sexta-feira, 10 de abril de 2020

Covid-19: 60 agências internacionais pedem resposta rápida para proteger países de baixa renda

OMS/D. Elombat Em aeroporto da RDC, febre de passageiro é testada

Desenvolvimento econômico

Desde inicio da pandemia, nvestidores já retiraram recorde de cerca de US$ 90 bilhões de mercados emergentes; existe a possibilidade de uma nova crise da dívida, agravada pela queda dos preços do petróleo e de outras matérias-primas importantes.

Os governos devem tomar medidas imediatas para evitar uma crise de dívida potencialmente arrasadora e evitar o caos econômico e financeiro causado pela pandemia da covid-19 nos países em desenvolvimento.

A recomendação é de um novo relatório da Força Interinstitucional sobre Financiamento para o Desenvolvimento, que reúne mais de 60 agências internacionais. O grupo é liderado pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU, Desa.

Perdas
Devido à crise causada pela pandemia, investidores internacionais já retiraram cerca de US$ 90 bilhões de mercados emergentes, a maior saída já registrada.

Além disso, existe a possibilidade de uma nova crise da dívida, agravada pela queda dos preços do petróleo e de outras commodities importantes. Muitos países de baixa renda já estavam em alto risco de endividamento excessivo e o número deve aumentar de forma significativa.

Mesmo antes do surto, era provável que a renda per capita estagnasse ou diminuísse este ano em cerca de 20% dos países. Agora, a situação deve atingir bilhões de pessoas.

A vice-secretária geral das Nações Unidas, Amina Mohammed, disse que “todos os países devem enfrentar o desafio de salvar vidas e proteger meios de subsistência.” Para ela, o mundo terá “uma chance de reconstruir para melhor as pessoas e o planeta.”

Medidas
O relatório descreve medidas para lidar com o impacto da recessão global e da turbulência financeira, especialmente nos países mais pobres do mundo. A base das recomendações são pesquisas da ONU, do Fundo Monetário Internacional, FMI, do Banco Mundial e outros parceiros. 

Para impedir uma crise da dívida, os pagamentos de países menos desenvolvidos devem ser suspensos. Outra recomendação é que bancos centrais restabeleçam a estabilidade financeira, fornecendo liquidez suficiente, especialmente em mercados emergentes. 

Para conter a queda acentuada da atividade econômica, é preciso uma resposta global coordenada que apoie os países mais necessitados ampliando os gastos em saúde pública e proteção social, mantendo pequenas empresas abertas e realizando transferências. Já o comércio, deve ser protegido eliminando barreiras comerciais que restringem cadeias de suprimentos.

Ajuda
O relatório também recomenda um aumento na assistência oficial ao desenvolvimento, combatendo o declínio dos últimos anos. Em 2018, este tipo de ajuda diminuiu 4,3%.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que o mundo "está longe de ter um pacote global para ajudar o mundo em desenvolvimento a criar condições tanto para suprimir a doença quanto para enfrentar as dramáticas consequências nas populações." Para ele, é necessária uma resposta que atinja pelo menos 10% do PIB global.

Futuro
A pandemia também deve acelerar a implementação de medidas há muito esperadas para colocar o mundo em um caminho de desenvolvimento mais sustentável e tornar a economia global mais resistente a choques futuros.

Para isso, deve ser aumentado o investimento a longo prazo em infraestrutura resiliente, melhorada a preparação de riscos e fortalecida a rede de proteção social. Também devem ser criadas estruturas regulatórias contra o endividamento privado excessivo.

O relatório também destaca o potencial das tecnologias digitais, mas lembra que o acesso continua sendo altamente desigual dentro e entre países. Quase metade da população global, cerca de 46,4% das pessoas, não tem acesso à internet.

news.un.org/pt

Sem comentários:

Enviar um comentário