segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

António José Seguro eleito Presidente com "o seu estilo", Ventura segue "sem drama"... A noite eleitoral não se arrastou pela madrugada dentro e antes da meia-noite deste domingo já António José Seguro terminava o seu discurso enquanto vencedor, tal como as primeiras projeções indicavam. Dos resultados às promessas de "cooperação" no futuro, eis o que foi dito.

© Horacio Villalobos#Corbis/Getty Images     Por  noticiasaominuto.com   09/02/2026 

António José Seguro foi eleito Presidente da República no domingo, depois de uma segunda volta disputada com André Ventura, tornando-se assim o sexto Presidente eleito em democracia. A escolha de um chefe de Estado à segunda volta aconteceu pela última vez em 1986, quando Diogo Freitas do Amaral e Mário Soares disputaram o cargo. Há 40 anos, Soares venceu o duelo histórico e também agora Seguro faz história, ao superar o número de votos dados a Soares e conquistando o maior número de votos de sempre alcançado por um candidato presidencial.

De acordo com os resultados provisórios mais atuais à data da publicação deste artigo, Seguro tem 66,82% dos votos e André Ventura arrecada 33,18%. Os resultados - que pode consultar aqui mais detalhadamente em cada distrito, concelho ou freguesia - foram, desde o início da noite eleitoral, distanciados. Sondagens à boca das urnas davam uma distância 'confortável' entre Seguro e Ventura.

Seguro não esperava "força desta grandeza", mas recebe-a "com honra"

Na saída da sua casa até à sede de campanha, Seguro começou por dizer que o "povo português era o melhor do mundo". À medida que os resultados eram apurados, percebeu-se que a noite eleitoral não se ia transformar numa madrugada eleitoral - pelo menos, no que diz respeito ao discurso do vencedor, que antes da meia-noite já dizia a todos os que concorreram a Belém e ficaram pelo caminho: "A partir desta noite, deixámos de ser adversários."

Marcelo Rebelo de Sousa foi lembrado no discurso de Seguro, que disse que seria Presidente de "todos, todos, todos os portugueses", sublinhando ainda acerca de Marcelo e de outros antigos Presidentes da República: "Cada um no seu tempo e estilo serviu o nosso país com devoção e compromisso com o interesse nacional com a democracia. Servirei Portugal com o mesmo compromisso, mas com o meu próprio estilo."

Já quando respondia às questões dos jornalistas, Seguro confessou que não estava à espera dos resultados tão favoráveis à sua vitória. "Pedi confiança reforçada e a certa altura pensei que a poderia ter. Não desta grandeza, mas sou humildade para dizer aos portugueses que a recebo com muita honra."

Garantindo que iria utilizar a força que lhe foi dada para, junto do Governo e partidos políticos, reforçar uma "cultura de compromisso" que faça nascer políticas públicas duradouras - e que estas ultrapassem ciclos eleitorais -, acrescentou: "Esta força que o povo português me dá é uma força que está em sintonia com essa cultura. Como sempre disse: ou a política serve para resolver os problemas das pessoas ou não serve para rigorosamente nada."

Da corrida a Belém para "governar o país". A reação de Ventura

No discurso de André Ventura, que aconteceu antes de Seguro subir ao palco, o líder do Chega começou por dizer que já tinha transmitido as felicitações ao socialista, reconhecendo: "Independentemente de termos sido adversários nesta segunda volta, o sucesso de António José Seguro em Portugal será o sucesso de todos."

Disse, no entanto, que "pela primeira vez em 50 anos havia uma alternativa que não era do espaço do Partido Socialista ou do Partido Social Democrata" e prometeu: "Liderámos a Direita e vamos liderar a Direita"

André Ventura admitiu a derrota, reforçando: "É justo dizer que, não tendo vencido, os portugueses colocaram-nos no caminho para governar o país".

À saída da noite eleitoral, Ventura negou ter feito campanha a pensar em ser primeiro-ministro, depois de ter dito no seu discurso final da noite que o país o colocou nesse trajeto.

Com Belém pelo caminho, o líder do Chega afirmou: "O meu adversário sabe também que temos hoje caminho para continuar naquilo que o país precisar, em cooperação, como sempre foi. Não há aqui nenhum drama em relação a isso."

Com 99,20% dos resultados apurados, de acordo com a Secretaria-Geral da Administração Interna, André Ventura obteve, na segunda volta das presidenciais, cerca de um milhão e setecentos mil votos, superando o número de votos que somou nas últimas eleições legislativas.

O caminho até Belém

Nas sondagens de há cerca de um ano, em que não chegava aos dois dígitos, Seguro terminou a corrida presidencial com o dobro do resultado do seu adversário, e com uma força política reforçada pelo segundo melhor resultado percentual de sempre de um candidato a Belém.

Com esta vitória, Portugal volta a ter um Presidente da República militante do Partido Socialista, após os mandatos de Aníbal Cavaco Silva e Marcelo Rebelo de Sousa nos últimos 20 anos e numa altura em que o Partido Social Democrata está no poder e os partidos à direita dos socialistas dominam dois terços do Parlamento.

A vitória de António José Seguro é tanto mais assinalável quanto a sua entrada na corrida presidencial se fez de forma pouco entusiástica, inclusive no seu campo político, gerando apreensão entre muitos socialistas, como o ex-presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva, que chegou a afirmar que a candidatura "não parecia cumprir os requisitos mínimos" para poder ser apoiada pelo PS, designadamente porque se ficava "pelas banalidades".

Após uma travessia do deserto de 11 anos, iniciada após ser derrotado por António Costa nas primárias no PS de 2014, o nome de Seguro foi lançado pelo anterior líder socialista, Pedro Nuno Santos, numa entrevista televisiva há pouco mais de um ano, mas então pouco levada a sério nas hostes do partido. O próprio PS, liderado por José Luís Carneiro, um homem de quem Seguro é muito próximo, demorou a declarar o seu apoio ao candidato.

Seguro anunciou oficialmente a candidatura em meados de junho de 2025 e o PS só em outubro, passadas as eleições autárquicas, aprovou formalmente o apoio ao candidato, por sinal um antigo secretário-geral do partido que continuava a gerar resistências entre alguns destacados dirigentes, alguns dos quais esperavam uma candidatura do ex-ministro António Vitorino.

Da primeira para a segunda volta das presidenciais, muitos prognosticaram uma abstenção mais elevada e que os votos brancos e nulos poderiam chegar percentualmente à casa dos dois dígitos, o que acabou por não acontecer. Não só a abstenção ficou abaixo dos 50% e da primeira volta, como os brancos e nulos somados andaram por volta de 5%, ou seja, cerca de 270 mil votos.


Leia Também: Marcelo felicitou Seguro e vai recebê-lo na segunda à tarde

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, felicitou hoje o seu sucessor, António José Seguro, que venceu a segunda volta das eleições presidenciais, e vai recebê-lo na segunda-feira às 16:00.

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