quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Caças F-22 aterram em Israel para se juntarem ao destacamento dos EUA... Aterragem dos caças ocorre dois dias antes das conversações entre o Irão e os EUA, previstas para quinta-feira em Genebra, para tentar alcançar um acordo sobre o programa nuclear iraniano que impeça uma intervenção militar norte-americana no país.

Por SIC Notícias e lusa

Vários caças F-22 da Força Aérea dos Estados Unidos aterraram em Israel, procedentes do Reino Unido, como parte do destacamento militar norte-americano no Médio Oriente antes de um possível ataque ao Irão.

A comunicação social israelita noticiou este destacamento que, segundo o diário The Times of Israel, é composto por 12 aviões de combate que aterraram numa base israelita no sul do país.

As aeronaves, indicou o jornal, descolaram da base de Lakenheath, no Reino Unido, onde se encontravam desde a semana passada, alegadamente devido a problemas com o reabastecimento de combustível em voo.

A aterragem destes caças ocorre dois dias antes das conversações entre o Irão e os Estados Unidos (EUA), previstas para quinta-feira em Genebra, para tentar alcançar um acordo sobre o programa nuclear iraniano que impeça uma intervenção militar norte-americana no país, e na véspera da chegada a Telavive do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, para uma visita de dois dias a Israel.

As negociações em Genebra vão realizar-se sob ameaça militar dos Estados Unidos, cujo destacamento no Golfo Pérsico é o maior desde a invasão do Iraque em 2003, contando com dois porta-aviões, vários contratorpedeiros e dezenas de caças estacionados perto da República Islâmica.

A reunião de quinta-feira será a terceira ronda de negociações nucleares indiretas entre o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, e o enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff, após dois encontros anteriores em Omã e Genebra, nos quais o ministro dos Negócios Estrangeiros de Omã, Badr bin Hamad al-Busaidi, desempenhou o papel de mediador.

A Ucrânia não estava preparada em 2022?... A nova “narrativa” impingida ao gentil público é a de que, em fevereiro de 2022, a Ucrânia não estava preparada, foi apanhada de surpresa e só tomou nota do que se passava depois de avisada pelo MI6 e pela CIA. Nada mais afastado da realidade.

Os comentadores da SIC José Milhazes e Nuno Rogeiro analisam, no habitual espaço de comentário Guerra Fria, os quatro anos da guerra na Ucrânia.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Economia russa sob pressão: Putin promete ajudar empresários, mas novos impostos obrigam negócios a fechar... O governo russo implementou um novo sistema fiscal com aumento do IVA para compensar a diminuição das receitas petrolíferas e o aumento das despesas militares.

Por Sicnoticias.pt  24 fev. 2026

Para além das baixas humanas, tem-se especulado sobre as consequências da guerra na economia da Rússia, particularmente, da eficácia das sanções como forma de castigar o infrator. Sinais recentes apontam para crescentes dificuldades no setor do comércio, que o Presidente Putin tenta mitigar com um novo sistema fiscal e algumas manobras para gerir a narrativa interna.

Foi o caso do episódio com a pastelaria Mashenka, nos arredores de Moscovo, que ficou famosa do dia para a noite depois de ter sido emitida uma conversa entre o proprietário, Denis Maksimov, e o Presidente russo, na televisão nacional. Os dois falam sobre impostos, que o dono reconhece como "necessários", mas que fragilizam o otimismo dos comerciantes em relação ao futuro.

"Muitas empresas vão encerrar ou passar para a economia paralela. Pedimos que nos aconselhem sobre como devemos proceder perante alterações drásticas na legislação fiscal", disse Denis.

Do outro lado, ouve-se a resposta de Vladimir Putin. "As empresas não devem, de forma alguma, sofrer com a transição para o novo sistema fiscal", refere, sem detalhar soluções para os empresários, desejando as "maiores felicidades e muito sucesso" a Denis Maksimov.

"Talvez possam oferecer-me algo, enviar-me alguma coisa?", pediu Putin, recebendo de imediato uma resposta positiva. "Com todo o gosto", apontou o dono da Mashenka.

Em causa está um aumento dos impostos sobre o consumo, ou seja, o IVA russo. O caso da pastelaria Mashenka contrasta com os dados divulgados numa reportagem da Associated Press, que dá conta de um aumento de negócios fechados e lojas para arrendar. Nem todos têm a publicidade trazida por Putin.

Darya Demchenko, dona de uma cadeia de salões de beleza, foi obrigada a fechar portas.

"Antes pagávamos cerca de 120.000 rublos (1.566 dólares) por ano em impostos. Agora que passámos para 5% de IVA, a nossa fatura fiscal média é de cerca de 250.000 a 300.000 rublos (entre 3.262 e 3.915 dólares) por mês", explica.

A subida no IVA visa atenuar o défice orçamental, agora que se regista uma crescente diminuição das receitas do petróleo, em paralelo com o aumento das despesas militares após quatro anos de guerra.


Israel anuncia nova ajuda energética a Kyiv nos quatro anos da guerra... Israel anunciou hoje uma nova ajuda energética a Kyiv, no dia em que se assinala o quarto ano desde a invasão russa em larga escala da Ucrânia.

Por  LUSA  24/02/2026

"Enquanto o mundo comemora quatro anos desde o início da guerra na Ucrânia, Israel solidariza-se com o povo ucraniano", frisou o Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita, confirmando a entrega de 117 centrais elétricas portáteis à região de Kyiv.

O acordo foi finalizado durante uma chamada telefónica entre o ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Gideon Saar, e o ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andriy Sibiga, que se focou nas "necessidades energéticas urgentes".

"Enquanto as comunidades continuam a enfrentar ataques a infraestruturas críticas, Israel continua empenhado em prestar assistência humanitária prática e vital no terreno", acrescentaram as autoridades israelitas.

A Ucrânia está a viver hoje um dia de reconhecimento pela sua resistência à invasão em larga escala da Rússia, contexto em que o Presidente, Volodymyr Zelensky, sublinhou que a ofensiva de Putin para ocupar a Ucrânia "não quebrou o povo ucraniano".

"Hoje, completam-se exatamente quatro anos desde que Putin planeou tomar Kyiv em três dias. E isto diz muito da nossa resistência, de como a Ucrânia tem lutado durante todo este tempo", escreveu Zelensky na sua conta na plataforma digital Telegram, destacando "a grande coragem, o trabalho duro, a perseverança e o longo caminho" enfrentado por milhões de compatriotas desde 24 de fevereiro de 2022.

