terça-feira, 10 de março de 2026

Ruanda vai usar energia nuclear como "pilar central" do desenvolvimento... O presidente do Ruanda, Paul Kagame, afirmou hoje que vai usar a energia nuclear como pilar central da estratégia de desenvolvimento para esta nação africana entrar no grupo dos países de rendimento elevado até 2050.

Por LUSA 

"O Ruanda tem como objetivo ser um país de rendimento elevado até 2050; isso requer eletricidade abundante e, por isso, decidimos colocar a energia nuclear no centro da nossa estratégia", afirmou Kagame durante a Cimeira Mundial de Energia Nuclear, realizada em Paris.

O chefe de Estado acrescentou que alcançar esse objetivo exige "instituições sólidas, regulamentação eficaz e uma força de trabalho qualificada, que é a base que o Ruanda está a construir".

Para Kagame, a energia nuclear "não é demasiado complexa nem arriscada para os países em desenvolvimento" e a aplicação de normas internacionais claras e a cooperação tecnológica podem permitir que nações como o Ruanda adotem esta tecnologia de forma segura.

Durante a sua intervenção, o líder africano apelou a uma maior colaboração internacional em matéria de capacidade de engenharia, desenvolvimento de competências e participação industrial, bem como a sistemas regulamentares globais previsíveis que apoiem os países que procuram implementar programas de energia nuclear.

Centenas de ruandeses foram formados em ciências e engenharia nuclear através de parcerias com instituições internacionais e o país incorporou um novo programa em ciências nucleares na Universidade de Ruanda, salientou o chefe de Estado.

"A Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) realizou recentemente uma revisão integrada da infraestrutura nuclear no Ruanda e confirmou avanços nos pilares fundamentais do nosso programa nuclear, por isso o nosso país está preparado para avançar para a próxima etapa, seguindo a abordagem por etapas da agência", disse ainda Kagame.

Após 60 anos sem financiar projetos nucleares, o Banco Mundial levantou o veto em junho passado e, na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2023 (COP28), cerca de vinte governos defenderam a inclusão da energia nuclear nas carteiras das instituições financeiras internacionais.

De acordo com a AIEA, a energia nuclear representa cerca de 10% da produção mundial de eletricidade e é considerada por alguns países como um complemento estratégico às energias renováveis no caminho da transição energética e redução da utilização dos combustíveis fósseis.


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