Por LUSA
"Os países europeus ajudaram, infelizmente, a criar estas condições", afirmou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Esmail Baghai, durante uma conferência de imprensa semanal, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).
Baghai criticou os países europeus por terem estado de acordo com os Estados Unidos no Conselho de Segurança da ONU durante o debate sobre o restabelecimento das sanções em 2025, em vez de "insistirem no Estado de direito".
Lamentou que os europeus não se tivessem oposto então ao que descreveu como "intimidação e excessos" dos Estados Unidos.
"Todas estas coisas juntas encorajaram as partes norte-americana e sionista [Israel] a continuarem a cometer os seus crimes", acrescentou.
Os países europeus criticaram os ataques iranianos contra os países do Golfo Pérsico em reação à ofensiva israelo-americana que o Irão enfrenta desde 28 de fevereiro, mas sem uma posição conjunta contra a intervenção contra Teerão.
A ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão desencadeou a guerra em curso há 10 dias no Médio Oriente, que causou cerca de 1.300 mortos, maioritariamente iranianos, com registo de vítimas em 12 países.
O guia supremo da República Islâmica do Irão, o 'ayatollah' Ali Khamenei, no poder desde 1989, foi morto logo no primeiro dia da ofensiva, e foi substituído no domingo pelo filho, Mojtaba Khamenei.
O conflito fez também recear uma crise económica global dado o impacto nos mercados de energia por estarem envolvidos alguns dos maiores produtores de petróleo e gás mundiais.
Os preços do petróleo registaram hoje subidas históricas acima dos 100 dólares por barril, o que estava a fazer afundar os mercados bolsistas e a reavivar os receios de um choque inflacionista mundial.
Os ministros das Finanças do G7 vão reunir-se hoje para analisar a situação e uma fonte francesa admitiu que possam discutir a utilização de reservas estratégicas de petróleo.
A fonte do Governo da França, país que exerce atualmente a presidência rotativa do G7, disse que se trata de "uma opção em análise", segundo a AFP.
A reunião por videoconferência dos ministros do grupo que reúne as economias mais desenvolvidas (Estados Unidos, Japão, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha e Itália), em que participa a União Europeia, está agendada para as 12h30 em Lisboa.

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