© Reuters Por LUSA 22/04/2026
A administração do presidente Donald Trump, que fez da luta contra a imigração uma das suas principais políticas, tinha fixado como data limite 31 de março para fechar um campo onde estavam alojados mais de 1.100 afegãos, numa antiga base americana no Qatar.
Esses afegãos passaram pela base para serem registados no âmbito do seu pedido de asilo nos Estados Unidos, receando ser perseguidos pelos talibãs por terem colaborado com as forças americanas durante o governo apoiado pelo Ocidente, que colapsou em 2021, pouco depois da retirada das tropas americanas.
"A administração Trump não procura encontrar um país seguro para os 1.100 afegãos que foram seus aliados durante a guerra e que estão atualmente detidos pelos Estados Unidos no campo As-Sayliyah. E tenta antes criar do zero um motivo de recusa", denunciou Shawn VanDiver, um ex-militar americano que lidera a ONG #AfghanEvac.
Este responsável indicou ter sido informado pelo governo americano que estes afegãos tinham duas escolhas: a RD Congo ou regressar ao Afeganistão.
"Não se transferem aliados de guerra, cuja fiabilidade foi verificada, incluindo mais de 400 crianças, que estavam sob a custódia dos Estados Unidos, para um país em plena decomposição", declarou num comunicado. "A administração sabe disso. É precisamente esse o objetivo", acrescentou.
O senador democrata Tim Kaine referiu-se, num comunicado, a uma decisão "insensata".
Contactado pela agência de notícias francesa AFP, o departamento de Estado não respondeu de imediato a questões colocadas sobre este assunto.
Mais de 190.000 afegãos estabeleceram-se nos Estados Unidos após o regresso dos talibãs, no âmbito de um programa lançado pelo ex-presidente Joe Biden.
Mas, o presidente Trump desmantelou este programa e ordenou a suspensão do tratamento dos pedidos provenientes de cidadãos deste país depois de um afegão, que sofria de síndrome de stress pós-traumático, ter disparado sobre dois militares da Guarda Nacional, em Washington no ano passado, matando um deles.

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