domingo, 22 de março de 2026

Cuba sofre novo apagão nacional, o segundo numa semana... Cuba sofreu no sábado um novo apagão nacional, devido ao desligamento total do Sistema Elétrico Nacional às 18h38 locais (22h38 de Lisboa), o segundo em menos de uma semana e o sétimo em ano e meio.

LUSA 

O Ministério da Energia e Minas cubano informou nas redes sociais sobre o novo incidente: "Ocorreu um desligamento total do Sistema Elétrico Nacional. Já estão a ser aplicados os protocolos para a reposição" do abastecimento de energia.

Até agora, não foram apontadas possíveis causas para o desligamento. Ao contrário do que aconteceu em ocasiões anteriores, os motivos do apagão nacional de segunda-feira h o primeiro desta semana - não foram explicados.

Cuba encontra-se mergulhada numa profunda crise energética desde meados de 2014, uma situação com causas estruturais que se agravou nos últimos três meses com o embargo petrolífero imposto pelos Estados Unidos, que elevou os cortes de energia elétrica a níveis recorde.

Nas últimas duas semanas, registaram-se dois apagões nacionais e um corte de abastecimento em grande escala, que deixou dois terços da ilha sem eletricidade.

Mesmo sem imprevistos, a situação já é crítica: os cortes em Havana são de cerca de 15 horas por dia, e algumas regiões já estiveram dois dias consecutivos sem energia.

Com base em experiências prévias, a reposição do funcionamento do Sistema Elétrico Nacional (SEN) é um processo lento e trabalhoso que pode demorar dias: implica começar a produzir energia de fontes de arranque simples (solar, hidroelétrica, geradores) para fornecer eletricidade a pequenas áreas que são depois interligadas.

O objetivo é fornecer quanto antes a energia suficiente às centrais termoelétricas do país, o pilar da produção elétrica em Cuba, para que estas possam novamente arrancar e produzir energia em grandes quantidades para satisfazer a procura.

O problema essencial que diferencia esta situação h e a da passada segunda-feira h das anteriores é que atualmente o país quase não dispõe de gasóleo e fuelóleo para os seus motores de geração de energia, por causa do embargo petrolífero norte-americano.

Pôr as centrais termoelétricas a funcionar sem esta fonte energética de arranque rápido pode ser um desafio, como explicou recentemente o diretor-geral de Eletricidade do Ministério da Energia e Minas cubano, Lázaro Guerra, após um apagão que afetou cerca de seis milhões de cubanos.

Este novo apagão nacional ocorre quando várias centenas de políticos e ativistas, sobretudo da América Latina e da Europa, se concentraram em Havana, em solidariedade com Cuba, para protestar contra o embargo petrolífero dos Estados Unidos.

Antes do desligamento total do SEN, Cuba já previa para sábado cortes prolongados no abastecimento de eletricidade ao longo de todo o dia e que, no pico da procura, cerca de 60% do país ficasse simultaneamente sem energia.

No sábado, dez das 16 unidades de produção termoelétricas do país estavam inoperacionais devido a avarias ou obras de manutenção (quando esta fonte representa 40% da matriz energética).

Estas interrupções não estão relacionadas com o embargo petrolífero dos Estados Unidos (porque utilizam sobretudo petróleo nacional), mas com as condições em que funcionam estas infraestruturas obsoletas, com décadas de utilização e uma ausência crónica de investimento.

Outros 40% da matriz energética eram provenientes da chamada produção distribuída (geradores a gasóleo e fuelóleo), que o Governo indicou estar completamente parada desde janeiro devido à falta de combustível.

Especialistas independentes indicam que a crise energética cubana decorre de uma combinação de subfinanciamento crónico do setor e do atual embargo norte-americano.

O Governo cubano destaca, acima de tudo, o impacto das sanções norte-americanas e acusa Washington de "asfixia energética".

Diversas estimativas independentes sugerem que seriam necessários entre 8.000 e 10.000 milhões de dólares (6.900 e 8.630 milhões de euros) para recuperar o sistema elétrico.

Os apagões estão a prejudicar a economia, que sofreu uma contração de mais de 15% desde 2020, segundo dados oficiais.

Além disso, foram o rastilho dos principais protestos dos últimos anos, desde a revolta social de 11 de julho de 2021 até às manifestações registadas nos últimos dias em Havana e Morón, no centro da ilha caribenha.

Sem comentários:

Enviar um comentário