terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

São Tomé: "Guiné-Bissau não precisa de mais achas para a fogueira"... O presidente são-tomense declarou hoje que gostaria que o objetivo da nomeação do ex-primeiro-ministro Patrice Trovoada como enviado especial da Comissão da União Africana à Guiné-Bissau fosse "para fortalecer o processo de paz" naquele país.

Por LUSA 

Carlos Vila Nova disse que "o Estado são-tomense não foi consultado" sobre a nomeação, por isso não tem nenhuma posição oficial a declarar, tendo no entanto sublinhado que a escolha de Patrice Trovoada foi feita pela comissão executiva da União Africana, que é um dos órgãos, e não pela própria organização da União Africana.

"Manifesto um desejo que é sincero: o povo da Guiné-Bissau não precisa de mais achas para a fogueira, nem de intrigas, nem de coisas a que nós estamos habituados. Precisa é de paz e ter esperança", disse Vila Nova.

O chefe de Estado são-tomense disse que a comissão terá os seus objetivos com esta nomeação, mas declarou que "gostaria que esses objetivos fossem para fortalecer o processo de paz na Guiné-Bissau" e "que significasse o retorno de todas as instituições democraticamente eleitas" e que "trouxesse esperança".

O chefe de Estado acrescentou ainda que esta esperança se devia traduzir, nomeadamente, na "libertação incondicional de todos os presos", para que possam "fazer parte do processo" e "que seja uma forma de trazer a Guiné-Bissau à vivência democrática".

Questionado sobre se Patrice Trovoada pode contribuir para este processo, o Presidente são-tomense escusou responder, apontando que "a organização da União África pode".

O primeiro-ministro são-tomense, Américo Ramos, desvalorizou a questão.

"Não vi nada de especial, só vi que [...] alguém foi indicado para mediar um conflito internacional, portanto, nada que diz respeito a São Tomé e Príncipe. Mas, com preocupação, olhamos [para] a situação na Guiné-Bissau. Isso é que é mais importante e queremos que, o mais urgente possível, a situação se resolva", disse Américo Ramos.

Carlos Vila Nova, Américo Ramos e Patrice Trovoada são da Ação Democrática Independente (ADI), mas tornaram-se adversários desde janeiro de 2025, quando o Presidente são-tomense demitiu o então Governo liderado por Trovoada e escolheu Américo Ramos em substituição.

Patrice Trovoada, que é presidente da ADI, tem apelidado Carlos Vila Nova e Américo Ramos de traidores, tendo ameaçado expulsá-los do partido.

O antigo primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe, Patrice Trovoada, foi nomeado enviado especial da União Africana à Guiné-Bissau para conduzir as negociações para o restabelecimento da ordem constitucional.

A nomeação foi comunicada a Patrice Trovoada numa carta assinada pelo presidente da comissão da União Africana, Mahmoud Ali Youssouf, datada de 23 de janeiro e à qual a Lusa teve acesso.

Na carta, o presidente da comissão informa Patrice Trovoada de que o nomeou com o propósito de apoiar os esforços da organização para restaurar a ordem constitucional na Guiné-Bissau.

O presidente da comissão escreve que "as qualidades profissionais e pessoais" de Patrice Trovoada dão-lhe "a confiança de que vai exercer o seu mandato eficazmente". 

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