quarta-feira, 11 de março de 2026

Senegal aprova lei que duplica penas de prisão para relações homossexuais... A Assembleia Nacional do Senegal aprovou hoje uma lei que duplica as penas para quem tem relações homossexuais, punidas agora com cinco a dez anos de prisão, num contexto de uma onda de homofobia e detenções por presumida homossexualidade.

© GUY PETERSON/AFP via Getty Images  Por  LUSA  11/03/2026 

A lei prevê também sanções penais contra, entre outros, a promoção da homossexualidade no Senegal.

A medida legislativa deve agora ser promulgada pelo presidente Bassirou Diomaye Faye, o que fará deste país um dos mais repressivos em África contra pessoas LGBT+.

A pena máxima será aplicada se o ato tiver sido cometido com um menor, segundo o texto.

O texto prevê também multas que podem ir de dois a 10 milhões de francos CFA (3.048 a 15.244 euros), contra 100.000 a 1.500.000 de francos CFA (152 a 2.286 euros) anteriormente.

A lei pretende, no entanto, punir qualquer pessoa que denuncie de forma abusiva e de má-fé supostos homossexuais.

O Senegal, um país maioritariamente muçulmano, encontra-se agitado há várias semanas pela questão da homossexualidade, um tema que tem surgido regularmente nos debates nos últimos anos.

Este tema tornou-se mais polémico do que o habitual desde a detenção, no início de fevereiro, de 12 homens, incluindo duas celebridades locais, acusados de "atos contra a natureza", termos que designam relações "entre duas pessoas do mesmo sexo".

Desde então, novas detenções em série - várias dezenas - têm sido relatadas diariamente na imprensa.

Algumas das pessoas são, em particular, acusadas de ter transmitido voluntariamente o VIH/SIDA, alimentando debates acalorados sobre a homossexualidade.

 Várias organizações de defesa dos direitos humanos denunciaram estas detenções.

Após um debate que durou todo o dia, os deputados senegaleses aprovaram o texto com 135 votos a favor, nenhum contra e três abstenções.

"Os homossexuais não respirarão mais neste país. Os homossexuais não terão mais liberdade de expressão neste país", lançou do alto da tribuna a deputada Diaraye Bâ, sob os aplausos de alguns dos seus colegas.

O ministro do Interior, Mouhamadou Bamba Cissé, que representava o governo, qualificou o texto como uma "boa lei".

Há vários anos, associações religiosas muito influentes têm pedido a "criminalização" da homossexualidade. Esta é amplamente considerada um desvio no Senegal e o endurecimento da sua repressão é uma promessa de longa data do partido no poder, com peso político neste país.

A homossexualidade é também frequentemente denunciada como um instrumento usado pelos Ocidentais para impor valores supostamente estranhos à cultura local.

"O Senegal é um país aberto ao mundo. Mas esta abertura não pode justificar que abdiquemos dos nossos valores", afirmou a este respeito o ministro do Interior.

Com esta nova lei, a qualificação jurídica das relações homossexuais não muda e continua a ser "um delito", o que é suficiente para "obter o que queremos e nem sequer mais", estimou o Primeiro-ministro, Ousmane Sonko.

Mas como o líder do Executivo senegalês inicialmente prometeu durante as suas campanhas eleitorais tornar isto um crime, a oposição e alguns ativistas acusam-no de não ter cumprido a palavra.

"Vocês [a maioria] conduzem uma política baseada na mentira. Eu não votarei esta lei porque é uma lei de engano", realçou Thierno Alassane, um deputado da oposição.

Mais de metade dos países africanos proíbe e reprime a homossexualidade. A pena de morte é aplicada no Uganda, na Mauritânia ou na Somália.

Cerca de uma dezena de países e territórios prevê penas que vão de 10 anos de prisão até à prisão perpétua, entre os quais o Sudão, o Quénia, a Tanzânia e a Serra Leoa.


Israel regista dezenas de projéteis lançados pelo Hezbollah... O grupo xiita Hezbollah disparou hoje dezenas de projéteis a partir do Líbano contra o norte de Israel, segundo o exército israelita, num ataque em grande escala que afetou a maior parte do norte do país.

Por LUSA 

A informação foi confirmada pelos militares israelitas à agência de notícias EFE e ao jornal The Times of Israel, que se refere ao "maior ataque do Hezbollah contra Israel" desde o agravamento das hostilidades entre as partes no início do mês.

O jornal israelita noticiou que cerca de 100 projéteis foram disparados hoje pelo grupo político e militar aliado do Irão.

O Corpo de Bombeiros de Israel indicou um ferido ligeiro devido ao impacto de um 'rocket' numa casa na cidade de Bena, no norte do país, enquanto o serviço de emergência israelita Magen David Adom assistiu outras duas pessoas, também com ferimentos ligeiros, num local não especificado igualmente na região norte.

Em resposta, as forças israelitas anunciaram uma nova vaga de bombardeamentos intensivos contra Dahye, no subúrbio sul de Beirute e um bastião do grupo libanês.

O Hezbollah retomou os seus ataques aéreos contra Israel no seguimento da ofensiva israelo-americana contra o Irão, que matou o seu líder supremo, Ali Khamenei, logo no primeiro dia de bombardeamentos, em 28 de fevereiro.

Em resposta, as forças israelitas lançaram uma forte campanha de bombardeamentos contra alegados alvos do grupo xiita nos subúrbios de Beirute, no vale de Bekaa e no sul do Líbano, onde expandiu as posições terrestres que já ocupava no conflito anterior.

As autoridades libanesas contabilizam pelo menos 634 mortos, dos quais 64 nas 24 horas anteriores à divulgação, hoje à tarde, do seu último balanço, a que se adicionam centenas de milhares de deslocados.

Esta situação repete os acontecimentos posteriores ao início da guerra na Faixa de Gaza, em 2023, quando o Hezbollah partiu em apoio do seu aliado palestiniano Hamas e começou a bombardear Israel, que no ano seguinte, lançou uma forte operação militar que eliminou grande parte da cúpula do movimento islamita.

Apesar de um cessar-fogo, em novembro de 2024, Israel nunca deixou de atacar supostos alvos do Hezbollah, que acusa de procurar readquirir as suas capacidades militares.

Nos últimos dias, segundo o jornal Haaretz, Israel tem ponderado retirar novamente as comunidades israelitas ao longo da fronteira libanesa, como tinha feito em 2023, como medida de segurança perante os ataques aéreos do Hezbollah.

Esta nova crise arrastou o Líbano para a guerra desencadeada por Israel e Estados Unidos contra o Irão, cuja retaliação nos países vizinhos que albergam bases norte-americanas amplificou o conflito para uma dimensão regional.

Depois de ter tentado desarmar o Hezbollah, o Governo de Beirute proibiu na semana passada as atividades militares do grupo libanês, que por sua vez o acusa de ceder a pressões de Israel e Estados Unidos.


