terça-feira, 12 de maio de 2026

Centenas de palestinanos assinalam 'Nakba' em Ramallah... Centenas de palestinianos participaram hoje numa marcha em Ramallah, na Cisjordânia ocupada, em memória do 78.º aniversário da Nakba (palavra árabe para "catástrofe"), que marca a fuga ou expulsão dos territórios que deram lugar a Israel.

© Ahmad Gharabli/AFP via Getty Images    Por  LUSA   12/05/2026 

"O mundo precisa de se lembrar da nossa tragédia e de que os palestinianos continuam a viver sem um Estado próprio", disse à agência EFE Muhamad, professor reformado e refugiado palestiniano.

Os seus pais foram obrigados a fugir em 1948 de uma aldeia perto de Lod e Ramle (hoje cidades mistas no centro de Israel) para Jerusalém e, mais tarde, para o campo de refugiados de Shuafat, nos seus arredores.

Durante a guerra de 1948, cerca de 750 mil palestinianos foram deslocados, dois terços dos quais no território que acabara de se tornar Israel.

A marcha de hoje realizou-se antes da data oficial da Nakba, 15 de maio, um dia após a declaração de independência de Israel.

Os participantes transportavam bandeiras palestinianas, faixas com 'slogans' sobre o direito de regresso e grandes chaves de cartão, símbolo das casas que foram obrigados a abandonar há 78 anos.

Muitos usavam 'kefieh', os tradicionais lenços palestinianos com padrão axadrezado em preto e branco, e levavam bandeiras negras em sinal de luto.

"Hoje estamos aqui para reafirmar o direito de regresso e a indemnização para o povo palestiniano após 78 anos", disse à EFE Sahar Majdube, líder de um grupo de jovens do Ministério da Educação da Palestina, numa altura em que continua a enfrentar "deslocações e genocídio".

Majdube manifestou ainda gratidão pelo apoio internacional à causa palestiniana e frisou que os palestinianos continuam unidos na esperança de regressar às suas "casas, vilas e cidades".

Em setembro passado, cerca de uma dezena de estados ocidentais, incluindo Portugal, reconhecerem o Estado da Palestina, em plena guerra na Faixa de Gaza e aumento da violência na Cisjordânia ocupada, associada às forças israelitas e colonos radicais.

A efeméride antecede também o Dia de Jerusalém, que se assinala na quinta-feira, e no qual Israel assinala a captura e a ocupação militar da parte oriental da cidade após a guerra de 1967.

O dia é normalmente marcado por marchas de nacionalistas e colonos israelitas, sobretudo na Cidade Velha de Jerusalém, e em anos anteriores levou a confrontos entre palestinianos e forças israelitas.

Na segunda-feira, a União Europeia anunciou sanções contra organizações e indivíduos associados à violência dos colonos ma Cisjordânia e que disparou desde 07 de outubro de 2023, data dos ataques do grupo islamita Hamas a Israel e começo da guerra na Faixa de Gaza.

Os colonos israelitas, que residem em assentamentos ilegais na Cisjordânia, em violação do direito internacional, assediam diariamente a população, roubando as suas culturas e animais e invadindo as suas casas em ataques violentos, que por vezes resultam em assassínios a coberto da impunidade.

Segundo dados das Nações Unidas, entre o começo da guerra no na Faixa de Gaza e 23 de abril de 2026, 1.088 palestinianos, dos quais pelo menos 238 eram crianças, foram mortos na Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém Oriental.

Deste total, 42 morreram nos primeiros quatro meses de 2026, 13 por colonos, 30 por forças israelitas e um por ambos.

As deslocações forçadas atingiram mais de 40 mil habitantes nos últimos três anos, de acordo com dados da agência da ONU para os Refugiados Palestinianos (UNRWA), organização proibida por Israel.

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