A ofensiva militar russa no território ucraniano, lançada a 24 de fevereiro de 2022, mergulhou a Europa naquela que é considerada a crise de segurança mais grave desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Líderes de tecnológicas avisados que China pode invadir Taiwan até 2027... A CIA terá organizado em 2023 uma reunião classificada onde marcaram presença os CEOs de algumas das principais empresas tecnológicas norte-americanas, como é o caso da Apple, da Nvidia, da AMD e da Qualcomm.

Por  noticiasaominuto.com  24/02/2026

A CIA organizou em 2023 uma reunião classificada onde marcaram presença os executivos de algumas das maiores empresas tecnológicas dos EUA, que foram avisados que a China poderia invadir a ilha de Taiwan até 2027, conta o The New York Times.

Nesta reunião terão marcado presença o CEO da Apple, Tim Cook, o cofundador e CEO da Nvidia, Jensen Huang, a presidente e CEO da AMD, Lisa Su, e também o presidente e CEO da Qualcomm, Cristiano Amon.

O objetivo desta reunião terá sido convencer os executivos presentes a transferirem a produção de chips de Taiwan para os EUA.

Lembrar que a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC) continua a ser até hoje uma das principais fabricantes de chips usados em processadores e outros componentes eletrónicos, com a administração Biden a tentar que as tecnológicas dos EUA reduzem a dependência de fornecimento deste mercado.

Conta a publicação que, após esta reunião, Cook terá dito aos oficiais do governo dos EUA que dormiu “com um olho aberto” em relação a esta questão. De facto, a Apple procurou nos últimos anos começar a produzir mais chips nos EUA e, no ano passado, Cook foi até à Casa Branca onde se comprometeu a investir 100 mil milhões de dólares na indústria norte-americana.

PROMOTORIA PEDE 6 ANOS DE PRISÃO PARA CONTRA-ALMIRANTE BUBO NA TCHUTO E DEFESA INSISTE NA ABSOLVIÇÃO

Por Rádio Sol Mansi  24 02 2026 

A promotoria do Tribunal Militar Superior pede seis (6) anos de prisão para o contra-almirante José Américo Bubo Na Tchuto, acusado no processo de 1 de fevereiro de 2022, no palácio do governo e defesa pede absolvição do arguido.

A posição foi tornada pública esta terça-feira, durante a última sessão do julgamento, que decorre há cerca de seis meses, após ter iniciado a 6 de outubro de 2025.

À saída da audiência, o advogado de defesa, Marcelino Intupe, manifestou confiança de que o tribunal não dará provimento ao pedido da promotoria, alegando falta de fundamentos suficientes para condenar o seu constituinte.

“A promotoria está a pedir pena sem bases sólidas, apoiando-se apenas em testemunhos. Entendemos que o tribunal irá desvalorizar esse pedido por falta de fundamentos”, afirmou o advogado.

Questionado sobre a possibilidade de o tribunal acolher o pedido da promotoria, Marcelino Intupe afirmou que a defesa irá recorrer da decisão para tentar ilibar o contra-almirante.

“Como é possível falar de uma condenação de 6 anos mas se surgir entraremos em condições de analisar a decisão que é recorrível para outra instância como podem imaginar”, assegurou Marcelino Intupe. 

Sobre o estado do arguido, o advogado garantiu que José Américo Bubo Na Tchuto encontra-se bem e reiterou que o seu cliente não cometeu qualquer crime.

“Como podem ver, ele está normal porque não fez nada, não cometeu nenhum crime, o fato demonstra como o ministério público não apresentou nenhum artigo que sustenta as acusações”, sublinhou Advogado Intupe. 

O Tribunal Militar Superior deverá agora anunciar a sentença final, que poderá resultar na condenação ou na absolvição do contra-almirante, conforme pedem as partes envolvidas no processo.

O Primeiro-Ministro de Transição da Guiné-Bissau, Ilídio Vieira Té, acompanha a evacuação de cinco feridos do incêndio ocorrido em Bafatá, que seguem para tratamento médico em Dacar... A deslocação visa garantir assistência especializada às vítimas, reforçando o compromisso das autoridades na prestação de apoio e acompanhamento às famílias afetadas pela tragédia.

AUMENTO ALARMANTE DE JOVENS SOB EFEITO DE DROGAS PREOCUPA HOSPITAL NACIONAL SIMÃO MENDES

Por  Rádio Sol Mansi  24/02/2026

O Diretor do Serviço de Urgência do Hospital Nacional Simão Mendes anuncia que, nos finais de semana, são registrados dezenas de casos de jovens de até 30 anos com níveis excessivos de drogas no organismo. O maior número de atendimentos ocorre na faixa feminina.

Estas informações foram divulgadas hoje em entrevista à Rádio Sol Mansi (RSM), na sequência de uma reportagem sobre o consumo excessivo e descontrolado de vários tipos de drogas, principalmente entre os jovens.

Bubacar Sissé afirmou que a maioria desses jovens consome drogas sem o seu consentimento, sendo, por vezes, adicionadas em chichas ou bebidas.

O Diretor do Serviço de Urgência do Hospital Nacional Simão Mendes acrescenta que a camada feminina representa a maioria dos atendimentos no hospital, chegando em alguns casos com distúrbios mentais e psicológicos.

O médico alerta que o consumo de drogas pode trazer consequências severas para a vida das pessoas, podendo levar à dependência ou até à morte. Ele explica que, nos primeiros momentos, a droga provoca uma sensação de alívio, mas que, com o tempo, afeta órgãos vitais do corpo humano.

Nos últimos tempos, têm sido denunciados casos envolvendo o consumo de vários tipos de drogas, entre elas drogas sintéticas como Liamba, Kús e MD. O consumo de drogas entre jovens é influenciado tanto pela circulação de substâncias ilícitas quanto pela ausência de políticas públicas eficazes de prevenção e tratamento.

Comunicado do Conselho de Ministros desta terça-feira. 24 de fevereiro 2026.

 

Mónica Buaró da Costa é a nova Diretora Geral da TGB

 


Senegal prepara lei para punir homossexualidade com penas até 10 anos... O primeiro-ministro senegalês, Ousmane Sonko, anunciou hoje aos deputados um projeto de lei para endurecer as penas para atos homossexuais no país, que contempla penas de cinco a 10 anos de prisão.

© Lusa   24/02/2026 

"Qualquer pessoa que cometa um ato contra a natureza será punida com cinco a 10 anos de prisão", em comparação com a pena atual de um a cinco anos, declarou hoje Sonko durante uma sessão de perguntas na Assembleia Nacional, referindo-se ao projeto de lei, que será posteriormente submetido a votação pelos parlamentares, em data ainda não especificada.

