domingo, 1 de março de 2026

IRÃO: Guarda Revolucionária ou se rende ou "enfrenta morte certa", ameaça Trump... O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou hoje a Guarda Revolucionária iraniana com "morte certa" se não se render, prometendo ainda vingar a morte de militares americanos, em declarações difundidas na sua rede social.

© Getty Images    Por  LUSA   01/03/2026

"Exorto a Guarda Revolucionária, a polícia militar iraniana, a depor as armas e receber imunidade total ou enfrentar uma morte certa. A morte não será agradável", declarou Trump num vídeo.

Segundo Trump, "todo" o comando militar do Irão desapareceu e muitos deles "querem render-se para proteger as suas vidas" e imunidade.

Mesmo assim, Trump adiantou que as operações continuam "com toda a força", e assim continuarão "até que todos os objetivos sejam alcançados".

Também prometeu vingar a morte de militares americanos, admitindo que haverá mais baixas do lado dos EUA.

Donald Trump defendeu a intervenção militar no Irão como necessária para garantir a segurança dos americanos.

"Durante quase 50 anos, esses extremistas malignos atacaram os EUA enquanto entoavam o slogan 'Morte aos Estados Unidos' ou 'Morte a Israel', ou ambos", disse.

O Presidente norte-americano apelou a "todos os patriotas iranianos que anseiam pela liberdade" para que aproveitem o momento, sejam "corajosos, ousados, heroicos e recuperem o seu país".

"Os Estados Unidos estão convosco. Fiz-vos uma promessa e cumpri-a. O resto depende de vós. Estaremos lá para vos ajudar", afirmou.

Esta é a primeira declaração institucional de Trump desde que anunciou a operação conjunta com Israel na madrugada de sábado. Até agora, o presidente norte-americano só tinha mantido breves entrevistas por telefone com alguns meios de comunicação.

Reino Unido permite que EUA usem bases militares

Por seu lado, o Reino Unido concordou que os Estados Unidos usem bases militares britânicas para atacar locais de mísseis iranianos, conforme solicitado por Trump, indicou hoje o primeiro-ministro Keir Starmer, comentando que Londres "não participará de ações ofensivas no Irão".

"A nossa decisão de que o Reino Unido não participaria nos ataques contra o Irão foi cuidadosamente ponderada", afirmou num vídeo publicado na rede social X.

"Todos nos lembramos dos erros cometidos no Iraque e aprendemos com eles", sublinhou o chefe do governo britânico.

Mas "o Irão ataca os interesses britânicos e coloca em grave perigo os seus cidadãos" e os seus aliados na região, sustentou Keir Starmer, acreditando que "a única forma de pôr fim à ameaça é destruir os mísseis na fonte: nos depósitos de armazenamento ou nos lançadores que servem para disparar esses mísseis".

O Governo britânico autorizou os Estados Unidos a utilizar bases britânicas "para este fim defensivo específico e limitado", que foi aceite porque "está em conformidade com o direito internacional".

Segundo o primeiro-ministro, "pelo menos 200.000 cidadãos britânicos", residentes ou turistas, encontram-se nos países afetados pela escalada regional no Médio Oriente, na sequência dos primeiros ataques americanos e israelitas ao Irão, que lançou represálias contra vários países vizinhos e Israel.

Israel e Estados Unidos lançaram no sábado um ataque militar contra o Irão, para "eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano", e Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas na região e alvos israelitas.

O Irão já confirmou a morte do ayatollah Ali Khamenei, o líder supremo do país desde 1989 e decretou um período de luto de 40 dias.

Segundo a Cruz Vermelha iraniana, foram registados pelo menos 200 mortos e cerca de 750 feridos.


Leia Também: Trump prevê mais quatro semanas de ataques ao regime de Teerão

O presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, previu hoje que os ataques contra o Irão irão continuar nas próximas quatro semanas, admitindo que poderá haver mais perdas entre os militares norte-americanos.

Kaja Kallas: Ataques do Irão a países da região "são imperdoáveis"... A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, classificou hoje como "imperdoáveis os ataques do Irão" aos países do Médio Oriente, ameaçando-o com mais sanções caso continue a pôr em risco a segurança regional.

© Lusa  01/03/2026 

"O Médio Oriente tem muito a perder com qualquer guerra prolongada. Os ataques do Irão e a violação da soberania de vários países da região são imperdoáveis. O Irão deve abster-se de ataques militares indiscriminados. Expressamos a nossa solidariedade aos parceiros da região que foram atacados ou afetados [e] reiteramos o nosso compromisso com a estabilidade regional e com a proteção da vida civil", declarou a Alta Representante da União Europeia (UE) para a Política Externa num comunicado. 

A responsável vincou que a UE "tem repetidamente instado o Irão a pôr fim ao seu programa nuclear, a restringir o seu programa de mísseis balísticos, a abster-se de atividades desestabilizadoras na região e na Europa e a cessar a terrível violência e repressão contra o seu próprio povo".

"Continuaremos a proteger a segurança e os interesses da UE, incluindo através de sanções adicionais", afiançou.

"Os acontecimentos no Irão não deverão conduzir a uma escalada que possa ameaçar o Médio Oriente, a Europa e outras regiões, com consequências imprevisíveis, também na esfera económica. Deve evitar-se a interrupção de vias navegáveis fundamentais, como o Estreito de Ormuz", sustentou.

Kallas indicou que a UE se mantém "em contacto próximo com os parceiros da região para contribuir para o desanuviamento" e reafirma o seu "firme compromisso (...) com a salvaguarda da segurança e da estabilidade regional".

A UE "continuará a contribuir com todos os esforços diplomáticos para reduzir as tensões e alcançar uma solução duradoura para impedir o Irão de obter armas nucleares", assegurou.

"A plena cooperação do Irão com a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), bem como a adesão às suas obrigações jurídicas ao abrigo do Tratado de Não-Proliferação Nuclear e do Acordo de Salvaguardas Abrangentes, são fundamentais, e a segurança nuclear é uma prioridade crítica", insistiu.

Além disso, acrescentou, também "a preservação da segurança marítima e o respeito da liberdade de navegação são da maior importância".

Kaja Kallas reiterou "a solidariedade da UE com o povo iraniano" e o firme apoio às suas "aspirações a um futuro em que os seus direitos humanos universais e liberdades fundamentais sejam plenamente respeitados" e, quanto à segurança dos cidadãos da UE na região, afirmou que "a UE e os seus Estados-membros estão a tomar todas as medidas necessárias (...), incluindo a ativação do Mecanismo de Proteção Civil da UE, se necessário".

Israel e Estados Unidos lançaram no sábado de manhã um ataque ao Irão para "eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano", e Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região e alvos israelitas.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que a operação visa "eliminar ameaças iminentes" do Irão, e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, justificou a ação conjunta contra o que classificou como uma "ameaça existencial".

