sexta-feira, 27 de março de 2026

União Africana recusa apoiar candidatura de Macky Sall à chefia da ONU... A candidatura do ex-Presidente senegalês Macky Sall ao cargo de secretário-geral das Nações Unidas para substituir António Guterres foi recusada pela União Africana (UA), depois de ser rejeitada por 20 dos 55 Estados-membros da organização.

Por LUSA 

Segundo a agência France-Presse (AFP), um total de 20 Estados-membros da UA, cujos nomes não foram comunicados, opuseram-se à candidatura de Sall, que liderou o Senegal de 2012 a 2024 e que não é apoiado pelo seu país. A candidatura de Sall tinha sido proposta pelo Burundi, que ocupa a presidência rotativa da UA.

O projeto de decisão que apoiava a candidatura de Sall, submetido aos Estados-membros segundo o procedimento de "aprovação tácita", não deveria suscitar objeções de mais de um terço dos 55 países pertencentes à organização continental.

"Em consequência, o projeto de decisão relativo à candidatura ao cargo de secretário-geral da ONU de Macky Sall, antigo Presidente da República do Senegal, não foi adotado", indicou a organização pan-africana.

As atuais autoridades do Senegal, eleitas em 2024 - o Presidente, Bassirou Diomaye Faye, e o seu primeiro-ministro, Ousmane Sonko -, acusam os antigos dirigentes, a começar por Macky Sall, de atos culposos na gestão deste país vizinho da Guiné-Bissau.

A ONU enviou em novembro uma carta aos Estados-membros para que propusessem candidatos ao cargo de secretário-geral.

O próximo chefe das Nações Unidas iniciará o seu mandato a 01 de janeiro de 2027, sucedendo ao antigo primeiro-ministro de Portugal António Guterres.

Cada candidato deve ser apresentado oficialmente por um Estado ou por um grupo de Estados, mas não necessariamente pelo seu país de origem.

Segundo uma tradição de rotação geográfica, nem sempre seguida, o cargo é desta vez reivindicado pela América Latina.

Numerosos Estados defendem igualmente que uma mulher ocupe, pela primeira vez, este cargo.

A antiga presidente chilena Michelle Bachelet, o chefe da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) Rafael Grossi e a antiga vice-presidente da Costa Rica Rebeca Grynspan são candidatos ao cargo de secretário-geral.

A diplomata argentina Virginia Gamba, cuja candidatura havia sido apresentada pelas Maldivas, acabou por ser eliminada da corrida ao cargo, anunciou quinta-feira a porta-voz da Assembleia-Geral da organização.

A candidatura da ex-representante especial da ONU para a proteção de crianças em conflitos armados foi anunciada em meados de março, mas as Maldivas informaram a ONU "da sua decisão de retirar a nomeação", disse La Neice Collins à comunicação social.

Como a candidatura foi apresentada apenas por um Estado, ficou automaticamente invalidada.

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