quinta-feira, 12 de março de 2026

Israel lança grande ataque em Beirute e amplia evacuações no sul do país... O exército israelita lançou hoje bombardeamentos em grande escala em Beirute, incluindo no centro, no dia em que emitiu um aviso de evacuação que amplia as áreas já abrangidas no sul do Líbano onde decorrem combates terrestres.

Por LUSA 

Os ataques aéreos em Beirute seguiram-se igualmente a um inédito aviso de retirada para a população no centro da capital libanesa, quando os alertas são habitualmente dirigidos a Dahieh, o reduto no subúrbio sul do grupo xiita Hezbollah e que também foi severamente bombardeado nas últimas horas.

Além disso, pelo menos 12 pessoas morreram e outras 28 ficaram feridas na madrugada de hoje, segundo o Ministério da Saúde do Líbano, num bombardeamento israelita a uma zona de praia em Beirute com uma grande concentração de deslocados, no pior ataque contra a cidade desde o início da ofensiva de Israel, há mais de dez dias.

Ao longo do dia, Israel lançou mais bombardeamentos em Beirute e atingiu um edifício no centro da capital que já tinha sido evacuado no seguimento dos avisos israelitas.

O edifício, localizado a apenas 600 metros da icónica Mesquita Mohammad al-Amin, foi atingido três vezes num curto espaço de tempo.

As operações israelitas surgem após o maior ataque aéreo do Hezbollah contra o norte de Israel desde o agravamento das hostilidades entre as partes, no seguimento da ofensiva israelo-americana desencadeada em 28 de fevereiro no Irão, aliado do grupo xiita libanês.

Na quarta-feira, o Hezbollah disparou, em coordenação com o Irão, 200 projéteis e 20 drones no norte de Israel, segundo o porta-voz do exército, Nadav Shoshani.

"Foi o maior bombardeamento do Hezbollah (...). Utilizou uma combinação de 'rockets', veículos aéreos não tripulados e diferentes tipos de mísseis, como mísseis antitanque e lança-foguetes", indicou Shoshani à imprensa estrangeira.

Já hoje, as forças israelitas alargaram o perímetro no sul do Líbano com aviso de retirada para a população, estendendo-o até ao rio Zahrani.

"Para sua segurança, solicitamos a todos os residentes localizados a sul do rio Zahrani que se retirem das suas casas imediatamente", segundo o aviso divulgado.

O rio Zahrani está situado entre 10 e 15 quilómetros a norte do rio Litani, que era o limite do alerta de deslocação anterior e também da zona-tampão sob supervisão da missão de paz da ONU (FINUL) e do exército libanês, supostamente vedada tanto às tropas de Israel como às milícias do Hezbollah.

Deste o reatamento do conflito aberto entre Israel e o grupo libanês, as tropas israelitas alargaram as posições terrestres no sul do país que já ocupavam no conflito anterior, apesar do cessar-fogo em vigor desde novembro de 2024 que nunca interrompeu as hostilidades por completo.

Os militares de Israel justificaram o alargamento da área de retirada, associado à progressão das suas forças terrestres, com as atividades militares do Hezbollah na região.

Na manhã de hoje, Israel deslocou a Brigada Golani, uma conhecida unidade de infantaria, da Faixa de Gaza e áreas adjacentes para a fronteira com o Líbano, antecipando um aumento das operações no país vizinho.

Esta movimentação coincide com a ordem do ministro da Defesa, Israel Katz, às forças armadas para se prepararem para "expandir as atividades" no Líbano, como medida para "restaurar a paz e a segurança" nas comunidades fronteiriças.

O ministro ameaçou ainda ocupar o território libanês caso as autoridades de Beirute não impeçam o Hezbollah de atacar Israel.

O Governo libanês proibiu na semana passada as atividades militares do Hezbollah, após uma campanha de recolha de armas, medidas contestadas pelo grupo xiita que as vê como cedências a Israel e Estados Unidos.

Segundo dados oficiais, 687 pessoas morreram, entre as quais 98 crianças, e 1.774 ficaram feridas no Líbano desde o início do mês, a que se somam cerca de 800 mil deslocados.

Sem comentários:

Enviar um comentário