Washington exige que o Irão cesse o enriquecimento de urânio e limite o alcance dos seus mísseis, o que Teerão recusa, aceitando apenas cortes no seu programa nuclear em troca da suspensão das sanções em vigor.

O Irão já confirmou a morte do ayatollah Ali Khamenei, o líder supremo do país desde 1989, e decretou um período de luto de 40 dias.

Segundo a Cruz Vermelha iraniana, os bombardeamentos fizeram até agora pelo menos 200 mortos e cerca de 750 feridos.

Portugal, França, Alemanha e Reino Unido condenaram os ataques de retaliação do Irão a países vizinhos.


Leia Também: Atirador que matou em bar nos EUA usaria camisola com bandeira do Irão

Ndiaga Diagne será o autor do tiroteio que decorreu na madrugada deste domingo num bar em Austin, no Texas, EUA. Vários meios de comunicação social, citando fontes próximas do caso, dão conta de que o homem tinha 53 anos e estava nos EUA há anos. A Associated Press diz que usava uma peça de roupa com a bandeira iraniana.

Trump diz que "nove navios iranianos" foram afundados... O presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou hoje que "9 navios iranianos" foram afundados e que o quartel-general da Marinha iraniana foi "quase totalmente" destruído, numa mensagem na sua rede social, Truth Social.

© Lusa  01/03/2026 

"Acabei de ser informado de que destruímos e afundámos nove navios iranianos, alguns deles relativamente grandes. Vamos atrás dos restantes. Em breve, também estarão a flutuar no fundo do mar! Num ataque separado, destruímos quase totalmente o quartel-general da Marinha deles", escreveu. 

Trump, que está a acompanhar a ofensiva das forças norte-americanas a partir da sua residência de Mar-a-Lago, na Florida, não emitiu até agora qualquer comentário sobre a morte de três militares norte-americanos, as primeiras baixas dos Estados Unidos desde o início do conflito contra o Irão, no sábado de manhã.

Entretanto, "60 navios" com pavilhão francês ou que pertencem a empresas francesas estão retidos "dentro do Golfo Arabo-Pérsico", indicou hoje o delegado-geral dos Armadores de França, Laurent Martens.

Esses navios atravessaram o estreito de Ormuz e receberam "instruções dadas pela Marinha francesa para procurar abrigo", explicou Martens, acrescentando que as embarcações francesas "não são alvos prioritários".

"Os marinheiros estão a bordo dos navios, estão nos portos, geralmente estão em segurança", prosseguiu.

"As tripulações estão nas suas cabines, relativamente protegidas, sabendo que podem deslocar-se para um local mais seguro nos navios em caso de alerta", acrescentou.

O estreito de Ormuz, com pouco menos de 50 quilómetros (km) de largura, faz fronteira com as costas do Irão e do sultanato de Omã.

Em retaliação aos ataques dos Estados Unidos, a Guarda Revolucionária iraniana encerrou esta passagem, que é particularmente importante para o transporte marítimo de petróleo: aproximadamente 20% da produção mundial de crude transita anualmente por ela.

Israel e Estados Unidos lançaram no sábado um ataque ao Irão para "eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano", e Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região e alvos israelitas.

Donald Trump afirmou que a operação visa "eliminar ameaças iminentes" do Irão, e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, justificou a ação conjunta contra o que classificou como uma "ameaça existencial".

Washington exige que o Irão cesse o enriquecimento de urânio e limite o alcance dos seus mísseis, o que Teerão recusa, aceitando apenas cortes no seu programa nuclear em troca da suspensão das sanções em vigor.

O Irão já confirmou a morte do ayatollah Ali Khamenei, o líder supremo do país desde 1989, e decretou um período de luto de 40 dias e sete feriados.

Segundo a Cruz Vermelha iraniana, os bombardeamentos fizeram até agora pelo menos 200 mortos e cerca de 750 feridos.

Portugal, França, Alemanha e Reino Unido condenaram os ataques de retaliação do Irão a países vizinhos.


Leia Também: Portugueses no Médio Oriente pedem ajuda para regressar após ataques com mísseis no Dubai

O Dubai foi alvo de dezenas de mísseis intercetados, com pelo menos um a atingir o aeroporto, deixando milhares de passageiros sem possibilidade de viajar. Portugueses na região relatam dificuldades em obter apoio adequado do Estado, enquanto o Ministério dos Negócios Estrangeiros garante total assistência aos cidadãos nacionais.

Atirador que matou em bar nos EUA usaria camisola com bandeira do Irão... Ndiaga Diagne será o autor do tiroteio que decorreu na madrugada deste domingo num bar em Austin, no Texas, EUA. Vários meios de comunicação social, citando fontes próximas do caso, dão conta de que o homem tinha 53 anos e estava nos EUA há anos. A Associated Press diz que usava uma peça de roupa com a bandeira iraniana.

© nypost.com   Por  Notícias ao Minuto com Lusa  01/03/2026 

O atirador que matou, este domingo, duas pessoas e deixou outras 14 feridas num bar de Austin, no estado norte-americano do Texas, estaria a usar uma t-shirt com a imagem da bandeira do Irão representada.

A notícia é avançada pela Associated Press (AP), que refere que uma fonte próxima do caso detalhou que o homem usava uma blusa onde se lia "Propriedade de Alá" e também uma t-shirt com um "emblema" da bandeira iraniana. O ataque aconteceu horas depois de os Estados Unidos levaram a cabo, juntamente com Israel, uma série de ataques contra o Irão, que resultou na morte do líder supremo, Ali Khamenei.

A mesma fonte que falou com a AP, sob condição de anonimato, disse que o suspeito tinha 53 anos e que foi identificado como Ndiaga Diagne.

Já à NBC News, quatro fontes próximas do caso deram o mesmo nome, acrescentando que o homem era um senegalês que chegou ao EUA em 2006. Tinha nacionalidade norte-americana.

O FBI afirmou que está a investigar o tiroteio, ocorrido após os ataques israelitas e norte-americanos ao regime islâmico do Irão, como um ato de terrorismo.

Segundo o grupo SITE Intelligence Group, que se dedica a monitorizar atividades de radicais islâmicos e terroristas, o suspeito "exprimiu opiniões pró-regime iraniano".

O assassino foi abatido por polícias de Austin, no Estado do Texas, depois de atacar o bar com tiros de pistola e de espingarda.

Segundo a chefe da polícia da cidade, Lisa Davis, o homem passou de carro várias vezes em frente ao bar antes de parar o carro e disparar a pistola sobre pessoas que estavam em frente do estabelecimento e num terraço adjacente.

Depois, saiu do veículo armado empunhando uma espingarda e começou a disparar indiscriminadamente sobre as pessoas que estavam na rua, antes de ser abatido pelas autoridades.

