sexta-feira, 27 de março de 2026

Teerão promete fazer pagar "preço elevado" por ataques na energia... O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano prometeu que Teerão vai cobrar "um preço elevado" pelos "crimes israelitas", referindo-se aos ataques aéreos de hoje a siderurgias e instalações nucleares civis iranianas.

Por LUSA 

"Israel atacou duas das mais importantes siderurgias do Irão, uma central elétrica e instalações nucleares civis, entre outras infraestruturas, em coordenação com os Estados Unidos", declarou Abbas Araghchi.

A Guarda Revolucionária, exército ideológico da República Islâmica, também reagiu aos bombardeamentos, instando os responsáveis de instalações industriais da região do Médio Oriente ligadas aos Estados Unidos e a Israel a evacuarem esses locais, porque o Irão vai retaliar.

Por seu lado, o diretor-geral da Agência Internacional da Energia Atómica (AIEA), Rafael Grossi, reiterou o "apelo para a contenção militar, para evitar qualquer risco de acidente" no Irão, após os ataques israelitas e norte-americanos a instalações nucleares.

"A AIEA foi informada pelo Irão" de um ataque contra a central de Arkadan, na província de Yadz, no centro do país, declarou a agência especializada da ONU nas redes sociais.

"Não foi registado qualquer aumento nos níveis de radiação fora da central", acrescentou.

O ataque aéreo à unidade de processamento de urânio de Ardakan foi inicialmente anunciado pela Organização Iraniana de Energia Atómica e logo confirmado pelo Exército israelita.

As forças israelitas "atacaram a única instalação deste tipo no Irão utilizada para produzir materiais necessários ao processo de enriquecimento de urânio", indicou o Exército num comunicado, acrescentando que Israel "não permitirá" que o Irão "avance com o programa de armas nucleares".

O complexo de processamento de água pesada de Khondab (novo nome do reator de Arak), situado a duas horas da capital, foi também "alvo de um ataque, em duas fases, orquestrado pelo inimigo norte-americano e sionista", informou a agência de notícias Fars, citando uma fonte local.

Foram igualmente bombardeados dois importantes complexos siderúrgicos iranianos, na região de Isfahan, no centro do Irão, e na província de Cuzistão, no sudoeste.

Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar ao Irão, que justificaram com a inflexibilidade da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, que afirma destinar-se apenas a fins civis.

Em retaliação, o Irão encerrou o estreito de Ormuz e lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e infraestruturas civis em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Jordânia, Omã e Iraque.

Desde o início do conflito, as autoridades iranianas contabilizaram pelo menos 1.332 mortos e mais de 10.000 feridos, mas não atualizaram o balanço oficial nos últimos dias.

A organização não-governamental HRANA (Human Rights Activists News Agency), com sede nos Estados Unidos, situa o número total de vítimas mortais no Irão em pelo menos 3.329, entre as quais 1.492 civis.


Leia Também: EUA acreditam em fim do conflito dentro de "2 semanas". O essencial

O chefe da diplomacia norte-americana disse esperar que o conflito com o Irão termine dentro de duas semanas, enquanto o G7 apelou para o "fim imediato dos ataques contra população e infraestruturas civis" no Médio Oriente.

Ex-ministro diz que Lula "está abusando do direito de falar besteira"... O ex-ministro Geddel Vieira da Lima criticou o presidente brasileiro, Lula da Silva, considerando que "está abusando do direito de falar besteira" em relação às suas declarações sobre gastos com cães no Brasil e na China.

Por LUSA 

O ex-ministro da Integração Nacional do Brasil, Geddel Vieira da Lima, afirmou esta sexta-feira que o presidente do país, Lula da Silva, "abusa do direito de falar besteira".

Geddel Vieira da Lima foi ministro entre 2007 e 2010, durante o segundo mandato de Lula da Silva. Ainda assim, o presidente brasileiro foi criticado pelas suas recentes declarações sobre a presença de cães na China. 

Para o ex-ministro, citado pelo jornal brasileiro Metrópoles, Lula "está abusando do direito de falar besteira".

Em causa está o facto de Lula da Silva ter abordado os gastos que os brasileiros têm com animais de estimação, sobretudo cães, durante uma visita a uma fábrica, em que estava presente o presidente do conselho da empresa chinesa Changan, Zhu Huarong. 

"Meu caro Zhu, na China não deve ter esse problema, mas aqui no Brasil nós gostamos muito de cachorro", disse Lula da Silva.

Sublinhe-se que o consumo de carne de cão na China tem raízes históricas antigas, associadas sobretudo a períodos de escassez alimentar. No entanto, trata-se de uma prática regional e minoritária.

União Africana recusa apoiar candidatura de Macky Sall à chefia da ONU... A candidatura do ex-Presidente senegalês Macky Sall ao cargo de secretário-geral das Nações Unidas para substituir António Guterres foi recusada pela União Africana (UA), depois de ser rejeitada por 20 dos 55 Estados-membros da organização.

Por LUSA 

Segundo a agência France-Presse (AFP), um total de 20 Estados-membros da UA, cujos nomes não foram comunicados, opuseram-se à candidatura de Sall, que liderou o Senegal de 2012 a 2024 e que não é apoiado pelo seu país. A candidatura de Sall tinha sido proposta pelo Burundi, que ocupa a presidência rotativa da UA.

O projeto de decisão que apoiava a candidatura de Sall, submetido aos Estados-membros segundo o procedimento de "aprovação tácita", não deveria suscitar objeções de mais de um terço dos 55 países pertencentes à organização continental.

"Em consequência, o projeto de decisão relativo à candidatura ao cargo de secretário-geral da ONU de Macky Sall, antigo Presidente da República do Senegal, não foi adotado", indicou a organização pan-africana.

As atuais autoridades do Senegal, eleitas em 2024 - o Presidente, Bassirou Diomaye Faye, e o seu primeiro-ministro, Ousmane Sonko -, acusam os antigos dirigentes, a começar por Macky Sall, de atos culposos na gestão deste país vizinho da Guiné-Bissau.

A ONU enviou em novembro uma carta aos Estados-membros para que propusessem candidatos ao cargo de secretário-geral.

O próximo chefe das Nações Unidas iniciará o seu mandato a 01 de janeiro de 2027, sucedendo ao antigo primeiro-ministro de Portugal António Guterres.

Cada candidato deve ser apresentado oficialmente por um Estado ou por um grupo de Estados, mas não necessariamente pelo seu país de origem.

Segundo uma tradição de rotação geográfica, nem sempre seguida, o cargo é desta vez reivindicado pela América Latina.

Numerosos Estados defendem igualmente que uma mulher ocupe, pela primeira vez, este cargo.

A antiga presidente chilena Michelle Bachelet, o chefe da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) Rafael Grossi e a antiga vice-presidente da Costa Rica Rebeca Grynspan são candidatos ao cargo de secretário-geral.

A diplomata argentina Virginia Gamba, cuja candidatura havia sido apresentada pelas Maldivas, acabou por ser eliminada da corrida ao cargo, anunciou quinta-feira a porta-voz da Assembleia-Geral da organização.