Leia Também: Líbano "numa guerra que não escolheu" e admite "negociações" com Israel... 

O representante libanês na ONU afirmou hoje que o Líbano está "preso numa guerra que não escolheu", admitindo disponibilidade para "negociações diretas com Israel sob os auspícios internacionais" para estabelecer "uma trégua completa" e cessar a agressão israelita.


Trump garante que EUA destruíram 28 navios lança-minas iranianos... O presidente norte-americano, Donald Trump, garantiu hoje que Washington destruiu "28 navios lança-minas" iranianos, encarregados de colocar explosivos no Estreito de Ormuz.

Por LUSA 

"Atacámos 28 navios lança-minas até agora", disse Trump à imprensa no estado do Ohio, descrevendo novamente a ofensiva israelo-americana contra o Irão como uma "excursão" e garantindo que estava "muito adiantada" em relação ao calendário previsto.

"Desmantelámos quase todos os seus navios lança-minas numa noite", disse Trump momentos antes ainda na Casa Branca (sede da presidência), sugerindo que até 60 navios iranianos tinham sido atingidos desde o início da guerra em 28 de fevereiro.

"Já chegámos ao navio número 60. Não sabia que tinham uma Marinha tão grande. Diria que era grande e ineficaz", adiantou.

"Praticamente toda a sua Marinha desapareceu", insistiu.

Por seu lado, o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) afirmou na terça-feira ter destruído "vários navios de guerra iranianos" perto do Estreito de Ormuz, citando 16 navios que acusam de ter ameaçado "a liberdade de navegação".

A situação no Estreito de Ormuz, por onde passa aproximadamente 20% do petróleo mundial e uma quantidade importante de minerais estratégicos, alterou o mercado internacional de petróleo e gás depois de a Guarda Revolucionária do Irão ter ameaçado atacar qualquer navio que o atravessasse.

Trump garantiu que a navegação no Estreito de Ormuz é segura e incentivou as petrolíferas a utilizar essa rota marítima, ao mesmo tempo que renovou as suas ameaças ao Irão.

"Poderia ser muito pior (...). Nós atingimo-los mais forte do que qualquer outro país na história, e ainda não terminámos", advertiu.

"Neste momento, perderam a sua Marinha, perderam a sua Força Aérea, não têm antiterrorismo. Não têm radar, os seus líderes desapareceram e poderíamos ser muito piores", acrescentou o Presidente republicano.

Fontes anónimas citadas pela estação norte-americana CNN afirmaram que, por enquanto, o Irão colocou apenas algumas dezenas de minas, mas que poderia aumentar o número para centenas com a frota que ainda mantém.

A agência de Operações Comerciais Marítimas do Reino Unido (UKMTO, na sigla em inglês) informou que três navios foram atingidos hoje por projéteis perto do Estreito de Ormuz e na própria via.

Por seu lado, a Guarda Revolucionária iraniana, o exército ideológico da República Islâmica, reivindicou o ataque contra um navio de propriedade de Israel e com bandeira da Libéria, o "Express Rome".

Teerão garantiu ainda que não permitirá que "nem um litro de petróleo" atravesse o Estreito de Ormuz em benefício dos Estados Unidos (EUA), Israel ou seus parceiros.

O Irão também ameaçou hoje atacar "todos os portos e centros económicos da região" caso se concretizem eventuais ataques dos Estados Unidos contra instalações portuárias iranianas.

O CENTCOM afirmou que o Irão está a utilizar portos civis ao longo do Estreito de Ormuz para conduzir operações militares que ameaçam o tráfego marítimo.

O CENTCOM avisou ainda que infraestruturas civis usadas para fins militares "perdem o seu estatuto de proteção e tornam-se alvos legítimos ao abrigo do direito internacional".

Ucrânia: Kyiv recebeu novo carregamento de mísseis Patriot alemães... O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou hoje que Kyiv recebeu um novo carregamento de ajuda militar da Alemanha, composto por 35 mísseis PAC-3 para sistemas Patriot.

Por LUSA 

Esta entrega faz parte de um pacote de ajuda negociado com os parceiros internacionais da Ucrânia.

"A parte alemã destes mísseis chegou ontem (terça-feira), obrigado por isso", disse Zelensky sobre os mísseis, segundo declarações divulgadas pela agência de notícias ucraniana Ukrinform.

"Este é um dos pacotes de defesa aérea que negociamos com os nossos parceiros de vez em quando. Gostaríamos de ter recebido mais, mas acabou por ser assim", observou o chefe de Estado ucraniano.

A Alemanha, o país europeu que mais ajuda prestou a Kiev, confrontada com a guerra de agressão russa desde fevereiro de 2022, lidera a iniciativa centrada em fortalecer a defesa antiaérea das Forças Armadas ucranianas.

O Ministério da Defesa alemão confirmou na terça-feira o envio para a Ucrânia do novo pacote de mísseis intercetores, num esforço coordenado com os aliados do Grupo de Contacto para a Defesa da Ucrânia, uma aliança com mais de 50 países, incluindo Portugal.

"Outra parte dos mísseis PAC-3 previstos no âmbito desta iniciativa foi garantida através dos nossos parceiros", indicou um porta-voz do Ministério da Defesa alemão, referindo-se aos mísseis intercetores fabricados pela empresa norte-americana Lockheed Martin.

Esta entrega de mísseis PAC-3 "permite à Ucrânia o acesso ao sistema de defesa aérea de alta qualidade Patriot para se defender dos contínuos ataques aéreos russos", acrescentou o ministério liderado por Boris Pistorius.

O próprio Pistorius lançou esta iniciativa internacional a 12 de fevereiro, para fornecer à Ucrânia estes dispendiosos mísseis intercetores da Lockheed Martin, um produto militar de alta tecnologia cujo custo unitário é estimado em cerca de 3,7 milhões de dólares (cerca de 3,2 milhões de euros).

Líbano "numa guerra que não escolheu" e admite "negociações" com Israel... O representante libanês na ONU afirmou hoje que o Líbano está "preso numa guerra que não escolheu", admitindo disponibilidade para "negociações diretas com Israel sob os auspícios internacionais" para estabelecer "uma trégua completa" e cessar a agressão israelita.

Por LUSA 

Num discurso perante o Conselho de Segurança da ONU, que hoje reuniu-se de emergência para abordar os acontecimentos no território libanês, Ahmad Arafa denunciou a "grave situação humanitária" no Líbano diante da escalada de violência entre Israel e o grupo xiita Hezbollah, pró-Irão.

"Estamos presos numa guerra que não escolhemos. Os ataques israelitas continuam a desrespeitar as leis da guerra num momento em que o Hezbollah foi declarado ilegal pelas nossas autoridades nacionais", disse o embaixador.