"Se o ato (homossexual) for cometido com um menor, será imposta a pena máxima. O juiz não poderá conceder uma suspensão condicional da pena nem reduzir a pena de prisão abaixo do prazo mínimo previsto", explicou o chefe do Governo.

Sonko disse ainda qual a definição de homossexualidade no código penal, e de acordo com o projeto de lei: "Qualquer ato sexual ou sexualmente sugestivo entre duas pessoas do mesmo sexo constitui um ato contra a natureza".

O projeto de lei prevê ainda a punição de "qualquer pessoa que tenha defendido" a homossexualidade, crime passível de uma pena de prisão de três a sete anos, de acordo com o primeiro-ministro.

O Senegal, um país da África ocidental predominantemente muçulmano e vizinho da Guiné-Bissau, tem sido abalado há várias semanas por uma série de detenções, incluindo de várias celebridades, por alegada homossexualidade.

O Governo anunciou em 17 de fevereiro que tinha "examinado e adotado" no Conselho de Ministros um projeto de lei que altera o artigo 319.º do código penal, relativo às relações homossexuais.

Anteriormente, em 07 de fevereiro, a polícia anunciou a detenção de 12 homens, entre os quais duas celebridades locais, acusados, nomeadamente, de "atos contra a natureza".

Também vários reclusos que testaram positivo para o VIH são acusados ??pelas autoridades senegalesas de "transmitir intencionalmente o VIH/Sida através de relações sexuais desprotegidas e de colocar em perigo a vida de outras pessoas".

Nos últimos anos, a questão da homossexualidade tem agitado regularmente a sociedade senegalesa e é também frequentemente denunciada como uma ferramenta utilizada pelos ocidentais para impor valores supostamente estranhos à cultura do país.

Várias manifestações convocadas por associações religiosas têm ocorrido no Senegal nos últimos anos, exigindo penas mais severas.


Leia Também: Duas mulheres detidas no Uganda por se beijarem em público

Duas ugandesas foram detidas por se beijarem em público, anunciaram hoje as autoridades locais, com base numa lei anti-homossexualidade, considerada uma das mais rigorosas do mundo.

COMBATENTES E VIÚVAS DOS COMBATENTES DA LIBERDADE DA PÁTRIA RECUSAM PENSÕES, DEVIDO AS EXIGÊNCIAS DOCUMENTAIS

Por  Rádio Sol Mansi  24. 02. 2026 

Os filhos, viúvas e combatentes da Liberdade da Pátria recusaram o recebimento das pensões, enquanto a Secretaria de Estado dos Combatentes continua a exigir o cartão biométrico e outros documentos comprobatórios para execução dos pagamentos.

De acordo com informações da própria Secretaria, uma Ordem do Serviço emitida em janeiro, determina que a partir de fevereiro, o pagamento das pensões só será realizado mediante apresentação do cartão biométrico, bilhete de identidade, certidão de cabeça de casal (no caso das viúvas) e outros documentos.

A situação motivou hoje, uma reivindicação que juntou dezenas de pessoas.

Após a reunião com o Diretor-Geral da Secretaria de Estado dos Combatentes, Domingos Tamba, porta-voz da Federação das Associações dos Combatentes da Liberdade da Pátria, afirmou que, concorda com a necessidade de um controle, desde que não haja penalização de outros beneficiários, incluindo combatentes, viúvas e filhos.

Domingos Tamba enfatizou que, caso não haja uma resolução rápida, os beneficiários continuarão a recusar o dinheiro das pensões.

A situação gerou protestos em frente ao edifício da Secretaria de Estado, com participantes segurando cartazes com as seguintes mensagens: “Combatentes i ka lixo” e “Bô paga combatentes”, expressando a insatisfação com a administração atual. Os manifestantes ameaçam também retornar à instituição e pedir a demissão do Diretor-Geral, caso suas reivindicações não sejam atendidas.

Rússia "já não é superpotência", mas explora medo nuclear... O investigador alemão Carlo Masala deixou de ver a Rússia como uma superpotência "há bastante tempo", embora explore o medo nuclear nos seus adversários e mantenha "ambições imperialistas", que a levam a aceitar um papel subalterno da China.

© Getty Images  Por  LUSA  24/02/2026 

Embora conserve ogivas suficientes para desempenhar um papel de destaque na diplomacia nuclear, "tudo o que está abaixo disso não tem nada a ver com uma grande potência", limitando-se a "explorar o sentimento de medo nos seus inimigos", defende, em entrevista à Lusa, o professor de política internacional na universidade pública militar de Bundeswehr, em Munique, no dia em que se assinalam quatro anos da invasão russa da Ucrânia.

Num momento em que as autoridades de Moscovo se debatem com o impasse militar no país vizinho e baixas acima de um milhão de soldados, além de danos severos na sua economia de guerra, em qualquer circunstância o Kremlin "controla a mensagem" no su país, segundo o autor do livro "Se a Rússia Vencer -- Um Cenário", que hoje é lançado pela Pinguin em Lisboa.

Apesar do impasse no campo de batalha e da incerteza nas negociações de paz trilaterais promovidas pelos Estados Unidos, o politólogo observa que os líderes europeus não podem perder a noção de que a Rússia persegue "ambições imperialistas" e "a destruição da NATO", num objetivo que não se encerra com a guerra na Ucrânia, o que alimenta o enredo do seu livro.

Na obra, o autor cria um cenário com base na sua experiência académica, e em linha com análises de serviços de informação ocidentais, para sustentar o perigo de uma nova agressão russa, três anos após uma suposta capitulação da Ucrânia e cedência dos territórios reivindicados por Moscovo, devido à fadiga de guerra e falta de apoio militar.

O cenário proposto implica a invasão de uma pequena cidade, Narva na Estónia, sob pretexto de proteção da minoria russa no país báltico, como forma de testar uma reação da NATO, que não consegue reunir consenso para aplicar o seu artigo 5.º sobre proteção mútua e deixa o Governo de Tallinn por sua conta.

Para este desfecho, contribui a falta de empenho da Casa Branca e o argumento de arriscar a Terceira Guerra Mundial por uma pequena cidade báltica, mas também manobras de diversão da China nas Filipinas e de vagas de migrantes de africanos no Mediterrâneo, ambas promovidas por Moscovo, que levam ao desvio de atenções e meios militares das forças da NATO.

Apesar de a cronologia dos acontecimentos parar em Narva, o investigador, que lidera o Centro de Estudos de Informações e Segurança da Universidade de Bundeswehr e foi vice-diretor de pesquisa do Colégio de Defesa da NATO, em Roma, avisa que a incapacidade da Aliança Atlântica em responder a uma agressão contra um seu membro, mesmo que pequena, seria já uma vitória para a Rússia.

