Por LUSA
Segundo o último balanço do Ministério da Saúde do Líbano, foram registados três mil mortos, entre os quais 211 menores e 116 profissionais de saúde, e 9.273 feridos, além de mais de um milhão de deslocados.
Os ataques entre Israel e o Hezbollah prosseguem apesar de um cessar-fogo em vigor desde 17 de abril, no âmbito de negociações de paz, mediadas pelos Estados Unidos entre representantes libaneses e israelitas, que não são reconhecidas pelo grupo xiita apoiado pelo Irão.
As delegações de Israel e do Líbano acordaram na sexta-feira um prolongamento de 45 dias da trégua e novas rondas de conversações para os dias 02 e 03 de junho, bem como uma reunião a nível militar no Pentágono em 29 de maio.
Israel e Líbano, que não têm relações diplomáticas, tinham realizado anteriormente duas rondas de diálogo inicial na capital norte-americana, em 14 e 23 de abril, que resultaram no acordo de cessar-fogo.
No entanto, Israel continuou a bombardear o Líbano e as suas operações terrestres no sul do Líbano, enquanto o Hezbollah prossegue os ataques contra o território israelita e as suas tropas.
O número de mortos em consequência dos ataques israelitas no Líbano ultrapassa os 400 desde o início do cessar-fogo, segundo uma contagem da agência France Presse baseada em dados oficiais.
Após a última ronda negocial em Washington, as autoridades libanesas pediram um mecanismo independente e garantias dos Estados Unidos em relação ao cessar-fogo.
"O prolongamento da trégua e a implementação de uma componente de segurança facilitada pelos Estados Unidos oferecem um alívio essencial aos nossos cidadãos, fortalecem as instituições do Estado e abrem caminho para uma estabilidade duradoura", afirmou a delegação libanesa, segundo um comunicado divulgado pela presidência.
O Presidente libanês, Joseph Aoun, comprometeu-se hoje a fazer "o impossível" para colocar um fim ao conflito, num comunicado da presidência libanesa.
Segundo a mesma nota, as negociações com Israel têm incidido sobretudo na retirada das forças israelitas do território libanês e no regresso dos deslocados internos as suas casas.
Contudo, salientou que, "para evitar os fracassos de acordos anteriores", é necessário "implementar um processo gradual e verificável", apoiado por Washington.
O Hezbollah opõe-se a estas conversações e o seu líder, Naim Qassem, ameaçou que vai tornar os confrontos "num inferno" para Israel, que por sua vez avisou repetidamente as autoridades de Beirute que, se não desarmar nem controlar as milícias libanesas, irá fazê-lo no seu lugar.
O Líbano foi arrastado pelo grupo xiita apoiado e financiado pelo Irão para a guerra desencadeada por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro contra a República Islâmica, ao reatar, no início de março, ataques aéreos contra o território israelita.
Israel respondeu com bombardeamentos intensivos no Líbano e expandiu as posições militares que já mantinha no sul do país vizinho durante o conflito anterior.
As partes tinham estado em confronto no seguimento da guerra de Faixa de Gaza, entre outubro de 2023 e novembro de 2024, data de um cessar-fogo nunca verdadeiramente respeitado e que foi interrompido com o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irão.
Nas negociações indiretas com Washington, Teerão exige que qualquer trégua no conflito no Golfo inclua também o Líbano, ou seja, que Israel cesse os ataques ao Hezbollah.

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