© Majid Saeedi/Getty Images Por LUSA 18/03/2026
Um camião com os restos mortais de Larijani e dos 74 marinheiros mortos no ataque norte-americano à fragata iraniana IRIS Dena, no oceano Índico, percorreu a cidade de Ahwaz, capital e a maior cidade da província do Cuzistão, no sudoeste do Irão, entre os habituais gritos de "Morte aos Estados Unidos" e "Morte a Israel".
"A morte de Larijani é a que mais dói depois da do líder supremo ['ayatollah' Ali Khamenei]", afirmou o orador do funeral, acrescentando que o Irão vai continuar a lutar contra os Estados Unidos "até à última gota de sangue".
Outras pessoas presentes no funeral do político iraniano, morto num ataque aéreo israelita em Teerão, lamentaram o falecimento e juntaram-se ao apelo à luta.
"Dói-nos muito e é necessário vingar-nos. Temos de continuar a lutar até à derrota de Israel", disse Azat Jadidi, uma mulher de 64 anos.
Um funcionário público de 31 anos, Hamid Reza, classificou a morte de Larijani como lamentável e apelou ao fim da guerra, insistindo na não rendição do Irão, mas em negociar para que os Estados Unidos "paguem uma compensação pela agressão e pelo assassínio de crianças".
A morte de Larijani deixa um vazio na República Islâmica, ainda sem sucessor conhecido.
Além dele, outros altos responsáveis políticos e militares morreram no conflito, iniciado a 28 de fevereiro, com ataques norte-americanos e israelitas a instalações militares e complexos governamentais em Teerão e noutras cidades.
Entre os mortos encontram-se o ex-líder supremo do Irão Ali Khamenei, o ex-comandante-em-chefe da Guarda Revolucionária general Mohammad Pakpur e o ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas iranianas general Abdorrahim Musavi.
Desde então, a República Islâmica respondeu com ataques com mísseis e drones contra Israel e vários países árabes vizinhos, ampliando o conflito no Médio Oriente.
As autoridades dos Emirados Árabes Unidos indicaram terem intercetado 13 mísseis balísticos e 27 drones numa nova ofensiva iraniana, no contexto de uma escalada que, segundo os EAU, incluiu centenas de projéteis desde o início das hostilidades.
Paralelamente, Israel intensificou as operações militares em território iraniano, tendo o Exército israelita anunciado novas ondas de ataques em grande escala a infraestruturas do regime de Teerão, incluindo centros de comando, instalações de mísseis balísticos e sistemas de defesa aérea.
O balanço oficial de mortos no país não é atualizado pelo governo iraniano desde 05 de março, situando-se então em 1.230 óbitos.
Em Israel, os ataques iranianos causaram pelo menos 14 mortos.
Centenas de pessoas morreram no Irão na sequência dos bombardeamentos realizados desde 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e por Israel.
O Irão respondeu com o encerramento do estreito de Ormuz e lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque.
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O presidente do Irão confirmou hoje a morte do ministro dos Serviços de Informações, Esmail Khatib, reivindicada por Israel num ataque de precisão em Teerão.... "O assassínio cobarde dos meus caros colegas Esmail Khatib, Ali Larijani e Aziz Nasirzadeh, bem como de alguns membros das suas famílias e das suas equipas, mergulha-nos no luto", escreveu Masoud Pezeshkian nas redes sociais, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).


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