sexta-feira, 10 de abril de 2026

Israel reclama que desmantelou mais de 4.300 instalações do Hezbollah... O exército israelita anunciou hoje ter desmantelado mais de 4.300 instalações do grupo xiita Hezbollah e eliminado 1.400 elementos no Líbano desde o recomeço dos confrontos entre as partes em 02 de março.

© Reuters    Por  LUSA   10/04/2026 

Os soldados israelitas "desmantelaram mais de 4.300 instalações" e localizaram acima de 1.250 armas, incluindo 'rockets' de longo alcance, mísseis antitanque, lança-foguetes RPG, engenhos explosivos improvisados e outros equipamentos militares, disse o exército em comunicado.

As forças de Israel assinalaram ainda que eliminaram cerca de 1.400 combatentes do Hezbollah em ataques aéreos e operações terrestres no sul do Líbano.

Segundo as autoridades libanesas, mais de 1.800 pessoas, incluindo 163 crianças, foram mortas no país desde o início de março.

Na quarta-feira, as forças israelitas realizaram dezenas de bombardeamentos em Beirute, no sul e no leste do Líbano, causando mais de 300 mortos e várias centenas de feridos.

Foi o dia mais sangrento desde o recomeço das hostilidades entre Israel e o Hezbollah e ocorreu em pleno arranque de um frágil cessar-fogo n acordado pelos Estados Unidos e pelo Irão, aliado do grupo armado libanês, para abrir espaço a negociações sobre o conflito que atinge a região do Golfo desde 28 de fevereiro.

Israel e Estados Unidos consideraram que a trégua não abrange o Líbano, apesar de a mediação paquistanesa ter indicado inicialmente o contrário.

Após pressão do Presidente norte-americano, Donald Trump, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, anunciou na quinta-feira que aceitou iniciar negociações com Governo libanês, com vista a desarmar o Hezbollah e estabelecer "relações pacíficas" entre os dois países.

Pelo menos 13 membros das forças de segurança libanesas foram mortos em ataques aéreos israelitas contra a sede da Direção Regional de Segurança do Estado de Nabatieh, no sul do país, de acordo com esta força policial, apesar de Israel insistir que as suas operações visam apenas o Hezbollah.

Em sentido contrário, nas últimas horas o Hezbollah lançou cerca de 30 ataques com foguetes a partir do Líbano contra Israel, causando danos materiais, indicou o exército israelita.

Os ataques visaram sobretudo o norte de Israel, na fronteira com o Líbano, onde prosseguem os combates entre o exército israelita e as milícias do grupo xiita.

Outros bombardeamentos na Galileia incluíram Banaa e Deir el-Assad, onde um edifício foi atingido e várias pessoas receberam assistência médica por ataques de pânico, disseram as autoridades.

O Hezbollah retomou os ataques contra território israelita em 02 de março, logo depois da ofensiva aérea dos Estados Unidos e Israel contra o Irão, interrompendo um cessar-fogo em vigor desde novembro de 2024 que nunca foi verdadeiramente respeitado.

No mesmo dia, o Governo libanês proibiu as atividades militares do grupo xiita, que, apesar disso, não parou com lançamentos de projéteis e drones contra o território israelita. 

Ao longo das últimas semanas, Israel desencadeou uma forte campanha de bombardeamentos no Líbano, a par da expansão das posições terrestres que já ocupava no sul do país no anterior conflito, levando a que acima de um milhão de pessoas estejam deslocadas.

A situação no Líbano constitui um dos pontos expectáveis nas negociações, previstas para sábado em Islamabad, entre os enviados norte-americanos e iranianos sobre a guerra no golfo Pérsico, a par do apoio financeiro e militar de Teerão a grupos armados no Médio Oriente, como o Hezbollah.

"A realização de negociações para pôr fim à guerra depende do cumprimento, por parte dos Estados Unidos, dos seus compromissos de cessar-fogo em todas as frentes, especialmente no Líbano", avisou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão.

O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, reforçou depois esta posição e apontou violações ao cessar-fogo em vigor, incluindo as operações militares israelitas no Líbano, exigindo a suspensão antes de se sentar à mesa das negociações com a delegação norte-americana na capital do Paquistão.

"Duas das medidas acordadas pelas partes ainda precisam de ser implementadas: um cessar-fogo no Líbano e o desbloqueio dos ativos do Irão, antes que as negociações possam começar", escreveu Mohammad Bagher Ghalibaf na rede social X.

Ao mesmo tempo que resiste ao processo de desarmamento ordenado pelas autoridades libanesas, reforçado com a proibição anunciada na quarta-feira do porte de arma por grupos não estatais em Beirute, o Hezbollah distanciou-se de negociações com Israel.

"Não aceitaremos o regresso à situação anterior e apelamos aos responsáveis ??[libaneses] para que ponham fim a estas concessões gratuitas", declarou o secretário-geral do movimento xiita, Naim Qassem, numa mensagem escrita à nação.


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