terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Guiné-Bissau: MNE acusa Carlos Vila Nova de ser “instigador de um golpe palaciano”... O ministro dos Negócios Estrangeiros do Governo de transição da Guiné-Bissau, João Bernardo Vieira, defendeu esta terça-feira, 03 de Fevereiro, a suspensão de São Tomé e Príncipe da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), alegando que está em curso um golpe de Estado institucional naquele país.

As declarações foram feitas durante o balanço dos primeiros 65 dias do seu exercício à frente da diplomacia guineense. Segundo o governante, a destituição do presidente da Assembleia Nacional Popular são-tomense configura um “golpe de Estado constitucional” e representa uma grave violação dos princípios democráticos.

“Em São Tomé e Príncipe houve um golpe de Estado parlamentar. Um golpe de Estado Constitucional, na medida em que 29 deputados destituíram o presidente da Assembleia Nacional Popular”, afirmou João Bernardo Vieira, sublinhando que o conceito de golpe de Estado não deve ser limitado apenas a intervenções militares.

O chefe da diplomacia guineense acusou ainda o Presidente são-tomense, Carlos Vila Nova, de estar directamente envolvido no processo, classificando-o como “instigador de um golpe palaciano”. Para João Bernardo Vieira, a substituição do presidente da Assembleia ocorreu “sem qualquer legitimidade” e “sem qualquer constitucionalidade”.

No contexto da CPLP, João Bernardo Vieira criticou o que considera serem critérios desiguais na actuação da organização. Recordou que a Guiné-Bissau optou pela auto-suspensão do bloco lusófono, por entender que não estavam reunidas as condições que estiveram na base da criação da comunidade.

“Temos uma CPLP onde parece existir dois pesos e duas medidas. Nós condenamos isso”, afirmou, acrescentando que aguarda uma posição firme da organização em relação aos acontecimentos em São Tomé e Príncipe, que classificou como “vergonhosos e escandalosos”.

O Governo da Guiné-Bissau lamentou hoje que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) ainda não tenha enviado uma missão de bons ofícios ao país desde o golpe militar de 26 de novembro de 2025.

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