segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Governo nigeriano pagou resgate ao Boko Haram para libertar reféns... O Governo nigeriano pagou ao grupo extremista Boko Haram um resgate para libertar até 230 crianças e funcionários sequestrados numa escola católica em novembro, disseram fontes dos serviços secretos à agência France-Presse (AFP).

Por LUSA 

Dois comandantes do Boko Haram também foram libertados como parte deste acordo relativo aos alunos da escola Saint Mary, no estado do Níger (oeste), o que viola a lei nacional que proíbe pagamentos a sequestradores.

Autoridades do Governo nigeriano negam ter pagado dinheiro ao grupo armado que, em 21 de novembro, sequestrou cerca de 300 alunos e funcionários do internato Saint Mary, no centro do estado de Níger, dos quais pelo menos 50 conseguiram escapar.

O Boko Haram, que lidera uma insurreição sangrenta desde 2009 no nordeste da Nigéria e se especializou em sequestros em massa, não foi diretamente ligado a este sequestro.

Mas várias fontes de segurança afirmaram à agência AFP que um dos seus comandantes mais temidos era o responsável. Trata-se do extremista Sadiku, chefe de uma célula no estado do Níger.

Os alunos e funcionários de Saint Mary foram libertados após duas semanas de negociações conduzidas por Nuhu Ribadu, conselheiro de segurança nacional da Nigéria, com o Governo a afirmar que não tinha pagado qualquer resgate.

Em resposta às perguntas da AFP, os serviços de segurança nigerianos negaram categoricamente ter pagado qualquer quantia, afirmando que "os agentes do governo não pagam resgates".

No entanto, quatro fontes próximas das negociações afirmaram que o Governo pagou um resgate muito elevado para obter a libertação dos alunos e do pessoal.

Uma fonte avançou o valor de 40 milhões de nairas por pessoa, ou seja, cerca de sete milhões de dólares no total (cerca de 5,9 milhões de euros).

Outra fonte avançou um valor inferior, nomeadamente dois mil milhões de nairas (1,5 milhões de dólares, cerca de 1,2 milhões de euros)).

O dinheiro foi transportado de helicóptero até ao bastião do Boko Haram em Gwoza, no estado de Borno, no nordeste do país, na fronteira com os Camarões, e entregue a Ali Ngulde, um comandante extremista da região, disseram várias fontes à AFP.

O país é há muito tempo vítima de sequestros em massa, com gangues armados locais chamados de "bandidos" e grupos extremistas que às vezes se juntam para extorquir milhões das famílias dos reféns, com as autoridades a demonstrarem ser impotentes para impedir estes crimes.


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O Governo nigeriano atribuiu o ataque armado da passada terça-feira às comunidades de Woro e Nuku, no estado de Kwara (centro-oeste), ao grupo jihadista nigeriano Boko Haram, divulgou hoje a imprensa internacional.


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