Segundo Arafa, os ataques israelitas causaram "desolação, o deslocamento de um milhão de pessoas e vítimas inocentes, número que aumenta a cada dia".

Nesse sentido, instou a comunidade internacional a exigir que Israel "cesse as suas violações e pare com ameaças".

O embaixador lembrou que, em 02 de março, o Governo libanês proibiu todas as atividades do Hezbollah e ordenou a entrega das suas armas, enquanto no dia 05 de março ordenou a deportação das forças iranianas e a exigência de autorizações prévias para a entrada de cidadãos iranianos no país.

Arafa enfatizou que o Líbano seguirá em frente com a implementação dessas decisões e "não recuará", embora a prioridade continue a ser "pôr fim a esta guerra e garantir a paz e a segurança" em território libanês.

O representante diplomático de Beirute acrescentou: "O Líbano não aceitará ser palco para acertos de contas. Queremos tirar o nosso país desta crise da maneira mais resiliente possível".

Também enfatizou que as Forças Armadas Libanesas estão a procurar confiscar armas do Hezbollah e fortalecer a autoridade do Estado em todo o território.

Por fim, condenou os ataques iranianos contra os países do Golfo e outras nações, classificando-os como "vergonhosos".

A campanha de bombardeamentos israelitas contra o sul e o leste do Líbano, principalmente contra a capital Beirute, já causou 634 mortes, cerca de 1.500 feridos e mais de 800 mil deslocados, segundo os dados oficiais mais recentes.

Na mesma reunião do Conselho de Segurança, convocada de emergência pela França para abordar a situação em solo libanês, o representante norte-americano na ONU, Mike Waltz, instou o Líbano a "retomar o controlo de todo o seu país".

"Agora é o momento para o Governo libanês retomar o controlo de todo o país. Os Estados Unidos apoiam essa missão (...). Estamos mais do que dispostos a dedicar o tempo e os recursos necessários esse fim", disse Waltz.

No início do mês, pouco depois dos ataques israelo-americanos ao Irão e do assassínio do líder supremo iraniano, o 'ayatollah' Ali Khamenei, o Hezbollah disparou projéteis contra Israel, alegando que a ação foi uma resposta à morte de Khamenei.

Os projéteis teriam caído em áreas abertas ou sido intercetados.

Em resposta, as Forças de Defesa de Israel realizaram ataques aéreos em larga escala contra alegados alvos do Hezbollah em diversas áreas do Líbano, incluindo a capital Beirute, o Vale do Bekaa e o sul do país.

Mike Waltz condenou hoje os ataques do Hezbollah, um grupo que acusou de "não representar, nem defender o povo do Líbano, mas sim os interesses do regime iraniano" e, por outro lado, defendeu "as legítimas necessidades de segurança de Israel e o seu direito de se defender do regime iraniano e do Hezbollah".

"Por quanto tempo o mundo continuará a tolerar o regime iraniano como o maior patrocinador estatal do terrorismo, semeando o caos pelo mundo enquanto procura exportar a sua suposta revolução? (...) Felizmente, os Estados Unidos e esta administração estão a tomar medidas ousadas", defendeu o embaixador norte-americano.

Poucos minutos antes do início da reunião, o embaixador israelita na ONU, Danny Danon, afirmou que o Governo libanês deve escolher entre confrontar o Hezbollah ou deixar que Israel o faça, defendendo a ofensiva do seu país contra o Líbano.

Danon insistiu que o Governo libanês "deve mobilizar o seu exército e enfrentar a ameaça terrorista representada pelo Hezbollah, não apenas para Israel, mas também para o seu próprio povo".

O Líbano é um dos países mais expostos à escalada militar na região desde os ataques israelitas e norte-americanos ao Irão, iniciados a 28 de fevereiro.


Leia Também: Pelo menos 634 mortos em dez dias de guerra no Líbano

A guerra entre Israel e o movimento libanês pró-iraniano Hezbollah fez 634 mortos e 1.586 feridos em dez dias no Líbano, anunciou hoje o ministro da Saúde libanês, Rakan Nassereddine, numa conferência de imprensa.


Exclusivo: Esquema de “Pensões Fantasmas” no Instituto Nacional de Segurança Social (INSS) na Guiné-Bissau

@RTB
Bissau, 11 de março de 2026. 
Um documento interno do Serviço de Prestação de Pensões de Velhice e Sobrevivência do Regime Geral, ao qual a nossa redação teve acesso exclusivo, revela um escândalo de corrupção e má gestão de fundos públicos no seio do Instituto Nacional de Segurança Social (INSS), concretamente na Direção de Identificação e Prestação, serviço responsável pela fixação e processamento das pensões de velhice e sobrevivência.

Em causa está a atribuição seletiva e arbitrária de pensões de velhice e de sobrevivência a indivíduos sem qualquer histórico contributivo e sem nenhuma condição legal para lhes ser fixada uma pensão, num esquema que poderá ter lesado o INSS e o Estado da Guiné-Bissau em cerca de setenta milhões de francos CFA (70.000.000 XOF), segundo o documento a que a nossa redação teve acesso.

O “milagre” das pensões sem requerimento

O esquema foi descoberto pela chefe da Repartição do Serviço de Prestação de Pensões de Velhice e de Sobrevivência na sequência de um trabalho interno em que detetou que, de forma estranha, foram fixadas as pensões acima referidas sem antecedência e sem qualquer requerimento por parte dos supostos beneficiários, que alegadamente são familiares e amigos próximos da então diretora do Serviço de Identificação e Prestação, igualmente responsável pelo alegado esquema.

Segundo o documento produzido dentro do próprio serviço, foi identificada uma anomalia estatística ilegal e sem pretendentes: a fixação de pensões de velhice e de sobrevivência mensais elevadas para beneficiários que nunca as solicitaram e sem qualquer documento que comprovasse descontos contributivos. De acordo com o documento na posse da nossa redação, as verbas foram atribuídas sem que existissem quaisquer antecedentes ou processos administrativos que as sustentassem.

Entre os nomes dos supostos beneficiários pensionistas, que segundo a nossa fonte dentro do INSS são familiares e amigos próximos da então diretora do Serviço de Prestação, cujos pagamentos variam entre 430.000 XOF e ultrapassam 1.000.000 XOF mensais, encontram-se figuras como Lamine Keita, pensionista SRG com 521.917 XOF; Loba Camara, com pensão de velhice de 1.058.717 XOF e pensão SRG de 361.990 XOF; Laurinda Veiga, com pensão de velhice de 653.917 XOF e pensão SRG de 432.917 XOF, entre outros com registos de entrada no sistema entre abril e junho de 2025.

Os pagamentos eram efetuados através de transferências bancárias nos bancos Ecobank, Orabank e Banca Atlantique, bem como por meio de “cheques de atendimento”.

