia foi apresentada em 2025, em conjunto com a Estónia, a Finlândia, a Letónia e a Lituânia.

"Hoje é um dia sombrio para aqueles que procuram proteger os civis em conflitos. Ao decidirem reintroduzir estas armas antiquadas e desumanas, os cinco países estão a enfraquecer uma norma global que salvou inúmeras vidas civis", afirmou a diretora da Campanha Internacional para a Proibição de Minas Terrestres (ICBL, na sigla em inglês), Tamar Gabelnick, em comunicado.

"Estes governos alegam que 'precisam' de minas antipessoais para a sua defesa, mas a história mostra que os seus próprios cidadãos serão os que mais sofrerão com a sua utilização -- hoje e nas próximas décadas", alertou.

A última edição do Monitor de Minas Terrestres, realizado pela ICBL e divulgado em 2025, mostrou que nove em cada 10 pessoas mortas ou feridas por minas terrestres são civis, e quase metade são crianças.

Esta vaga de retiradas tem sido condenada pela ICBL e por outros líderes de organizações humanitárias, incluindo em dois grandes apelos conjuntos assinados por dezenas de laureados com o Prémio Nobel e líderes mundiais, que alertaram para os graves riscos de tais decisões.

A Polónia, qu tinha ratificado o tratado em 2012, destruindo um 'stock' de mais de um milhão de minas até 2016, anunciou recentemente planos para retomar a produção de minas antipessoais, tendo a empresa estatal Belma avançado que irá produzir 5 a 6 milhões de minas para colocação ao longo da fronteira leste e para exportação, nomeadamente para a Ucrânia.

Um anúncio que a ICBL admitiu ser alarmante, sublinhando que Kiev ainda é membro do Tratado de Proibição de Minas.

"A Polónia conhece a maldição das minas terrestres melhor do que a maioria dos países", já que "após a II Guerra Mundial, era um dos países mais minados da Europa", lembrou a vice-diretora do ICBL Kasia Derlicka-Rosenbauer.

O país "demorou mais de uma década a limpar o seu território e, mesmo assim, as minas terrestres continuaram a matar e a ferir cidadãos polacos até à década de 1970", acrescentou.


Leia Também: Rússia avisa para "efeito dominó" de saída polaca de acordo sobre minas

A Rússia advertiu hoje que a saída da Polónia da Convenção de Otava sobre a proibição de minas antipessoal pode desencadear um "efeito dominó" e ameaça agravar as tensões na Europa.

Governo finlandês prepara-se para uma eventual crise com a Rússia... A Finlândia, país membro da Aliança Atlântica, aumentou o orçamento para o setor da defesa, enquanto o Governo afirma que está preparar-se para enfrentar uma crise com a Rússia.

© Shutterstock   Por LUSA   20/02/2026 

No ano passado, a Finlândia gastou 6,5 mil milhões de euros em defesa, o que representa 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB), em comparação com 1,9% em 2022.

A Finlândia deve também receber este ano o primeiro de 64 aviões de combate F-35 norte-americanos.

O país partilha uma fronteira terrestre de 1.340 quilómetros com a Rússia e parte do seu território foi anexado pela União Soviética em 1940.

Em abril de 2023, a Finlândia pôs fim a décadas de não alinhamento militar ao aderir à Aliança Atlântica.

A entrada na NATO foi uma consequência da invasão da Ucrânia pelas forças de Moscovo.

"Antes tínhamos de nos desenrascar sozinhos. Com a ajuda de amigos, claro, mas sobrevivendo por conta própria. Agora, estamos totalmente integrados na NATO; é uma grande mudança na nossa abordagem à defesa", disse o ministro da Defesa finlandês, Antti Häkkänen, em entrevista à Agência France Presse. 

Para o governante, a Rússia, "preocupada com o conflito na Ucrânia", não representa atualmente uma ameaça militar direta, mas, sublinhou, pode tornar-se agressiva no futuro.

Nesse sentido, Antti Häkkänen afirmou que a Finlândia precisa de agir "rapidamente" para reforçar defesas.

Em janeiro, o Governo de Helsínquia abandonou a Convenção de Otava, que proíbe o uso das as minas terrestres antipessoais, e admite minar a zona de fronteira com a Rússia em caso de crise.

Perto do território finlandês, o exército russo está a reativar ou a reforçar bases, mas "por enquanto" não aumentou significativamente a presença militar na região, devido à guerra que trava contra as tropas ucranianas.

Face aos ataques de que os russos são suspeitos, a Finlândia reforçou também os sistemas de vigilância de cabos submarinos no Mar Báltico.