Quando começou a escrever o livro, na primavera do ano passado, já havia "relatórios dos serviços de informação militares a dizer que os russos teriam até 2029 um exército suficientemente forte para travar uma guerra contra um país da NATO, se fosse politicamente desejado".

Em reação, recorda que houve muitas críticas a esta avaliação e argumentos de que "a Rússia não é assim tão estúpida para atacar a NATO", devido justamente ao artigo 5.º e incapacidade de progredir nas frentes ucranianas.

"Mas talvez estivéssemos todos a olhar para tudo isto de uma forma errada, talvez não se tratasse de atacar um país da NATO, mas apenas colocar a NATO em teste", lembra Carlo Masala, assinalando que, no caso do cenário apresentado, o teste russo acabaria por resultar no "colapso da Aliança".

Como condição para este panorama, o autor observa o apoio atual e real dos Estados Unidos à cedência do Donbass, no leste da Ucrânia, no âmbito de um acordo de paz proposto pela Casa Branca, em benefício do líder do Kremlin, Vladimir Putin, ainda que longe das metas maximalistas proclamadas em 2022 de tomar o país e depor o regime de Zelensky.

"Os objetivos mudam durante uma guerra e, quando se tem um sistema totalitário, é possível controlar as mensagens enviadas ao povo", adverte o investigador, insistindo que o controlo total do Donbass "seria vendido na Rússia como uma vitória", na medida em que "não precisaram ceder um centímetro nas negociações e ainda exigem eleições na Ucrânia e nada de tropas europeias no terreno" para vigiar um cessar-fogo. Em suma, "a guerra é um desastre, mas podem apresentá-la como querem".

Ainda que resista e, num cenário limite oposto ao que propõe na sua obra, isto é, se a Ucrânia conseguir um acordo aceitável e vencer, Carlo Masala duvida que Moscovo "se mantenha quieta por muito tempo", após ter perdido o seu espaço de influência em países como a Venezuela, a Síria e possivelmente o Irão.

"A Europa é o último campo de ação de que dispõem. E como a Rússia quer recuperar a sua grandeza, é de esperar que se tornem ainda mais duros", prevê o académico, ao mesmo tempo que duvida da possibilidade do colapso da economia russa, embora estagnada e sob efeito de inflação elevada, devido ao esforço de guerra, associado ao peso das sanções internacionais e redução drástica das receitas petrolíferas.

Os Estados totalitários "têm mais possibilidades de oprimir o povo, mesmo que a economia seja má, do que as democracias", adverte, dando como exemplo uma subida inesperada do IVA em 2%, deliberado pelo Governo de Moscovo "da noite para o dia", e que "num país como a Alemanha e presumivelmente Portugal levaria de imediato as pessoas para a rua em protesto, mas não na Rússia, porque toda a gente sabe que haverá repressão".

"Por isso, não vejo que nem a pressão económica nem a situação no campo de batalha possam mudar alguma coisa com Putin", afirma, a não ser que os indicadores se degradem a tal ponto que o próprio círculo do Presidente russo entendam que é melhor substitui-lo: "Mas isso não posso especular porque não sou criminólogo", ironiza.

Por outro lado, a Rússia continua a ter uma aliança com a China, "que visa basicamente alterar a ordem internacional", se bem que reduzida à condição de parceiro subalterno ou "bomba de gasolina de baixo custo" dos chineses, como se ironiza no livro, em alusão à venda de crude barato a Pequim como forma de contornar as sanções ocidentais.

"Os russos não têm outra escolha, é essa a questão", refere o politólogo, a propósito da sua dependência da China, cuja diplomacia nunca condenou a invasão da Ucrânia.

Mas as diferenças entre os seus países são enormes, avalia, tomando emprestada uma definição que ouviu nos meios das relações internacionais em que os chineses "são alterações climáticas e adaptam-se" e os russos "um tsunami destruidor", que uma vez passado pode dar lugar à reconstrução.

Em relação à Ucrânia, os líderes russos favorecem o diálogo com os Estados Unidos, insistindo num estatuto de "grande poder com grande poder", desprezando os países europeus como "potências de segundo escalão".

"Acho muito engraçado que as pessoas pensem que, se os europeus forem a Moscovo, a guerra na Ucrânia terá terminado", comenta o investigador, mas o mais certo seria "o Kremlin recebê-los todos, e até com grande espetáculo, mas nada vai mudar".


Leia Também: Com um acordo de paz "robusto e sustentável", Portugal pode contribuir para reconstrução da Ucrânia

A garantia foi deixada esta terça-feira, dia em que se assinalam quatro anos de guerra, pelo ministro dos Negócios Estrangeiros. Paulo Rangel espera que seja possível alcançar um acordo de paz este ano.

IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLEIA DE DEUS É ALVO DE ASSALTO EM BULA

 Rádio Sol Mansi   24 02 2026 

A Igreja Evangélica Assembleia de Deus foi invadida por um grupo de pessoas ainda não identificadas, que levaram cerca de 30 cadeiras, baterias de viaturas e outros materiais pertencentes à instituição religiosa. 

O caso ocorreu na cidade de Bula, norte do país, e já é do conhecimento das autoridades policiais.

De acordo com informações avançadas por Justina Tchuda, uma das responsáveis da igreja, em entrevista à Rádio Sol Mansi, os suspeitos terão arrombado uma das paredes do templo para conseguir acesso ao interior do edifício.

Segundo a responsável, a existência de uma janela improvisada também terá facilitado a ação dos invasores, permitindo a entrada no espaço de adoração.

A igreja lamenta profundamente o sucedido, destacando que o roubo foi praticado num local dedicado à fé e à convivência religiosa.

As autoridades policiais de Bula já foram informadas sobre o caso e deverão dar seguimento às investigações para identificar os autores do crime.

Entretanto, informações indicam que o número de roubos tem aumentado na cidade, gerando preocupação entre os moradores. A igreja aproveitou a ocasião para apelar aos jovens para que se afastem de atos de violência e criminalidade, reforçando a importância de preservar a paz e o respeito na comunidade.

O Ilídio Vieira Té, Primeiro-Ministro de Transição da Guiné-Bissau, preside neste momento à reunião do Conselho de Ministros.

Rússia acusa Paris e Londres de querer dar "bomba nuclear ou suja" a Kyiv... Os serviços de informação russos acusaram hoje a França e o Reino Unido de "trabalharem ativamente" para entregar à Ucrânia "uma bomba nuclear, ou pelo menos uma 'bomba suja'" para favorecer o país nas negociações de paz.

