terça-feira, 14 de abril de 2026

Embaixador de Israel elogia "excelente diálogo" após reunião com o Líbano... O embaixador israelita em Washington elogiou o "excelente diálogo" com a homóloga libanesa, após uma primeira reunião com vista a negociações de paz, comentando que Israel e o Líbano "descobriram hoje que estão do mesmo lado".

© Andrew Harnik/Getty Images    Por  LUSA   14/04/2026 

Yechiel Leiter falava aos jornalistas no final de um encontro de cerca de duas horas no Departamento de Estado, na capital federal norte-americana, com a diplomata libanesa Nada Hamadeh Moawad, para discutir o conflito entre Israel e o grupo xiita libanês Hezbollah, que não participa nestas conversações.

"Esta é a conclusão mais positiva que podemos tirar deste encontro: estamos ambos unidos no desejo de libertar o Líbano da ocupação, de uma potência dominada pelo Irão e chamada Hezbollah", afirmou o embaixador israelita, remetendo esclarecimentos para uma declaração conjunta a divulgar mais tarde.

Antes da reunião, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, alertou para uma "oportunidade histórica", referindo que em causa está não só uma trégua, mas também "uma solução permanente para 20 ou 30 anos de influência do Hezbollah" na região, da qual sustentou que tanto israelitas como libaneses foram vítimas.

"Este é um processo, não um evento isolado. Vai além de um único dia e levará tempo", advertiu o chefe da diplomacia de Washington, ao indicar que a reunião de hoje iria servir para "definir uma estrutura sobre a qual se possa construir uma paz duradoura".

Antecedendo as primeiras negociações em mais de 30 anos entre os dois países, que não têm relações diplomáticas, o líder do Hezbollah, Naim Qassem, exigiu na segunda-feira o cancelamento do encontro.

"Recusamos negociações com a entidade israelita. Esta negociação é submissão e capitulação", declarou o secretário-geral do Hezbollah, enquanto avisava que o seu movimento vai resistir "até ao último suspiro".

O grupo xiita retomou os ataques contra território israelita em 02 de março, logo após o início da ofensiva aérea lançada em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão, interrompendo um cessar-fogo em vigor desde novembro de 2024, nunca verdadeiramente respeitado.

No mesmo dia, o Governo libanês proibiu as atividades militares do Hezbollah, que, apesar disso, não parou os seus lançamentos de projéteis e drones contra o território israelita.

Em resposta, Israel desencadeou uma vasta operação militar no Líbano, através de bombardeamentos intensivos alegadamente contra alvos do Hezbollah, a par da expansão das posições terrestres que já ocupava no sul do país no conflito anterior.

Segundo as autoridades de Beirute, pelo menos 2.089 pessoas morreram, entre as quais 166 crianças, e 6.762 ficaram feridas no Líbano desde o início da campanha militar de Israel, registando ainda acima de um milhão de deslocados.

O Presidente libanês, Josef Aoun, afirmou hoje que espera que as negociações marquem "o início do fim do sofrimento do povo libanês", após o seu país ter sido arrastado para o conflito.

"A estabilidade não será restaurada no sul do Líbano se Israel continuar a ocupar território", advertiu.

Em alternativa, propõe que, "o exército libanês se reposicione nas fronteiras reconhecidas pela comunidade internacional" e seja "o único responsável pela segurança da área e dos seus habitantes, sem qualquer parceria com ninguém."

No entanto, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, insistiu na segunda-feira que Israel vai dar continuidade ao plano de criar uma "zona de segurança sólida e mais profunda" no sul do Líbano, onde assinalou que "os combates continuam", apesar da reunião em Washington.

"Estamos a falar de uma zona de segurança sólida e mais profunda que previna o perigo de invasão e neutralize a ameaça dos mísseis antitanque", acrescentou.

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