Um agente do FBI envolvido na investigação afirmou que vários indicadores apontam para um ato terrorista, mas ressalvou que "ainda é demasiado cedo" para concluir qual foi a motivação. Israel e Estados Unidos lançaram no sábado um ataque militar contra o Irão, para "eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano", e Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas na região e alvos israelitas.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que a operação visa "eliminar ameaças iminentes" do Irão e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, justifica a ação conjunta contra o que classificou como uma "ameaça existencial".

O Irão já confirmou a morte do 'ayatollah' Ali Khamenei, o líder supremo do país desde 1989 e decretou um período de luto de 40 dias.

Segundo a Cruz Vermelha iraniana, foram registados pelo menos 200 mortos e cerca de 750 feridos.


Onze pessoas continuavam hoje desaparecidas no distrito de Jerusalém, em Israel, após um ataque com mísseis iranianos que causou nove mortos, de acordo com um comunicado das autoridades israelitas.

EUA lançaram bombas de 900 kg sobre instalações de mísseis no Irão... As Forças Armadas norte-americanas afirmaram hoje que bombardeiros furtivos B-2 atacaram instalações de mísseis balísticos do Irão com bombas de 900 quilogramas (kg).

© U.S. Navy/Handout via REUTERS   Por LUSA  01/03/2026 

Os mísseis balísticos iranianos constavam nas preocupações levantadas pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, antes dos ataques iniciados no sábado, em colaboração com Israel, contra o regime de Teerão.

Trump alegou que o Irão tem construído mísseis balísticos capazes de atingir o território dos Estados Unidos (EUA), embora a República Islâmica negue estar a construir ou a tentar mísseis balísticos intercontinentais.

A Agência de Informações de Defesa dos EUA afirmou num relatório não confidencial no ano passado que o Irão poderia desenvolver um míssil balístico intercontinental militarmente viável até 2035, "caso Teerão decidisse desenvolver essa capacidade".

Israel e os Estados Unidos iniciaram no sábado uma vasta operação militar contra o Irão de que resultou a morte de vários dirigentes políticos e militares da República Islâmica, incluindo o líder supremo Ali Khamenei.

O presidente norte-americano, Donald Trump, deu indicações de que a operação visava o derrube do regime do Irão e incitou o povo iraniano a tomar o poder após a intervenção militar conjunta com Israel.


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Um alto responsável da Casa Branca afirmou que uma "potencial nova liderança" no Irão indicou estar aberta a negociações com os Estados Unidos, após o ataque de forças norte-americanas e israelitas.


Conselho interino assume liderança no Irão após morte do líder supremo Ali Khamenei... Este órgão é composto pelo Presidente Masoud Pezeshkian, o clérigo Gholam Hossein Mohseni Ejehei, chefe do poder judicial, e o 'ayatollah' Ali Reza Arafi.

IRAN'S PRESIDENTIAL WEBSITE  Por  sicnoticias.pt

O Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, anunciou este domingo que um novo conselho de liderança interino iniciou funções após a morte no sábado do líder supremo, Ali Khamenei, nos ataques israelita e norte-americanos contra Teerão.

"O Conselho de Direção Interino iniciou os trabalhos. Continuaremos com todas as nossas forças no caminho traçado pelo imã Khomeini", fundador da República Islâmica, declarou Pezeshkian, segundo a agência francesa AFP.

A República Islâmica "esmagará com força as bases do inimigo", acrescentou.

Pezeshkian fez o comentário numa mensagem pré-gravada transmitida pela televisão estatal iraniana, noticiou a agência norte-americana AP.

O Presidente é um dos três membros que integram o conselho interino. Os restantes são o chefe do poder judicial, o clérigo Gholam Hossein Mohseni Ejehei, e o 'ayatollah' Ali Reza Arafi.

O conselho ficou encarregado de assegurar a transição no Irão após a morte de Ali Khamenei, que liderava o regime desde 1989.

Esta é a segunda vez que o Irão vai escolher um líder supremo, depois de Ali Khamenei ter sucedido ao 'ayatollah' Ruhollah Khomeini, fundador da República Islâmica após a revolução de 1979 que depôs a monarquia.

Nova liderança do Irão quer "falar", diz Trump. "E eu concordei"... Um alto responsável da Casa Branca afirmou que uma "potencial nova liderança" no Irão indicou estar aberta a negociações com os Estados Unidos, após o ataque de forças norte-americanas e israelitas.

© SAUL LOEB / AFP via Getty Images  Por  LUSA  01/03/2026 

O responsável - que falou sob anonimato à agência Associated Press, para abordar deliberações internas do Governo norte-americano - disse que o presidente Donald Trump poderá estar disposto a conversar, mas sublinhou que, por agora, a operação militar "continua sem cessar", não tendo sido revelada a identidade dos potenciais novos líderes nem a forma como manifestaram a alegada disponibilidade para dialogar.

Numa entrevista publicada no domingo pela revista The Atlantic, Trump confirmou a intenção de falar com a nova liderança iraniana, afirmando que "eles querem falar, e eu concordei em falar, por isso vou falar com eles", recusando-se, contudo, a indicar quando poderá ocorrer essa conversa.

Trump afirma que "foram eliminados 48 líderes de uma só vez"... O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou hoje que 48 líderes iranianos já foram mortos na ofensiva conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, sublinhando que a operação "está a avançar rapidamente".

© @WhiteHouse/X   Lusa   01/03/2026 

"Está a avançar rapidamente. Ninguém consegue acreditar que estamos a fazer bem. Foram eliminados 48 líderes de uma só vez", declarou Trump a uma repórter da cadeia televisiva Fox News, segundo a transcrição publicada pela jornalista na sua conta na rede social X.

A conversa ocorreu antes de o Comando Central dos EUA (Centcom) anunciar as primeiras baixas norte-americanas no conflito, com três soldados mortos e cinco gravemente feridos em operações militares contra o Irão.


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Israel vai intensificar os ataques sobre Teerão nos próximos dias, anunciou hoje o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, no segundo dia da ofensiva israelita e norte-americana contra a República Islâmica do Irão.


EUA afirmam ter afundado navio da Marinha iraniana no Golfo de Omã... Um navio da Marinha iraniana foi afundado no sábado pelas forças norte-americanas no Golfo de Omã, anunciou hoje o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom).

© Getty Images   Lusa   01/03/2026 

Segundo um comunicado do Centcom, uma corveta iraniana da classe Jamaran foi atingida no início da Operação Fúria Épica, designação oficial da campanha militar norte-americana contra Teerão.

O navio "está a afundar-se no Golfo de Omã, num cais em Chabahar", cidade portuária no sudeste do Irão, acrescentou o comando militar, sem adiantar informação sobre eventuais vítimas ou danos adicionais.