© Getty Images    Lusa    24/02/2026 

Em comunicado divulgado hoje, dia em que se assinala o quarto aniversário do início da invasão russa do país europeu, o Serviço de Informações Estrangeiras da Rússia (SVR) afirmou que a medida indica que França e Reino Unido "reconhecem que a situação atual na Ucrânia não permite alcançar a tão desejada vitória sobre a Rússia".

No entanto, "as elites britânicas e francesas não estão preparadas para aceitar a derrota", considerou.

Uma "bomba suja" é uma arma que combina explosivos convencionais (como dinamite) com material radioativo e ao contrário de uma bomba atómica, não gera uma explosão nuclear, visando antes espalhar radiação para contaminar uma área.

Segundo o SVR, os dois países ocidentais "acreditam que a Ucrânia deveria ser equipada com 'Wunderwaffe' - um termo que significa "arma maravilhosa" e era utilizado pela Alemanha nazi durante a II Guerra Mundial para descrever as armas entregues ao seu exército".

A Alemanha, adiantou a mesma fonte, "recusou sabiamente participar nesta perigosa aventura", enfatizou o SVR, acrescentando entregar estas armas e sistemas de lançamento a Kyiv "implica a transferência secreta de componentes, equipamentos e tecnologia europeus".

O organismo de informações secretas garantiu que as opções que estão a ser consideradas passam por entregar "a ogiva nuclear francesa TN75 e o míssil balístico lançado por um submarino M51.1", sublinhando que "os britânicos e os franceses reconhecem que os seus planos constituem uma violação flagrante do direito internacional, particularmente do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP)".

O SVR sublinhou ainda que estes países "estão a concentrar os seus esforços em fazer com que a aquisição de armas nucleares pela Ucrânia pareça ser o resultado do próprio desenvolvimento ucraniano", alertando que "estes planos extremamente perigosos de Londres e Paris demonstram que perderam completamente o contacto com a realidade".

Os dois países "esperam, em vão, esquivar-se à sua responsabilidade, especialmente porque tudo o que é secreto virá inevitavelmente ao de cima", adiantou o SVR.

"Há muitas pessoas sensíveis nos círculos militares, políticos e diplomáticos do Reino Unido e da França que compreendem o perigo que as ações imprudentes dos seus líderes representam para o mundo inteiro", concluiu o relatório.

A invasão da Ucrânia pela Rússia começou há exatamente quatro anos, quando Moscovo lançou uma ofensiva em larga escala por terra, ar e mar, visando inicialmente tomar a capital, Kyiv.

O Presidente, Vladimir Putin, denominou a ação de "Operação Militar Especial", mas o conflito tornou-se no maior confronto militar na Europa desde a II Guerra Mundial.


Leia Também: NATO defende apoio dos aliados até ao final da guerra: "Todos os dias"

O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, defendeu hoje que os aliados de Kyiv devem prestar apoio militar à Ucrânia "todos os dias" até ao final da guerra contra a Rússia.


Leia Também: "É importante termos uma data clara para a nossa adesão" à UE

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, pediu hoje à União Europeia (UE) para fixar uma data para a adesão do país ao bloco e manter a pressão sobre Moscovo com sanções.

GUERRA NA UCRÂNIA: "Difícil confirmar se africanos são recrutados pelo governo russo"... O investigador Denys Reva declarou à Lusa que é difícil saber se o recrutamento de soldados africanos para lutarem contra a Ucrânia é feito pelo Governo russo ou se é realizado por atores privados que "se aproveitam da situação".

© Shutterstock   Lusa   24/02/2026 

O especialista do Instituto de Estudos de Seguraça (ISS, na sigla em inglês) explicou que, independentemente de quem conduz formalmente o processo, "o beneficiário final, claro, é o governo russo e as forças militares russas".

Reva recordou que há relatos recentes que apontam para mais de dois mil africanos envolvidos na guerra do lado russo.

"Houve recentemente um relatório (...) de que mais de 2.000 africanos foram alistados ou estavam a participar na guerra contra a Ucrânia do lado russo", afirmou, acrescentando que um relatório divulgado no Parlamento queniano indicou que "houve mais de 1.000 quenianos que foram recrutados para a guerra".

Segundo o analista, a Rússia enfrenta uma necessidade constante de reforçar as tropas na linha da frente, pois estes soldados são os que "sofrem o maior número de baixas".

Perante este cenário, Moscovo terá intensificado o recrutamento no estrangeiro.

A estratégia passa, segundo Reva, por promessas financeiras atrativas, que podem chegar aos dois mil euros mensais.

O investigador referiu ainda que os recrutadores visam maioritariamente homens jovens, mas também ex-militares.

"Temos visto antigos soldados a serem visados por estes recrutadores. Por exemplo, nos Camarões (...) houve relatos destes soldados (...) a deixarem o exército camaronês e a inscreverem-se no exército russo, por causa das vantagens" apresentadas, indicou.

Quanto à distinção entre exército regular e milícias privadas, Reva considerou-a pouco relevante na prática.

"Tecnicamente, eu não diria que existe uma distinção entre milícias privadas e o exército russo. (...) Especialmente nas linhas da frente", afirmou, lembrando que Moscovo tem alegado, em alguns casos, que certos estrangeiros integravam estruturas privadas e não o exército regular.

Há também relatos de engano e coação.

"Há relatos de pessoas a quem foi prometido essencialmente um emprego. Elas chegaram à Rússia, assinaram um contrato em russo, sem compreenderem o que assinaram. E depois dizem-lhes que, afinal, acabaram de se oferecer como voluntários para ir para as linhas da frente", relatou.

Para o especialista, os voluntários estrangeiros têm pouca proteção legal.

"Uma vez assinado o contrato, está-se um pouco à mercê do exército russo", afirmou, acrescentando que, ao contrário dos cidadãos russos, não crê que "os voluntários estrangeiros recebam o mesmo nível de apoio legal".

Entre os problemas reportados estão falta de treino, retenção de salários e ausência de compensações às famílias em caso de morte.

Questionado sobre o impacto diplomático, Reva considerou que, para já, não são previsíveis consequências significativas.

"Penso que, por enquanto, não veremos um recuo assinalável ou uma consequência negativa resultante destas ações", afirmou, admitindo, contudo, que a médio e longo prazo o tema poderá criar tensões, sobretudo se surgirem provas de corrupção ou envolvimento institucional.

A ofensiva militar russa no território ucraniano, lançada a 24 de fevereiro de 2022, mergulhou a Europa naquela que é considerada a crise de segurança mais grave desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).


