© Celestino Arce/NurPhoto via Getty Images Por LUSA 30/03/2026
Lazzarini, que termina este ano o seu mandato, escreveu, num arigo de opinião hoje publicado no jornal Público, que o registo de refugiados e os arquivos guardados pela UNRWA "que documentam o deslocamento histórico destas populações, são fundamentais para a proteção dos direitos dos palestinianos nas determinações de Estatuto Final".
Por isso, acusou, tornou-se um "objetivo explícito" da guerra a eliminação da agência.
O comissário adiantou ter escrito, na semana passada, ao presidente da Assembleia Geral da ONU, a apelar aos Estados-membros para que "utilizem a força de trabalho e a experiência da UNRWA como ativos essenciais para a implementação bem-sucedida da resolução 2803 do Conselho de Segurança".
Adotada em novembro de 2025, a resolução autoriza a criação de uma Força Internacional de Estabilização na Faixa de Gaza para estabilizar a região, supervisionar o desarmamento de grupos armados e apoiar a reconstrução.
No seu artigo de opinião, Lazzarini criticou a comunidade internacional, considerando "incompreensível que se tenha permitido a destruição de uma entidade das Nações Unidas como a UNRWA" com "total impunidade", lembrando que isso não só viola o direito internacional como obriga as comunidades palestinianas a pagar "um preço inaceitável".
O responsável da adiantou ter escrito, em dezembro de 2023, ao presidente da Assembleia Geral da ONU, para lhe sublinhar que, "em 35 anos de trabalho em emergências complexas, nunca tinha tido de comunicar o assassínio de 130 funcionários".
Na altura, recordou, não sabia que esse número iria triplicar
"O total ultrapassa agora os 390", afirma, adiantando que também não previa que "tantos outros sofreriam ferimentos que lhes mudariam a vida ou seriam detidos arbitrariamente e torturados".
O comissário-geral mostrou-se ainda indignado por "centenas de instalações da UNRWA em Gaza terem sido destruídas" e por "o parlamento israelita ter aprovado legislação para pôr fim à presença da agência em Jerusalém Oriental ocupada, incluindo o encerramento forçado de escolas e de clínicas, bem como o corte do fornecimento de água e de eletricidade às instalações".
Segundo referiu, a sede da UNRWA em Jerusalém Oriental foi "tomada, saqueada e incendiada, com altos responsáveis israelitas a celebrar essa destruição quer no local quer 'online'" e "um vice-presidente da Câmara de Jerusalém apelou à 'aniquilação' do pessoal da UNRWA".
Apelando aos Estados da ONU para ajudarem a UNRWA e usarem os seus ativos para implementar a resolução 2830, Lazzarini defende que só isso evitará "repetir o erro desastroso de ter retirado toda a administração civil no Iraque em 2003, o que devastou as perspetivas de recuperação e de uma paz sustentável"
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Um militar indonésio da força de paz da ONU no Líbano (FINUL) morreu hoje após um segundo ataque contra um comboio sob comando de militares espanhóis que também integram a missão, indicou a ministra da Defesa espanhola, Margarita Robles.


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