Por LUSA
O plano de Israel é tomar toda a área a sul do rio Litani, o que representaria a maior invasão terrestre do país vizinho desde 2006, ano da segunda guerra entre Israel e o Líbano.
"O objetivo é assumir o controlo do território, empurrar as forças do Hezbollah para norte, para longe da fronteira, e desmantelar as suas posições militares e os depósitos de armas nas aldeias", disse um dos responsáveis citados pelo Axios.
Israel terá tomado esta decisão, segundo o portal, depois de o Hezbollah, que é apoiado e financiado pelo Irão, ter lançado mais de 200 projéteis contra o norte de Israel na noite de quarta-feira.
Desde sexta-feira que o exército israelita começou a enviar reforços para a fronteira norte e está a mobilizar mais reservistas.
Além disso, nos últimos dias, o exército emitiu avisos de retirada às populações em todo o sul do Líbano e, pela primeira vez, para as cidades e residentes a norte do rio Litani, que marcava a anterior demarcação de evacuações e também do território sob vigilância da missão de paz das Nações Unidas (FINUL) e do exército libanês, supostamente vedado tanto a Israel como ao Hezbollah.
O líder do grupo xiita libanês, Naim Qassem, afirmou na sexta-feira que as suas forças estão preparadas para enfrentar um possível avanço israelita no sul do Líbano e também para "uma longa confrontação", reiterando que os seus combatentes lutam para defender o seu país.
Ao mesmo tempo, Naim Qassem exortou o Governo libanês a "parar de fazer concessões ao inimigo sem nada em troca", instando-o a reverter as suas recentes decisões, em alusão à recente proibição das atividades militares do Hezbollah.
Apesar do cessar-fogo que vigorava desde novembro de 2024 e que nunca foi integralmente respeitado, as forças israelitas desencadearam a sua ofensiva contra o Líbano em 02 de março, depois de o Hezbollah ter lançado ataques no norte de Israel, em resposta aos bombardeamentos israelo-americanos iniciados dois dias antes contra o seu aliado Irão, que resultaram na morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei.
O Presidente libanês lamentou na sexta-feira não ter recebido resposta de Israel sobre negociações para um cessar-fogo na guerra com o grupo xiita Hezbollah.
Joseph Aoun indicou que já manifestou a sua "disposição para negociar" e disse que espera o apoio da comunidade internacional para o Líbano nesta "fase crítica".
Os ataques israelitas "devem cessar e deve ser alcançado um cessar-fogo", com vista a discutir os próximos passos para um acordo entre as partes, afirmou o chefe de Estado do Líbano, que já contabiliza 773 mortos, incluindo 103 crianças, 1.933 feridos e acima de 800 mil deslocados desde o agravamento dos confrontos entre Israel e o grupo xiita apoiado pelo Irão.
No mesmo dia, o exército israelita indicou que já lançou mais de 1.100 ataques no Líbano e que 350 membros do Hezbollah foram eliminados no atual conflito, "incluindo oficiais de alta patente", o que representa cerca de metade do número de mortes registados nos balanços oficiais das autoridades de Beirute e sugere uma grande quantidade de civis.
Na quinta-feira, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, indicou ter transmitido ao Governo libanês que será melhor para ele confrontar o Hezbollah em vez de Israel.
"Eu disse-lhes: 'Estão a brincar com o fogo se deixarem o Hezbollah atuar' (...). Mas se eles não fizerem nada, nós faremos. Como? No terreno ou de outra forma, não vou entrar em detalhes, mas o Hezbollah pagará um preço elevado e seria melhor se o Governo libanês tratasse disso", recomendou.
Leia Também: Israel ordena evacuação urgente do sul de Beirute na iminência de novos ataques
O exército israelita ordenou hoje a evacuação urgente de diversas áreas periféricas de Dahye, sul de Beirute, bastião histórico da milícia libanesa Hezbollah, perante a iminência de novos ataques.

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