Apesar da gravidade dos factos, que indiciam fortes suspeitas de fraude e peculato, a situação é, no mínimo, alarmante. Segundo fontes próximas do processo, internamente não foram tomadas providências para a instauração de processos disciplinares ou mesmo de inquéritos após o conhecimento do caso, apesar de existirem suspeitos e nomes de funcionários envolvidos na manipulação do sistema no INSS. A lei prevê um prazo de 15 dias para a abertura de processo disciplinar após a deteção de irregularidades. Com o decurso desse prazo, a possibilidade de responsabilização administrativa interna poderá prescrever e ficar comprometida.

Perante esta situação, especialistas jurídicos consideram que a única entidade com capacidade para aprofundar a investigação e eventualmente instaurar processos criminais será agora o Ministério Público, através da Polícia Judiciária.

O caso levanta preocupações adicionais sobre a transparência e o controlo das pensões na Guiné-Bissau, num contexto em que o país enfrenta dificuldades estruturais na gestão de recursos públicos e no combate à corrupção administrativa.

De salientar que o processo, segundo as nossas fontes, encontra-se atualmente sob alçada da Polícia Judiciária guineense (PJ). Até ao momento foram notificados os técnicos Falloni Miranda Quessangue, então diretora de Serviços onde a alegada burla terá ocorrido, e Amara Keita, diretor dos Serviços Informáticos, ambos do INSS.

Face ao exposto, impõe-se o apuramento célere da verdade e a responsabilização dos envolvidos no alegado esquema.

“Se a casa não se limpar por dentro, terá de ser a justiça a arrombar a porta”, afirmou uma fonte ligada à investigação.

Segundo consta, a PJ está a realizar um trabalho com profissionalismo e em total colaboração com a Direção-Geral do INSS, para apurar os factos e perceber se os nomes que constam na folha de pagamento são “testas de ferro” ou identidades fictícias criadas para alimentar os bolsos dos funcionários alegadamente envolvidos.

A pergunta que agora se coloca é: o que vai acontecer?

Serão suspensos, até prova em contrário, os suspeitos de envolvimento neste alegado esquema?

Será que o Ministério do Trabalho e Segurança Social irá intervir perante a inércia dos acontecimentos?

A nossa equipa continuará a acompanhar o desenrolar das averiguações da Polícia Judiciária.

Irão: Consultoras Deloitte e PwC evacuam escritórios no Dubai... A consultora Deloitte pediu hoje aos seus funcionários que evacuassem os escritórios no Dubai, enquanto a PwC decidiu fechar as suas instalações em quatro países do Golfo, após ameaças iranianas, noticia a Agência France Press (AFP).

Por LUSA 

Os escritórios da PwC na Arábia Saudita, no Qatar, nos Emirados e no Kuwait serão fechados "por precaução" durante o resto da semana, segundo duas fontes próximas dessas empresas britânicas, citadas pela AFP.

O exército iraniano disse hoje que pretendia agora atacar "os centros económicos e os bancos" da região, em retaliação a um ataque israelo-americano a uma instituição bancária em Teerão.

As forças armadas do Irão afirmaram hoje que vão passar a alvejar bancos e instituições financeiras na região depois da morte de funcionários bancários em Teerão num ataque israelo-americano.

"O inimigo deu-nos carta-branca para visar os centros económicos e bancos" dos Estados Unidos e de Israel no Médio Oriente, declarou o quartel-general central de Khatam al-Anbiya, ligado aos Guardas da Revolução.

O comando iraniano aconselhou a população no Médio Oriente a não se aproximar a menos de um quilómetro de bancos norte-americanos ou israelitas, segundo a agência espanhola EFE.

O Irão respondeu à ofensiva lançada em 28 de fevereiro com ataques contra os países vizinhos, sobretudo contra bases militares norte-americanas, além de visar Israel.

A ofensiva dos Estados Unidos e Israel desencadeou uma nova guerra no Golfo Pérsico que já atingiu uma dezena de países, incluindo Chipre, membro da União Europeia, e a Turquia, que integra a NATO.

EUA alertam civis iranianos para evitarem portos no estreito de Ormuz... As Forças Armadas dos Estados Unidos alertaram hoje a população iraniana para evitar instalações portuárias civis utilizadas pela marinha do Irão no estreito de Ormuz, afirmando que esses locais podem tornar-se alvos militares.

Por LUSA 

O Comando Central dos EUA (CENTCOM) exortou os civis iranianos a evitarem "imediatamente todos os portos onde as forças navais iranianas estão a operar", de acordo com um comunicado.

O comando militar norte-americano disse que os EUA "não podem garantir a segurança dos civis perto ou em locais utilizados pelo regime iraniano para fins militares".

"O regime iraniano está a utilizar portos civis ao longo do estreito de Ormuz para conduzir operações militares que ameaçam a carga marítima internacional", afirmou o CENTCOM, acrescentando que essas ações "colocam em risco a vida de pessoas inocentes".

O comando norte-americano avisou ainda que portos civis utilizados para fins militares "perdem o estatuto de proteção e tornam-se alvos legítimos de ataques militares ao abrigo do direito internacional".

Por isso, as autoridades militares norte-americanas apelaram a estivadores, funcionários administrativos e tripulações de navios comerciais iranianos para se manterem afastados de embarcações da marinha iraniana e de equipamento militar.

O alerta surgiu horas depois de o almirante Brad Cooper, comandante do CENTCOM, anunciar uma missão para "eliminar a capacidade de projeção de poder e de assédio aos navios no estreito de Ormuz a partir do ar".

O controlo do estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo transportado por via marítima no mundo, tornou-se um dos pontos centrais do atual conflito regional.

No mercado energético, o petróleo West Texas Intermediate (WTI) subiu 4,12%, para 86,89 dólares por barril, após recentes quedas ligadas à incerteza sobre o impacto da guerra.

Teerão afirmou que não vai permitir que "um único litro de petróleo" atravesse o estreito em benefício dos Estados Unidos, de Israel ou dos aliados.

As autoridades iranianas anunciaram também ter atingido dois navios com mísseis no estreito, incluindo um cargueiro que, de acordo com Teerão, seria de propriedade israelita.

Entretanto, o CENTCOM afirmou na terça-feira ter destruído "vários navios de guerra iranianos" perto do estreito de Ormuz, incluindo 16 embarcações lança-minas.

Em 28 de fevereiro, Estados Unidos e Israel lançaram uma ofensiva militar contra o Irão, que respondeu com ataques contra alvos em Israel e bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque. Incidentes com projéteis iranianos também atingiram Chipre, Azerbaijão e Turquia.

Teerão está a condicionar o tráfego no estreito de Ormuz, ameaçando atacar qualquer embarcação que tente romper os condicionamentos, que já alteraram o mercado internacional do petróleo.


