Por LUSA
O governante falava aos jornalistas guineenses num balanço dos primeiros 100 dias do Governo de transição, instituído com o golpe de Estado militar de 26 de novembro passado.
Entre várias considerações, Vieira Té afirmou que o Governo não consegue resolver, em 100 dias, os "problemas estruturantes de décadas" que a Guiné-Bissau tem, mas afirmou que o executivo já demonstrou "o caminho que quer seguir".
Um dos caminhos, disse Té, é a melhoria das relações com os parceiros internacionais, nomeadamente com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e com o Banco Mundial.
O Banco Mundial anunciou, em janeiro, que tinha suspendido todas as operações e financiamentos à Guiné-Bissau, no seguimento do golpe de Estado de final de novembro, e que estava a "monitorizar atentamente" a situação no país.
"O Grupo Banco Mundial está a monitorizar atentamente a situação na Guiné-Bissau", disse uma fonte oficial em resposta a questões da Lusa, nas quais confirma que os desembolsos e os projetos foram suspensos neste país lusófono africano.
"Não existe o abandono da Guiné-Bissau por parte do Banco Mundial. Existe cooperação técnica e avaliação normal entre parceiros internacionais", disse hoje o primeiro-ministro guineense.
Ilídio Vieira Té referiu-se também ao FMI para destacar a recente avaliação do desempenho macroeconómico do país feita pelo Fundo, em que a Guiné-Bissau alcançou recentemente um acordo técnico que vai permitir ao país receber um desembolso de 3,3 milhões de dólares.
O acordo, no âmbito do programa de ajustamento financeiro, está ainda sujeito à aprovação da direção da instituição.
Há um mês, o FMI anunciou que estava a "reavaliar o programa de assistência financeira à Guiné-Bissau, em curso desde 2023, aprovado no final de janeiro desse ano, num total de 37,9 milhões de dólares (32,6 milhões de euros), e aumentado no final desse ano para cerca de 53 milhões de dólares (46 milhões de euros).
Deste valor, a Guiné-Bissau já recebeu cerca de 50 milhões de dólares (43 milhões de euros) desde o início do programa.
Ilídio Vieira Té destacou ainda que o Governo de transição vai continuar com a política de pagamento presencial dos salários aos funcionários públicos, após a experiência com os trabalhadores do Ministério da Educação.
O primeiro-ministro do Governo de transição reconheceu que o executivo trabalha sob "enorme pressão de não falhar com os guineenses", mas tudo fará para garantir a estabilidade institucional fazendo ajustes no elenco "só se forem necessários".
A autoridade do Estado será preservada pelo Governo, disse Ilídio Vieira Té, para quem a instrumentalização política e a divisão étnica serão combatidos na Guiné-Bissau que, disse, não poderá olhar pela sua diversidade como uma ameaça.
O governante reiterou que o país se auto suspendeu na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) por não ser obrigado a manter-se numa organização que não respeita a Guiné-Bissau.
"Quem não nos respeita não somos obrigados a respeitar essa instituição, enquanto Estado soberano", declarou.
Em relação às eleições legislativas e presidenciais marcadas pelo Presidente guineense de transição, general Horta Inta-a, para 06 de dezembro, Vieira Té afirmou que ao invés de um recenseamento eleitoral de raiz serão feitas atualizações progressivas dos cadernos.
Um autodenominado Alto Comando Militar protagonizou um golpe de Estado na véspera do anúncio dos resultados provisórios das eleições legislativas e presidenciais, realizadas no dia 23 de novembro de 2025.
Os militares alegaram como fundamento a iminência de uma guerra civil no país.
Na sequência do golpe de Estado, a Guiné-Bissau foi suspensa das várias organizações de que é membro, nomeadamente a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), União Africana e CPLP, que reclamam o regresso à normalidade constitucional para levantar a medida.
A CPLP cancelou uma missão de bons ofícios que tinha agendado para de 17 a 21 de fevereiro, depois da troca de acusações entre a Guiné-Bissau e Timor-Leste, que assumiu temporariamente a presidência da organização, que era detida por Bissau.
A CEDEAO e a União Africana enviaram missões à Guiné-Bissau, que estão a mediar o processo de transição no país, que os militares definiram pelo período máximo de 12 meses.

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