Irão. Dois navios atingidos com mísseis no Estreito de Ormuz sem vítimas... Dois navios foram hoje atacados no Estreito de Ormuz, sem provocar vítimas, indicaram agências de segurança marítima, no segundo dia de ataques iranianos no Golfo em retaliação à ofensiva norte-americana e israelita contra o Irão.

© Getty Images  Lusa  01/03/2026 

Este estreito, próximo dos Emirados Árabes Unidos (EAU) e de Omã, é um ponto de passagem estratégico para o comércio mundial de petróleo, por onde transita cerca de um quarto do petróleo mundial e um quinto do gás natural liquefeito. 

Segundo a agência britânica de segurança marítima UKMTO, um primeiro navio, ao largo da costa de Omã, foi atingido "por um projétil não identificado acima da linha de flutuação".

"Embora a casa das máquinas tenha sido inicialmente dada como estando em chamas, foi posteriormente indicado que o incêndio está sob controlo", informou.


Num incidente distinto, outro "navio foi atingido por um projétil não identificado, provocando um incêndio", que foi entretanto dominado, devendo prosseguir rapidamente a sua viagem", indicou também a UKMTO.

A empresa de segurança marítima Vanguard Tech indicou, por seu lado, que esta embarcação se encontrava "a cerca de 17 milhas náuticas (cerca de 31 quilómetros) a noroeste de Mina Saqr, nos Emirados Árabes Unidos".

No domingo, a televisão estatal iraniana anunciou que um petroleiro estava a "afundar-se" após ter sido atingido quando atravessava "ilegalmente" o Estreito de Ormuz, sem adiantar mais pormenores.

Imagens transmitidas pela televisão mostram uma espessa coluna de fumo negro a sair do petroleiro em chamas.

No sábado, os Guardiões da Revolução iranianos tinham indicado que esta via marítima estava "de facto" encerrada à navegação, por ser considerada perigosa devido aos ataques norte-americanos e israelitas.

A Força Naval da União Europeia tinha, por seu lado, afirmado que os Guardiões avisavam por mensagem de rádio os navios de que a passagem pelo Estreito de Ormuz "não era autorizada".

Responsáveis iranianos e alguns meios de comunicação tinham anteriormente ameaçado bloquear esta rota marítima em caso de conflito, antes da ofensiva israelita e norte-americana.

Entretanto, duas das maiores companhias marítimas do mundo, a Mediterranean Shipping Company (MSC) e a Maersk, suspenderam as operações no estreito de Ormuz.

Num comunicado publicado no respetivo portal, a MSC garante que, "como medida de precaução, suspendeu todas as reservas para o transporte global de cargas pela região do Médio Oriente até novo aviso".

A Maersk, por seu lado, também anunciou a suspensão de "todas as travessias de navios no Estreito de Ormuz até novo aviso" e alertou os clientes que "os serviços que fazem escala nos portos do Golfo Pérsico podem sofrer atrasos, desvios ou ajustes de horário".

Os principais operadores e companhias marítimas suspenderam as operações em Ormuz e as seguradoras suspenderam a sua cobertura na zona. As páginas de acompanhamento do tráfego marítimo revelam que o trânsito ficou paralisado em ambos os lados do estreito.

Israel e Estados Unidos lançaram no sábado um ataque militar contra o Irão, para "eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano", e Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas na região e alvos israelitas.

O Irão já confirmou a morte do 'ayatollah' Ali Khamenei, o líder supremo do país desde 1989.

Segundo a Cruz Vermelha iraniana, foram registados pelo menos 200 mortos e cerca de 750 feridos.


Leia Também: Arábia Saudita interceta mísseis contra aeroporto de Riade e base militar

A Arábia Saudita intercetou hoje mísseis iranianos dirigidos ao Aeroporto Internacional de Riade e à Base Aérea do príncipe Sultan, que acolhe militares norte-americanos, indicou à agência francesa AFP uma fonte do Golfo conhecedora dos incidentes.


EUA negam que mísseis iranianos tenham atingido porta-aviões... O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) negou hoje que os mísseis lançados pelo Irão tenham atingido o porta-aviões Abraham Lincoln, classificando como "uma mentira" as alegações da Guarda Revolucionária iraniana de que quatro projéteis teriam atingido o navio.

© Getty Images    Por  LUSA  01/03/2026 

"Os mísseis lançados nem sequer se aproximaram", afirmou o Centcom numa publicação na rede social X, acrescentando que o Abraham Lincoln "continua a lançar aeronaves em apoio da campanha incansável" do comando militar norte-americano para defender os cidadãos dos EUA e "eliminar as ameaças do regime iraniano".

A reação surge depois de a Guarda Revolucionária do Irão ter reivindicado um ataque contra o porta-aviões, no contexto da escalada militar em curso entre Teerão, Washington e Israel.

"O porta-aviões norte-americano Abraham Lincoln foi atingido por quatro mísseis balísticos", declarou a Guarda Revolucionária em comunicado divulgado pelos meios de comunicação estatais.

Países do Golfo vão discutir "resposta unificada" a ataques de Teerão... Os países do Golfo vão reunir-se por videoconferência hoje à noite para discutir uma "resposta unificada" ao segundo dia de ataques de Teerão na região, em retaliação à ofensiva israelita e norte-americana.

© Lusa   01/03/2026 

"Será uma reunião online dos ministros dos Negócios Estrangeiros do Conselho de Cooperação do Golfo devido ao encerramento dos aeroportos", disse um diplomata de um dos países à agência francesa AFP. 

O Conselho de Cooperação do Golfo reúne Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Kuwait, Omã, Qatar e Bahrein.

As discussões centrar-se-ão nos "ataques iranianos contra os Estados do Golfo e na coordenação com vista a uma resposta unificada", precisou a mesma fonte, que pediu para não ser identificada devido à sensibilidade da questão.

A AFP acrescentou que a informação foi confirmada por outro diplomata da região.

O Irão tem atacado vários países da região, nomeadamente os que acolhem bases militares norte-americanas, desde que os Estados Unidos e Israel lançaram, no sábado, uma ofensiva de grande envergadura contra Teerão.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, deu indicações de que a operação visava o derrube do regime do Irão e incitou o povo iraniano a tomar o poder após a intervenção militar conjunta com Israel.

O líder supremo do Irão, Ali Khamenei, foi morto no início dos ataques, juntamente com dezenas de outros dirigentes políticos e militares da República Islâmica.


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Três militares norte-americanos morreram e cinco ficaram gravemente feridos nas operações contra o Irão, informou hoje o Exército dos Estados Unidos.


Guarda Revolucionária iraniana diz ter atingido porta-aviões dos EUA... A Guarda Revolucionária do Irão afirmou hoje ter atingido o porta-aviões norte-americano USS Abraham Lincoln no Golfo Pérsico, em retaliação pelos ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel que, segundo Teerão, mataram o líder supremo do país.