Leia Também: Pelo menos dois cidadãos angolanos entre africanos recrutados pela Rússia

Pelo menos dois cidadãos angolanos foram recrutados pela Rússia para combater contra a Ucrânia, numa lista que contempla 1.417 africanos, segundo os dados publicados este mês pela Organização Não-Governamental (ONG) INPACT.


 

Mulher evita relações sexuais? Pode ser esta a (complexa) explicação... O vaginismo é a disfunção sexual que pode estar a condicionar a sua relação! Falámos com uma especialista em ginecologia para a rubrica O Médico Explica deste mês e percebemos em que consiste esta condição. Entenda as causas e como pode procurar ajuda.

© Shutterstock   Inês Morais Monteiro   noticiasaominuto.com   24/02/2026 

O que poderá explicar a falta de vontade ou receio da mulher no momento de ter relações sexuais?

Durante muitos anos a saúde mental, bem como a vaginal, foram colocadas numa posição frágil e parcialmente esquecida. Desde então, a tendência para explicar determinados fenómenos do corpo feminino é também pouco informada.

Os parceiros reclamam e, inevitavelmente, este tende a ser mais um tabu nas relações, ou nalguns casos, desconhecimento de ambas as partes.

Numa entrevista exclusiva para a rubrica O Médico Explica do Lifestyle ao Minuto, falámos com Isabel Hermenegildo, a presidente da Comissão de Ginecoestética da Sociedade Portuguesa de Medicina Estética.

Esta especialista em ginecoestética desdobrou o estigma associado a essa "falta de vontade das mulheres" e explicou que este se prende, na verdade, com uma condição que pode afetar tanto a vida íntima, como emocional e relacional de muitas mulheres: O vaginismo.

Atualmente, segundo o DSM-5, este problema integra a categoria de “Perturbação de Dor Genito-Pélvica/Penetração”, isto é, é reconhecido como uma disfunção sexual com componentes físicos e psicológicos.

A incidência real do número de pessoas que sofre desta patologia, segundo Isabel Hermenegildo é difícil de determinar, visto que "muitos casos não são diagnosticados".

Em Portugal, cerca de 6,6% das mulheres relataram sintomas compatíveis com vaginismo em inquéritos sobre função sexual. "É um número provavelmente subestimado" desta "condição complexa em que corpo e mente dialogam de forma intensa", acrescenta.

Causas do vaginismo

Entre as causas físicas estão:

  • Infeções vaginais recorrentes
  • Endometriose
  • Secura vaginal
  • Cicatrizes (episiotomia, cirurgia pélvica)
  • Vulvodínia ou vestibulodínia
  • Défices hormonais (estrogénio/testosterona)
  • Malformações congénitas

Entre os fatores psicológicos e emocionais:

  • Medo da dor
  • Ansiedade associada à penetração
  • Educação sexual repressiva ou culpa
  • Experiências sexuais negativas ou trauma
  • Stress relacional
  • Falta de informação anatómica

Leia abaixo a entrevista completa.

O que é o vaginismo?

O vaginismo é uma disfunção sexual caracterizada pela contração involuntária dos músculos do pavimento pélvico, sobretudo do músculo pubococcígeo, quando há tentativa de penetração vaginal. Essa contração não é voluntária, acontece de forma reflexa, mesmo quando a mulher deseja a penetração.

Pode provocar dor, ardor ou tornar impossível a introdução de pénis, dedos, tampões ou mesmo do espéculo ginecológico.

Quais são as causas do vaginismo?

As causas são geralmente multifatoriais, combinando fatores físicos, psicológicos e sociais.

Entre as causas físicas estão as infeções vaginais recorrentes, endometriose, secura vaginal, cicatrizes (episiotomia, cirurgia pélvica), vulvodínia ou vestibulodínia, défices hormonais (estrogénio/testosterona), malformações congénitas

Já entre os fatores psicológicos e emocionais estão o medo da dor, a ansiedade associada à penetração, uma educação sexual repressiva ou culpa, experiências sexuais negativas ou trauma, stress relacional e falta de informação anatómica

Há diferentes tipos de vaginismo? Quais são as diferenças?

Sim. Existe o primário (a mulher nunca conseguiu ter penetração desde o início da vida sexual) e o secundário (surge após um período em que a penetração era possível e indolor). 

Quanto à extensão do vaginismo, pode ser total ou global (a penetração é impossível), parcial (a penetração é possível, mas dolorosa) ou situacional (ocorre apenas em determinadas circunstâncias ou com determinados estímulos).Há ainda classificações por grau de severidade, que ajudam a orientar o tratamento.

Quão comum é o vaginismo entre mulheres?

A incidência real é difícil de determinar, porque muitos casos não são diagnosticados. Em Portugal, cerca de 6,6% das mulheres relataram sintomas compatíveis com vaginismo em inquéritos sobre função sexual. É um número provavelmente subestimado.

Quem tem mais probabilidade de ter vaginismo? 

Pode surgir na adolescência ou início da idade adulta. Estudos clínicos indicam início por volta dos 19 anos, com uma parte significativa antes dos 18 anos.

Mas também pode aparecer mais tarde, após parto, cirurgia, infeção dolorosa, experiência sexual traumática, procedimentos urogenitais dolorosos, radioterapia ou quimioterapia. Ou seja, não é uma condição exclusiva da juventude.

E nas mulheres mais jovens acontece porquê?

Nas mais jovens, é frequentemente associado a:

Medo da dor na primeira relação

Falta de educação sexual clara

Crenças negativas ou culpabilizantes sobre sexualidade

Ansiedade antecipatória

Trauma sexual, educação repressiva, culpa associada à sexualidade e ansiedade intensa são fatores reconhecidos como possíveis desencadeadores.

Mas nem todas as mulheres com esses antecedentes desenvolvem vaginismo. É sempre um fenómeno multifatorial.

Porque é que as mulheres demoram a procurar ajuda?

Ainda é tabu. Muitas mulheres sentem vergonha, outras acreditam que seja normal doer. Também há quem pense ser caso único e evita exames ginecológicos por medo. No entanto, o silêncio acaba por prolongar o sofrimento.

As redes sociais ajudam ou atrapalham, no que respeita a este tema e sobre saúde sexual feminina?

Podem ajudar ao normalizar o tema e na partilha de experiências. Ver outras mulheres a falar sobre isso reduz o isolamento. Mas também podem desinformar, simplificar em excesso ou promover soluções milagrosas que não substituem acompanhamento clínico. Como em quase tudo, informação qualificada faz toda a diferença.

Como é feito o diagnóstico? Existem exames específicos?

O diagnóstico baseia-se em história clínica detalhada (médica, psicossocial e sexual), entrevista sobre sintomas e contexto, e exame ginecológico suave, quando tolerável. Não existe um exame específico único que detete vaginismo. O diagnóstico é clínico.

