segunda-feira, 11 de maio de 2026

Netanyahu denuncia "falência moral" da UE após sanções a colonos... O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, acusou hoje a União Europeia (UE) de "falência moral" após a decisão do bloco de sancionar os colonos israelitas extremistas culpados de violência contra palestinianos na Cisjordânia ocupada.

© Ilia YEFIMOVICH / AFP via Getty Images      Por LUSA  11/05/2026 

"Enquanto Israel e os Estados Unidos fazem o 'trabalho sujo' da Europa, lutando pela civilização contra os fanáticos 'jihadistas' no Irão e noutros lugares, a União Europeia revelou a sua falência moral ao traçar um paralelo falso entre os cidadãos israelitas e os terroristas do Hamas", frisou o primeiro-ministro, citado num comunicado do seu gabinete. 

Sete colonos extremistas ou suas organizações são alvos dessas sanções, assim como 12 elementos do movimento islamita palestiniano Hamas, que também foram incluídos no acordo político da UE sobre estas sanções.

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel já tinha condenado o acordo da UE para sancionar colonos extremistas.

"Israel apoiou, apoia e continuará a apoiar o direito dos judeus de se estabelecerem no coração da nossa pátria", afirmou Gideon Saar, na rede social X, referindo-se ao território ocupado por Israel desde 1967.

A ONG israelita Paz Agora divulgou uma lista que inclui quatro organizações associadas a colonos e três líderes de colonatos judaicos na Cisjordânia, "ligados à violência e à pilhagem" contra os habitantes palestinianos.

Além da política Daniella Weiss, fundadora da organização de extrema-direita Nachala, a UE tem como alvo os movimentos de defesa dos colonatos Amana e Regavim, bem como o grupo paramilitar Hashomer Yosh e ainda os dois responsáveis destes dois últimos, segundo a Paz Agora.

A Regavim, que se concentra em exercer pressão política e jurídica sobre o Estado israelita para demolir estruturas palestinianas, foi cofundada em 2006 pelo atual ministro das Finanças, o ultrarradical nacionalista Bezalel Smotrich.

O ministro das Finanças, que também supervisiona assuntos civis na Cisjordânia, criticou que "a hipocrisia europeia está a atingir níveis sem precedentes" e que "ninguém obrigará Israel a seguir uma política de suicídio nacional".

A chefe da diplomacia de Bruxelas, Kaja Kallas, observou que a proposta de sanções contra colonos violentos "já estava em discussão há algum tempo", mas que o anterior Governo húngaro, chefiado por Viktor Orbán, a tinha vetado.

A Cisjordânia, um território palestiniano assolado pela violência diária, está ocupada por Israel desde 1967.

Segundo dados das Nações Unidas, entre 07 de outubro de 2023, data dos ataques do Hamas e começo da guerra na Faixa de Gaza, e 23 de abril de 2026, 1.088 palestinianos, dos quais pelo menos 238 eram crianças, foram mortos na Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém Oriental.

Deste total, 42 morreram nos primeiros quatro meses de 2026, 13 por colonos, 30 por forças israelitas e um por ambos.

As deslocações forçadas atingiram mais de 40 mil habitantes nos últimos três anos, de acordo com dados da agência da ONU para os Refugiados Palestinianos (UNRWA), organização proibida por Israel.


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O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, disse que planeia reduzir "a zero" a ajuda militar que Israel recebe dos Estados Unidos (EUA) num prazo de dez anos.

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