© Lusa  01/03/2026

"O porta-aviões norte-americano Abraham Lincoln foi atingido por quatro mísseis balísticos", declarou a Guarda Revolucionária em comunicado divulgado pelos meios de comunicação estatais.

Na mesma nota, a força de elite iraniana avisou que "a terra e o mar se tornarão cada vez mais o cemitério dos agressores terroristas".

As autoridades norte-americanas não confirmaram, até ao momento, qualquer ataque ou danos no navio de guerra.

A alegada ofensiva insere-se na escalada militar no Golfo Pérsico, após ataques conduzidos por Israel e pelos Estados Unidos contra alvos no Irão.


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Uma pessoa morreu e 32 ficaram feridas no Kuwait em consequência dos ataques lançados desde sábado pelo Irão contra países do Golfo, em resposta à ofensiva israelo-americana contra a República Islâmica, informaram hoje as autoridades kuwaitianas.



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Os Guardas da Revolução iranianos declararam hoje terem lançado uma nova onda de ataques "em grande escala" contra "o inimigo" e garantiram que visam bases militares norte-americanas na região e não os países onde estão instaladas.


Alireza Arafi nomeado para conselho de transição após morte de Khamenei... Alireza Arafi, dignitário religioso membro da Assembleia dos Peritos e do Conselho dos Guardiões da Revolução, foi nomeado hoje para o triunvirato responsável pela transição após a morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei.

© Ritesh Shukla/Getty Images   Lusa  01/03/2026 

O Conselho de Discernimento do Interesse Superior do Regime iraniano anunciou na rede social X ter "eleito o ayatollah Alireza Arafi membro do Conselho de Direção Interino".

Este órgão, que também inclui o presidente Massoud Pezeshkian e o chefe do poder judicial Gholamhossein Mohseni Ejei, irá governar o país até que a Assembleia de Peritos "eleja um líder permanente o mais rapidamente possível".

Arafi, de 66 anos, é o terceiro membro do conselho interino a liderar o Irão e é jurista do Conselho dos Guardiães.

O terceiro membro do conselho é um clérigo e jurista xiita que exerce atualmente funções como presidente do Centro de Gestão dos Seminários Islâmicos do país, membro do Conselho dos Guardiães e segundo vice-presidente da Assembleia de Peritos para a Liderança, segundo a página da Assembleia de Discernimento.

"Aos 66 anos, Alireza Arafi encarna o entrelaçamento entre a autoridade religiosa e a influência política que define a estrutura de poder do Irão", referem meios de comunicação locais.

O conselho interino fica assim completo para liderar o "período de transição" após a morte de Khamenei nos ataques dos Estados Unidos e de Israel, depois de 37 anos no poder.

Segundo a legislação iraniana, o órgão responsável por eleger o líder supremo é a Assembleia de Peritos, composta por 88 clérigos eleitos por sufrágio direto de quatro em quatro anos, a última vez nas eleições de março de 2024.

A televisão estatal iraniana anunciou na madrugada de hoje a morte de Khamenei no seu gabinete, no sábado, nos ataques de Israel e dos Estados Unidos contra a República Islâmica, informação posteriormente confirmada pelo Governo e por outros organismos.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou sábado que Khamenei, 86 anos, líder supremo do Irão desde 1989, morreu nos ataques e apelou ao povo iraniano para "recuperar" o seu país após décadas de regime dos ayatollahs.

As autoridades locais confirmaram também a morte de outros altos responsáveis, como o comandante-chefe da Guarda Revolucionária do Irão, general Mohamad Pakpur, e o secretário do Conselho de Defesa, Ali Shamjani.

A ofensiva norte-americana e israelita começou nas primeiras horas de sábado contra alvos em Teerão e noutras cidades iranianas, como Tabriz (noroeste) e Isfahan (centro).

Os ataques provocaram até ao momento mais de 200 mortos, segundo estimativas do Crescente Vermelho.

O Irão, entretanto, decretou um período de luto de 40 dias, bem como sete dias feriados, pela morte de Khamenei.


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A queda do regime em Teerão pode significar um terramoto geopolítico e a rede de influência que o Irão montou durante décadas arrisca colapsar. O Hezbollah, no Líbano, e o Hamas em Gaza ficam isolados e perdem a principal fonte de armas e financiamento. Tambem as milícias xiitas no Iraque e os rebeldes Houthis, no Iémen, deixam de receber ordens directas de Teerão e podem iniciar lutas internas pelo poder.


Porto de Omã atacado por drones iranianos... O porto de Omã foi hoje atacado por drones, de acordo com a agência de notícias estatal, e a embaixada americana na capital, Mascate, pediu aos seus cidadãos que permanecessem confinados.

© Jakub Porzycki/NurPhoto via Getty Images   Lusa  01/03/2026 

Este ataque ao porto de Omã acontece no segundo dia de ofensiva iraniano no Golfo, em resposta ao ataque israelo-americano ao Irão perpetrado no sábado e do qual resultou a morte do líder supremo Ali Khamenei. 

"A embaixada dos Estados Unidos em Omã pediu ao seu pessoal que permanecesse confinado. Recomendamos a todos os americanos presentes em Omã que façam o mesmo até novo aviso", indicou a embaixada numa publicação na rede social X.

Um trabalhador ficou ferido no ataque ao porto, precisou a agência estatal. Omã, mediador-chave nas negociações entre os Estados Unidos da América e o Irão, tinha sido poupado no sábado pelos ataques iranianos.

Israel e Estados Unidos lançaram no sábado um ataque militar contra o Irão, para "eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano", e Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas na região e alvos israelitas.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que a operação visou "eliminar ameaças iminentes" do Irão, enquanto o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, confirmou a ação conjunta contra o que classificou como uma "ameaça existencial".

Na madrugada de hoje, um apresentador da televisão estatal iraniana anunciou, em lágrimas, a morte do aiatola Ali Khamenei, líder supremo da República Islâmica do Irão, que estava no poder há 36 anos.

A televisão iraniana não especificou em que circunstâncias Ali Khamenei morreu aos 86 anos, nem mencionou os ataques israelitas e americanos de sábado contra a sua residência em Teerão.

O Irão, entretanto, decretou um período de luto de 40 dias, bem como sete dias feriados, pela morte de Khamenei.

"Com o martírio do líder supremo, o seu caminho e a sua missão não serão perdidos nem esquecidos; pelo contrário, serão prosseguidos com mais vigor e zelo", declarou um apresentador da televisão estatal.

Os Guardas da Revolução iranianos, tropa especial do aiatola, prometeram uma "punição severa" aos "assassinos" do líder supremo.


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Uma explosão de grandes dimensões abalou hoje a capital do Irão, no momento em que o exército israelita afirmou estar a atingir o "coração de Teerão".