A candidatura da ex-representante especial da ONU para a proteção de crianças em conflitos armados foi anunciada em meados de março, mas as Maldivas informaram a ONU "da sua decisão de retirar a nomeação", disse La Neice Collins à comunicação social.

Como a candidatura foi apresentada apenas por um Estado, ficou automaticamente invalidada.

Escassez de combustível em postos de abastecimento e restrições em África... A guerra no Médio Oriente está a obrigar muitos países africanos, do Quénia à África do Sul ou Egipto, a tomarem medidas face à escassez de combustível e condutores a passarem horas em filas para atestarem os veículos.

Por LUSA 

O Quénia é um exemplo do impacto que os ataques lançados por Israel e os Estados Unidos da América contra o Irão está a ter em África, principalmente depois da interrupção - uma retaliação de Teerão - do tráfego no Estreito de Ormuz, via de escoamento para o petróleo do Golfo Pérsico, por onde passa 20% da produção mundial e 70% do gasóleo que alimenta, por exemplo, a aviação em África.

Desde a semana passada, ficámos vários dias sem gasolina e gasóleo, o que nunca nos tinha acontecido antes", disse à agência espanhola de notícias, a Efe, a gerente de um posto de abastecimento na zona industrial de Nairobi.

Apesar de ter grandes países produtores de petróleo, como Nigéria ou Angola, o continente compra cerca de 70% das suas necessidades aos países do Golfo Pérsico, que aprofundaram os laços comerciais com o continente nos últimos anos, investindo em setores como a logística ou a energia, muitas vezes com acordos que implicavam a compra de petróleo a estes países.

Para além da tradicional vulnerabilidade às flutuações dos preços do petróleo, com impactos a nível das finanças públicas, os países africanos enfrentam também uma forte dependência das importações de gasóleo, devido à baixa capacidade de refinação, muito abaixo das necessidades energéticas.

"O primeiro grande impacto nos consumidores africanos é o aumento nos preços da gasolina em países como a África do Sul, o Zimbabué ou os Camarões", explicou o presidente executivo da Câmara Africana de Energia (AEC), NJ Ayuk.

O líder desta entidade vocacionada para promover o investimento energético em África terá na mente exemplos como os da África do Sul, onde as perdas para as empresas que vendem combustível subiram de 17 cêntimos para 30 cêntimos por litro, ou na Nigéria, onde os preços subiram aos 80 cêntimos, face aos 50 cobrados antes da guerra, de acordo com a agência francesa de notícias, a France-Presse (AFP).

Mesmo com a subida de preços, os consumidores não encontram alternativas, o que já obrigou alguns governos a tomarem medidas como a limitação do horário de abertura de centros comerciais, bares, cafés e restaurantes.

No Egito, o governo decretou hoje o fecho destes estabelecimentos a partir das 21 horas e pondera impor dias de teletrabalho para os funcionários públicos a fim de evitar consumos de combustível, para além de ter tomado mais medidas para controlar os gastos de energia.

O objetivo é conseguir limitar a utilização do petróleo enquanto ainda há reservas, algo que preocupa também o vice-presidente da Associação de Petroleiros da República Democrática do Congo, que disse que receia "esgotar as reservas sem conseguir renová-las".

O Sudão do Sul começou a racionar eletricidade na capital, Juba, o Zimbábue está a aumentar o teor de etanol na sua gasolina e nas Maurícias o governo impôs restrições para reduzir o desperdício, especialmente em áreas de alto consumo de energia.

Ereneo Mogga, um engenheiro elétrico que vive numa das áreas mais afetadas de Juba, disse à BBC que a energia frequentemente é cortada às 16:00 e não volta até às 04:00 do dia seguinte.

"Isso paralisa a maioria dos negócios", disse, acrescentando que alguns daqueles que podem pagar estão mudando para energia solar.

O Sudão do Sul possui algumas das maiores reservas de petróleo da África Oriental, mas a maior parte é exportada, e importa o produto refinado necessário para combustível. De acordo com a Agência Internacional de Energia, o Sudão do Sul gera 96% da sua eletricidade a partir do petróleo.

Atacada central de processamento de urânio no Irão... A Organização de Energia Atómica Iraniana denunciou hoje ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel a uma central de processamento de urânio no centro do Irão.

Por  LUSA 

A central de Ardakan, localizada na província de Yazd, "foi alvo de um ataque realizado há poucos minutos pelo inimigo norte-americano-sionista", escreveu a organização na plataforma digital Telegram.

De acordo com a organização da República Islâmica, o ataque "não causou qualquer libertação de materiais radioativos".


Leia Também: Rubio prevê fim da guerra em "duas semanas" sem tropas no terreno

O secretário de Estado norte-americano disse hoje que espera o fim do conflito com Irão "nas próximas duas semanas" e que acredita no cumprimento dos objetivos de guerra sem operações terrestres na República Islâmica.

Israel vai intensificar ataques e quer continuar a matar responsáveis... Israel avisou hoje que o seu exército vai "intensificar e expandir" os ataques contra o Irão e ameaçou continuar a assassinar altos responsáveis iranianos, no contexto da ofensiva conjunta com os Estados Unidos, iniciada a 28 de fevereiro.

© Lusa   27/03/2026 

"Os ataques das Forças de Defesa de Israel (FDI) contra alvos militares e de segurança do Irão continuam sem descanso", afirmou o ministro da Defesa israelita, Israel Katz. 

Katz acrescentou que Israel "advertiu o regime terrorista iraniano" contra o disparo de mísseis contra a população civil israelita.

"Apesar dos avisos, os disparos continuam, pelo que os ataques das FDI se intensificarão e expandirão para alvos e áreas adicionais que ajudam o regime a fabricar e operar armas contra cidadãos israelitas", declarou, antes de sublinhar que Israel continuará a assassinar "líderes do regime terrorista e os seus comandantes, bem como a destruir as suas capacidades estratégicas".

Katz sublinhou que as autoridades iranianas "pagarão um preço elevado e crescente" pelos seus "crimes de guerra" em Israel. 

"A frente interna em Israel e as FDI são fortes e continuaremos a operar no Irão com todo o nosso poderio até que todos os objetivos da guerra sejam alcançados", concluiu, segundo um comunicado divulgado pelo seu gabinete.

As autoridades iranianas confirmaram no seu último balanço mais de 1.500 mortos na ofensiva de Israel e dos Estados Unidos, entre os quais figuras de destaque como o líder supremo, o aiatola Ali Khamenei, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani, e os ministros da Defesa e da Inteligência, Aziz Nasirzadeh e Esmaeil Khatib, respetivamente, bem como altos responsáveis das Forças Armadas e de outros organismos de segurança.

A ofensiva foi lançada no meio de um processo de negociações entre os Estados Unidos e o Irão para tentar alcançar um novo acordo nuclear, o que levou Teerão a responder com ataques contra território israelita e interesses norte-americanos na região do Médio Oriente, incluindo bases militares.


Leia Também: Irão volta a ameaçar navios que tentem atravessar estreito de Ormuz

A Guarda Revolucionária do Irão reiterou hoje que o estreito de Ormuz continua fechado e ameaçou que qualquer embarcação que atravesse esta rota vital "enfrentará consequências graves".