Leia Também: Líbano "está exausto pelas guerras dos outros povos"

O subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Tom Fletcher, afirmou hoje que o Líbano "está exausto pelas guerras dos outros povos" e pediu a Israel e ao Irão que deixem de travar as suas ofensivas em solo libanês.


Nigéria aprova 1.ª política nacional de segurança sobre cosméticos... A Nigéria aprovou a sua primeira política nacional de segurança e saúde sobre cosméticos, após duas décadas de tentativas, visando estabelecer regras para o fabrico e venda de produtos, anunciou hoje a Organização Mundial da Saúde.

Por LUSA 

O país mais populoso de África aprovou a política - lançada no 66.º Conselho Nacional de Saúde, em Calabar, em novembro do ano passado - e estabeleceu "um sistema claro para regulamentar a forma como os produtos cosméticos são fabricados, importados, vendidos, utilizados e eliminados", contextualizou a Organização Mundial da Saúde (OMS) num comunicado.

"Ao melhorar a regulamentação e a vigilância, a política reforça a segurança sanitária, protege os consumidores e apoia a diversificação económica", indicou a OMS.

A agência de saúde frisou que os cosméticos fazem parte da vida quotidiana de milhões de nigerianos, mas muitas pessoas não sabem o que contêm os produtos que utilizam.

A indústria de cosméticos da Nigéria tornou-se um setor dinâmico e cada vez mais sofisticado, com uma avaliação de mercado superior a 7,8 mil milhões de dólares (cerca de 7,18 mil milhões de euros), referiu a OMS.

"Desde 2022, a Nigéria registou cerca de 9.000 produtos cosméticos que cumprem os requisitos regulamentares nacionais sob a supervisão da Agência Nacional para a Administração e Controlo de Alimentos e Medicamentos (NAFDAC), refletindo esforços. No entanto, as evidências toxicológicas continuam a ser preocupantes", alertou.

Na Nigéria, um estudo realizado no estado de Anambra encontrou contaminação por chumbo em 62% dos produtos cosméticos testados. Investigações adicionais em Ibadan e Lagos confirmaram níveis de cádmio, chumbo e níquel acima dos limites internacionais de segurança em produtos de higiene pessoal, exemplificou.

Esses químicos podem causar problemas renais, danos na pele e complicações durante a gravidez, explicou.

Para a OMS, "os resultados sublinham a necessidade urgente de reforçar a vigilância, a sensibilização dos consumidores e a fiscalização para proteger a saúde pública".

A nova política, que contou com a ajuda da OMS, introduz a supervisão regulamentar que "garantirá que todos os produtos cosméticos cumpram os padrões de segurança e qualidade, melhorando a coordenação entre agências", assim como a vigilância dos cosméticos de forma a que sejam dados alertas precoces sobre produtos nocivos.

Por outro lado, há agora um reforço da cadeia de valor, pois passa a haver apoio para uma produção mais segura.

"A Nigéria pode construir um mercado de cosméticos mais seguro que proteja a saúde e apoie os negócios locais", concluiu.

Irão: Depósitos de combustível atingidos por drones iranianos em Omã... Depósitos de combustível foram atingidos hoje por um ataque de drones iranianos no porto de Salalah, em Omã, avançou a agência de notícias do país do Golfo.

Por LUSA 

"Uma fonte de segurança indicou que vários drones foram abatidos, enquanto outros atingiram reservatórios de combustível no porto de Salalah", no sul de Omã, segundo a mesma agência, acrescentando que não foram registadas vítimas.

A empresa privada de segurança marítima Vanguard Tech, por seu lado, anunciou a suspensão das operações do porto após o ataque.

O Irão continua a atacar infraestruturas no Golfo em retaliação aos ataques israelitas e norte-americanos no seu território.

No início do dia, o Irão afirmou ter atacado várias bases norte-americanas no Kuwait e no Bahrein, bem como vários alvos em Israel, incluindo a direção de inteligência militar e uma base naval em Haifa (norte).

O exército iraniano afirmou hoje querer atingir "os centros económicos e os bancos" norte-americanos e israelitas no Golfo, após um ataque israelo-americano ter matado funcionários de um banco em Teerão.

Omã tem mediado as negociações indiretas entre os Estados Unidos e Irão sobre o programa nuclear de Teerão, que se revelaram infrutíferas e foram interrompidas com os ataques de Washington e Telavive.

O país já registou pelo menos uma vítima mortal na sequência de ataques iranianos.

A ofensiva dos Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro desencadeou uma nova guerra no Golfo Pérsico que já atingiu uma dezena de países, incluindo Chipre, membro da União Europeia, e a Turquia, que integra a NATO.

O Irão acusou Estados Unidos e Israel de terem matado mais de bombardeado cerca de 10.000 alvos civis desde o início da guerra, de acordo com a cadeia qatari Al-Jazeera.

A televisão com sede no Qatar registava hoje de manhã 1.878 mortos desde 28 de fevereiro, dos quais 1.255 no Irão, numa compilação com base em várias fontes.

Na lista de vítimas mortais seguiam-se Líbano (570), Iraque (15), Israel (13), Estados Unidos (oito), Kuwait (seis), Emirados Árabes Unidos (seis), Arábia Saudita (dois), Bahrein (dois) e Omã (um).

A guerra causou também milhares de feridos, incluindo no Qatar e na Jordânia.


Leia Também: Estreito de Ormuz: ONU pede isenção para transporte de ajuda humanitária

O chefe das operações humanitárias da ONU advertiu hoje que o conflito no Médio Oriente está a perturbar as rotas de transporte de ajuda humanitária, designadamente através do Estreito de Ormuz, e reclamou uma isenção para a sua passagem.


Guerra? "Assim que eu quiser que acabe, vai acabar", diz Trump... O presidente norte-americano, Donald Trump, garantiu hoje que não resta "praticamente nada para atacar" no Irão, na sequência dos ataques de Washington e Telavive à República Islâmica.

Por LUSA 

"Assim que eu quiser que isso acabe, vai acabar", disse ainda o presidente dos Estados Unidos numa entrevista ao portal Axios, prevendo que a guerra terminaria "em breve", pouco depois de o ministro da Defesa israelita, ter declarado que a ofensiva conjunta de Telavive e de Washington continuaria "sem limite de tempo".

"Esta operação continuará sem qualquer limite de tempo, o tempo que for necessário, até atingirmos todos os objetivos e decidirmos o desfecho da campanha", afirmou Israel Katz, citado pelo Ministério da Defesa israelita, durante uma reunião com responsáveis militares.

Trump afirmou na segunda-feira, quando os preços do petróleo dispararam, que a guerra estava quase terminada, embora depois tenha condicionado o fim do conflito a uma rendição incondicional do Irão.