Presidente, líder do judiciário e jurista assumem o poder no Irão... Um conselho formado pelo Presidente do Irão, Masud Pezeshkian, pelo chefe do poder judiciário, Golamhosein Mohseni Eyei, e por um jurista do Conselho dos Guardiães assumirá a liderança do país após a morte do aiatola Ali Khamanei.

© ATTA KENARE / AFP via Getty Images   Por LUSA  01/03/2026 

Os três responsáveis assumirão o "período de transição" após a morte de Ali Khamanei nos ataques dos Estados Unidos e de Israel, após 36 anos no poder, informou a agência estatal iraniana, IRNA, que citou um conselheiro de Khamanei, Mohammad Mokhber. 

O Conselho dos Guardiães é composto por seis juristas e seis clérigos e tem como função aprovar ou vetar as leis aprovadas no Parlamento.

De acordo com a legislação iraniana, o órgão responsável pela eleição do líder supremo é a Assembleia de Peritos, um corpo formado por 88 clérigos eleitos nas urnas a cada quatro anos, a última vez nas eleições de março de 2024.

A televisão estatal iraniana anunciou esta madrugada a morte de Khamanei no seu gabinete no sábado, em consequência dos ataques de Israel e dos Estados Unidos contra a República Islâmica, informação que foi posteriormente confirmada pelo Governo e outros organismos.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tinha anunciado antes que Khamanei, de 86 anos, que exercia o cargo de líder supremo do Irão desde 1989, tinha morrido nos ataques e apelou ao povo iraniano para "recuperar" o país, após décadas de regime dos aiatolás.

Também foi confirmada a morte de outros altos funcionários, como o comandante-chefe da Guarda Revolucionária do Irão, o general Mohamad Pakpur, e o secretário do Conselho de Defesa, Ali Shamjani.

A ofensiva norte-americana e israelita começou na madrugada de sábado contra alvos em Teerão e outras cidades iranianas, como Tabriz (noroeste) e Isfahan (centro).

Os ataques causaram, até ao momento, mais de 200 mortes, segundo estimativas do Crescente Vermelho, congénere da Cruz Vermelha no Ocidente.


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O Irão decretou hoje um período de luto de 40 dias, bem como sete dias feriados, após a morte, aos 86 anos, do líder supremo da República Islâmica, Ali Khamenei, no poder desde 1989.


O homem que prometeu um luta dura com o Ocidente foi tramado pelo amor à bomba: Ali Khamenei (1939-2026)... Líder Supremo do Irão foi morto depois de quase 40 anos no poder

Aiatola Ali Khamenei (AP),  Abbas Al Lawati e Laura Smith-Spark,  CNN 

O aiatola Ali Hosseini Khamenei, que governou o Irão com mão de ferro como Líder Supremo durante quase quatro décadas, enfrentando os EUA e Israel enquanto reprimia a dissidência e impulsionava um controverso programa nuclear interno, foi assassinado. Este acontecimento impactante mergulha a nação e a região num território desconhecido.

Vários órgãos de comunicação social estatais iranianos confirmaram a morte de Khamenei já na madrugada deste domingo, horas depois de as autoridades norte-americanas e israelitas terem declarado que tinha sido morto em ataques conjuntos contra o seu regime.

Um dos homens mais poderosos do Médio Oriente, Khamenei dominou o Irão durante um reinado marcado pela resistência e resiliência, mantendo-se firme contra décadas de pressão ocidental e israelita que visavam forçar a República Islâmica a ceder à sua vontade. Sob a sua liderança, o Irão expandiu a sua influência muito para além das fronteiras, conquistando a reputação de uma formidável e perigosa potência regional.

Mas a sua morte ocorre numa altura em que o Irão se encontra, possivelmente, no seu ponto mais frágil desde que Khamenei assumiu o poder em 1989. Décadas de sanções ocidentais já tinham deixado o país isolado e economicamente devastado antes de os ataques americanos e israelitas em junho de 2025 terem representado um rude golpe para o seu governo.

Estes novos ataques lançados a 28 de fevereiro visaram especificamente Khamenei e outros líderes importantes, devastando a sua residência e escritórios em Teerão.

“O Líder Supremo do Irão alcançou o martírio”, noticiou a emissora estatal IRIB.

Khamenei foi morto “no seu escritório na residência oficial do líder” enquanto “cumpria as suas funções” no momento do ataque na madrugada deste sábado, informou a agência de notícias estatal Fars.

Imagens de satélite da Airbus mostraram fumo negro a subir do complexo do líder em Teerão após o ataque. As imagens parecem mostrar que vários edifícios do complexo foram severamente danificados pelos disparos.

Os mais recentes ataques conjuntos entre os EUA e Israel ocorreram após a repressão dos protestos antigovernamentais iranianos, que começaram no final de dezembro devido a queixas económicas, mas rapidamente se tornaram políticos, espalhando-se por todas as 31 províncias do país em poucas semanas. O regime respondeu com uma repressão brutal, matando milhares de manifestantes e provocando a indignação global e uma ameaça de intervenção do presidente dos EUA, Donald Trump.

Essa intervenção ocorreu este sábado, quando Trump afirmou que as Forças Armadas norte-americanas estavam a realizar uma “operação massiva e contínua para impedir que esta ditadura radical e perversa ameace os Estados Unidos e os nossos principais interesses de segurança nacional”.

Apelou ainda ao povo iraniano para "tomar o controlo do governo", acrescentando que agora "têm um presidente que vos está a dar o que querem, por isso vamos ver como reagem".

Nos últimos anos do obstinado regime de Khamenei, o país tornou-se cada vez mais isolado, assolado pela corrupção e afundando-se cada vez mais numa crise económica, com perspetivas cada vez menores para uma população jovem em crescimento e uma classe média em declínio.

Ali Khamenei discursa para uma multidão (AP)

Eixo da resistência

Os apoiantes de Khamenei argumentam que este foi pressionado por seguir uma política externa que desafiava os Estados Unidos e Israel, e que a sua morte foi o preço final que pagou por essa postura.

Sob a liderança de Khamenei, o Irão avançou com um polémico programa nuclear que se tornou a principal linha divisória entre a República Islâmica e o Ocidente, e que utilizou como moeda de troca para obter vantagem sobre os seus adversários.

Governou uma nação de 90 milhões de pessoas com uma civilização de 2.500 anos, mantendo um controlo férreo enquanto consolidava o poder.

Embora cercado por inimigos, Khamenei manteve-os sob controlo durante muito tempo. Depois de se ter tornado a principal autoridade política e religiosa do país após a morte do anterior Líder Supremo, o aiatola Ruhollah Khomeini, na sequência da guerra Irão-Iraque, o Irão evitou grandes ataques diretos dos seus adversários durante mais de três décadas - mesmo enquanto outros inimigos regionais, aliados de Estados Unidos e Israel, caíam um a um. O regime consolidou-se com a formação do "Eixo da Resistência", uma rede pouco rígida de grupos aliados espalhados por toda a região que permitiu a Teerão projetar poder às portas dos seus inimigos.