Portugal aumentou capacidade de processamento e emissão de vistos em Cabo Verde... Os serviços consulares da embaixada de Portugal em Cabo Verde aumentaram a capacidade de processamento e receberam mais 62% de pedidos de vistos (Schengen e nacionais) em 2025 face a 2023, ano dos últimos dados da Lusa.

© Lusa   27/03/2026 

Houve um "aumento enorme da capacidade de processamento", referiu fonte da representação diplomática, numa alusão a reforços de pessoal, de recursos e reformas de gestão.

O incremento é visto como "um sucesso" no combate ao açambarcamento de vagas, motivo recorrente de queixas de quem procura vistos, mas não consegue agendamentos.

Além dos vistos nacionais, Portugal gere o Centro Comum de Vistos (CCV), na capital cabo-verdiana, onde são emitidos os vistos Schengen até 90 dias para vários países europeus.

A emissão destas autorizações de curta duração, em 2025, cresceu 58,3% em relação às 11.600 emitidas em 2023, superando agora as 18.000.

Segundo a mesma fonte, trata-se de "um aumento muito grande de mobilidade não relacionada com emigração", uma vez que o visto Schengen não permite residência e as regras ficaram mais apertadas (com o fim da "manifestação de interesse") para quem não respeitar o prazo fixado no passaporte.

Por outro lado, a possibilidade de alargamento progressivo do prazo de validade destes vistos "tem sido cada vez mais utilizada", quando um requerente volta a pedir autorização de entrada, acrescentou.

O crescimento da mobilidade Schengen coincide também com a expansão de companhias e rotas aéreas entre diferentes ilhas cabo-verdianas, Portugal e o resto da Europa.

Por outro lado, os serviços consulares da embaixada portuguesa em Cabo Verde emitiram 6.894 vistos com fins laborais durante o ano de 2025, um crescimento de 9% face aos 6.319 vistos atribuídos em 2023.

Na altura, os vistos atribuídos tinham quadruplicado em relação a 2022 e a maioria (quase 4.000) eram destinados à procura de trabalho, modalidade que deixou de existir, sendo residual nos números de 2025.

Os vistos agora atribuídos baseiam-se em contratos de trabalho verificados pelos serviços consulares.

Seja qual for o pedido de visto, o apelo dos serviços mantém-se: os interessados devem contactar a embaixada de Portugal sempre que tiverem dificuldades no agendamento, em vez de recorrerem a terceiros -- o agendamento não tem custos para vistos Schengen e, no caso de vistos para Portugal, aplica-se uma taxa (através da empresa VFS Global) no valor de 4.400 escudos (cerca de 40 euros).

As autoridades cabo-verdianas têm realizado detenções, desde 2024, após denúncias relacionadas com burlas e redes que açambarcam vagas em processos de agendamento de vistos, exigindo depois diferentes valores pelas marcações.

As questões migratórias têm motivado debate, em Cabo Verde.

Uma das principais associações de empresários do arquipélago alertou para a crise de mão-de-obra nalguns setores de atividade.

Marcos Rodrigues, presidente da Câmara de Comércio Indústria e Serviços de Sotavento, disse em fevereiro, à Lusa, que Cabo Verde deve deixar claro que compreende as necessidades de Portugal, "mas não pode ser à custa de pressão" sobre o mercado interno.

Um mês depois conflito mostra imprevisibilidade e risco global crescente... Um mês depois do início do conflito militar no Golfo, a guerra permanece longe do rápido desfecho antecipado pelo Presidente norte-americano e ameaça a estabilidade regional e a economia global.

Por LUSA 

Fontes militares e analistas sublinharam que, apesar da "inegável superioridade operacional" das forças norte-americanas, Washington parece ter sido apanhado desprevenido pela resiliência iraniana, nomeadamente no uso de mísseis balísticos e redes regionais de influência.

A realidade no terreno na ofensiva de Israel e dos Estados Unidos contra o Irão, marcada por avanços táticos, recuos estratégicos e uma elevada imprevisibilidade, tem contrariado a previsão inicial de Donald Trump, expondo a complexidade de um conflito que rapidamente extravasou o quadro de uma operação militar limitada.

Logo nas primeiras horas da operação Fúria Épica, em 28 de fevereiro, forças norte-americanas e israelitas realizaram cerca de 900 ataques aéreos em 12 horas, atingindo sistemas de defesa, bases de mísseis e centros de comando em todo o Irão, numa ofensiva que incluiu bombardeiros estratégicos e cerca de 200 caças israelitas.

Entre os alvos esteve a liderança iraniana, com Washington e Telavive primeiro, e Teerão posteriormente, a confirmarem a morte do líder supremo Ali Khamenei, num ataque de "decapitação" que marcou o ponto de viragem inicial do conflito.

A resposta iraniana foi imediata e significativa: cerca de 170 mísseis balísticos foram lançados contra Israel e contra bases norte-americanas no Golfo, atingindo infraestruturas no Bahrein e áreas urbanas como Haifa e Telavive.

Nos dias seguintes, Teerão intensificou o uso combinado de mísseis e drones, numa estratégia de desgaste que visou não apenas alvos militares, mas também a disrupção logística e energética da região.

Rapidamente, o conflito assumiu contornos particularmente sensíveis com a extensão das operações iranianas a países vizinhos que acolhem bases ou interesses norte-americanos, alimentando receios de um alargamento do teatro de guerra.

Apesar de ataques pontuais contra alvos ligados aos Estados Unidos em territórios como Qatar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, estes países têm mantido uma postura de contenção, evitando uma escalada direta que podia desencadear um conflito regional de maiores dimensões.

A partir da segunda semana, o conflito expandiu-se de forma mais visível ao Líbano, com o movimento xiita Hezbollah, apoiado por Teerão, a lançar foguetes e drones contra o norte de Israel e este a responder com bombardeamentos intensos e, posteriormente, com operações terrestres no sul libanês.

Trump tem criticado repetidamente os aliados, em particular os países-membros da NATO, por não contribuírem de forma mais ativa para garantir a segurança da navegação no estreito de Ormuz, alegando que a Europa precisa mais daquela passagem do que os EUA.

O bloqueio de Ormuz tem provocado perturbações significativas nos mercados energéticos globais, com reflexos diretos nos preços do petróleo e do gás, alimentando receios de uma nova crise energética com impacto na economia mundial.

No plano diplomático, a ONU tem reiterado apelos para um cessar-fogo imediato, enquanto líderes europeus e a NATO defendem uma solução negociada que evite uma escalada irreversível.

No que respeita ao balanço humano, as estimativas disponíveis --- com forte variação consoante as fontes --- apontam para vários milhares de mortes na região ao fim de um mês de combates.

No Líbano, o Ministério da Saúde do Líbano anunciou que os ataques israelitas fizeram 1.094 mortos desde o início da guerra, mais de 3.000 feridos e mais de um milhão de deslocados.

Do lado norte-americano, fontes militares apontam para pelo menos 13 militares mortos e cerca de 150 feridos; em Israel, as autoridades têm sido reservadas, mas admitem várias vítimas entre militares e civis, sobretudo na sequência de ataques com mísseis e drones iranianos e de confrontos diretos com o Hezbollah no norte do país.

