© SIMON MAINA/AFP via Getty Images Por LUSA 22/03/2026
Segundo a imprensa local, o anúncio foi feito pelo ministro dos Negócios Estrangeiros do Quénia, Musalia Mudavadi.
De acordo com a lei queniana, o alistamento de cidadãos em forças armadas estrangeiras sem aprovação presidencial é proibido e acarreta penas de até 10 anos de prisão, a menos que um tribunal determine que a participação não foi voluntária.
"Até ao momento, 44 quenianos foram repatriados em segurança para o seu país, enquanto 11 foram dados como desaparecidos ou mortos em combate", afirmou Mudavadi.
"Cerca de 38 estão atualmente hospitalizados em vários centros hospitalares russos com acesso restrito", acrescentou o ministro.
A Rússia concordou em incluir o Quénia numa lista de protocolo de cessação de alistamento, ou "lista de bloqueio", interrompendo o recrutamento de cidadãos quenianos, embora tenha mantido a sua posição sobre os que já estão mobilizados, pois ter-se-iam alistado voluntariamente e, de acordo com a lei russa, são individualmente responsáveis pela sua participação.
Os dois países concordaram em que os quenianos envolvidos no conflito e eue pretendam retirar-se poderão rescindir os seus contratos e regressar, enquanto Nairobi garantiu o acesso consular aos seus cidadãos nos hospitais russos, o que permitirá o repatriamento dos feridos e mortos.
O anúncio de Mudavadi ocorreu após a sua visita a Moscovo entre 15 e 18 de março, onde se reuniu com o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov. Os dois governos comprometeram-se a trocar informações para combater o tráfico de pessoas, o contrabando e as redes informais de recrutamento.
Em fevereiro, o Serviço Nacional de Informações do Quénia estimou que a Rússia tinha recrutado pelo menos mil cidadãos quenianos, alguns dos quais assinaram contratos com agências que prometiam pagamentos até 18.000 dólares, além de vistos, viagens e alojamento.
Embora a embaixada da Rússia no Quénia tenha negado as acusações, o Governo ucraniano indicou que, desde o início da invasão russa em fevereiro de 2022, contabilizou cerca de 1.780 africanos de 36 países a lutar pelo lado russo.
Enquanto alguns dos recrutados se alistam voluntariamente como mercenários, outros relataram ter sido enganados e coagidos, o que os especialistas acreditam poder constituir tráfico humano.
Kyiv revelou ainda que foram capturados cidadãos de países como a Somália, Serra Leoa, Togo, Cuba e Sri Lanka, entre outros, embora a maioria morra ou fique gravemente ferida antes de ser feita prisioneira de guerra.

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