sexta-feira, 13 de março de 2026

Guerra na Ucrânia: "Levantamento das sanções leva a um reforço da Rússia", diz Zelensky... O presidente ucraniano afirmou hoje que a decisão dos Estados Unidos (EUA) de flexibilizar as sanções sobre as vendas de petróleo russo vai fortalecer Moscovo e não contribui para a paz na Ucrânia.

© Andrew Kravchenko/Global Images Ukraine via Getty Images    Po Lusa   13/03/2026 

"O levantamento das sanções irá, em todo o caso, levar a um reforço da posição da Rússia", disse Volodymyr Zelensky durante uma conferência de imprensa com o homólogo francês, Emmanuel Macron, em Paris.

 "Esta flexibilização por parte dos Estados Unidos poderá render à Rússia cerca de 10 mil milhões de dólares [cerca de 8,7 mil milhões de euros, ao câmbio atual] para a guerra. Isto certamente não contribui para a paz", acrescentou o líder ucraniano.

Ao lado de Zelensky, Macron afirmou que "o contexto de subida dos preços do petróleo não deve, em caso algum, levar a uma revisão da política de sanções contra a Rússia".

"Essa é a posição que o G7 defendeu e é, evidentemente, a posição da França e da Europa", disse o Presidente francês.

O G7 é formado pela Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido, integrando também a União Europeia (UE).

Os Estados Unidos anunciaram na quinta-feira terem autorizado temporariamente a venda de petróleo russo armazenado em navios, devido à subida dos preços desde o início da guerra no Irão, iniciada por Washington e Telavive em 28 de fevereiro.

O Departamento do Tesouro norte-americano emitiu uma licença que autoriza a venda durante um mês de petróleo bruto e derivados russos carregados em navios antes de quinta-feira.

A decisão "não proporcionará um benefício financeiro significativo ao governo russo", afirmou o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent.

O Conselho Europeu e a Comissão Europeia manifestaram-se hoje contra a decisão norte-americana, qualificando-a como preocupante.

"A decisão unilateral dos Estados Unidos de levantar sanções às exportações de petróleo russo é muito preocupante, tendo em conta que afeta a segurança europeia", escreveu o presidente do Conselho Europeu, António Costa, nas redes sociais.

Por sua vez, a porta-voz da Comissão Europeia, Paula Pinho, lembrou hoje que na quarta-feira a líder do executivo comunitário, Ursula von der Leyen, e António Costa defenderam que "este não é o momento de aliviar sanções à Rússia".

"A Rússia tem ganho, segundo as informações que temos, entre 150 milhões de dólares [cerca de 131 milhões de euros] por dia em receitas adicionais provenientes das vendas de petróleo desde o início do conflito no Médio Oriente, o que faz da Rússia provavelmente o maior beneficiário deste conflito. Por isso, este não é o momento para aliviar as sanções", advertiu.

Os aliados de Kyiv têm decretado sanções contra setores-chave da economia russa para tentar diminuir a capacidade de Moscovo de financiar o esforço de guerra na Ucrânia.

A Ucrânia tem contado com ajuda financeira e em armamento dos aliados ocidentais desde que a Rússia invadiu o país, em 24 de fevereiro de 2022.

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