Já no Irão, além das baixas militares - estimadas em mais de mil apenas na primeira semana - o número de civis mortos tem aumentado, particularmente em resultado de ataques a infraestruturas em zonas urbanas.

Nos últimos dias, Trump tem referido a existência de contactos diplomáticos com o Irão, afirmando que "as discussões continuam e são produtivas" e, embora estas declarações tenham sido negadas pelas autoridades iranianas.

Ainda na quinta-feira, o enviado norte-americano Steve Witkoff falava em "fortes indícios" da possibilidade de uma solução de paz a curto prazo, com a mediação das autoridades do Paquistão.

Nos últimos dias, Teerão admitiu trocas indiretas de mensagens, mas rejeitou um plano de paz de 15 pontos proposto pelos Estados Unidos, o que mantém o impasse, com novas ameaças de escalada de todas as partes.

A questão central permanece em aberto: como sair de uma guerra que, apesar de inicialmente concebida como rápida e cirúrgica, se transformou num teste prolongado à capacidade de gestão estratégica de Washington, Telavive e Teerão.

Ataques de drones ucranianos atrasam mais de 50 voos na Rússia... Ataques de drones lançados pela Ucrânia contra território russo obrigaram as autoridades de aviação russas a atrasar hoje mais de 50 voos, principalmente nos aeroportos de São Petersburgo e Kaliningrado.

© Sergei Mikhailichenko/SOPA Images/LightRocket via Getty Images    Por  LUSA  27/03/2026 

De acordo com um comunicado do Aeroporto de Pulkovo, na antiga capital imperial, 43 voos sofreram atrasos superiores a duas horas e 23 foram cancelados.

Outros 23 voos foram desviados para aeroportos alternativos, informou o aeroporto.

Entretanto, 11 voos foram atrasados no Aeroporto de Kaliningrado, segundo o 'site' oficial do terminal.

No total, segundo o Ministério da Defesa russo, 85 drones de asa fixa foram "intercetados e destruídos" sobre nove regiões russas e o Mar Negro.


Leia Também: Principal porto do Kuwait atingido por ataque de drones

O principal porto comercial do Kuwait foi hoje alvo de um ataque com drones inimigos, anunciaram as autoridades portuárias locais, esclarecendo que a infraestrutura de Shuwaikh teve somente danos materiais, sem quaisquer vítimas, em comunicado na rede social X.

China adverte para riscos de ataque a instalações nucleares... O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, afirmou que atacar instalações nucleares no Médio Oriente "teria consequências incalculáveis" e mergulharia a região na miséria, numa reunião com o diretor-geral da Agência Internacional da Energia Atómica (AIEA).

© Kevin Frayer/Getty Images    Por  LUSA   27/03/2026 

"Devemos impedir que o confronto se intensifique (...). Só um cessar-fogo imediato e o reinício do diálogo e da negociação podem eliminar verdadeiramente as causas do conflito [entre o Irão e os EUA e Israel]", afirmou na quinta-feira o chefe da diplomacia chinesa, que recebeu Rafael Grossi na quinta-feira, de acordo com um comunicado do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês. 

O ministro salientou que a AIEA desempenha "um papel vital na governação nuclear mundial", manifestou o desejo do seu país de reforçar a cooperação com a agência para salvaguardar o regime internacional de não proliferação e reiterou o desejo da China de fortalecer a ONU.

De acordo com o comunicado oficial, Grossi apelou para que todos os países colaborem para enfrentar os "preocupantes" desafios atuais e assegurou que a AIEA está disposta a aprofundar a comunicação e a cooperação com a China "para resolver as questões críticas pertinentes e promover a utilização pacífica da energia nuclear".

Esta semana, Grossi afirmou numa entrevista concedida ao jornal italiano Corriere della Sera que poderão realizar-se em Islamabade (Paquistão), este fim de semana, novas conversações entre delegações do Irão e dos Estados Unidos, nas quais Washington poderá exigir o "enriquecimento zero" por parte de Teerão como condição para o acordo.

O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês intensificou esta semana os contactos com os homólogos de outras potências e do Médio Oriente, com quem já falara quando o conflito teve início no final de fevereiro, na sequência dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, aos quais Teerão respondeu com o lançamento de mísseis e veículos aéreos não tripulados ("drones") contra Israel e alvos estratégicos no Golfo, além de manter bloqueado o estreito de Ormuz, por onde transita um quinto do abastecimento mundial de petróleo bruto.

Perante a crise, Pequim enviou o enviado especial para o Médio Oriente, Zhai Jun, numa visita a vários países da região, onde manteve contactos com representantes da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos, do Bahrein, do Kuwait, do Qatar e do Egito, bem como com o Conselho de Cooperação do Golfo e a Liga Árabe.


Leia Também: Xi felicita Kim Jong-un pela reeleição como chefe de Estado da Coreia do Norte

O Presidente chinês felicitou hoje o líder norte-coreano, Kim Jong-un, pela reeleição à frente do Comité de Assuntos de Estado, o cargo mais alto do principal órgão de orientação política do país, informou a imprensa estatal.

Assinatura de Trump vai passar a aparecer nas notas de 100 dólares... A assinatura do presidente dos Estados Unidos da América (EUA) aparecerá pela primeira vez nas futuras notas de dólares norte-americanos, anunciou esta sexta-feira o Departamento do Tesouro dos EUA.

Por  sicnoticias.pt

"Em homenagem ao 250.º aniversário dos Estados Unidos da América, a assinatura do presidente Donald Trump passará a aparecer nas futuras notas de papel-moeda dos EUA juntamente com a do Secretário do Tesouro", revelou o Departamento do Tesouro dos EUA, em comunicado.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse, citado em comunicado, que as notas de dólares com o nome de Donald Trump são a forma mais "poderosa de reconhecer as conquistas históricas" dos Estados Unidos e do atual presidente norte-americano.

As primeiras notas de 100 dólares com a nova assinatura serão impressas em junho, de acordo com a agência de notícias francesa Agence France-Press (AFP).

Segundo a mesma fonte, a medida será depois alargada a outras denominações.

Desde 1861 que apenas as assinaturas do Secretário do Tesouro e do Tesoureiro dos EUA apareciam nas notas de dólares.

O anúncio sobre a presença do nome do presidente dos Estados Unidos nas notas de dólares norte-americanos faz parte de uma série de decisões que visam colocar a assinatura de Donald Trump em vários edifícios e símbolos dos EUA, segundo a AFP.

No dia 19 de março, uma comissão federal de belas-artes (cujos membros foram todos nomeados por Donald Trump) aprovou a cunhagem de uma moeda de ouro comemorativa com a imagem do presidente dos EUA.

Vários edifícios públicos já foram renomeados em homenagem a Donald Trump desde o seu regresso à Casa Branca, no ano passado, como a instituição cultural de renome em Washington, o Kennedy Center.

Na Florida, onde fica a residência privada do presidente dos EUA, foi aprovada uma lei que alterará o nome do Aeroporto Internacional de Palm Beach em homenagem a Donald Trump.


Leia Também: Pentágono pondera enviar mais 10.000 soldados para o Golfo Pérsico

O Pentágono está a considerar a possibilidade de enviar mais 10 mil soldados para o Médio Oriente, incluindo tropas terrestres, de acordo com notícia avançada na quinta-feira pelo The Wall Street Journal.

