© Henry NICHOLLS / AFP via Getty Images Por noticiasaominuto.com com Lusa 22/06/2026 O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, anunciou, esta segunda-feira a sua demissão, revelando também que o sucessor vai ser conhecido até ao final do verão.
Num discurso visivelmente emocionado desde o início, Starmer falou sobre o trabalho que foi desenvolvido para dar um novo rumo ao Partido Trabalhista.
"Todas as decisões que tomei foram para colocar o país que eu amo em primeiro lugar. É por isso que me vou demitir da liderança do Partido Trabalhista", afirmou.
Sobre a sua jornada em cargos de liderança, Starmer considerou que os dois anos como primeiro-ministro foi o momento que mais o orgulhou na sua vida.
"Há seis anos, herdei um Partido Trabalhista que se encontrava em falência política, financeira e moral", considerou, dando conta de que ouviu muitas vezes que o partido "estava acabado".
"Disseram-me repetidamente que o meu partido estava acabado, que estávamos condenados a ficar na história, que era impossível obter uma maioria nas eleições gerais, quanto mais uma maioria esmagadora", apontou.
Starmer disse durante a sua comunicação ao país que iria ficar no cargo até que o processo para que um novo líder do Partido Trabalhista fosse encontrado, garantindo que "fará de tudo para garantir uma transição de poder tranquila".
"Vou solicitar ao Comité Executivo Nacional do Partido Trabalhista que estabeleça um calendário, com o início das candidaturas a 9 de julho e a sua conclusão antes das férias parlamentares de verão (16 de julho). No caso de haver uma disputa, isto garantirá que um novo líder esteja em funções antes do regresso do Parlamento em setembro", adiantou também.
O chefe do governo britânico referiu ainda, já no final do seu discurso, que vai dar o apoio necessário a quem quer que venha a suceder-lhe no cargo, referindo que este futuro responsável irá herdar um país "mais forte" do que o que o próprio herdou há dois anos. O Reino Unido está agora "mais bem preparado para os desafios que se avizinham, assim como para garantir que o Partido Trabalhista tem um segundo mandato em Downing Street.
"Quero agradecer a todos os amigos e colegas que estiveram ao meu lado nestes últimos seis anos pelo seu incrível empenho, dedicação e apoio. Quero agradecer à brilhante equipa do N.º 10 e à extraordinária função pública do nosso país, que dedica a sua vida ao serviço público", referiu.
Em jeito mais particular, rematou: "E quando deixar o maior cargo do país, vou dedicar mais tempo ao trabalho mais importante: ser o melhor marido possível para a minha fantástica esposa Vic, que tem sido um pilar ao meu lado nos bons e maus momentos, e ser o melhor pai possível para os meus lindos filhos, que são o meu orgulho e a minha alegria. Muito obrigado."
Keir Starmer, cuja impopularidade é refletida nas sondagens, estava sob intensa pressão interna para se demitir na sequência de vários erros políticos e após maus resultados nas eleições locais e regionais de maio.
Starmer indicou que falou com o Rei Carlos III esta manhã para o informar da decisão, embora a demissão de primeiro-ministro só aconteça após ser encontrado um sucessor à frente do Partido Trabalhista.
Segundo a tradição, este será chamado a formar governo enquanto líder do partido com maioria parlamentar, sem a necessidade de convocar eleições legislativas.