Como o vaginismo afeta a vida sexual?

Pode impedir completamente a penetração ou torná-la dolorosa.

Como consequências frequentes, as mulheres podem sentir frustração, evitar a intimidade, conflito relacional, sentimento de falha ou inadequação, e ansiedade crescente associada ao sexo.

Em alguns casos, é também causa de casamento não consumado.

O vaginismo tem cura? 

Sim, tem tratamento e, na maioria dos casos, tem resolução.

Quanto tempo, em média, demora o tratamento?

A duração varia consoante a gravidade, causas associadas e adesão ao tratamento. Pode demorar semanas ou vários meses. Casos mais complexos ou refratários podem exigir intervenções adicionais.

Quais são os tratamentos mais eficazes?

O tratamento é sempre multidisciplinar, não é um problema para resolver só no consultório do ginecologista. 

Pode envolver médico especialista em dor pélvica, ginecologista, psicoterapeuta e fisioterapeuta do pavimento pélvico. As estratégias incluem terapia cognitivo-comportamental, reabilitação do pavimento pélvico, treino de controlo muscular, dessensibilização vaginal gradual com dilatadores, e em casos selecionados, toxina botulínica.

O parceiro deve participar de alguma forma no processo terapêutico?

Idealmente, sim. O tratamento deixa de ser um problema da mulher e passa a ser um processo partilhado. A participação do parceiro pode ajudar a reduzir a ansiedade, melhora a comunicação entre o casal, aumenta a compreensão mútua e diminui a pressão associada à penetração.

VOLODYMYR ZELENSKY: "Putin não alcançou os seus objetivos. Não quebrou o povo ucraniano"... O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou hoje que o líder da Rússia Vladimir Putin não alcançou os objetivos de guerra na Ucrânia, quatro anos após a invasão russa do país.

© Yauhen Yerchak/Anadolu via Getty Images    Por  LUSA  24/02/2026 

"Putin não alcançou os seus objetivos. Não quebrou o povo ucraniano. Não ganhou esta guerra", disse Zelensky, numa mensagem vídeo, gravada no 'bunker' do gabinete presidencial ucraniano.

"Preservámos a Ucrânia e tudo faremos para alcançar a paz e para que a justiça seja feita. Queremos paz, uma paz forte, digna e duradoura", acrescentou o chefe de Estado.

O líder recordou uma conversa telefónica que teve, em 24 de fevereiro de 2022, com o então Presidente dos EUA, Joe Biden, na qual lhe disse que não fugiria da Ucrânia e que precisava de armas.

"Falei com o Presidente Biden aqui, e também o ouvi dizer: 'Volodymyr, há perigo, precisas de sair da Ucrânia urgentemente. Estamos prontos para te ajudar com isso'. E eu respondi que precisava de armas, não de um táxi", disse Zelensky.

Os presidentes do Conselho Europeu e da Comissão Europeia deslocam-se hoje a Kyiv para assinalar o quarto aniversário da guerra, enquanto o Parlamento Europeu organiza uma sessão plenária extraordinária em Bruxelas.

António Costa e Ursula von der Leyen, que no ano passado já se tinham deslocado à Ucrânia em 24 de fevereiro, vão participar na cerimónia memorial oficial em Kyiv e visitar uma infraestrutura energética bombardeada pela Rússia, antes de se reunirem com Zelensky.

Vão também participar, a partir de Kyiv, numa reunião da Coligação da boa vontade sobre a Ucrânia, convocada pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, e pelo primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, a decorrer por videoconferência.

No entanto, ao contrário do ano passado, em que Von der Leyen aproveitou a ida a Kyiv para anunciar um novo financiamento de 3,5 mil milhões de euros à Ucrânia, desta vez os dois líderes vão chegar à capital ucraniana com um revés e poucos anúncios previstos.

Na segunda-feira, devido à oposição da Hungria, os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE não conseguiram aprovar o 20.º pacote de sanções à Rússia, preparado precisamente para assinalar o quarto aniversário da guerra.

Da mesma maneira, a Hungria ameaçou bloquear um empréstimo de 90 mil milhões de euros à Ucrânia, o que, a verificar-se, pode deixar Kyiv sem o financiamento necessário para aguentar o esforço de guerra a partir da primavera.

Em Bruxelas, o Parlamento Europeu decidiu também organizar uma sessão plenária extraordinária para assinalar o quarto aniversário da guerra, agendada para as 10h15 (09h15 em Lisboa) e com uma duração de cerca de uma hora.

A sessão vai começar com um discurso de Zelensky, feito por vídeo, passando depois os eurodeputados a debater a guerra e o apoio da UE à Ucrânia, antes de votarem uma resolução.

Por sua vez, a NATO também vai assinalar o quarto aniversário da guerra na Ucrânia com uma cerimónia no quartel-general da organização, em Bruxelas, que contará com declarações do secretário-geral da Aliança, Mark Rutte.

A Amnistia Internacional (AI) afirmou na segunda-feira que o povo ucraniano "suportou mais um ano de agressão" em grande escala, o mais devastador até agora em consequências humanitárias e o mais mortífero em vítimas civis desde 2022.

México mobiliza 10.000 soldados para acabar com violência após morte de "El Mencho"... Violência já causou dezenas de mortos

Por  cnnportugal.iol.pt

O México mobilizou 10.000 soldados na região oeste do seu território para conter a violência desencadeada pela morte do barão das drogas mais procurado do país, que já causou dezenas de mortos.

Nemesio Oseguera, conhecido como El Mencho, líder do Cartel de Jalisco Nueva Generación (CJNG), foi ferido no domingo durante uma operação militar na cidade de Tapalpa, no Estado de Jalisco (oeste), e morreu durante o transporte de avião para a Cidade do México, segundo o exército.

O anúncio da sua morte provocou uma reação violenta do cartel, cujos alegados membros bloquearam estradas, incendiaram veículos, atacaram postos de gasolina, estabelecimentos comerciais e bancos, e confrontaram as autoridades em 20 Estados mexicanos.

Durante a operação militar e os confrontos que se seguiram, 25 membros da guarda nacional, assim como um agente de segurança e um responsável do ministério público foram mortos, bem como 46 membros do cartel, indicaram as autoridades.

Na capital, Cidade do México, nenhum ato de violência foi reportado.

O governo anunciou hoje o envio de mais 2.500 militares para Jalisco, elevando para 10.000 o número de elementos das Forças Armadas mobilizados desde domingo.

