Por LUSA
Os ataques aéreos em Beirute seguiram-se igualmente a um inédito aviso de retirada para a população no centro da capital libanesa, quando os alertas são habitualmente dirigidos a Dahieh, o reduto no subúrbio sul do grupo xiita Hezbollah e que também foi severamente bombardeado nas últimas horas.
Além disso, pelo menos 12 pessoas morreram e outras 28 ficaram feridas na madrugada de hoje, segundo o Ministério da Saúde do Líbano, num bombardeamento israelita a uma zona de praia em Beirute com uma grande concentração de deslocados, no pior ataque contra a cidade desde o início da ofensiva de Israel, há mais de dez dias.
Ao longo do dia, Israel lançou mais bombardeamentos em Beirute e atingiu um edifício no centro da capital que já tinha sido evacuado no seguimento dos avisos israelitas.
O edifício, localizado a apenas 600 metros da icónica Mesquita Mohammad al-Amin, foi atingido três vezes num curto espaço de tempo.
As operações israelitas surgem após o maior ataque aéreo do Hezbollah contra o norte de Israel desde o agravamento das hostilidades entre as partes, no seguimento da ofensiva israelo-americana desencadeada em 28 de fevereiro no Irão, aliado do grupo xiita libanês.
Na quarta-feira, o Hezbollah disparou, em coordenação com o Irão, 200 projéteis e 20 drones no norte de Israel, segundo o porta-voz do exército, Nadav Shoshani.
"Foi o maior bombardeamento do Hezbollah (...). Utilizou uma combinação de 'rockets', veículos aéreos não tripulados e diferentes tipos de mísseis, como mísseis antitanque e lança-foguetes", indicou Shoshani à imprensa estrangeira.
Já hoje, as forças israelitas alargaram o perímetro no sul do Líbano com aviso de retirada para a população, estendendo-o até ao rio Zahrani.
"Para sua segurança, solicitamos a todos os residentes localizados a sul do rio Zahrani que se retirem das suas casas imediatamente", segundo o aviso divulgado.
O rio Zahrani está situado entre 10 e 15 quilómetros a norte do rio Litani, que era o limite do alerta de deslocação anterior e também da zona-tampão sob supervisão da missão de paz da ONU (FINUL) e do exército libanês, supostamente vedada tanto às tropas de Israel como às milícias do Hezbollah.
Deste o reatamento do conflito aberto entre Israel e o grupo libanês, as tropas israelitas alargaram as posições terrestres no sul do país que já ocupavam no conflito anterior, apesar do cessar-fogo em vigor desde novembro de 2024 que nunca interrompeu as hostilidades por completo.
Os militares de Israel justificaram o alargamento da área de retirada, associado à progressão das suas forças terrestres, com as atividades militares do Hezbollah na região.
Na manhã de hoje, Israel deslocou a Brigada Golani, uma conhecida unidade de infantaria, da Faixa de Gaza e áreas adjacentes para a fronteira com o Líbano, antecipando um aumento das operações no país vizinho.
Esta movimentação coincide com a ordem do ministro da Defesa, Israel Katz, às forças armadas para se prepararem para "expandir as atividades" no Líbano, como medida para "restaurar a paz e a segurança" nas comunidades fronteiriças.
O ministro ameaçou ainda ocupar o território libanês caso as autoridades de Beirute não impeçam o Hezbollah de atacar Israel.
O Governo libanês proibiu na semana passada as atividades militares do Hezbollah, após uma campanha de recolha de armas, medidas contestadas pelo grupo xiita que as vê como cedências a Israel e Estados Unidos.
Segundo dados oficiais, 687 pessoas morreram, entre as quais 98 crianças, e 1.774 ficaram feridas no Líbano desde o início do mês, a que se somam cerca de 800 mil deslocados.

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