Por SIC Notícias
Elsa Logarinho acredita que sim. "Com todo o avanço na compreensão da biologia fundamental do envelhecimento, considero que será possível a reversão". No último episódio do Admirável Mundo Novo, a bioquímica que lidera o Laboratório de Envelhecimento e Aneuploidia do i3S, no Porto, guia-nos pelas últimas descobertas que a impressionaram e pelos importantes contributos do seu grupo de investigação.
O envelhecimento não é um processo uniforme. Os diversos orgãos do corpo envelhecem a ritmos diferentes. Em 2025, investigadores da Universidade de Stanford, nos EUA, conseguiram determinar a idade biológica de 11 órgãos através de uma análise ao sangue. O grupo liderado por Tony Wyss-Coray constatou também que a idade biológica do cérebro e do sistema imunitário são os principais indicadores de uma longevidade saudável.
É uma das descobertas que Elsa Logarinho destaca no Admirável Mundo Novo. E que reforça a ideia de que será possível travar - e talvez reverter - os danos provocados pelo envelhecimento.
"Apontam o envelhecimento imunitário como um processo modificável, passível de ação e reversível", sublinha.
Elsa Logarinho lidera Laboratório de Envelhecimento e Aneuploidia no i3SDR / SIC
O grupo de investigação que lidera no Instituto de Investigação e Inovação em Saúde, no Porto, tem feito contribuições de peso na área do envelhecimento. Nomeadamente a descoberta do papel do gene FOXM1 "na qualidade com que é feita a divisão celular". O envelhecimento está associado à acumulação progressiva de danos celulares. Aumentando os níveis de FOXM1, os investigadores do i3S conseguiram reverter sinais de envelhecimento e aumentar em 25% a longevidade em ratinhos.
"Isto aponta o FOXM1 como um fator de rejuvenescimento. Vamos agora testar esta hipótese: corrigir os níveis de FOX-1 só no sistema imunitário será suficiente para rejuvenescer todo um organismo?"
É uma pergunta gigante. Mas há coisas que já sabemos, lembra Elsa Logarinho: "Nós sabemos que podemos atrasar o envelhecimento". Não só com "as novas intervenções terapêuticas que têm vindo a surgir, mas também com aquilo que já sabemos há muito tempo: uma boa alimentação, a prática de exercício físico, umas boas horas de sono. Tudo isto atrasa o envelhecimento. Dá-nos uma longevidade mais saudável."
Em 2025 o Conselho Europeu de Investigação atribuiu uma bolsa de 10 milhões de euros ao consórcio que Elsa Logarinho lidera em Portugal e que inclui dois grupos de investigação em França. O consórcio CenAGE vai estudar "a instabilidade dos centrómeros, regiões de DNA repetitivo dos cromossomas, como caraterística e/ou causa do envelhecimento".
O projeto poderá, acredita Elsa Logarinho, "transformar conceptualmente a biologia do envelhecimento ao revelar os centrómeros como protagonistas da instabilidade genómica e do declínio funcional associado à idade". Poderá também "abrir portas a novas terapias para doenças do envelhecimento".
A generosa e prestigiante "ERC Synergy Grant" financia investigação básica de excelência e distingue projetos "com potencial de inovação disruptiva".
.webp)
.webp)
.webp)
.webp)
Sem comentários:
Enviar um comentário