domingo, 1 de março de 2026

Alireza Arafi nomeado para conselho de transição após morte de Khamenei... Alireza Arafi, dignitário religioso membro da Assembleia dos Peritos e do Conselho dos Guardiões da Revolução, foi nomeado hoje para o triunvirato responsável pela transição após a morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei.

© Ritesh Shukla/Getty Images   Lusa  01/03/2026 

O Conselho de Discernimento do Interesse Superior do Regime iraniano anunciou na rede social X ter "eleito o ayatollah Alireza Arafi membro do Conselho de Direção Interino".

Este órgão, que também inclui o presidente Massoud Pezeshkian e o chefe do poder judicial Gholamhossein Mohseni Ejei, irá governar o país até que a Assembleia de Peritos "eleja um líder permanente o mais rapidamente possível".

Arafi, de 66 anos, é o terceiro membro do conselho interino a liderar o Irão e é jurista do Conselho dos Guardiães.

O terceiro membro do conselho é um clérigo e jurista xiita que exerce atualmente funções como presidente do Centro de Gestão dos Seminários Islâmicos do país, membro do Conselho dos Guardiães e segundo vice-presidente da Assembleia de Peritos para a Liderança, segundo a página da Assembleia de Discernimento.

"Aos 66 anos, Alireza Arafi encarna o entrelaçamento entre a autoridade religiosa e a influência política que define a estrutura de poder do Irão", referem meios de comunicação locais.

O conselho interino fica assim completo para liderar o "período de transição" após a morte de Khamenei nos ataques dos Estados Unidos e de Israel, depois de 37 anos no poder.

Segundo a legislação iraniana, o órgão responsável por eleger o líder supremo é a Assembleia de Peritos, composta por 88 clérigos eleitos por sufrágio direto de quatro em quatro anos, a última vez nas eleições de março de 2024.

A televisão estatal iraniana anunciou na madrugada de hoje a morte de Khamenei no seu gabinete, no sábado, nos ataques de Israel e dos Estados Unidos contra a República Islâmica, informação posteriormente confirmada pelo Governo e por outros organismos.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou sábado que Khamenei, 86 anos, líder supremo do Irão desde 1989, morreu nos ataques e apelou ao povo iraniano para "recuperar" o seu país após décadas de regime dos ayatollahs.

As autoridades locais confirmaram também a morte de outros altos responsáveis, como o comandante-chefe da Guarda Revolucionária do Irão, general Mohamad Pakpur, e o secretário do Conselho de Defesa, Ali Shamjani.

A ofensiva norte-americana e israelita começou nas primeiras horas de sábado contra alvos em Teerão e noutras cidades iranianas, como Tabriz (noroeste) e Isfahan (centro).

Os ataques provocaram até ao momento mais de 200 mortos, segundo estimativas do Crescente Vermelho.

O Irão, entretanto, decretou um período de luto de 40 dias, bem como sete dias feriados, pela morte de Khamenei.


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A queda do regime em Teerão pode significar um terramoto geopolítico e a rede de influência que o Irão montou durante décadas arrisca colapsar. O Hezbollah, no Líbano, e o Hamas em Gaza ficam isolados e perdem a principal fonte de armas e financiamento. Tambem as milícias xiitas no Iraque e os rebeldes Houthis, no Iémen, deixam de receber ordens directas de Teerão e podem iniciar lutas internas pelo poder.


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