Irão lança novos ataques contra Israel e alvos dos EUA no Golfo Pérsico... O Irão anunciou hoje uma nova vaga de ataques contra Israel e alvos norte-americanos em países do Golfo Pérsico, tendo explosões sido ouvidas também no sul de Beirute, com a comunicação social a noticiar ataques israelitas.

© Lusa   27/03/2026 

A Guarda Revolucionária iraniana publicou um comunicado, divulgado pela agência Fars, no qual detalhou os alvos da 83.ª vaga de bombardeamentos, desta vez dirigida contra a localidade israelita de Modiin e os depósitos de petróleo de Ashdod, uma das maiores refinarias de Israel, bem como as bases militares de Al Dafra (Emirados Árabes Unidos), Al Adairi e Ali Al Salem (Kuwait) e Sheikh Isa (Bahrein).

As Forças de Defesa de Israel (FDI) identificaram, por sua vez, pelo menos duas salvas de mísseis sobre o país, que não causaram feridos nem vítimas, de acordo com serviços de emergência israelitas.

O Exército do Kuwait afirmou ter intercetado drones, tal como o Ministério da Defesa da Arábia Saudita.

Os ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, iniciados no passado dia 28 de fevereiro, provocaram a resposta de Teerão sob a forma de lançamentos constantes de mísseis sobre Israel e bases militares norte-americanas no Golfo.

Entretanto, explosões foram ouvidas no sul de Beirute nas primeiras horas de hoje, de acordo com jornalistas da agência France-Presse (AFP), com os meios de comunicação locais a noticiarem ataques israelitas.

Imagens da AFP mostraram fumo a subir dos subúrbios a sul da capital libanesa, considerada por Israel como um reduto do movimento pró-Irão Hezbollah. Não se sabe para já se o ataque causou vítimas.

Esta zona tem sido alvo de ataques regulares desde que o Líbano foi arrastado para a guerra no Médio Oriente, em 02 de março.

O exército israelita não emitiu qualquer aviso ou pedido de evacuação prévia na zona atingida pelo ataque.

Normalmente densamente povoada, esta área ficou praticamente deserta desde o início das hostilidades.

O Líbano foi arrastado para a guerra no início de março, quando o Hezbollah, apoiado por Teerão, começou a disparar foguetes contra Israel para vingar o assassínio do líder supremo iraniano Ali Khamenei, morto no primeiro dia da ofensiva americano-israelita no Irão.

Enquanto Israel manifesta determinação em intensificar a campanha militar contra o movimento islamista, este último reivindicou uma série de ataques contra as tropas israelitas que estão a realizar uma incursão terrestre no sul do Líbano.

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou na quarta-feira que Israel estava a alargar uma "zona tampão" no Líbano para "afastar a ameaça dos mísseis" do Hezbollah.

O movimento declarou que combatentes continuavam hoje os ataques contra as tropas israelitas no sul do Líbano.

Na quinta-feira, meios de comunicação oficiais noticiaram ataques mortíferos de Israel em várias zonas do sul do país. O Hezbollah reivindicou mais de 90 ataques contra alvos israelitas no interior do Líbano e do outro lado da fronteira.

Por seu lado, o exército israelita declarou na quinta-feira que dois soldados foram mortos no sul do Líbano, enquanto os serviços de emergência israelitas indicaram que um foguete disparado a partir do Líbano matou um homem na região de Nahariya, no norte de Israel.

De acordo com as autoridades libanesas, os ataques israelitas realizados desde 02 de março causaram pelo menos 1.116 mortos, incluindo 121 crianças, e mais de um milhão de pessoas foram deslocadas.


Leia Também: Israel lança novos ataques contra Teerão

O exército de Israel anunciou hoje novos ataques contra Teerão, capital do Irão, quando se aproxima o primeiro mês de guerra entre os dois países.

quinta-feira, 26 de março de 2026

Á𝗨𝗦𝗧𝗥𝗜𝗔 𝗔𝗕𝗥𝗘 𝗣𝗘𝗟𝗔 𝗣𝗥𝗜𝗠𝗘𝗜𝗥𝗔 𝗩𝗘𝗭 𝗢 𝗖𝗢𝗡𝗦𝗨𝗟𝗔𝗗𝗢 𝗡𝗔 𝗚𝗨𝗜𝗡É-𝗕𝗜𝗦𝗦𝗔𝗨

CLIQUE AQUI PARA ASSISTIR AO VÍDEO

Alfredo Handem, que já desempenha funções de Cônsul Honorário da Suíça na Guiné-Bissau, foi nomeado para o mesmo cargo ao serviço da Áustria.

Esta é a primeira vez que a Áustria abre um consulado no país, marcando um passo que diz importante na cooperação entre os dois Estados.

A cerimónia de abertura foi marcada com a presença do enviado especial das autoridades austríacas, o antigo ministro da Defesa (Herbert Schneiber, e a Embaixadora do país para a África, residente no Senegal, Úrsula Fahringer.

A diplomata destacou que a abertura do consulado vem reforçar a cooperação entre a Áustria e a Guiné-Bissau, abrindo novas oportunidades para os dois países.

Rádio Jovem Bissau

França nega pressões e diz que optou por não convidar África do Sul para G7... A França garantiu hoje que o convite ao Quénia em vez de à África do Sul para a cimeira do G7 não resulta de qualquer pressão, mas sim de uma escolha, devido ao encontro Africa Forward, em maio.

© Michael Kappeler/picture alliance via Getty Images    Por  LUSA  26/03/2026 

"No que diz respeito ao G7, optámos por convidar o Quénia para Evian, tendo em conta o trabalho que estamos a realizar em conjunto para preparar a cimeira Africa Forward, em maio", disse o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Noël Barrot, numa conferência de imprensa citada pela agência de notícias France-Presse (AFP).

As declarações do chefe da diplomacia francesa surgem no mesmo dia em que a África do Sul criticou não ter sido convidada para o encontro, considerando que isso aconteceu devido a pressões dos Estados Unidos da América, país com quem a África do Sul tem tido relações tensas desde que Donald Trump é Presidente.

"Não cedemos a nenhuma pressão, mas fizemos uma escolha coerente com a nossa decisão de realizar um G7 restrito e focado em questões geoeconómicas", acrescentou o governante francês, concluindo: "Sempre contámos com a África do Sul e respeitamos o importante papel que desempenha nos assuntos internacionais".

O encontro Africa Forward, que se realiza em Nairobi em maio, deverá ter como tema central da agenda a resposta da Europa e de África à guerra no Médio Oriente, apesar de ter sido marcada antes do conflito, e está prevista a participação dos Presidentes de França e do Quénia.


Esta manhã, a África do Sul tinha confirmado que não iria à cimeira do grupo das sete nações mais industrializadas do mundo, que se realiza na cidade francesa de Evian, em junho.

"Ficámos a saber que, devido a pressões contínuas, a França teve de retirar o convite à África do Sul para participar no G7", declarou à AFP o porta-voz da Presidência sul-africana, Vincent Magwenya.

