Por LUSA
"O Ruanda tem como objetivo ser um país de rendimento elevado até 2050; isso requer eletricidade abundante e, por isso, decidimos colocar a energia nuclear no centro da nossa estratégia", afirmou Kagame durante a Cimeira Mundial de Energia Nuclear, realizada em Paris.
O chefe de Estado acrescentou que alcançar esse objetivo exige "instituições sólidas, regulamentação eficaz e uma força de trabalho qualificada, que é a base que o Ruanda está a construir".
Para Kagame, a energia nuclear "não é demasiado complexa nem arriscada para os países em desenvolvimento" e a aplicação de normas internacionais claras e a cooperação tecnológica podem permitir que nações como o Ruanda adotem esta tecnologia de forma segura.
Durante a sua intervenção, o líder africano apelou a uma maior colaboração internacional em matéria de capacidade de engenharia, desenvolvimento de competências e participação industrial, bem como a sistemas regulamentares globais previsíveis que apoiem os países que procuram implementar programas de energia nuclear.
Centenas de ruandeses foram formados em ciências e engenharia nuclear através de parcerias com instituições internacionais e o país incorporou um novo programa em ciências nucleares na Universidade de Ruanda, salientou o chefe de Estado.
"A Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) realizou recentemente uma revisão integrada da infraestrutura nuclear no Ruanda e confirmou avanços nos pilares fundamentais do nosso programa nuclear, por isso o nosso país está preparado para avançar para a próxima etapa, seguindo a abordagem por etapas da agência", disse ainda Kagame.
Após 60 anos sem financiar projetos nucleares, o Banco Mundial levantou o veto em junho passado e, na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2023 (COP28), cerca de vinte governos defenderam a inclusão da energia nuclear nas carteiras das instituições financeiras internacionais.
De acordo com a AIEA, a energia nuclear representa cerca de 10% da produção mundial de eletricidade e é considerada por alguns países como um complemento estratégico às energias renováveis no caminho da transição energética e redução da utilização dos combustíveis fósseis.
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