terça-feira, 14 de abril de 2026

AUMENTO ALARMANTE DE CASOS DE SAÚDE MENTAL E CONSUMO DE DROGAS PREOCUPA AUTORIDADES NA GUINÉ-BISSAU

Por RSM  14/04/2026

A Diretora do Centro de Saúde Mental Osvaldo Máximo Vieira revelou que, apenas no primeiro trimestre de 2026, foram registados 1.051 pacientes com problemas de saúde mental, dos quais 197 casos estão ligados ao consumo de drogas  um número considerado altamente preocupante.

Os dados foram avançados esta segunda-feira à Rádio Sol Mansi, durante uma reportagem sobre denúncias de organizações da sociedade civil que alertam para o aumento significativo do consumo de drogas no país, um fenómeno que já se reflete de forma visível em várias regiões.

Finhamba Quissangue manifestou grande preocupação com a tendência crescente dos casos, alertando que, se a situação continuar neste ritmo, os números de 2026 poderão ultrapassar os registados no ano passado.

“Só neste primeiro trimestre temos um total de 1.051 pacientes, de janeiro a março. Ainda falta muito tempo para o fecho do ano, o que poderá levar a ultrapassar o índice do ano passado. Em relação ao consumo de drogas, registámos 197 casos. Por isso, é necessário que as autoridades tomem medidas para diminuir a situação”, alertou a diretora.

De acordo com dados oficiais, em 2025 o centro registou um total de 2.909 pacientes com problemas de saúde mental, o que reforça o cenário de agravamento progressivo.

A responsável destacou ainda que o maior centro de saúde mental do país tem capacidade para internar apenas 36 pacientes, mas atualmente não está a realizar internamentos devido à falta de condições de trabalho, atribuída à ausência de apoio por parte das sucessivas entidades responsáveis. Como consequência, muitos pacientes são obrigados a regressar às suas casas sem qualquer acompanhamento adequado.

“Não se trata apenas dos atendimentos que realizamos. Muitos casos deveriam ser de internamento, mas, infelizmente, a nossa missão reduziu-se apenas à consulta médica com tratamento ambulatório”, acrescentou Finhamba Quissangue.

O Centro de Saúde Mental Osvaldo Máximo Vieira conta com um total de 32 funcionários, sendo que 12 são contratados há vários anos, e neste momento a instituição funciona sem nenhum assistente social.

Questionada sobre os tipos de drogas mais consumidas entre os pacientes, Finhamba Quissangue apontou substâncias como MD, crack e “cus”, destacando o impacto devastador destas no aumento dos casos.

“Posso falar de MD, crack e ‘cus’. Há também casos de policonsumo, ou seja, pessoas que consomem mais de uma droga. Posso dizer que o ‘cus’ é uma das substâncias mais fatais para os consumidores”, salientou a responsável.

A diretora alertou ainda que a maioria dos casos registados envolve jovens, apelando às autoridades para assumirem as suas responsabilidades. Caso contrário, advertiu, o consumo de drogas poderá atingir níveis fora de controlo no país.

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