Mas tudo isto - juntamente com a aura de medo e intimidação que Khamenei cultivou cuidadosamente - começou a ruir nos seus últimos anos. A cadeia de acontecimentos desencadeada pelos ataques de 7 de Outubro de 2023 contra Israel, perpetrados pelo Hamas, destruiu a imagem do Irão como uma potência regional impenetrável e desafiante.

O eixo começou a ruir logo após os ataques. Israel lançou uma guerra devastadora contra o Hamas e, em seguida, voltou as suas atenções para o Hezbollah, no Líbano, um dos mais valiosos aliados do Irão. Posteriormente, as forças israelitas invadiram a Síria após a queda do presidente Bashar al-Assad.

Encorajado por uma série de sucessos no campo de batalha, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, prometeu "terminar o trabalho", culminando num ataque ousado e sem precedentes contra o próprio Irão em junho de 2025, ostensivamente para desmantelar o seu programa nuclear e a sua capacidade de autodefesa. Os ataques israelitas acabaram por atrair a atenção dos EUA, que atacaram três instalações nucleares iranianas nos últimos dias da guerra. Trump declarou que as instalações tinham sido "obliteradas".

Seis meses após esta guerra de 12 dias, o Irão tinha perdido a maior parte da sua influência nas negociações com Israel e o Ocidente, incluindo grande parte do seu poder negocial nuclear e dos seus aliados regionais. O regime viu-se envolvido numa crise económica ainda mais profunda, alimentando protestos populares em massa.

Com poucas opções restantes, o governo retomou relutantemente as negociações com os EUA, mas recusou-se a incluir no pacote a exigência de continuar o enriquecimento de urânio, um combustível para centrais nucleares que também pode ser utilizado para construir uma bomba.

As autoridades iranianas e um mediador omanita mostraram-se otimistas quanto a um acordo após a última ronda de negociações na quinta-feira, com o ministro dos Negócios Estrangeiros de Omã, Badr Albusaidi, a afirmar que um acordo estava “ao alcance”. Na manhã deste sábado, os EUA e Israel lançaram um ataque surpresa contra o Irão.

Ali Khamenei com Muhammar Khadaffi em Harare em 1986 (Patrick Durand/Sygma via Getty Images)
Guardião da Revolução

Khamenei, que nasceu em 1939 em Mashhad, a cidade mais sagrada do Irão, tornou-se ainda jovem clérigo muçulmano xiita. Foi ativista antes da Revolução Islâmica de 1979, ajudando a organizar protestos contra o xá do Irão, Mohammad Reza Pahlavi, e cumprindo pena de prisão por causa dele.

Foi também alvo dos opositores do novo regime islâmico e escapou a uma tentativa de assassínio em 1981 que o deixou com o braço direito inutilizado.

Pouco tempo depois, foi eleito presidente com uma plataforma profundamente hostil ao Ocidente e à sua ideologia liberal, especialmente aos Estados Unidos - ameaçando com uma dura luta em caso de guerra.

"De forma alguma estamos dispostos a iniciar uma guerra total com os EUA, mas se isso acontecer, inevitavelmente ofereceremos uma defesa muito forte", disse.

Foi um protegido de Khomeini, que liderou a luta para derrubar o xá e fundou a República Islâmica. Quando Khomeini morreu, em 1989, Khamenei tornou-se o seu sucessor numa questão de semanas.

Embora não tivesse a mesma estatura teológica de Khomeini, Khamenei demonstrou grande astúcia política. Com o tempo, consolidou o controlo sobre as Forças Armadas, os serviços de informação, o poder judicial e os meios de comunicação social estatais do Irão, garantindo que nenhuma decisão importante poderia ser tomada sem a sua aprovação.

A dissuasão nuclear que se virou contra ele

Foi o avanço do programa nuclear iraniano promovido por Khamenei que, em última análise, levou aos ataques de Israel e dos EUA contra o Irão.

Embora tenha afirmado repetidamente que o programa tinha fins pacíficos - e até mesmo emitido um decreto religioso, ou fatwa, proclamando que as armas nucleares eram proibidas pelo Islão - apoiou firmemente o desenvolvimento da energia nuclear como uma questão de soberania nacional e de vantagem estratégica.

Míssil iraniano visto nas ruas de Teerão com um cartaz com o aiatola Ali Khamenei em pano de fundo (AP)
Quando Hassan Rouhani, um político centrista, sucedeu ao conservador Mahmoud Ahmadinejad na presidência, em 2013, o impasse nuclear com o Ocidente tinha-se tornado o maior desafio da política externa iraniana. Com a aprovação de Khamenei, o governo de Rouhani negociou o acordo nuclear de 2015 (conhecido como Plano de Ação Conjunto Global, ou JCPOA) com as potências mundiais, incluindo os EUA. O acordo visava libertar a economia iraniana de anos de sanções paralisantes em troca de limites ao programa nuclear do Irão, nomeadamente o enriquecimento de urânio.

Mas Khamenei manteve-se cético. A sua relutância em aceitar plenamente o acordo contribuiu para a sua fragilidade. Quando Trump se retirou unilateralmente do acordo em 2018, o Irão continuou a cumpri-lo. Mas um ano depois, Teerão declarou que já não se sentiria obrigado a cumprir os seus compromissos se as outras partes do JCPOA violassem os seus.

Khamenei aproveitou o momento para acelerar o enriquecimento de urânio e intensificou ainda mais a doutrina da “economia de resistência”, enfatizando a autossuficiência e o confronto em detrimento do compromisso.

No final de junho de 2019, foram impostas novas sanções americanas ao próprio Khamenei e ao seu gabinete, bloqueando o acesso do Irão ao sistema financeiro internacional. A política punitiva de “pressão máxima” de Trump prejudicou a economia iraniana e, na prática, negou ao povo iraniano os benefícios prometidos pelo acordo nuclear.

A eleição do presidente reformista Masoud Pezeshkian em 2024, com uma plataforma de aproximação ao mundo e de resolução do impasse nuclear iraniano, trouxe a esperança de revitalizar a economia do país e reintegrar a República Islâmica na comunidade internacional. As negociações com os EUA foram retomadas um ano depois, mas as esperanças de conseguir um entendimento com o Ocidente foram frustradas pelo ataque de Israel ao Irão em plenas negociações, numa tentativa de capitalizar os ganhos militares obtidos após os ataques de 7 de Outubro.

Oito meses depois, o Irão e os EUA iniciaram outra ronda de negociações indiretas, mediadas por Omã. Apesar do diálogo com Teerão, a administração Trump deu início ao maior aumento da presença militar americana no Médio Oriente em mais de duas décadas. Trump enviou sinais contraditórios, afirmando que as negociações estavam a correr bem, ao mesmo tempo que defendia a mudança de regime no Irão.

