© Stringer/Anadolu via Getty Images Notícias ao Minuto 03/03/2026
O golfo do Omã é o único ponto de entrada e saída para o Estreito de Ormuz, por onde passam diariamente mais de 20% da produção mundial de petróleo. No entanto, no dia em que os Estados Unidos e Israel contra o Irão, a Guarda da Revolução havia indicado que este estreito estava "de facto" fechado à navegação por ser perigoso. Mas, o que é que isto implica?
Note-se, no entanto, que embora o tráfego no estreito de Ormuz - que separa o Irão, a norte, dos Emirados Árabes Unidos e Omã, a sul, a apenas 30 quilómetros de distância - seja praticamente nulo, nenhuma entidade oficial decretou ainda o seu encerramento.
O Estreito de Ormuz, com pouco menos de 50 quilómetros de largura, é um ponto de passagem chave do comércio mundial de petróleo.
Aliás, de salientar que, desde o início deste conflito, os preços do petróleo já dispararam.
Qual é a importância deste estreito?
O Estreito de Ormuz é um "check point" estratégico, cuja instabilidade poderá afetar não apenas a região do Médio Oriente, mas todo o sistema internacional, explicou Alexandre Coelho, professor de Relações Internacionais, à CNN Brasil.
Ao longo da sua história, este estreito tem sido importante para o comércio. Numa fase inicial, servia sobretudo para o transporte de cerâmicas, marfim, sedas e têxteis para a China.
Mais tarde, passou a ser utilizado para a rota de petroleiros que transportam petróleo e gás da Arábia Saudita, Kuwait, Iraque, Catar, Bahrein, Emirados Árabes Unidos e Irão. A grande maioria desse petróleo é destinado aos mercados asiáticos, incluindo a China.
Mas, o estreito está ou não fechado?
Até ao momento, não houve uma confirmação oficial de que o estreito de Ormuz tinha sido fechado. Ainda assim, desde sábado, o tráfego caiu drasticamente devido à interrupção dos sistemas de navegação por satélite, de acordo com a Associated Press (AP).
O Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido chegou a relatar vários ataques a embarcações naquela zona.
O Irão tem também vindo a ameaçar as embarcações que se aproximem deste estreito, acreditando-se que já tenham sido lançados vários ataques.
"Qualquer navio que tentar passar pelo Estreito de Ormuz será incendiado", afirmou o brigadeiro-general Ebrahim Jabbari em declarações divulgadas pela imprensa iraniana.
De sublinhar que se estima que, diariamente, passem pelo Estreio de Ormuz cerca de 20 milhões de barris de petróleo bruto, condensado e combustíveis.
Que países serão mais afetados com este bloqueio?
A Administração de Informações de Energia dos Estados Unidos (EIA, na sigla em inglês) estima que 82% dos carregamentos do petróleo bruto e outros combustíveis que atravessam o estreito de Ormuz vão para a Ásia.
China, Índia, Japão e Coreia do Sul são os principais destinos. Os quatro países juntos são cerca de 70% de todo o fluxo de petróleo bruto e condensado que por ali passa.
Quanto a Portugal, a Galp adotou medidas preventivas, incluindo o redirecionamento de carregamentos de petróleo próprio ("equity oil") para reduzir eventuais riscos logísticos e assegurar a continuidade do abastecimento.
Num contexto de elevada incerteza, a co-presidente executiva, Maria João Carioca, sublinhou que será essencial manter "uma clara concentração no desempenho operacional e numa gestão financeira disciplinada".
Transportadores suspendem operações
Vários transportadores marítimos mundiais já suspenderam as suas operações no Estreito de Ormuz, tendo emitido alertas. Por exemplo, a empresa dinamarquesa Maersk, anunciou, no domingo, a suspensão de todas as travessias de navios naquela região.
"Até nova ordem, todas as travessias dos serviços ME11 (Médio Oriente-Índia para o Mediterrâneo) e MECL (Médio Oriente-Índia para a costa leste dos Estados Unidos) serão desviadas pelo Cabo da Boa Esperança", precisou o grupo num comunicado emitido no domingo.
E acrescentou: "Continuamos determinados a minimizar o impacto nas cadeias de abastecimento dos nossos clientes e continuaremos a mantê-los informados sobre a evolução da situação".
À Maersk juntam-se outras empresas como a MSC, Hapag-Lloyd ou a CMA-CGM.
As reações
Pequim instou hoje ao cessar imediato das operações militares após a ofensiva dos Estados Unidos e Israel contra o Irão, alertando para o risco de escalada e defendendo que a segurança do estreito de Ormuz é de interesse comum.
A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Mao Ning afirmou em conferência de imprensa que os ataques iniciados a 28 de fevereiro "não contaram com autorização do Conselho de Segurança" das Nações Unidas e "violam o direito internacional", apelando à prevenção de uma nova escalada.
Relativamente às advertências iranianas sobre o trânsito marítimo no Golfo Pérsico, Mao declarou que "o estreito de Ormuz e as suas águas circundantes são canais internacionais importantes para o comércio de bens e energia".
Por seu turno, o presidente do Egito alertou para o impacto no comércio internacional do encerramento do estreito de Ormuz, tendo apelado para um processo de diálogo, no sentido de pôr fim às hostilidades.
"Mantemo-nos em alerta perante as possíveis consequências da guerra, incluindo o fecho do estreito de Ormuz e o impacto no canal do Suez", disse o chefe de Estado egípcio, antes de sublinhar que o tráfego marítimo através desta última via, não voltou "ao nível normal" desde os ataques de 07 de outubro de 2023 realizados pelo grupo extremista palestiniano Hamas contra Israel, que desencadearam a guerra na Faixa de Gaza.
Bloqueio do Estreito de Ormuz não é a primeira vez que acontece...
Saliente-se que este bloqueio não é a primeira vez que acontece. Aliás, em meados de fevereiro, o Irão fechou temporariamente o Estreito de Ormuz depois de alegar que estavam a ser efetuados exercícios militares. Nesses dias, o preço do petróleo subiu cerca de 6%.
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