As autoridades esperam pôr rapidamente fim aos distúrbios, a quatro meses do Mundial de Futebol de 2026, coorganizado com os Estados Unidos e o Canadá, e do qual Guadalajara, capital do Estado de Jalisco, será uma das cidades-sede.

"O país está em paz, está calmo", assegurou hoje a presidente Claudia Sheinbaum, indicando que já não havia mais bloqueios nas estradas.

Mas a agência de notícias francesa AFP observou alguns perto de Guadalajara e do local da operação contra o chefe de uma das organizações criminosas mais poderosas do mundo.

"Está tranquilo, mas bem (...) ainda não quero sair", declarou à AFP Serafín Hernandez, um camionista de Morelia, no oeste do país, dizendo temer que o seu veículo fosse incendiado.

"Temos medo, acredito que toda a sociedade tem medo", sobretudo "as pessoas que vão trabalhar", acrescentou Angel Gonzalez, um taxista de 45 anos.

Em Guadalajara, as ruas estavam meio desertas e a maioria das lojas continuaram fechadas hoje.

"A situação é um pouco crítica, mal abriram algumas lojas (...) A minha família não saiu hoje", disse Jorge Martinez à AFP, um reformado de 70 anos que arriscou fazer compras numa farmácia.

Nemesio Oseguera foi considerado o último dos grandes padrinhos desde a captura dos fundadores do cartel rival de Sinaloa, Joaquín Guzmán "El Chapo", e Ismael "Mayo" Zambada, presos nos Estados Unidos.

À frente do CJNG, qualificado em 2025 como "organização terrorista" pelos Estados Unidos, que o acusam de tráfico de cocaína, heroína, metanfetamina e fentanil, era um dos barões da droga mais procurados pelo México e pelos Estados Unidos, que ofereciam até 15 milhões de dólares pela sua captura.

Uma das suas companheiras foi um elemento-chave para o localizar, explicou em conferência de imprensa o secretário da Defesa Nacional, Ricardo Trevilla.

Forças especiais do exército mexicano cercaram o local onde ele se encontrava e foram alvo de tiros por parte dos homens armados responsáveis pela sua segurança, explicou.

A presidente Claudia Sheinbaum tinha anteriormente confirmado que não houve "participação das forças dos Estados Unidos na operação", mas "muito intercâmbio de informações".

O corpo de Oseguera foi formalmente identificado pelo seu ADN e será entregue à sua família, precisou o secretário de Segurança, Omar Garcia Harfuch.

 Oseguera "não tinha sucessores evidentes", pelo que poderão ocorrer cisões no seio do CJNG, estima Gerardo Rodriguez, especialista em segurança na Universidade das Américas em Puebla, entrevistado pela AFP.


Leia Também: Embargo americano afunda Cuba e acaba com viagens turísticas ao passado, feitas de história, cultura, política e praia

A ilha de Cuba está sob embargo há mais de 60 anos, mas depois da pandemia e, agora, sem a ajuda do regime venezuelano, o turismo, que é o sustento do país, entrou em colapso. O regime como o conhecemos está cada vez mais perto da derrota. Acabada a ditadura, o que se segue? À procura de resposta, neste Expresso da Manhã, Paulo Baldaia conversa com a jornalista Catarina Maldonado Vasconcelos

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Trump nega desentendimento com o seu chefe do Estado-Maior sobre Irão... O presidente norte-americano, Donald Trump, negou hoje as notícias veiculadas nos media de que o chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, Dan Caine, o teria advertido contra uma intervenção militar em grande escala no Irão.

Por  LUSA  23/02/2026

"O general Caine, como todos nós, preferia não ver uma guerra, mas se fosse tomada a decisão de intervir militarmente contra o Irão, acredita que seria algo fácil de vencer", garantiu o chefe de Estado norte-americano na sua rede social, a Truth Social.

Não falou sobre não atacar o Irão, nem sobre ataques limitados, como foi falsamente noticiado e sobre o qual tenho lido", insistiu Trump.

O republicano reagiu desta forma às notícias de que Caine "é contra uma guerra com o Irão".

"Isto é 100% incorreto", frisou, antes de lembrar que Caine comandou a operação na qual os bombardeiros B-2 destruíram instalações nucleares iranianas em junho.

Vários órgãos de comunicação social norte-americanos, citando fontes ligadas ao processo, noticiaram que Caine alertou Trump de que o ataque ao Irão acarreta sérios riscos, particularmente o potencial para um impasse prolongado e baixas norte-americanas.

"Caine é um grande lutador e representa as forças armadas mais poderosas do mundo (...). Só sabe uma coisa: como vencer. E se receber ordens, estará no comando", enfatizou Trump.

O presidente norte-americano reiterou que é ele próprio quem "toma a decisão".

"Preferia chegar a um acordo do que não chegar, mas se não chegarmos, será um dia muito sombrio para aquele país e, infelizmente, para o seu povo, porque são grandiosos e maravilhosos, e nada disto lhes deveria acontecer", concluiu.

Donald Trump ordenou um destacamento naval e aéreo maciço no Médio Oriente e Teerão tem reiterado estar preparado para responder a qualquer intervenção militar norte-americana.

Os dois países realizaram a 17 deste mês, na Suíça, uma segunda sessão de negociações indiretas, através de mediação de Omã, num contexto de tensões acrescidas na região, para onde Washington enviou dois porta-aviões.

Novas conversações, confirmadas pelo Irão e por Omã, mas não pelos Estados Unidos até ao momento, estão previstas para quinta-feira.

O chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, lidera as negociações pelo lado iraniano, enquanto os Estados Unidos estão representados pelo enviado Steve Witkoff e pelo genro do Presidente norte-americano, Jared Kushner.

Estas novas tensões entre Washington e Teerão surgiram após a repressão de um vasto movimento de contestação no Irão. Donald Trump prometeu então prestar "apoio" ao povo iraniano.

Pela primeira vez desde esses protestos, ouviram-se novamente nos últimos dias, em várias cidades iranianas, palavras de ordem apelando à morte do líder supremo do Irão, o ayatollah Ali Khamenei.

A chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Kaja Kallas, apelou hoje a uma "solução diplomática", numa altura em que o Irão "se encontra no ponto mais fraco de sempre".

O receio de uma eventual intervenção militar norte-americana no Irão levou vários países a exortar os seus cidadãos a abandonarem o país, como a Índia, que anunciou hoje essa decisão.


Leia Também: Trump avisa que discurso do Estado da União na 3.ª-feira "será longo"

O presidente norte-americano, Donald Trump, advertiu hoje que o seu discurso sobre o Estado da União na terça-feira será longo, por ter "muito a dizer" sobre a situação do país, após o recorde estabelecido no ano passado.