Khamenei discursa após votar na segunda volta das eleições presidenciais em Teerão, no Irão, a 5 de julho de 2024 (Vahid Salemi/AP)
Projeção de poder através de representantes

Embora o Irão tenha sempre negado qualquer envolvimento ou conhecimento prévio dos ataques de 7 de Outubro perpetrados pelo Hamas e pelas milícias aliadas, o ataque e os eventos regionais sísmicos que desencadeou tiveram implicações importantes para um pilar fundamental do legado de Khamenei: a dependência da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) e dos grupos por procuração que apoiava para projetar poder para além das fronteiras iranianas.

Sob Khamenei, a influência do Irão estendeu-se ao Iraque após a deposição de Saddam Hussein em 2003. Nos anos seguintes, Teerão tornou-se também um ator importante nos conflitos regionais, incluindo a guerra civil na Síria, onde as forças da IRGC estiveram na linha da frente das operações.

A IRGC, que respondia diretamente a Khamenei, tornou-se a instituição militar mais poderosa do Irão, exercendo uma profunda influência na política interna e na economia. O grupo exercia também uma enorme influência sobre importantes grupos armados noutras partes da região, como o outrora formidável Hezbollah do Líbano, o Hamas em Gaza, os Houthis no Iémen e diversos grupos armados xiitas no Iraque e na Síria. Em 2019, os EUA acrescentaram a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) à sua lista de grupos terroristas designados, numa medida sem precedentes contra as Forças Armadas de outro país.

Na década de 2010, à medida que a ameaça do grupo terrorista Estado Islâmico (ISIS) crescia, crescia também o envolvimento do Irão nos países árabes vizinhos. Muitos muçulmanos xiitas viam o ISIS como uma ameaça existencial e, embora as milícias apoiadas pelo Irão tivessem tido algum sucesso em repelir o grupo, as suas campanhas também aprofundaram as tensões sectárias regionais.

Os muçulmanos sunitas viam frequentemente o conflito não apenas como uma batalha contra o terrorismo, mas como uma guerra liderada pelo Irão contra a sua seita. Os poderosos Estados árabes do Golfo Pérsico interpretaram as ações do Irão como parte de um esforço mais vasto para expandir um "Crescente Xiita" pela região, aumentando os receios de instabilidade interna. Em meados da década de 2010, vários Estados árabes do Golfo romperam relações diplomáticas com Teerão.

Khamenei (ao centro), ladeado por um membro do Conselho Supremo de Defesa, inspeciona as tropas em 1987, em Teerão (IRNA/AFP/Getty Images)
Khamenei não recuou, pelo contrário, intensificou o apoio aos grupos apoiados pelo Irão. O Estado Islâmico foi finalmente derrotado por uma coligação multinacional em 2019, e a influência regional do Irão consolidou-se. Uma Síria devastada tornou-se uma importante base de operações para a Guarda Revolucionária Islâmica, colocando as forças iranianas e os seus aliados mesmo à porta de Israel. Com o tempo, a Arábia Saudita restabeleceu relações com o Irão através de negociações secretas mediadas pela China, e outros Estados do Golfo logo seguiram o exemplo. Nessa altura, o Irão já tinha conseguido melhorar as relações com vários países vizinhos. Apesar das sanções paralisantes, o país parecia estrategicamente ascendente - o seu alcance regional mais seguro do que nunca.

Esta profundidade estratégica foi gradualmente desmantelada por Israel após os ataques de 7 de Outubro. Com os seus aliados enfraquecidos, o Irão tornou-se vulnerável e, por fim, tornou-se um alvo tanto de Israel como dos EUA. Após a guerra de 12 dias em junho, Teerão ficou com pouca margem de negociação, as suas instalações nucleares gravemente danificadas, os seus aliados quase neutralizados e a sua economia em frangalhos.

Oposição à reforma

O Irão assistiu a repetidas tentativas de reforma durante o governo de Khamenei, e a repetidas repressões destes esforços. Trabalhou para conter o movimento reformista do presidente Mohammad Khatami no final da década de 1990 e apoiou a brutal repressão dos protestos que eclodiram no meio de alegações de que as eleições de 2009 tinham sido fraudadas a favor do conservador Ahmadinejad.

O apoio público de Khamenei a Ahmadinejad e a subsequente repressão consolidaram a sua imagem de líder intolerante à dissidência e relutante em mudar.

Khamenei em Teerão, capital do Irão, a 19 de abril de 2015 (Gabinete de Imprensa do Líder Religioso Iraniano/Anadolu/Getty Images)
A eleição de Ebrahim Raisi como presidente em 2021 marcou o auge das ambições ideológicas de Khamenei: um cenário político dominado por forças conservadoras e leais, com pouco espaço para dissidências. Raisi chegou a ser considerado por alguns como o sucessor natural de Khamenei e da sua visão do mundo.

Sob o governo de Raisi, as forças de segurança iranianas reprimiram violentamente as manifestações desencadeadas pela morte de Mahsa Amini, uma jovem de 22 anos que morreu sob custódia da polícia moral iraniana depois de ter sido detida por alegadamente violar as leis do hijab obrigatório no país. Os protestos rapidamente se transformaram numa revolta nacional liderada principalmente por mulheres e jovens.

Mais uma vez, Khamenei usou toda a força do Estado para abafar os apelos à mudança, resultando em centenas de mortos e milhares de detidos na repressão. A morte prematura de Raisi num acidente de helicóptero em 2024 proporcionou a Khamenei outra oportunidade para lidar com a frustração pública, e muitos viram a eleição do reformista Masoud Pezeshkian como um passo nesse sentido.

Mas a agenda reformista de Pezeshkian - e as suas esperanças de concretizar um acordo nuclear que pudesse trazer alívio económico e social ao seu povo - foram abruptamente interrompidas pelos ataques de Israel.

Quando os protestos eclodiram seis meses depois, reconheceu as limitações da capacidade do seu governo para lidar com as queixas económicas que alimentavam as manifestações. Para muitos iranianos, o presidente não conseguiu tirar o país do isolamento, não conseguiu reativar o acordo nuclear e não conseguiu proporcionar a prosperidade há muito prometida.

No final de janeiro, os EUA iniciaram um enorme reforço militar em torno do Irão, enquanto negociavam com Teerão através da mediação de Omã. Estas negociações nunca foram formalmente interrompidas, e todos os lados sinalizavam diferentes graus de progresso poucas horas antes dos ataques que, em última análise, levaram à morte de Khamenei.

Para Khamenei, foi um acerto de contas definitivo. Tinha passado décadas a alertar que o diálogo com o Ocidente era inútil e que os inimigos do Irão acabariam por atacar. Mesmo que os alicerces que tinha passado anos a construir tivessem sido destruídos, para os conservadores do Irão, ele tinha finalmente sido justificado.