Por LUSA
"A decisão unilateral dos Estados Unidos de levantar sanções às exportações de petróleo russo é muito preocupante, tendo em conta que afeta a segurança europeia", escreveu António Costa numa rede social.
O presidente do Conselho Europeu defendeu que "aumentar a pressão económica sobre a Rússia é decisivo" para que Moscovo aceite "uma negociação séria para uma paz justa e duradoura".
"Enfraquecer as sanções aumenta os recursos da Rússia para levar a cabo a guerra de agressão contra a Ucrânia", salientou.
Por sua vez, a porta-voz da Comissão Europeia Paula Pinho, na conferência de imprensa diária, lembrou que, na quarta-feira, Ursula von der Leyen e António Costa defenderam que "este não é o momento de aliviar sanções à Rússia".
"A Rússia tem ganho, segundo as informações que temos, entre 150 milhões de dólares [cerca de 131 milhões de euros] por dia em receitas adicionais provenientes das vendas de petróleo desde o início do conflito no Médio Oriente, o que faz da Rússia provavelmente o maior beneficiário deste conflito. Por isso, não este não é o momento para aliviar as sanções", advertiu.
A porta-voz da Comissão Europeia com a pasta dos Serviços Financeiros, Siobhan McGarry, realçou contudo que o levantamento de sanções dos Estados Unidos "é limitado no tempo e no âmbito, aplicando-se apenas a navios que já se encontram no mar".
"A Comissão continua convencida de que o teto ao preço do petróleo e as nossas sanções contra a Rússia são bem direcionadas, e mantêm-se em vigor também na atual situação de volatilidade nos mercados petrolíferos", referiu.
Siobhan McGarry considerou que o teto ao preço do petróleo mostrou-se "eficaz na redução das receitas de exportação de petróleo da Rússia, enquanto mantém a estabilidade dos mercados petrolíferos".
"Os volumes de exportação russos permaneceram estáveis, e a Rússia não deve, de forma alguma, beneficiar da guerra no Irão", defendeu.
Os Estados Unidos anunciaram na quinta-feira terem autorizado temporariamente a venda de petróleo russo armazenado em navios, devido à subida dos preços desde o início da guerra no Irão.
O Departamento do Tesouro norte-americano emitiu uma licença que autoriza a venda durante um mês de petróleo bruto e derivados russos carregados em navios antes de quinta-feira.
A decisão "não proporcionará um benefício financeiro significativo ao Governo russo", afirmou o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent.
Em reação, Kirill Dmitriev, enviado do Presidente russo, Vladimir Putin, para as questões económicas, considerou que o petróleo russo é essencial para a estabilidade do mercado global.
"Os Estados Unidos estão, na verdade, a reconhecer o óbvio: sem petróleo russo, o mercado global de energia não pode manter-se estável", afirmou Dmitriev.
No início da semana, o Presidente norte-americano, Donald Trump, tinha anunciado que ia suspender algumas sanções sobre o petróleo "para baixar os preços", depois de uma conversa telefónica com Putin.
Em reação a esta decisão da administração norte-americana, a Hungria pediu que a UE siga o exemplo dos EUA, que suspenderam temporariamente as sanções contra o petróleo russo já em trânsito para travar a subida dos preços.
"É preciso suspender as sanções ao bruto russo e é preciso permitir a entrada dos combustíveis russos no mercado europeu", defendeu o ministro dos Negócios Estrangeiros húngaro, Peter Szijjarto, citado pela agência de notícias espanhola EFE.
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A Hungria pediu hoje que a UE siga o exemplo dos Estados Unidos, que suspenderam temporariamente as sanções contra o petróleo russo já em trânsito para travar a subida dos preços.


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