"Dizem-nos que os americanos ameaçaram boicotar a cimeira do G7 se a África do Sul fosse convidada", acrescentou.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, boicotou a cimeira do G20 organizada em Joanesburgo em novembro e, desde então, excluiu a África do Sul dos trabalhos do grupo, cuja presidência rotativa este ano é assegurada pelos Estados Unidos.

Foi o Presidente francês, Emmanuel Macron, durante a cimeira do G20 na África do Sul, que convidou pessoalmente Cyril Ramaphosa para participar na cimeira do G7, que decorrerá de 15 a 17 de junho em Evian, França, recorda Pretória.

Os trabalhos em cimeiras do grupo, formado por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido, e representação da União Europeia, são regularmente alargados a países convidados, como aconteceu este ano com o Brasil, com a Índia e com a Coreia do Sul.

A decisão de deixar de convidar o chefe de Estado sul-africano "não terá impacto na solidez e na estreita relação bilateral que mantemos com a França", referiu o porta-voz.

"A relação diplomática entre os Estados Unidos e a África do Sul existia antes da administração Trump e sobreviverá ao atual mandato da Casa Branca", acrescentou Vincent Magwenya, por isso "independentemente de todos estes desenvolvimentos, a África do Sul continua empenhada em manter um diálogo construtivo com os Estados Unidos".

As relações bilaterais dos Estados Unidos e da África do Sul encontram-se degradadas desde o regresso de Donald Trump à Casa Branca.

Os Estados Unidos criticam a África do Sul pela queixa de genocídio apresentada contra Israel perante a Justiça internacional, devido à guerra em Gaza, e por uma alegada perseguição dos 'afrikaners', descendentes de colonos europeus.

Teerão reduz idade mínima para integrar milícia Bassidj para 12 anos... As autoridades do Irão decidiram baixar para 12 anos a idade mínima exigida para integrar as milícias Bassidj, voluntários que patrulham as ruas do país, anunciou hoje um responsável iraniano num discurso transmitido pela televisão.

© Morteza Nikoubazl/NurPhoto via Getty Images    Por  LUSA   26/03/2026 

Esta medida justifica-se porque "todos desejam contribuir para a frente de resistência formada contra o tirano mundial [expressão utilizada pelo poder iraniano para designar os Estados Unidos]" e "temos um número muito elevado de voluntários entre os jovens", justificou Rahim Nadali, responsável por uma ala da Guarda Revolucionária em Teerão, que controla a força paramilitar voluntária. 

Desde o início da guerra em 28 de fevereiro, desencadeada por uma ofensiva militar de grande escala dos Estados Unidos e de Israel, as forças de segurança iranianas têm multiplicado os postos de controlo em Teerão, a fim de impedir qualquer manifestação contra a República Islâmica.

Esses controlos reforçados são conduzidos pelos Bassidj, a "força de mobilização" paramilitar composta por voluntários que se estimam em cerca de 600.000 em todo o país.

Segundo Nadali, "muitos jovens e adolescentes querem participar" nessas missões confiadas aos bassidjs, que consistem em "recolher dados de segurança e realizar patrulhas operacionais".

A milícia Bassidj foi criada em 1979 pelo antigo líder supremo, o 'ayatollah' Ruhollah Khomeini, e atua como uma unidade de segurança interna, focada na monitorização da moralidade pública e repressão de protestos.

O chefe desta força paramilitar, Gholamreza Soleimani, foi morto num ataque que matou também o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani, mortes que foram confirmadas por Teerão a 18 de março.

Na primeira semana do conflito, o exército israelita disse ter atingido um complexo militar em Teerão da milícia Bassidj, mas também bases da Guarda Revolucionária, nomeadamente da força de elite Qods, um ramo do exército ideológico da República Islâmica que é responsável pelas operações externas e auxilia a nível operativo e militar grupos apoiados pelo Irão, como o Hamas, na Faixa de Gaza, e o movimento xiita libanês Hezbollah.

Irão aplaude grande onda de ataques do Hezbollah "numa só noite"... O Irão aplaudiu hoje o lançamento pelo movimento xiita libanês Hezbollah de até 87 ataques "numa só noite" contra alvos do Exército israelita, em retaliação à ofensiva ao Líbano iniciada por Israel a 02 de março.

© Morteza Nikoubazl/NurPhoto via Getty Images     Por LUSA   26/03/2026 

"Antes do início da guerra, disse numa entrevista que o Hezbollah estava mais vivo que nunca; hoje, as operações-relâmpago e os contínuos ataques de elevada qualidade, que infligiram pesadas perdas aos meios e às forças do inimigo sionista, provam-no", afirmou o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, numa mensagem publicada nas redes sociais.

Qalibaf acrescentou ser por isso que "o Hezbollah é o orgulho do Islão".

"Saibam que vos espera um sem-fim de surpresas, portanto, ponham-se em guarda", afirmou, sem pormenorizar.

As autoridades libanesas elevaram o número de mortos para quase 1.100, em consequência da onda de bombardeamentos e operações terrestres lançadas por Israel em resposta aos disparos de foguetes pelo Hezbollah, em retaliação pelo assassínio do ex-líder supremo do Irão Ali Khamenei, durante a ofensiva conjunta lançada a 28 de fevereiro com os Estados Unidos contra a República Islâmica.

Israel já tinha efetuado nos últimos meses dezenas de ataques aéreos ao Líbano, apesar do cessar-fogo alcançado em novembro de 2024, argumentando que estava a atuar contra as atividades do Hezbollah, pelo que não estava a violar o acordo.

No entanto, tanto as autoridades libanesas como o movimento xiita libanês pró-iraniano denunciaram tais ações, também condenadas pela ONU.

Entretanto, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araqchi, afirmou que "os Estados Unidos apoiaram o bloqueio israelita" à Faixa de Gaza, "cortando a ajuda" humanitária sob o pretexto da segurança, ao mesmo tempo que "condenam o Irão por se defender no estreito de Ormuz".

"Dois pesos e duas medidas: os crimes de Israel são aceitáveis, ao passo que a defesa do Irão contra os agressores é condenada. O Direito Internacional não é um instrumento de conveniência", sublinhou o chefe da diplomacia da República Islâmica numa mensagem divulgada nas redes sociais.

Na quarta-feira, o Ministério da Saúde do Líbano anunciou que os ataques israelitas fizeram 1.094 mortos desde o início da guerra, mais de 3.000 feridos e mais de um milhão de deslocados, o que corresponde a mais de um sexto da população.

Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar ao Irão, que justificaram com a inflexibilidade da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do programa nuclear, que afirmou destinar-se apenas a fins civis.

Em retaliação, o Irão encerrou o estreito de Ormuz e lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e infraestruturas civis em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Jordânia, Omã e Iraque.

Desde o início do conflito, as autoridades iranianas contabilizaram pelo menos 1.332 mortos, incluindo Khamenei, entretanto substituído pelo seu segundo filho, Mojtaba Khamenei, e o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani - e mais de 10.000 feridos, mas não atualizaram o balanço oficial nos últimos dias.

A 23 de março, a organização não-governamental HRANA (Human Rights Activists News Agency), com sede nos Estados Unidos, situou o número total de vítimas mortais no Irão em pelo menos 3.268, entre as quais 1.443 civis, 1.167 militares e 658 pessoas cujo estatuto não foi precisado.


