quarta-feira, 13 de maio de 2026

Líbano apresenta queixa à ONU contra o Irão: "Guerra devastadora"... O Líbano apresentou uma queixa formal às Nações Unidas contra as autoridades iranianas, acusando-as de interferir nos assuntos internos e "de arrastar" o país para a guerra em curso na região.

© CHARLY TRIBALLEAU / AFP via Getty Images    Por  LUSA   13/05/2026 

O embaixador libanês na ONU, Ahmad Arafa, apontou para os Guardas Revolucionários do Irão, que acusou de cometerem "atos ilícitos que desafiam flagrantemente as decisões do governo libanês e de arrastar o Líbano para uma guerra devastadora", aludindo ao conflito que atinge o país desde 02 de março.

Numa carta enviada à ONU, em 21 de abril e publicada no site, o Governo libanês também denunciou "violações claras" da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas de 1961 que atribuiu à embaixada do Irão em Beirute, na sequência do assassínio de seis diplomatas num ataque israelita a um hotel na capital libanesa em 8 de março.

As autoridades libanesas negaram que a representação diplomática as tivesse informado da transferência dos diplomatas para o hotel em causa.

O representante iraniano na ONU, Amir Saeed Iravani, disse, dias após o atentado, numa carta ao secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, que "a embaixada do Irão notificou e coordenou devidamente esta transferência com o Ministério dos Negócios Estrangeiros libanês".

Além disso, Beirute denunciou que dois dos seis mortos nesse ataque não estavam registados no país como diplomatas e garantiram que todos eles "eram, na verdade, membros da Guarda Revolucionária Islâmica".

"Circularam imagens que os mostravam em uniforme militar", afirmaram as autoridades libanesas.

"O Líbano considerou isto uma violação do Artigo 41.º da Convenção de Viena, que obriga os diplomatas a respeitar as leis do país anfitrião e a abster-se de interferir nos assuntos internos, além de proibir o uso de instalações diplomáticas para fins incompatíveis com funções diplomáticas", acrescentou a nota do Governo libanês.

A isto junta-se uma queixa sobre uma operação conjunta da Guarda Revolucionária e do movimento xiita Hezbollah, realizada a 11 de março, usando mísseis e drones contra Israel, que o Governo libanês considerou "muito alarmante".

As autoridades libanesas declararam o embaixador do Irão em Beirute, Mohamad Reza Sheibani, 'persona non grata' a 24 de março e ordenaram-lhe que abandonasse o país até 29 de março, perante uma rejeição extrema de Teerão, que decidiu mantê-lo.

O Líbano foi arrastado para a guerra no Médio Oriente quando o Hezbollah retomou os ataques contra Israel em 02 de março, dois dias após o início da ofensiva israelo-americana contra o Irão, aliado e financiador do grupo xiita libanês.

No mesmo dia, as autoridades libanesas proibiram as atividades militares do Hezbollah, após vários meses em que procuraram desarmar as milícias, que, no entanto, recusaram entregar o seu equipamento militar enquanto o país estiver sob ameaça de Israel.

Em resposta, as forças israelitas desencadearam uma vasta operação militar no Líbano, através de bombardeamentos intensivos alegadamente contra alvos do Hezbollah, a par da expansão das posições terrestres que já ocupavam no sul do país anteriormente.

Apesar do cessar-fogo negociado entre Beirute e Telavive, em vigor desde 17 de abril, a violência prossegue no território libanês.

Israel afirmou ter matado mais de 85 militantes do Hezbollah e ter atingido 180 posições do grupo na última semana, sem apresentar provas.


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Mais de 10 mil casas foram destruídas ou danificadas no Líbano desde o cessar-fogo de 17 de abril, entre as autoridades de Beirute e Israel, disse hoje o Conselho Nacional de Investigação Científica (CNRS).

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