segunda-feira, 23 de março de 2026

2° aniversário: FRENTE POPULAR DENUNCIA SEIS ANOS DE “PESADELO” E REAFIRMA LUTA PELA RESTITUIÇÃO DA REPÚBLICA


Por : Tiago Seide   Jornal Odemocrata  23/03/2026  

A Frente Popular denunciou que, nos últimos seis anos, a Guiné-Bissau tem vivido um “autêntico pesadelo”, marcado por mais de 500 cidadãos vítimas de espancamentos, raptos e tortura; dezenas de assassinatos por encomenda; saque desenfreado do erário público; endividamento galopante; colapso dos serviços públicos essenciais, especialmente da saúde e da educação; ataques sistemáticos às liberdades fundamentais; e um custo de vida insuportável que asfixia diariamente o povo guineense.

Em comunicado consultado por O Democrata, a organização afirma que todos os responsáveis por este ciclo de violência — mandantes e executores — terão inevitavelmente de responder pelos seus atos, garantindo que a justiça não será silenciada no país.

“No dia 23 de novembro de 2025, o regime ditatorial e terrorista, embriagado pelo poder e convencido da sua impunidade, sofreu um golpe devastador: uma derrota histórica, humilhante e irreversível infligida pelo povo guineense nas urnas, o que precipitou a fuga do seu líder para paradeiro incerto, deixando atrás de si os escombros de um regime em colapso. Contudo, poucos dias depois, a 26 de novembro de 2025, assistiu-se à encenação de um falso golpe de Estado — uma manobra ilegítima destinada a confiscar a vontade soberana do povo guineense, que havia acabado de rejeitar o ditador Umaro Sissoco Embaló”, afirmou a organização.

Segundo a Frente Popular, militares alinhados com a ditadura e com um sistema de corrupção generalizada instalaram-se no poder como “marionetas”, supostamente teleguiadas para preparar o regresso do antigo chefe de Estado através de eleições fraudulentas já em preparação.

Assinalando o seu segundo aniversário, a Frente Popular declarou que a Guiné-Bissau continua sequestrada por uma “cliché golpista, ilegítima, desesperada e profundamente incompetente”.

A organização reafirmou a sua determinação em prosseguir a luta até à libertação plena e efetiva do país, exigindo ao autodenominado Comando Militar a libertação imediata e incondicional de todos os detidos políticos e militares, bem como o fim das perseguições em curso.

Por outro lado, a Frente Popular exortou o candidato presidencial Fernando Dias da Costa a assumir sem demora as suas funções, honrando o mandato soberano que lhe foi conferido pelo povo.

A organização cívica apelou ainda ao povo guineense para que se mantenha firme, vigilante e mobilizado para o confronto decisivo contra “os usurpadores e inimigos da pátria”, até à plena restituição da ordem republicana.

Por fim, a Frente Popular rejeitou as “falsas e ilegítimas alterações legais” promovidas pelo Conselho Nacional de Transição.

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