O líder norte-americano descreveu ainda a guerra como uma "excursão de pequena duração", apesar de ter mobilizado a maior força militar dos Estados Unidos no Médio Oriente desde a invasão do Iraque, em 2003.

O republicano de 79 anos também disse várias vezes que as operações militares estavam muito adiantadas em relação ao calendário de quatro ou cinco semanas que ele próprio tinha avançado no início da guerra, em 28 de fevereiro.

Ainda na segunda-feira, Trump ameaçou atacar o Irão "com muito, muito mais força" caso a República Islâmica bloqueie o fornecimento de petróleo de países do Médio Oriente.

"Não permitirei que um regime terrorista mantenha o mundo refém e tente travar o fornecimento global de petróleo. E se o Irão fizer algo nesse sentido, será atingido com muito, muito mais força", garantiu Trump numa conferência de imprensa na Florida.

Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão, para "eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano".

Em resposta, o Irão lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque. Incidentes com projéteis iranianos também atingiram Chipre, Azerbaijão e Turquia.


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A guerra no Médio Oriente entrou hoje no 12.º dia, segundo a agência de notícias France-Presse (AFP).


FMI propõe reforma do IVA para financiar investimento em Cabo Verde... As propostas do Fundo Monetário Internacional (FMI) para reforma do IVA em Cabo Verde preveem que uma revisão ou eliminação de isenções sejam suficientes para financiar um aumento de investimento público e diminuição da pobreza.

Por LUSA 

"A simplificação das isenções de IVA gera espaço fiscal de cerca de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB), mantendo as taxas de IVA inalteradas", considerando um cenário "realista", segundo o estudo do FMI, consultado hoje pela Lusa.

"O espaço fiscal gerado pela eliminação de isenções seria suficiente para financiar o alargamento do investimento público", em "infraestrutura e educação", aumentar o "potencial de produção" e "apoiar a criação gradual de empregos no setor formal, apesar do modesto ajuste de consumo de curto prazo", lê-se no documento.

Esse ajuste, provocado pelo fim de isenções, poderia ser compensado a médio e longo prazo com subsídios diretos à população (transferências de dinheiro) sustentados na receita acrescida com os "ganhos de produtividade".

"A desigualdade e pobreza diminuir-se-iam significativamente, com o coeficiente de Gini caindo para 0,378 e o número de habitantes em situação de pobreza [a cair de 14,6% em 2015] para abaixo de 2%", antevê-se no documento do FMI.

As transferências monetárias direcionadas "são essenciais para proteger o rendimento durante períodos de ajuste", acrescenta-se no estudo.

De uma forma geral, "a análise de três cenários estudados indica que os benefícios distributivos de longo prazo superam as preocupações de curto e médio prazo associadas ao alargamento da base tributária".

"No longo prazo, os ganhos nas receitas são generalizados", conclui-se.

O mais recente documento do FMI insere-se na assistência técnica prestada a Cabo Verde, país com o qual o fundo tem também programas de apoio financeiro em curso, cuja execução tem merecido avaliações globalmente positivas.

Estima-se que Cabo Verde tenha cerca de 500 mil habitantes.

Segundo os últimos dados oficiais, a taxa de pobreza absoluta em Cabo Verde caiu de 35,5% em 2015 para 24,75% em 2023.

Noutro indicador, a pobreza extrema foi reduzida para metade, passando de 4,56% em 2015 para 2,28% em 2023, utilizando o limiar internacional de 2,15 dólares por dia e por pessoa.

O conceito de pobreza absoluta diz respeito a quem não tem recursos para satisfazer necessidades básicas (alimentação, vestuário, abrigo e saúde), usando critérios universais, enquanto a pobreza em sentido mais genérico e relativo aplica-se a quem tem menos recursos em comparação com outros, na mesma sociedade, de acordo com critérios locais.

A pobreza extrema é uma forma mais severa de pobreza absoluta.

O Governo cabo-verdiano assumiu o compromisso de "erradicar a pobreza extrema, até 2026, no âmbito da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU) de não deixar ninguém para trás".

Kremlin avisa que cortes na Internet vão manter-se por segurança... O Kremlin afirmou hoje que as interrupções e restrições no acesso à Internet em várias regiões da Rússia vão manter-se "enquanto for necessário" para garantir a segurança da população face às ameaças da Ucrânia.

Por LUSA 

"O regime de Kyiv está a utilizar métodos cada vez mais sofisticados nos seus ataques, e são necessárias contramedidas tecnológicas para garantir a segurança dos cidadãos", denunciou o porta-voz da presidência russa, Dmitri Peskov, durante a habitual conferência de imprensa diária.

Segundo Peskov, as autoridades russas adotaram "medidas sistémicas" relativas às ligações à Internet, assegurando que estas estão a ser implementadas "em estrita conformidade" com a legislação em vigor.

Nos últimos dias, utilizadores em Moscovo e em regiões próximas têm relatado dificuldades em aceder à Internet móvel, apenas semanas depois de as autoridades terem restringido o acesso a serviços de mensagens populares.

As perturbações estão a causar problemas em atividades quotidianas, como pedir táxis ou encomendar refeições através de aplicações digitais.

Peskov admitiu que alguns serviços poderão vir a integrar "listas brancas", permitindo que determinados sites continuem a funcionar mesmo durante períodos de limitação ou abrandamento das ligações impostas pelas autoridades.

De acordo com o portal tecnológico russo kod.ru, as autoridades estão a realizar desde a semana passada um teste em larga escala em Moscovo para avaliar o funcionamento dessas "listas brancas".

As restrições surgem num contexto de maior controlo estatal sobre o espaço digital desde o início da ofensiva militar russa em larga escala na Ucrânia, em 2022.

Nas últimas semanas, as autoridades russas restringiram ainda o acesso a aplicações de mensagens populares como WhatsApp e Telegram, alegando violação da legislação nacional.

Críticos do regime russo consideram que estas medidas visam reforçar o controlo do Estado sobre a internet e limitar o acesso a plataformas estrangeiras.

O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Cooperação Internacional e das Comunidades, João Bernardo Vieira, recebeu hoje em audiência, o Enviado especial do Presidente dos Estados Unidos, o Sub Secretário do Departamento de Estado dos Estados Unidos da América para a População, Refugiados e Migração que se encontra no país.

Durante a audiência, o Chefe da diplomacia manifestou ao responsável norte americano a vontade do Governo da Guiné-Bissau em fortalecer as relações de amizade e desenvolvimento de parcerias estratégicas com os Estados Unidos de América.

@Ministério dos Negócios Estrangeiros

Detido ex-conselheiro especial do PM são-tomense procurado pela Interpol... A Polícia Judiciária de São Tomé e Príncipe deteve um cidadão chileno procurado pela Interpol que foi conselheiro especial do primeiro-ministro são-tomense Américo Ramos até o mês passado, disse hoje à Lusa fonte judiciária.

