© Shutterstock Lusa 24/02/2026
O especialista do Instituto de Estudos de Seguraça (ISS, na sigla em inglês) explicou que, independentemente de quem conduz formalmente o processo, "o beneficiário final, claro, é o governo russo e as forças militares russas".
Reva recordou que há relatos recentes que apontam para mais de dois mil africanos envolvidos na guerra do lado russo.
"Houve recentemente um relatório (...) de que mais de 2.000 africanos foram alistados ou estavam a participar na guerra contra a Ucrânia do lado russo", afirmou, acrescentando que um relatório divulgado no Parlamento queniano indicou que "houve mais de 1.000 quenianos que foram recrutados para a guerra".
Segundo o analista, a Rússia enfrenta uma necessidade constante de reforçar as tropas na linha da frente, pois estes soldados são os que "sofrem o maior número de baixas".
Perante este cenário, Moscovo terá intensificado o recrutamento no estrangeiro.
A estratégia passa, segundo Reva, por promessas financeiras atrativas, que podem chegar aos dois mil euros mensais.
O investigador referiu ainda que os recrutadores visam maioritariamente homens jovens, mas também ex-militares.
"Temos visto antigos soldados a serem visados por estes recrutadores. Por exemplo, nos Camarões (...) houve relatos destes soldados (...) a deixarem o exército camaronês e a inscreverem-se no exército russo, por causa das vantagens" apresentadas, indicou.
Quanto à distinção entre exército regular e milícias privadas, Reva considerou-a pouco relevante na prática.
"Tecnicamente, eu não diria que existe uma distinção entre milícias privadas e o exército russo. (...) Especialmente nas linhas da frente", afirmou, lembrando que Moscovo tem alegado, em alguns casos, que certos estrangeiros integravam estruturas privadas e não o exército regular.
Há também relatos de engano e coação.
"Há relatos de pessoas a quem foi prometido essencialmente um emprego. Elas chegaram à Rússia, assinaram um contrato em russo, sem compreenderem o que assinaram. E depois dizem-lhes que, afinal, acabaram de se oferecer como voluntários para ir para as linhas da frente", relatou.
Para o especialista, os voluntários estrangeiros têm pouca proteção legal.
"Uma vez assinado o contrato, está-se um pouco à mercê do exército russo", afirmou, acrescentando que, ao contrário dos cidadãos russos, não crê que "os voluntários estrangeiros recebam o mesmo nível de apoio legal".
Entre os problemas reportados estão falta de treino, retenção de salários e ausência de compensações às famílias em caso de morte.
Questionado sobre o impacto diplomático, Reva considerou que, para já, não são previsíveis consequências significativas.
"Penso que, por enquanto, não veremos um recuo assinalável ou uma consequência negativa resultante destas ações", afirmou, admitindo, contudo, que a médio e longo prazo o tema poderá criar tensões, sobretudo se surgirem provas de corrupção ou envolvimento institucional.
A ofensiva militar russa no território ucraniano, lançada a 24 de fevereiro de 2022, mergulhou a Europa naquela que é considerada a crise de segurança mais grave desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
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Pelo menos dois cidadãos angolanos foram recrutados pela Rússia para combater contra a Ucrânia, numa lista que contempla 1.417 africanos, segundo os dados publicados este mês pela Organização Não-Governamental (ONG) INPACT.


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