sábado, 25 de abril de 2026

Irão? "Ninguém sabe quem está ao comando", diz Donald Trump... O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou hoje que "ninguém sabe quem está ao comando" no Irão, após cancelar a viagem da delegação negocial a Islamabad ao saber que o chefe da diplomacia iraniana abandonara a capital paquistanesa.

© Anna Moneymaker/Getty Images    Por LUSA    25/04/2026 

"Há enormes lutas internas e uma grande confusão na sua 'liderança'. Ninguém sabe quem está ao comando, nem mesmo eles próprios", escreveu Trump na sua rede social, Truth Social.

Por seu lado, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, declarou hoje que não é claro se os Estados Unidos são "realmente sérios" em matéria de diplomacia, depois de dar por terminadas as negociações de paz no Paquistão e seguir para Omã, tendo Washington logo cancelado o envio da sua delegação ao país mediador.

Numa mensagem publicada na rede social X depois de ter deixado Islamabad, após reuniões com altos responsáveis paquistaneses, o chefe da diplomacia iraniana disse ter "apresentado a posição do Irão sobre um enquadramento viável para pôr um fim duradouro à guerra", acrescentando "não saber ainda se os Estados Unidos são realmente sérios em diplomacia".

Pouco depois da partida de Araghchi do Paquistão, Trump anunciou que os enviados norte-americanos não se deslocariam a Islamabad para negociações, como estava previsto, alegando que Washington tem uma vantagem estratégica em relação a Teerão.

O Presidente norte-americano disse ter ordenado a suspensão da viagem de Steve Witkoff e Jared Kushner, que iriam participar numa segunda ronda de contactos indiretos com o Irão em território paquistanês, justificando a decisão com uma alegada vantagem estratégica dos Estados Unidos no conflito com Teerão e acrescentando que "os iranianos podem ligar quando quiserem", não havendo necessidade de deslocações diplomáticas sem garantias de resultados.

Trump negou que o cancelamento da viagem signifique uma retomada da guerra com o Irão ou possa implicar uma escalada militar: "Não significa isso. Ainda não pensámos nisso".

Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar ao Irão, que justificaram com a inflexibilidade da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, que afirma destinar-se apenas a fins civis.

Em retaliação à ofensiva, o Irão encerrou o estreito de Ormuz, abalando a economia mundial, e lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e infraestruturas civis em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Jordânia, Omã e Iraque.

A 02 de março, Israel iniciou uma guerra com o Líbano, em resposta a um ataque do movimento xiita libanês Hezbollah, aliado do Irão, o que fez aumentar os receios de alastramento da guerra a todo o Médio Oriente.

Washington e Teerão acordaram a 07 de abril um cessar-fogo de duas semanas, para negociações assentes num plano de dez pontos de Teerão para pôr fim a 40 dias de guerra.

O cessar-fogo foi prorrogado a 21 de abril pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, horas antes de expirar, para que o Irão apresente o seu plano, que prevê o levantamento das sanções internacionais e a retirada das tropas norte-americanas da região em troca de um compromisso iraniano de não produzir armas nucleares e garantir a passagem segura pelo estreito de Ormuz.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, saudou o prorrogamento do cessar-fogo, afirmando tratar-se de "um passo importante rumo ao apaziguamento e à criação de um espaço fundamental para a diplomacia e a construção de confiança entre o Irão e os Estados Unidos".

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