segunda-feira, 11 de maio de 2026

ONU: Florestas perderam 41 milhões de hectares numa década... A superfície florestal mundial reduziu-se em mais de 41 milhões de hectares, cerca de 1%, entre 2015 e 2025, com a América do Sul (-4,61%) e África (-4,28%) a registarem as perdas mais significativas.

© Lusa   11/05/2026 

O ritmo de perda, de 4,12 milhões de hectares por ano, é superior ao do período de 2000 a 2015, quando se perderam anualmente 3,68 milhões de hectares, mas inferior à de 1900 a 2000, quando se chegou aos 10,7 milhões de hectares. 

A redução na última década incluiu a perda de 16 milhões de hectares de florestas primárias, aquelas sem vestígios evidentes de atividade humana e que são de enorme importância para a biodiversidade, segundo o Relatório sobre os Objetivos Florestais Globais 2026, divulgado hoje durante o Fórum das Nações Unidas sobre Florestas, que está a decorrer em Nova Iorque até sexta-feira.

O documento, que avalia a implementação dos seis Objetivos Globais para as Florestas e 26 metas associadas (Plano Estratégico 2017-2030 adotado pela ONU), destaca três mensagens principais: o progresso é evidente, mas insuficiente; as florestas são fundamentais para o desenvolvimento sustentável; e a experiência demonstra que é possível avançar através da inovação, do investimento e da cooperação.

As análises indicam que já foram atingidas sete metas, 17 foram parcialmente atingidas e duas estão claramente atrasadas: o aumento da área florestal (a meta é de 3%) e a erradicação da pobreza extrema entre as pessoas que dependem das florestas, uma situação particularmente preocupante na África Subsariana.

Feito a partir de relatórios voluntários submetidos por 48 países e de dados de organizações internacionais como a Organização para a Alimentação e a Agricultura (FAO), os avanços mais positivos mencionados no documento referem-se a áreas como as florestas protegidas, a gestão florestal sustentável e a cooperação internacional.

A área de floresta protegida cresceu para quase 20%, embora o ritmo de expansão tenha diminuído, passando de uma média de 10 milhões de hectares por ano entre 2000 e 2015 para quatro milhões de hectares entre 2015 e 2025.

O relatório identifica "desafios persistentes", como a contínua perda e degradação das florestas, as pressões relacionadas com o clima e a escassez de financiamento.

O financiamento global para a gestão florestal sustentável, estimado em 84 mil milhões de dólares em 2023, "continua muito abaixo do nível necessário de 300 mil milhões de dólares anuais até 2030".

Cerca de 90% do financiamento atual provém de fundos públicos nacionais e menos de 4% de ajuda ao desenvolvimento. A participação do setor privado é limitada, sublinha o relatório.

O Secretariado do Fórum propõe, entre as áreas prioritárias de ação, a interrupção da desflorestação e a reversão da perda florestal, a promoção do acesso aos mercados e à capacitação técnica das pessoas que dependem das florestas para o seu sustento, acabar com a lacuna de financiamento para a gestão florestal sustentável, e reforçar a governação florestal e a melhoria das parcerias intersetoriais.

Recomenda ainda mais combate à extração ilegal de madeira e ao comércio associado.

O relatório inclui vários exemplos de boas práticas, como o aumento da área florestal com planos de gestão sustentável de longo prazo no Brasil, que possibilitou a produção de mais de 2,15 milhões de metros cúbicos de madeira com origem garantida e rastreabilidade completa.

Ou a criação, em 2021, na China, dos seus primeiros cinco parques nacionais, num total de 230.000 quilómetros quadrados.

As florestas cobrem 32% da superfície terrestre, cerca de 4.140 milhões de hectares.

Cinco países representam 54% destas florestas: Rússia (20%), Brasil (12%), Canadá (9%), Estados Unidos (7%) e China (5%).

As florestas do planeta armazenam 172 toneladas de carbono por hectare e albergam 80% das espécies de anfíbios, 75% das espécies de aves e 68% das espécies de mamíferos, segundo dados da ONU.

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