segunda-feira, 11 de maio de 2026

ZELENSKY: "Não houve silêncio" na frente apesar de cessar-fogo, diz Zelensky... O presidente ucraniano afirmou hoje que os combates com o Exército russo continuaram apesar do cessar-fogo de três dias mediado pelos Estados Unidos, acusando Moscovo de não querer o fim de quatro anos de guerra.

© Ukrinform/NurPhoto via Getty Images    Por  LUSA   11/05/2026 

"Hoje, não houve silêncio na frente, houve combates. Testemunhámos tudo", declarou Volodymyr Zelensky na mensagem noturna ao país, nas últimas horas da trégua. 

"Constatámos também que a Rússia não tem qualquer intenção de pôr fim a esta guerra. Infelizmente, está a preparar novos ataques", lamentou.

Russos e ucranianos acusaram-se mutuamente de violar o cessar-fogo anunciado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, entre sábado e hoje.

Zelensky afirmou ainda que o seu principal negociador, Rustem Umerov, o informou sobre recentes reuniões "políticas e tecnológicas" nos Estados Unidos.

"É evidente que é a guerra no Irão que está atualmente a atrair a maior atenção dos Estados Unidos, mas também lá existe apoio do povo norte-americano para o fim desta guerra na Europa", sublinhou.

As negociações entre a Rússia e a Ucrânia não produziram, até agora, resultados e foram relegadas para segundo plano pelo conflito no Médio Oriente.

Contudo, o anúncio deste cessar-fogo tinha gerado alguma esperança quanto a um reinício das conversações de paz.

A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e "desnazificar" o país vizinho, independente desde 1991 - após o desmoronamento da União Soviética - e que tem vindo a afastar-se da esfera de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente.

A guerra na Ucrânia já provocou dezenas de milhares de mortos de ambos os lados, e os últimos meses foram marcados por ataques aéreos em grande escala da Rússia a cidades e infraestruturas ucranianas, ao passo que as forças de Kyiv têm visado alvos militares em território russo e na península da Crimeia, ilegalmente anexada por Moscovo em 2014.

No plano diplomático, a Rússia rejeitou até agora qualquer cessar-fogo prolongado e exige, para pôr fim ao conflito, que a Ucrânia lhe ceda quatro regiões - Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporíjia - além da península da Crimeia anexada em 2014, e renuncie para sempre a aderir à NATO.

Estas condições para solucionar o conflito - constantes do plano de paz apresentado por Donald Trump - são consideradas inaceitáveis pela Ucrânia, que exige um cessar-fogo antes de entabular negociações de paz com Moscovo e que os aliados europeus lhe forneçam sólidas garantias de que não voltará a ser alvo de ataque.


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