Leia Também: Kyiv e Riade assinam acordo sobre "proteção dos céus" contra Irão

O presidente ucraniano anunciou hoje ter chegado à Arábia Saudita, em que Kyiv espera concluir acordos para a venda de drones militares com vários países do Golfo.


UE acusa Rússia de "ajudar Irão a atacar" interesses norte-americanos... A chefe da diplomacia europeia acusou hoje a Rússia de fornecer informações militares ao Irão que estarão a ser usadas para atacar forças e interesses norte-americanos no Médio Oriente.

© Getty Images     Por  LUSA   26/03/2026 

"Estamos a ver que a Rússia está a ajudar o Irão com informações para visar americanos, para matar americanos", afirmou Kaja Kallas aos jornalistas, à margem de uma reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros do G7, em Cernay-la-Ville, perto de Paris.

A responsável europeia disse que Moscovo estará também a fornecer drones a Teerão, permitindo-lhe atacar países vizinhos e bases militares dos Estados Unidos na região.

Kallas defendeu que Washington deve aumentar a pressão sobre a Rússia, caso pretenda alcançar uma solução para o conflito no Médio Oriente.

"Se os Estados Unidos querem que a guerra termine, devem também pressionar a Rússia para que não possa ajudar o Irão nesse sentido", afirmou.

A alta representante da UE para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança considerou que os conflitos na Ucrânia e no Médio Oriente estão "muito interligados" e acusou Moscovo de aproveitar o atual contexto internacional para reforçar uma posição estratégica.

Kallas alertou que a subida dos preços do petróleo está a proporcionar novas receitas à Rússia, facilitando o financiamento da guerra na Ucrânia.

No mesmo contexto, a UE admitiu reforçar a presença no Médio Oriente, nomeadamente através da expansão de missões navais como a operação Aspides, atualmente centrada no mar Vermelho.

A situação no Líbano foi também abordada, com Bruxelas a destacar o impacto humanitário do conflito entre Israel e o movimento xiita pró-iraniano Hezbollah, que já terá provocado mais de um milhão de deslocados.

Kallas reiterou a necessidade de apoiar o Governo libanês nos esforços para o desarmamento do Hezbollah e defendeu uma resposta internacional coordenada para evitar uma escalada regional.

A reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros do grupo dos sete países mais industrializados do mundo (Alemanha, Canadá, França, Itália, Japão e Reino Unido) prossegue na sexta-feira com a presença do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: Validados 118 novos planetas fora do sistema solar com IA... Uma nova ferramenta de inteligência artificial ajudou uma equipa de astrónomos a validar 118 novos exoplanetas (planetas fora do sistema solar), noticiou na quarta-feira a agência de notícias espanhola EFE.

© Shutterstock   Por LUSA  26/03/2026 

"Conseguimos validar 118 novos planetas e mais de 2.000 candidatos a planetas de alta qualidade, quase 1.000 deles totalmente novos", disse a líder da pesquisa, Marina Lafarga Magro, investigadora na Universidade de Warwick, no Reino Unido, citada na notícia da EFE.

A nova ferramenta de inteligência artificial "Raven" analisa os dados do Satélite de Rastreio de Exoplanetas em Trânsito (sigla em inglês, TESS) da agência espacial norte-americana NASA.

De seguida, o sistema Raven determina se as variações na luz das estrelas (sinais) são causadas por planetas ou por outros fenómenos.

Segundo a pesquisa, dos 118 planetas validados, 31 foram detetados recentemente, sendo que o sistema Raven consegue gerir todo o processo de deteção, ao contrário das ferramentas atuais, que se concentram apenas em partes específicas.

"Isto representa uma das amostras mais bem caracterizadas de planetas próximos e vai ajudar-nos a identificar os sistemas mais promissores para estudos futuros", disse Marina Lafarga Magro.

Na pesquisa liderada por investigadores da Universidade de Warwick, o foco foi encontrar planetas que orbitam perto das suas estrelas, completando uma órbita em menos de 16 dias.

Entre os corpos recentemente validados, estão planetas de período ultracurto, ou seja, que orbitam as suas estrelas em menos de 24 horas.

As populações de planetas do "deserto de Neptuno", uma região onde é raro encontrar planetas fora do sistema solar com o tamanho de Neptuno, também fazem parte da lista de validações com o sistema Raven, segundo os dados da pesquisa publicada na revista científica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Nas validações com a ferramenta de inteligência artificial, estão ainda os sistemas multiplanetários (semelhantes ao Sistema Solar), até então desconhecidos, segundo a pesquisa.

De acordo com um comunicado de imprensa da Universidade de Warwick, nas missões para identificar planetas fora do sistema solar encontram-se milhares de candidatos, mas confirmar quais os sinais que são reais continua a ser um "grande desafio" com os métodos atuais.

O sistema Raven foi usado na observação de mais 2,2 milhões de estrelas recolhidas durante os primeiros quatro anos de funcionamento do TESS, que foi lançado para espaço em 2018.

9 medicamentos que deve evitar tomar ao mesmo tempo que o ibuprofeno... Apesar de ser um dos anti-inflamatórios mais vendidos, o ibuprofeno acarreta os seus riscos, sobretudo se conjugado com outros medicamentos. Um artigo do Newsweek destaca nove situações às quais deverá estar atento.

© Shutterstock   Noticiasaominuto.com  26/03/2026 

O ibuprofeno é um dos analgésicos e anti-inflamatórios mais usados. Apesar de ser eficaz no tratamento das dores de cabeça, dores musculares e febre, não está isento de riscos, especialmente quando combinado com outras substâncias. Estas interações poderão aumentar a probabilidade de efeitos secundários, como sangramento do estômago, danos ao nível dos rins e redução na eficácia do medicamento.

Conforme sublinha um artigo do Newsweek, a Doctronic destaca uma lista de nove coisas que deverá evitar enquanto toma ibuprofeno. 

1. Ibuprofeno e anticoagulantes

A combinação de ibuprofeno com medicamentos para tornar o sangue mais fino, neste caso os anticoagulantes, pode aumentar o risco de sangramento. 

O ibuprofeno em si pode irritar a mucosa estomacal e afetar a função das plaquetas que auxiliam na coagulação sanguínea. Quando combinado com anticoagulantes, este efeito pode revelar-se perigoso. 

Entre os sintomas de sangramento estão hematomas incomuns, fezes com sangue ou sangramento prolongado em cortes.

2. Ibuprofeno e outros AINE

Tomar ibuprofeno juntamente com outros anti-inflamatórios não esteroides (AINE), como aspirina, pode aumentar o risco de problemas gastrointestinais, como úlceras e sangramento.

Há também um risco mais elevado dos rins serem afetados, sobretudo quando usado com frequência ou em doses elevadas. Evite tomar estas duas substâncias ao mesmo tempo, a não ser que seja recomendado pelo seu médico a fazê-lo. 

3. Ibuprofeno e medicamentos para pressão arterial

O ibuprofeno poderá influenciar a eficácia de determinados medicamentos para a pressão arterial. Tal poderá levar ao aumento da pressão arterial ou à redução da função renal. 

