© Getty Images Por LUSA 22/04/2026
O evento "A América Lê a Bíblia" - no qual cada participante lê uma passagem em voz alta - está a ser transmitido em direto esta semana a partir do Museu da Bíblia, em Washington, e de outros locais.
Para esta noite (madrugada em Lisboa), está previsto um vídeo de Trump, que num comunicado sobre o evento afirmou que a Bíblia está "indelevelmente entrelaçada na identidade nacional e modo de vida" dos norte-americanos.
O comunicado cita figuras históricas como o líder puritano John Winthrop, que "implorou aos seus companheiros colonos cristãos que se erguessem como um farol de fé para todo o mundo ver".
A participação de Trump terá como cenário a Sala Oval, onde lerá uma passagem sobre a dedicação pelo Rei Salomão do templo na antiga Jerusalém, em que Deus promete perdão se uma geração futura se arrepender depois de se rebelar: "Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar e se converter, eu perdoá-lo-ei".
O versículo é citado frequentemente em comícios cristãos conservadores e eventos políticos, como a Convenção Nacional Republicana de 2024.
Os críticos afirmam que o evento tem uma lista de participantes essencialmente partidária e faz parte de um projeto maior para ligar o próximo 250º aniversário dos Estados Unidos a uma visão nacionalista cristã da fundação do país, algo que muitos historiadores contestam.
Os cristãos brancos, particularmente os evangélicos, têm sido cruciais para a base eleitoral de Trump.
O evento bíblico acontece apenas uma semana depois de Trump ter recebido críticas raras dos seus apoiantes evangélicos por partilhar um 'meme' nas redes sociais em que aparecia, vestido com uma túnica branca, como um curandeiro semelhante a Jesus Cristo, rodeado de símbolos patrióticos.
Trump removeu a imagem das suas redes sociais, insistindo que estava retratado como um médico, e não como Jesus.
O evento ocorre também pouco depois das críticas de Trump ao Papa Leão XIV, primeiro pontífice natural dos Estados Unidos, após este questionar a guerra com o Irão.
Entre os participantes na maratona bíblica estão membros do governo, como o secretário da Defesa Pete Hegseth e o secretário de Estado Marco Rubio, bem como o presidente da Câmara dos Representantes Mike Johnson e vários outros membros republicanos do Congresso.
Entre os apoiantes evangélicos destacados de Trump que participam estão o evangelista Franklin Graham, o pastor Jack Graham e a pastora Paula White-Cain, que dirige o Gabinete de Fé da Casa Branca.
Cada orador está a participar na leitura contínua dos 66 livros da Bíblia, tal como reconhecidos pelos protestantes.
Os judeus reconhecem a parte hebraica da Bíblia a que os cristãos chamam Antigo Testamento, mas não os livros do Novo Testamento centrados em Jesus.
Os católicos e os ortodoxos reconhecem livros adicionais da Bíblia que não estão incluídos nesta leitura.
O evento contará com a presença de representantes católicos, incluindo o presidente da CatholicVote, organização que apoiou Trump em 2024.
O evento consiste numa leitura abrangente de toda a Bíblia, desde os famosos versículos ("Deixa partir o meu povo", "O Senhor é o meu pastor") até aos mais obscuros.
As passagens vão desde a criação do mundo até às batalhas sangrentas e à destruição apocalíptica, desde exortações ao amor a Deus, ao próximo e aos necessitados, até passagens que narram a vida, a morte e a ressurreição de Jesus.
O evento é organizado pela Christians Engaged, uma organização sem fins lucrativos cuja missão declarada inclui "discipular os americanos sobre a cosmovisão bíblica e as suas responsabilidades de orar, votar e envolver-se".
A maratona de leitura da Bíblia acontece poucas semanas antes de um evento, a 17 de maio, chamado "Jubileu Nacional de Oração, Louvor e Ação de Graças", que será realizado no National Mall, em Washington, DC.

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