Por LUSA
Num discurso perante o Conselho de Segurança da ONU, que hoje reuniu-se de emergência para abordar os acontecimentos no território libanês, Ahmad Arafa denunciou a "grave situação humanitária" no Líbano diante da escalada de violência entre Israel e o grupo xiita Hezbollah, pró-Irão.
"Estamos presos numa guerra que não escolhemos. Os ataques israelitas continuam a desrespeitar as leis da guerra num momento em que o Hezbollah foi declarado ilegal pelas nossas autoridades nacionais", disse o embaixador.
Segundo Arafa, os ataques israelitas causaram "desolação, o deslocamento de um milhão de pessoas e vítimas inocentes, número que aumenta a cada dia".
Nesse sentido, instou a comunidade internacional a exigir que Israel "cesse as suas violações e pare com ameaças".
O embaixador lembrou que, em 02 de março, o Governo libanês proibiu todas as atividades do Hezbollah e ordenou a entrega das suas armas, enquanto no dia 05 de março ordenou a deportação das forças iranianas e a exigência de autorizações prévias para a entrada de cidadãos iranianos no país.
Arafa enfatizou que o Líbano seguirá em frente com a implementação dessas decisões e "não recuará", embora a prioridade continue a ser "pôr fim a esta guerra e garantir a paz e a segurança" em território libanês.
O representante diplomático de Beirute acrescentou: "O Líbano não aceitará ser palco para acertos de contas. Queremos tirar o nosso país desta crise da maneira mais resiliente possível".
Também enfatizou que as Forças Armadas Libanesas estão a procurar confiscar armas do Hezbollah e fortalecer a autoridade do Estado em todo o território.
Por fim, condenou os ataques iranianos contra os países do Golfo e outras nações, classificando-os como "vergonhosos".
A campanha de bombardeamentos israelitas contra o sul e o leste do Líbano, principalmente contra a capital Beirute, já causou 634 mortes, cerca de 1.500 feridos e mais de 800 mil deslocados, segundo os dados oficiais mais recentes.
Na mesma reunião do Conselho de Segurança, convocada de emergência pela França para abordar a situação em solo libanês, o representante norte-americano na ONU, Mike Waltz, instou o Líbano a "retomar o controlo de todo o seu país".
"Agora é o momento para o Governo libanês retomar o controlo de todo o país. Os Estados Unidos apoiam essa missão (...). Estamos mais do que dispostos a dedicar o tempo e os recursos necessários esse fim", disse Waltz.
No início do mês, pouco depois dos ataques israelo-americanos ao Irão e do assassínio do líder supremo iraniano, o 'ayatollah' Ali Khamenei, o Hezbollah disparou projéteis contra Israel, alegando que a ação foi uma resposta à morte de Khamenei.
Os projéteis teriam caído em áreas abertas ou sido intercetados.
Em resposta, as Forças de Defesa de Israel realizaram ataques aéreos em larga escala contra alegados alvos do Hezbollah em diversas áreas do Líbano, incluindo a capital Beirute, o Vale do Bekaa e o sul do país.
Mike Waltz condenou hoje os ataques do Hezbollah, um grupo que acusou de "não representar, nem defender o povo do Líbano, mas sim os interesses do regime iraniano" e, por outro lado, defendeu "as legítimas necessidades de segurança de Israel e o seu direito de se defender do regime iraniano e do Hezbollah".
"Por quanto tempo o mundo continuará a tolerar o regime iraniano como o maior patrocinador estatal do terrorismo, semeando o caos pelo mundo enquanto procura exportar a sua suposta revolução? (...) Felizmente, os Estados Unidos e esta administração estão a tomar medidas ousadas", defendeu o embaixador norte-americano.
Poucos minutos antes do início da reunião, o embaixador israelita na ONU, Danny Danon, afirmou que o Governo libanês deve escolher entre confrontar o Hezbollah ou deixar que Israel o faça, defendendo a ofensiva do seu país contra o Líbano.
Danon insistiu que o Governo libanês "deve mobilizar o seu exército e enfrentar a ameaça terrorista representada pelo Hezbollah, não apenas para Israel, mas também para o seu próprio povo".
O Líbano é um dos países mais expostos à escalada militar na região desde os ataques israelitas e norte-americanos ao Irão, iniciados a 28 de fevereiro.
Leia Também: Pelo menos 634 mortos em dez dias de guerra no Líbano
A guerra entre Israel e o movimento libanês pró-iraniano Hezbollah fez 634 mortos e 1.586 feridos em dez dias no Líbano, anunciou hoje o ministro da Saúde libanês, Rakan Nassereddine, numa conferência de imprensa.
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