Melania Trump, primeira-dama dos Estados Unidos, presidiu ao Conselho de Segurança das Nações Unidas na sede das Nações Unidas, nesta segunda-feira, 2 de março de 2026.ANGELINA KATSANIS / AP Por sicnoticias.pt
A primeira-dama norte-americana, Melania Trump, presidiu esta segunda-feira a uma reunião do Conselho de Segurança da ONU, na qual defendeu a "paz através da educação" e garantiu que os Estados Unidos "estão ao lado de todas as crianças do mundo".
"As crianças criadas numa cultura enraizada na inteligência desenvolvem confiança, inovam, constroem, competem e mantêm um profundo sistema de valores. O conhecimento fomenta a empatia pelos outros, transcendendo a geografia, a religião, a raça, o género e até os valores locais", afirmou a mulher do Presidente Donald Trump no seu discurso.
Segundo a ONU, esta é a primeira vez nos 80 anos da história das Nações Unidas que o cônjuge de um chefe de Estado em exercício preside uma reunião do Conselho de Segurança.
"Mas as crianças criadas numa cultura enraizada na ignorância estão rodeadas de desordem e, por vezes, até de conflito. Essas sociedades estão repletas de pensadores inflexíveis que abraçam o preconceito e rejeitam a dignidade humana. Quando uma nação restringe o pensamento, ela restringe o seu próprio futuro", declarou, sem referir nenhum país em concreto
Apesar do contexto inédito da presença de Melania Trump no órgão mais poderoso da ONU, analistas têm destacado que o discurso da primeira-dama poderá ser ensombrado por um alegado ataque a uma escola para meninas no sul do Irão, no contexto da ofensiva conjunta de Israel e dos Estados Unidos em curso contra o Irão, que matou mais de 100 pessoas, segundo as autoridades iranianas.
Os militares israelitas disseram não ter conhecimento de ataques na área e os norte-americanos indicaram estar a investigar as informações.
"A paz não precisa de ser frágil", disse a primeira-dama, na reunião dedicada ao tema "Crianças, tecnologia e educação em conflito".
"A paz duradoura será alcançada quando o conhecimento e a compreensão forem plenamente valorizados em todas as sociedades", acrescentou, frisando que sociedades regidas pelo conhecimento e pela sabedoria são mais pacíficas.
Melania não fez qualquer menção às hostilidades no Médio Oriente, onde milhares de crianças perderam a vida nos últimos anos, incluindo em lugares como Gaza.
Melania também não fez menção direta à situação das crianças em outros conflitos, como as guerras em curso na Ucrânia ou no Sudão, entre outras.
Relações tensas entre os Estados Unidos e a ONU
A presidência rotativa do Conselho de Segurança tem a prerrogativa de escolher o tema e os participantes de algumas reuniões, sendo que em março o órgão é presidido pelos Estados Unidos.
Pouco antes do início da sessão com Melania Trump, o embaixador do Irão na ONU, Amir Saeid Iravani, considerou "profundamente vergonhoso e hipócrita" que os Estados Unidos convocassem uma reunião sobre a proteção de crianças durante conflitos enquanto realizavam ataques aéreos contra cidades iranianas.
"Para os Estados Unidos, 'proteger as crianças' e 'manter a paz e a segurança internacionais' significam claramente algo muito diferente do que prevê a Carta da ONU", disse o diplomata aos jornalistas.
A primeira-dama chegou à sede da ONU, em Nova Iorque, com uma comitiva e foi recebida pelo secretário-geral da ONU, António Guterres. Melania Trump cumprimentou cada um dos 15 membros do Conselho de Segurança e posou para uma fotografia de grupo antes do arranque da sessão.
A presença da primeira-dama surge também num momento de relações tensas entre os Estados Unidos e a ONU. Donald Trump criticou a ONU em diversas ocasiões, retirou os Estados Unidos de importantes organizações das Nações Unidas, incluindo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a UNESCO, além de ter cortado o financiamento de dezenas de outras.
Washington também deixou de pagar totalmente as suas contribuições obrigatórias e deve milhares de milhões de dólares às Nações Unidas. Isso gerou uma crise financeira na ONU, com Guterres a alertar no final de janeiro que a organização que lidera enfrentava um "colapso financeiro iminente".

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