Por LUSA
A Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FINUL), que conta com quase 8.200 soldados de 47 países, encontra-se entre Israel e a formação xiita pró-iraniana, que arrastou o Líbano para a guerra entre Israel e os Estados Unidos, por um lado, e o Irão, por outro, com um ataque a 02 de março.
Desde então, a FINUL tem sido alvo de tiros em várias ocasiões.
Um soldado indonésio foi morto no domingo pela explosão de um projétil de origem desconhecida perto da cidade fronteiriça de Adchit Al Qusayr. Mais dois soldados foram mortos hoje numa "explosão de origem desconhecida" perto de Bani Hayyan, outra cidade fronteiriça, e vários outros ficaram feridos.
A 06 de março, três soldados ganeses ficaram gravemente feridos num ataque à sua base em al-Qauzah, atribuído a Israel pelo Presidente libanês, Joseph Aoun.
Poucos dias depois, projéteis israelitas atingiram o quartel-general do batalhão nepalês.
Durante a última guerra entre o Hezbollah e Israel no outono de 2024, a FINUL acusou as tropas israelitas de disparos "repetidos" e "deliberados" sobre as suas posições.
Em que consiste a FINUL?
A missão está destacada entre o rio Litani e a fronteira entre o Líbano e Israel, e a sua sede está localizada em Ras al-Naqoura, perto da fronteira com Israel.
Os principais contingentes nesta força são fornecidos pela Indonésia, Índia, Gana, Itália e Nepal. Malásia, Espanha, Irlanda e França também contribuem com militares.
A FINUL é principalmente responsável pelo apoio ao trabalho humanitário, mas também pode "decidir sobre quaisquer ações necessárias em termos do destacamento das suas forças, de modo a garantir que a sua área de operações não seja usada para atos hostis".
Criada em 1978, a FINUL destacou 6.000 soldados após uma primeira invasão de parte do sul do Líbano por Israel, que alegava querer proteger o norte do seu território dos combatentes da Organização para a Libertação da Palestina (OLP).
Em 1982, as tropas israelitas chegaram até à capital libanesa, Beirute, antes de se retirarem em 1985. Ordenado pelo Conselho de Segurança (resolução 425) para retirar as suas forças de todo o território libanês, Israel manteve uma faixa fronteiriça.
Só em agosto de 2000 é que a FINUL, até então uma testemunha impotente contra Israel no sul do Líbano, foi destacada para a fronteira, após o fim da ocupação israelita em maio.
O mandato da missão, renovado anualmente pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, expirará a 31 de dezembro de 2026, depois de, no final de agosto passado, sob pressão dos Estados Unidos e de Israel, o Conselho de Segurança ter decidido agendar a retirada para 2027, o que alguns consideram prematuro.
Resolução 1701
A FINUL apela à aplicação da Resolução 1701 do Conselho de Segurança, que pôs fim à guerra entre Israel e o Hezbollah em 2006.
A resolução estipula a cessação das hostilidades em ambos os lados da fronteira e prevê apenas que os "capacetes azuis" da ONU (como são conhecidos os operacionais das missões da organização internacional) e o exército libanês sejam destacados para o sul do Líbano.
Este texto permitiu a colocação do exército libanês ao longo da fronteira até então mantida pelo Hezbollah. Mas o grupo xiita manteve presença na região, onde, segundo especialistas, escavou uma grande rede de túneis, o que viola a Resolução 1701.
Em 2020, a ONU pediu, em vão, ao Líbano acesso a estes túneis sob a Linha Azul, que marca ao longo de 120 quilómetros a zona de retirada de Israel e a divisão entre os dois países.
Após 2006, tiroteios e tensões entre Israel e o Hezbollah continuaram, ainda que esporadicamente, até à nova escalada em outubro de 2023.
Pelo menos 340 mortos
A missão perdeu pelo menos 340 homens, maioritariamente soldados, desde 1978.
Houve incidentes entre patrulhas dos "capacetes azuis" e residentes do sul do Líbano, incluindo apoiantes do Hezbollah.
O último incidente deste tipo ocorreu em dezembro de 2022, quando um "capacete azul" irlandês foi morto e outros três ficaram feridos num ataque ao veículo em que seguiam.
E agora?
As autoridades libanesas disseram no final de janeiro que queriam "uma presença internacional, preferencialmente a ONU", e pediram aos contingentes europeus que permanecessem.
No início de fevereiro, o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Noël Barrot, afirmou que o exército libanês deveria "substituir a FINUL, que tem 700 soldados franceses, quando chegar a altura".
A Itália indicou que quer manter uma presença militar no Líbano após a saída da FINUL.
Leia Também: FINUL confirma morte de três "capacetes azuis" nas últimas 24h no Líbano
A Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FINUL) anunciou hoje, em comunicado, que três dos seus militares foram mortos nas últimas 24 horas em dois incidentes separados no sul do território libanês.


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