segunda-feira, 23 de março de 2026

Rússia acusa Europa de "perseguir dissidentes". Kyiv fala em ajuda a Irão... O representante russo nas Nações Unidas acusou hoje os países europeus de "perseguirem dissidentes" para proteger Kyiv, enquanto o homólogo ucraniano denunciou Moscovo por auxiliar militarmente o Irão na guerra com Washington e Telavive.

Por  LUSA 23/03/2026

Numa sessão do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre a guerra entre Kyiv e Moscovo, Vasily Nebenzya afirmou que várias capitais europeias "fecham os olhos" aos ataques ucranianos em território russo, enquanto tentam silenciar qualquer narrativa contrária à da União Europeia.

"Não passa de intimidação. São táticas de medo. A perseguição a dissidentes tornou-se comum na Europa, enquanto a liberdade de expressão e a presunção de inocência são agora palavras vazias. Ao mesmo tempo, os ataques terroristas de Kyiv não dão trégua", declarou o embaixador russo na ONU.

O diplomata mencionou um grupo de 'bloggers' de alguns países europeus que, segundo alegou, foram vítimas de investigações após serem acusados de propaganda por defenderem uma posição contrária à de Bruxelas.

Nebenzya apresentou uma lista de ataques ucranianos contra alvos russos que terão resultado num elevado número de vítimas civis, mas em nenhum momento mencionou a invasão iniciada pela Rússia em 2022, que deu origem ao conflito.

A este respeito, insistiu em acusar as forças de Kyiv de matar civis como parte de uma "tática deliberada", embora tenha afirmado que a Rússia não ataca civis.

No final do seu discurso, o russo continuou a referir-se à Ucrânia como "um regime terrorista" que estava a atacar a Rússia, a qual posicionou como o ator defensivo no conflito.

Por outro lado, o representante permanente da Ucrânia na ONU, Andrii Melnyk, acusou a Rússia de fornecer "apoio militar substancial" ao Irão na guerra contra os Estados Unidos e Israel.

"Moscovo tem fornecido apoio militar substancial ao regime de Teerão. A Rússia não é apenas a sua principal aliada, mas também principal cúmplice e ator central em ataques ilegais contra a infraestrutura civil nos países do Golfo", afirmou Melnyk.

De acordo com o embaixador ucraniano, o Kremlin fornece a Teerão apoio de inteligência, incluindo imagens de satélite e outros dados "cruciais" que facilitam ataques contra instalações militares norte-americanas no Médio Oriente.

Além disso, enfatizou que há "evidências suficientes" de que a Rússia está a transferir drones modernizados para o Irão, cujo uso permitirá a Teerão "travar essa guerra por um período muito longo".

"Os mesmos drones que enviava Moscovo desde o início da guerra para matar civis ucranianos estão agora a ser produzidos na Rússia e a ser usados tanto para destruir infraestrutura de petróleo e gás quanto para matar soldados americanos", disse o diplomata.

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou hoje que o seu serviço de inteligência militar possui "provas irrefutáveis de que os russos continuam a fornecer informações ao regime iraniano".

Melnyk aproveitou também para responder ao seu homólogo russo, que se referiu hoje ao "sofrimento" da população russa.

"Ouvindo todas essas fantasias, alguém poderia pensar que foi a Ucrânia que invadiu a pobre Rússia, e não o contrário", disse, com ironia, o embaixador ucraniano.

"George Orwell estaria a revirar-se no túmulo", acrescentou.

A sessão de hoje do Conselho de Segurança ocorre perto do fim da presidência rotativa do órgão, que este mês foi detida pelos Estados Unidos, com quem Moscovo tem mantido diversos momentos de tensão.

O chefe humanitário da ONU, Tom Fletcher, alertou hoje que o povo da Ucrânia está "sob pressão constante" devido aos ataques russos contra civis e infraestrutura energética, e afirmou que o número de vítimas civis ucranianas este ano supera em muito os níveis registados no mesmo período do ano passado.

Mais de 15 mil civis morreram na Ucrânia desde o início da guerra, que também deixou mais de 41 mil feridos e milhões de deslocados, segundo dados da ONU.


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O vice-secretário de Estado norte-americano, Christopher Landau, acusou hoje a ONU de falha lamentável na sua missão central, frisando que a organização multilateral mostrou-se incapaz de interromper a guerra na Ucrânia.


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