A Finlândia também fechou a fronteira com a Rússia "até novas ordens", temendo que o país vizinho possa orquestrar a chegada de migrantes provocando desestabilização, como aconteceu em 2023.

Nesse sentido, a Finlândia iniciou a construção de uma vedação fortemente vigiada com 200 quilómetros de comprimento em pontos estratégicos.

Com a vigência do serviço militar obrigatório, o país conta com uma reserva de 900 mil cidadãos, de uma população de 5,6 milhões.


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O Governo da Nova Zelândia anunciou hoje o alargamento da sua lista de sanções contra a Rússia devido à invasão da Ucrânia, que teve início há quase quatro anos.


Estudo. Proteínas influenciam saúde celular e prevenção do envelhecimento... Um estudo internacional liderado pela Universidade de Coimbra (UC) revelou o papel de uma família de proteínas em processos essenciais para manter a saúde celular e para a prevenção de doenças ligadas ao envelhecimento.

© Shutterstock   Por  LUSA  20/02/2026 

Um estudo internacional liderado pela Universidade de Coimbra (UC) revelou o papel de uma família de proteínas em processos essenciais para manter a saúde celular e para a prevenção de doenças ligadas ao envelhecimento.

Liderado pelo Grupo de Envelhecimento do Cérebro do Instituto Multidisciplinar do Envelhecimento (MIA-Portugal) da Universidade de Coimbra (integrado no Centro de Inovação em Biomedicina e Biotecnologia), a investigação internacional revelou um papel desconhecido de uma família de proteínas chamadas dinaminas.

A investigação demonstrou a importância das dinaminas "na proteção do núcleo celular e na preservação da estabilidade do genoma, processos essenciais para manter a saúde celular e a prevenção de enfermidades relacionadas com o envelhecimento", afirmou hoje a UC.

Num comunicado enviado à agência Lusa, aquela instituição de ensino superior explicou que a equipa de cientistas descobriu que as células sem dinaminas "apresentam defeitos profundos na arquitetura nuclear".

A investigadora do MIA-Portugal e primeira autora do estudo, Célia Aveleira, partilhou que "foi possível descobrir que as dinaminas são fundamentais para manter a integridade da membrana nuclear e a estabilidade do genoma".

"Quando estas proteínas estão ausentes, a estrutura do núcleo torna-se irregular, os sistemas de reparação de ADN são afetados e o ADN danificado acumula-se na célula, representando uma ameaça à estabilidade celular", acrescentou.

Para além de atribuir um novo papel àquela família de proteínas, os resultados do estudo permitem também compreender melhor a base celular do envelhecimento e das doenças relacionadas com a idade.

"Ao identificar as dinaminas como reguladoras da integridade nuclear e da estabilidade do genoma, o nosso trabalho oferece novas perspetivas sobre os mecanismos que previnem patologias relacionadas com o envelhecimento", avançou a investigadora principal do Grupo de Envelhecimento do Cérebro do MIA-Portugal Ira Milosevic.

De acordo com a também investigadora da Universidade de Oxford, as descobertas "têm implicações para a investigação sobre o envelhecimento e para doenças causadas pela instabilidade genómica", tais como patologias neurodegenerativas e cancro.

O estudo demonstrou ainda que as dinaminas exercem o seu papel protetor através de interações com o citoesqueleto, particularmente com os microtúbulos -- o suporte interno e rede de transporte da célula.

"Pode-se pensar nos microtúbulos como os alicerces da célula e as dinaminas trabalham em conjunto com essas estruturas para manter a estabilidade nuclear e apoiar a manutenção do genoma", explicou Célia Aveleira.

Segundo a UC, as dinaminas são mais conhecidas pelo seu papel como "pinças" moleculares que cortam as vesículas recém-formadas da membrana celular.

O núcleo celular funciona como o centro de comando da célula, albergando e salvaguardando o genoma. Para o bom funcionamento celular, o núcleo deve manter a integridade estrutural, preservar a integridade da membrana nuclear e reparar eficientemente os danos no ADN.

"A perturbação de qualquer um destes processos está intimamente associada ao envelhecimento", completou a instituição de ensino superior.

Para além do MIA-Portugal e da Universidade de Oxford (Reino Unido), a investigação envolveu ainda a Universidade de Sheffield (Reino Unido), a Universidade Tecnológica de Nanyang (Singapura) e a Universidade Estadual da Pensilvânia (Estados Unidos).

FBP // SSS

Lusa/Fim