© Lusa  11/03/2026 

Segundo a fonte, a detenção ocorreu na terça-feira e o homem foi entregue hoje ao Ministério Público, em resposta a um mandado de detenção internacional emitido pela Interpol. 

Segundo fontes parlamentares e documento consultado pela Lusa, Ignacio Purcell Mena tem 54 anos e também havia sido nomeado conselheiro da ex-presidente da Assembleia Nacional, Celmira Sacramento, em agosto do ano passado, mas foi exonerado após o Ministério dos Negócios Estrangeiros ter rejeitado um pedido de emissão de passaporte diplomático a seu favor.

Segundo a fonte o homem foi apresentado às autoridades são-tomenses pelo atual presidente da Assembleia Nacional, Abnildo D'Oliveira, que na altura exercia as funções de vice-presidente do parlamento.

Questionado pela Lusa, Abnildo D'Oliveira não confirmou nem desmentiu as informações, mas adiantou que se pronunciará sobre o assunto em "momento oportuno".

A Lusa tentou esclarecimento junto do Gabinete do primeiro-ministro, mas não teve respostas até ao momento.

É o segundo caso de detenção de cidadãos estrangeiros que exerciam funções de conselheiros de Órgãos de Soberania são-tomense.

Em 22 de fevereiro, também a pedido da Interpol, a PJ são-tomense deteve um cidadão sueco "pela prática de crimes de ofensas corporais grave, detenção e uso de armas proibidas, violação sexual grave com recurso a administração às vítimas, contra a sua vontade expressa e mediante uso de força, de drogas incapacitantes da sua resistência".

Carlsson Stig Karl-Magnus, que nasceu em 08 de janeiro de 1964, detinha um passaporte diplomático são-tomense como conselheiro diplomático do Presidente Carlos Vila Nova, que assegurou, após a detenção, que o sueco "tinha um registo criminal limpo" aquando da nomeação para trabalhar em projetos na saúde e segurança marítima no Golfo da Guiné.

Em abril de 2022, numa situação semelhante, o Presidente são-tomense exonerou um conselheiro especial, de nacionalidade alemã, face às notícias do seu alegado envolvimento em tráfico de influências.

Na altura, o chefe de Estado são-tomense justificou a decisão com a necessidade de "acautelar a imagem externa" de São Tomé e Príncipe face às notícias que indicavam que o exonerado se encontrava "sob processo de investigação".

O alemão Stephan Welk havia sido nomeado em 27 de janeiro do mesmo ano, para prestar "informações técnicas especializadas" a Carlos Vila Nova, no âmbito das relações internacionais, para lhe permitir, "em concertação com o Governo, encontrar mecanismos plausíveis que possibilitem a busca de melhores soluções para o desenvolvimento socioeconómico do país", de acordo com o decreto presidencial de nomeação.


Presidente turco apela ao fim da guerra antes que incendeie toda a região... O Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, apelou hoje ao fim da guerra no Médio Oriente antes que o conflito "incendeie completamente a região", durante um discurso em Ancara aos deputados do partido que lidera.

© REUTERS/Bernadett Szabo   Lusa  11/03/2026 

"É necessário pôr fim a esta guerra antes que se agrave e incendeie completamente a região. Se a diplomacia tiver uma oportunidade, isso é perfeitamente possível", afirmou, segundo a agência de notícias France-Presse (AFP).

As forças da NATO na Turquia destruíram dois projéteis alegadamente disparados pelo Irão, que tem atacado países da região desde que foi alvo de uma ofensiva militar israelo-americana de grande escala em 28 de fevereiro.

Teerão negou ter visado território turco, mas a NATO instalou uma bateria de mísseis de defesa aérea norte-americanos 'Patriot' no centro da Turquia, que é membro da Aliança Atlântica.

"Prosseguimos pacientemente os nossos esforços para trazer as partes de volta à mesa das negociações", afirmou Erdogan perante os deputados do partido Justiça e Desenvolvimento (AK), no poder desde 2002.

 

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Polícia do Irão alerta: "Manifestantes serão tratados como inimigos"... A Polícia Nacional do Irão declarou que manifestantes antigovernamentais serão considerados "inimigos". O alerta foi feito pelo chefe da polícia, Ahmad-Reza Radan, num contexto de tensões com os EUA e Israel.

© ATTA KENARE/AFP via Getty Images  Por  Notícias ao Minuto 11/03/2026 

O chefe da Polícia Nacional do Irão, Ahmad-Reza Radan, alertou na terça-feira que os manifestantes antigovernamentais serão tratados "como inimigos”, numa altura em que o país enfrenta uma ofensiva em larga escala dos Estados Unidos e de Israel. 

"Se alguém se manifestar em consonância com os desejos do inimigo, já não o veremos como um mero manifestante; vamos vê-lo como um inimigo", disse Radan em declarações transmitidas pela emissora estatal IRIB, na noite de terça-feira.

"E faremos com eles o que fazemos com um inimigo. Lidaremos com eles da mesma forma que lidamos com os inimigos", garantiu. "Todas as nossas forças estão também prontas, com as mãos no gatilho, preparadas para defender a sua revolução".

Sublinhe-se que pessoas morreram durante a repressão dos protestos antigovernamentais em janeiro no Irão e muitas outras estão desaparecidas, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos (HRANA).

A mais recente vaga de protestos foi iniciada em 28 de dezembro em Teerão por comerciantes e setores económicos afetados pelo colapso do rial, a moeda nacional, e pela elevada inflação, alastrando-se depois a centenas de cidades do país.

As autoridades iranianas receberam inicialmente com compreensão os protestos, mas endureceram depois a sua posição e lançaram uma violenta repressão contra os manifestantes, que passaram a ser tratados como terroristas associados aos Estados Unidos e Israel.

Os Estados Unidos e Israel, sublinhe-se, lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão, que ripostou contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque.

Incidentes com projéteis iranianos foram também registados em Chipre, na Turquia e no Azerbaijão.


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O Ministério da Saúde de Timor-Leste registou na última semana mais duas mortes devido ao dengue, elevando para um total de 24 o número de pessoas que morreu devido à doença no país.


UE "respeitará sempre" princípios do direito internacional... A presidente da Comissão Europeia garantiu hoje que a União Europeia "respeitará sempre" os princípios do direito internacional, dois dias depois de ter sido criticada por afirmar que não podia "continuar a ser a guardiã da velha ordem mundial".

Von der Leyen © Alexandra BEIER / AFP via Getty Images  Por  Lusa  11/03/2026 

"A União Europeia (UE) foi fundada como um projeto de paz. O nosso compromisso inabalável com a paz, com os compromissos da Carta das Nações Unidas e com o direito internacional é tão central hoje como era no momento da nossa criação. E nós respeitaremos sempre esses princípios", afirmou Ursula von der Leyen num discurso numa sessão plenária do Parlamento Europeu, em Estrasburgo.