Pessoas com diagnóstico de hipertensão devem medir a pressão arterial regularmente e consultar o médico antes de recorrer ao ibuprofeno.

4. Ibuprofeno e lítio

O ibuprofeno pode aumentar os níveis de lítio no sangue, podendo resultar num quadro de toxicidade por lítio. Os sintomas de toxicidade incluem tremores, confusão, náuseas e batimentos cardíacos irregulares.

5. Ibuprofeno e metotrexato

Usado para o tratamento do cancro e de doenças autoimunes, a toxicidade do metotrexato pode aumentar quando combinado com a toma de ibuprofeno.

6. Ibuprofeno e ISRS

Os inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS), normalmente prescritos para depressão, podem aumentar o risco de sangramento quando combinados com ibuprofeno. Isto acontece porque ambos os medicamentos afetam a função das plaquetas. 

Fique atento a sinais como sangramentos nas gengivas, sangramento do nariz ou hematomas incomuns.

7. Ibuprofeno e suplementos como ginkgo biloba e alho

Alguns suplementos, como é o caso do ginkgo biloba e alho, possuem propriedades anticoagulantes. Quando tomados com ibuprofeno podem aumentar o risco de sangramento.

8. Ibuprofeno e corticosteroides

A combinação de ibuprofeno com corticosteroides poderá aumentar o risco de úlceras e sangramento. Ambos os medicamentos tendem a irritar o trato gastrointestinal.

9. Ibuprofeno e certos medicamentos para controlo da glicemia

O ibuprofeno poderá afetar o controlo da glicemia nas pessoas que tomam medicamentos para a diabetes, como insulina. Este pode potencializar ou reduzir o efeito dos medicamento, levando a níveis instáveis de açúcar no sangue.

Tal como já referido anteriormente, se se enquadrar em algumas destas situações, consulte sempre o seu médico antes de tomar ibuprofeno.

Cientistas testam tratamento mais eficaz contra cancro com menos doses de quimioterapia

Por  sicnoticias.pt   

O tratamento permite "destruir potentemente as células tumorais, minimizando a toxicidade sistémica", disse a líder do estudo (ainda em fase de testes), Ana Espinosa, investigadora do Instituto de Ciência de Materiais de Madrid (ICMM), citada na notícia da Europa Press.

O estudo liderado pelo ICMM foi realizado em células tumorais de cancro da mama, fora do corpo humano ou organismo vivo, mas pode ser alargado a qualquer tipo de cancro, segundo a Europa Press.

De acordo com a mesma fonte, os investigadores testaram pela primeira vez um tratamento trimodal, que combina três ações simultâneas contra o cancro.

Para a descoberta, os investigadores recorreram a um medicamento utilizado em quimioterapia (tratamento contra o cancro), o doxorrubicina, com a aplicação, em simultâneo, de duas formas diferentes de calor.

Estas duas formas diferentes de calor potenciam a ação do medicamento, sendo estas: um campo magnético que produz calor (hipertermia magnética) e a radiação infravermelha próxima, que também gera calor.

Segundo a investigação, a utilização de terapias contra o cancro que combinam dois tipos de hipertermia (tratamentos baseados no calor) com quimioterapia permite reduzir as doses de doxorrubicina.

"O tratamento funciona como uma armadilha de calor para eliminar as células cancerígenas", referiu a investigadora, indicando que as células cancerígenas são sensíveis ao calor.

A utilização de cada técnica em separado não permite atingir com segurança a temperatura necessária para eliminar as células cancerígenas, de acordo com o estudo realizado em colaboração com o instituto de investigação IMDEA Nanociencia (Espanha), o Instituto Curie (França) e o Instituto de Cerâmica e Vidro (Espanha).

O estudo que teve como principal foco demonstrar o potencial do tratamento trimodal, segundo a Europa Press.

"Conseguimos atingir uma taxa de morte celular de até 70% em 72 horas, o que representa um aumento significativo da eficácia em comparação com os tratamentos individuais", disse Ana Espinosa.

A investigação, publicada na revista científica Advanced NanoBiomed Research, "abre uma promissora via terapêutica, ainda em fase inicial", de acordo a Europa Press.

Irão? "Eles estão a negociar, mas têm medo de o dizer", garante Trump... O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que a liderança do Irão está a negociar um acordo de cessar-fogo, mas que o nega publicamente por receio de "ser assassinada pelos seus".

© Lusa   26/03/2026

"Eles (líderes iranianos) estão a negociar, querem mesmo chegar a um acordo. Mas têm medo de o dizer, porque acham que, caso contrário, serão mortos pelos seus", declarou Donald Trump na quarta-feira perante deputados republicanos do Congresso durante o jantar anual do Comité Nacional Republicano, em Washington. 

Desde início dos ataques israelo-norte-americanos contra o Irão, a 28 de fevereiro, foram eliminados alguns dos principais dirigentes da República Islâmica, incluindo o Líder Supremo 'Ayatollah' Ali Khamenei, sendo declarado como sucessor deste o filho Mojtaba Khamenei, que não é visto em público há várias semanas, alimentando rumores sobre o seu estado de saúde.  

O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano declarou na quarta-feira que abrir negociações de paz com os Estados Unidos nesta fase seria reconhecer uma derrota e avisou que a República Islâmica prefere "continuar a resistir".

Na primeira reação oficial de Teerão à oferta de conversações por parte de Washington, Abbas Araqchi disse, na televisão estatal, que a República Islâmica "não planeia nenhuma negociação" sobre o conflito desencadeado por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro.

O Irão pretende "terminar a guerra nos próprios termos" e criar condições "para que nunca mais se repita", adiantou.

Em resposta aos ataques coordenados dos Estados Unidos e de Israel em solo iraniano, Teerão lançou ondas de mísseis e drones contra Israel e alvos estratégicos no Golfo, além de manter bloqueado o Estreito de Ormuz, por onde transita um quinto do abastecimento mundial de petróleo bruto. 

Pouco antes das declarações do governante iraniano, a Casa Branca avisou que os Estados Unidos poderão "desencadear o inferno" caso o Irão cometa um "erro de cálculo" e se recuse a reconhecer a derrota militar.

O Irão "será atingido com mais força do que nunca", ameaçou a porta-voz da presidência norte-americana, que insistiu na existência de contactos diplomáticos com Teerão para pôr fim à guerra.

"As negociações continuam. São produtivas, como disse o Presidente [Donald Trump] e vão continuar a sê-lo", afirmou Karoline Leavitt sobre a iniciativa de diálogo de Washington, até agora negada por Teerão.

A estação pública Press TV já tinha noticiado que Teerão rejeitou uma proposta de 15 pontos do líder norte-americano para terminar a guerra, embora citando um responsável iraniano não identificado.

Depois disso, surgiram várias mensagens do Irão em tom de desafio à Casa Branca. 

No seu discurso em Washington, Trump queixou-se da cobertura mediática da guerra, em particular de notícias e análises que questionam a sua visão triunfalista sobre o conflito, que já se arrasta há quase um mês.


Leia Também: Exército de Israel anuncia vaga de ataques "em grande escala" contra Irão

O Exército de Israel comunicou hoje ter concluído uma vaga de ataques "em grande escala" contra vários alvos no Irão, sem fornecer mais detalhes.