terça-feira, 14 de abril de 2026

China classifica bloqueio do Estreito de Ormuz pelos EUA como "perigoso e irresponsável"... A ameaça norte-americana de bloquear os portos iranianos avançou mesmo e a China já veio criticar a medida. Isto numa altura em que o Paquistão propõe nova ronda de negociações entre os Estados Unidos e o Irão, depois do fracasso da primeira. Um encontro ainda sem data conhecida. Já Israel e Líbano tiveram esta terça-feira, nos Estados Unidos, uma "reunião preliminar" e a Itália suspendeu o acordo de defesa com Israel.

Por  sicnoticias.pt 

O bloqueio imposto pelos Estados Unidos aos navios que fazem escala em portos iranianos começou às 15:00 de segunda-feira, hora de Portugal continental. Porém, durante as 24 horas seguintes, pelo menos três navios da lista de sanções, incluindo um chinês, conseguiram atravessar o estreito de Ormuz, de acordo com a Reuters.

A agência de notícias diz que eram embarcações que não se dirigiam ou saíam de portos iranianos.

Os Estados Unidos garantem que nenhum navio atravessou o estreito de Ormuz desde o início do bloqueio e que seis embarcações "inverteram a marcha".

O Comando Central norte-americano informa que estão envolvidos no bloqueio mais de dez mil militares, mais de uma dúzia de navios de guerra e dezenas de aeronaves.

Seja como for, o presidente chinês já apelou à "coexistência pacífica" e afirmou que o mundo não deve "regressar à lei da selva".

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Guo Jiakun, afirmou que a escalada militar dos Estados Unidos e a ação de bloqueio "apenas irão agravar as contradições, aumentar as tensões, prejudicar o frágil cessar-fogo e colocar ainda mais em risco a segurança da passagem pelo estreito", considerando tratar-se de um comportamento "perigoso e irresponsável".

De visita oficial à China, o chefe do governo espanhol apelou a Xi Jinping para que reforce a ação na defesa do direito internacional e do fim de conflitos como o do Médio Oriente.

Pedro Sánchez afirmou que "é muito difícil encontrar outros interlocutores capazes de resolver esta situação criada no Irão e no estreito de Ormuz sem ser a China".

Giorgia Meloni voltou também a pedir que sejam feitos "todos os esforços possíveis" para reabrir a circulação no estreito de Ormuz. A primeira-ministra italiana anunciou ainda a suspensão do acordo de defesa com Israel.

A governante afirmou que, tendo em conta a situação atual, o governo decidiu "suspender a renovação automática do acordo de defesa com Israel".

Ao jornal italiano Corriere della Sera, Donald Trump afirmou que está "chocado" com Meloni, acrescentando: "Pensei que ela tivesse coragem, mas enganei-me".

De Trump, alguns líderes europeus, como Emmanuel Macron, continuam a esperar que cheguem notícias da retoma de negociações com o Irão.

O Paquistão já propôs uma nova ronda de negociações. Donald Trump admite que possa acontecer nos próximos dois dias.

O que teve lugar esta terça-feira, em Washington, foi a primeira reunião entre o Líbano e Israel.

Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, afirmou que o objetivo é "pôr fim permanente a 20 ou 30 anos de influência do Hezbollah nesta parte do mundo" e acrescentou que, embora as questões não sejam resolvidas nas próximas horas, é possível começar a criar um enquadramento para avançar.

É a primeira vez, em décadas, que há conversações diretas entre Israel e o Líbano, dois países que não têm relações diplomáticas.

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