William Lai Ching-te (AP) Por cnnportugal.iol.pt
A China elogiou a decisão de vários países africanos de recusarem autorizar o sobrevoo do avião do líder de Taiwan, William Lai Ching-te, após Taipé ter suspendido uma visita oficial a Essuatíni.
A viagem, prevista para esta semana, foi cancelada depois de Seicheles, Maurícia e Madagáscar revogarem, “sem aviso prévio”, as autorizações de sobrevoo do avião presidencial, segundo o Governo taiwanês, que atribuiu a decisão a pressão e “coerção económica” de Pequim.
Numa conferência de imprensa, Zhang Han, porta-voz do Gabinete de Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado, o executivo chinês, afirmou que Pequim “valoriza a posição e a prática” dos países envolvidos por respeitarem o princípio de 'uma só China'.
“Os que seguem o caminho correto contam com amplo apoio, enquanto os que se afastam dele ficam isolados”, disse Zhang, acrescentando que o episódio demonstra que o princípio constitui uma “norma básica das relações internacionais” e um “consenso universal”.
O princípio de 'uma só China' é um dos pilares da política externa chinesa e sustenta que Taiwan é parte do território chinês e que o Governo da República Popular da China é o único representante legítimo.
A reação surge após Taipé ter anunciado na terça-feira a suspensão da deslocação de Lai a Essuatíni, o único aliado diplomático da ilha em África, onde o líder deveria participar em eventos oficiais com o rei Mswati III.
O secretário-geral da Presidência taiwanesa, Pan Men-an, classificou a revogação das autorizações de sobrevoo como um caso “sem precedentes”, afirmando ser a primeira vez que um Presidente taiwanês cancela uma visita ao estrangeiro por esse motivo.
O Governo taiwanês apresentou entretanto um “forte protesto” contra as decisões de Seicheles e Madagáscar, acusando-os de seguirem “narrativas distorcidas” de Pequim.
Num comunicado, o ministério dos Negócios Estrangeiros de Taiwan afirmou que a ilha é “um país soberano e independente” e rejeitou qualquer subordinação à China.
O próprio Lai afirmou que as alegadas pressões chinesas “ferem os sentimentos do povo taiwanês” e garantiu que “nenhuma ameaça” impedirá Taiwan de participar na comunidade internacional.
O Governo de Essuatíni lamentou o cancelamento da visita, mas sublinhou que tal “não altera” as relações bilaterais com Taiwan.
Nos últimos anos, Pequim tem intensificado esforços para reduzir o número de aliados diplomáticos de Taiwan, frequentemente através de incentivos económicos e projetos de infraestruturas.
Atualmente, Taiwan mantém relações diplomáticas com apenas 12 países, maioritariamente na América Latina, Caraíbas e Pacífico.
Lai, que tomou posse em maio de 2024, tinha já sido forçado a cancelar uma visita a países da América Latina no ano passado, após não obter autorização para uma escala nos Estados Unidos.

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