A presidente da Comissão Europeia fez esta afirmação dois dias depois de, numa intervenção na conferência anual dos embaixadores da União Europeia (UE), em Bruxelas, ter dito que a Europa "já não pode continuar a ser a guardiã da velha ordem mundial".

Esta declaração suscitou críticas em vários quadrantes europeus, incluindo entre eurodeputados de grupos políticos que apoiam a sua Comissão, como os Socialistas e Democratas (S&D) ou os liberais do Renew Europe.

No seu discurso, Von der Leyen deixou duras críticas ao regime do Irão, considerando que "não há motivos para derramar lágrimas por um regime assim", sem nunca mencionar os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao país.

A presidente da Comissão Europeia salientou que, durante décadas, o anterior líder supremo do Irão, Ali Khamenei, morto num dos ataques de Israel e dos Estados Unidos, "governou através da repressão, da violência e do medo".

"Sob o seu regime, os iranianos viveram sob um sistema que silenciava a dissidência e esmagava as liberdades fundamentais", afirmou, recordando que, em janeiro, "centenas de milhares de jovens iranianos saíram à rua para exigir um futuro melhor".

"Foram recebidos com uma repressão brutal. Mais de 17 mil jovens, homens e mulheres, foram mortos enquanto o regime se agarrava ao poder", frisou.

Von der Leyen salientou que os crimes do regime iraniano "têm décadas", afirmando que "prendeu e torturou os seus próprios cidadãos, patrocinou terrorismo em toda a região [do Médio Oriente] e até m solo europeu e forneceu apoio crucial à guerra brutal da Rússia contra a Ucrânia".

"Não se deve derramar lágrimas por um regime destes", enfatizou, antes de lembrar que "muitos iranianos celebraram a caída de Khamenei" e esperam que o momento atual "possa abrir caminho para um Irão livre".

"Isto é o que o povo do Irão merece: liberdade, dignidade e o direito a decidir o seu próprio futuro", defendeu.

No entanto, logo a seguir a fazer estas críticas, Von der Leyen afirmou que "ver o mundo tal como ele é não diminui, de forma alguma", a determinação da UE de "lutar pelo mundo que ambiciona", assegurando que o bloco se mantém comprometido com o direito internacional.

Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão, para "eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano".

Em resposta, o Irão lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque. Incidentes com projéteis iranianos também atingiram Chipre, Azerbaijão e Turquia.


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Kharkiv, a segunda maior cidade ucraniana, tem sido, quase diariamente, alvo de ataques aéreos de Moscovo desde o início da guerra, em fevereiro de 2022.

Novo líder supremo do Irão Mojtaba Khamenei "são e salvo" apesar de ferido... O novo líder supremo do Irão, Mojtaba Khamenei, está "são e salvo" apesar dos ferimentos, afirmou hoje o filho do Presidente iraniano, na plataforma de mensagens Telegram.

© Lusa  11/03/2026 

"Ouvi relatos de que o senhor Mojtaba Khamenei tinha sido ferido", escreveu Yousef Pezeshkian, filho de Masoud Pezeshkian. 

"Perguntei a alguns amigos que têm contactos com ele. Disseram-me que, graças a Deus, está são e salvo", acrescentou Yousef, que também é conselheiro do Governo.

Mojtaba Khamenei, líder religioso do Irão, terá sido ferido durante o ataque que matou o pai, o 'ayatollah' Ali Khamenei, no primeiro dia da ofensiva israelo-norte-americana, a 28 de fevereiro.

Mas os detalhes sobre a gravidade dos ferimentos de Mojtaba Khamenei são desconhecidos, e o novo líder supremo não apareceu em público desde então.


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Ali Khamenei, líder supremo até ser morto durante um ataque israelita, era contra a ascensão do filho, Mojtaba, ao poder, tendo deixado isso escrito no seu testamento. No entanto, a Guarda Revolucionária Islâmica terá coagida a Assembleia dos Peritos durante os dias que antecederam a nomeação.


China retoma serviço ferroviário de passageiros entre Pequim e Pyongyang... A China anunciou hoje a retoma esta semana do serviço de comboios de passageiros entre Pequim, a cidade chinesa de Dandong e Pyongyang, que foi interrompido devido à pandemia da covid-19.

© Lusa   11/03/2026 

O Grupo Estatal de Ferrovias da China indicou hoje que os comboios circularão em ambos os sentidos entre as capitais dos dois países quatro dias por semana, enquanto a ligação entre Dandong, cidade fronteiriça da província chinesa de Liaoning, e Pyongyang funcionará diariamente. 

A viagem entre Pequim e a capital da Coreia do Norte será feita por meio de dois vagões para passageiros internacionais acoplados a comboios já existentes dentro de cada país.

A ligação ferroviária será assim retomada após ter sido interrompida em 2020, quando ambos os países começaram a aplicar rigorosos encerramentos de fronteiras devido à pandemia da covid-19.

O comboio partirá da estação de Pequim às 17:26 (09:26, em Lisboa), e, depois de passar por cidades como Tianjin e Shenyang, chegará a Dandong, onde fará a conexão com um comboio que cruzará a fronteira para Sinuiju antes de continuar até Pyongyang, com chegada prevista para as 18:07 (10:07, em Lisboa) do dia seguinte.

No sentido inverso, o comboio partirá de Pyongyang às 10:26 (02:26, em Lisboa), e, após fazer o mesmo percurso no sentido contrário, chegará à capital chinesa às 8:40 (00:40, em Lisboa) do dia seguinte.

Os trâmites de imigração serão realizados nos postos fronteiriços de Dandong, no lado chinês, e Sinuiju, na Coreia do Norte, enquanto os bilhetes já podem ser adquiridos em pontos de venda autorizados em várias cidades chinesas e na estação de Pyongyang, de acordo com o comunicado.

O Grupo Estatal de Ferrovias da China indicou que a iniciativa "tem como objetivo facilitar ainda mais o intercâmbio de pessoas, a cooperação económica e comercial e as interações culturais" entre a China e a Coreia do Norte.

No mês passado, o Presidente da China, Xi Jinping, felicitou Kim Jong-un pela reeleição como secretário-geral do Partido dos Trabalhadores da Coreia (partido único da Coreia do Norte), um gesto simbólico que consolida a figura do líder, ao mesmo tempo que destacou as "relações amigáveis" entre Pequim e Pyongyang.

A China continua a ser o principal parceiro comercial da Coreia do Norte, país com o qual partilha uma fronteira de mais de 1.400 quilómetros, num cenário marcado pelas sanções internacionais a Pyongyang e pela crescente cooperação militar da Coreia do Norte com a Rússia.


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O juiz Alexandre de Moraes aprovou o pedido parcialmente, rejeitando as datas solicitadas pela defesa.