sábado, 28 de março de 2026

PAIGC DENUNCIA QUE FORÇAS DE SEGURANÇA INVADIRAM LOCAL ONDE DEVERIA SER REALIZADA A REUNIÃO DE HOJE, E O ENCONTRO FOI CANCELADO

Por Rádio Sol Mansi  28 03 2026 

O Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) denunciou que o hotel onde estava prevista a realização da reunião do Comité Central, prevista para este sábado, foi alvo de uma visita de elementos das forças de segurança, que informaram a gerência de que a reunião não seria permitida.

Segundo um comunicado divulgado pelo partido, a reunião, considerada de grande importância no quadro da preparação do XI Congresso Ordinário e das celebrações dos 70 anos da sua fundação, não pode ter lugar "devido à atuação das autoridades".

De acordo com o PAIGC, na noite de 27 de março, o hotel inicialmente escolhido para acolher o encontro foi alvo de uma visita de elementos das forças de segurança, que informaram a gerência de que a reunião não seria permitida. As autoridades terão ainda advertido que qualquer tentativa de realização do evento seria da inteira responsabilidade da unidade hoteleira.

O partido refere ainda que informações adicionais indicam que a mesma pressão foi exercida sobre outros hotéis de Bissau, inviabilizando, na prática, qualquer alternativa para a realização do encontro.

Perante este cenário, "o PAIGC viu-se obrigado a cancelar a reunião do Comité Central", decisão tomada pela sua Direção Superior "até que sejam definidas novas orientações" pelos órgãos competentes do partido.

"Nas últimas semanas, foram levadas a cabo várias diligências junto do Alto Comando Militar, a fim de obter a reabertura da Sede Nacional para a retoma das atividades políticas do Partido e a realização da reunião do Comité Central. Infelizmente, todas essas diligências não tiveram sucesso. Por isso, na impossibilidade de aceder à sua Sede Nacional, o Partido optou pela realização do seu Comité Central num dos hotéis de Bissau. Uma carta foi dirigida ao Alto Comando Militar e outra ao Ministério do Interior, informando da realização da reunião.  Contudo, o Ministério do Interior recusou-se a receber a carta, alegando que precisava de instruções superiores", lê-se no mesmo documento.  

No comunicado, o PAIGC lamenta a situação, sublinhando que a interdição contrasta com a liberdade de atuação de outros atores políticos no país, que continuam a realizar reuniões e atividades públicas sem impedimentos.

A formação política recorda que tem enfrentado dificuldades para aceder à sua Sede Nacional, encerrada desde os acontecimentos de 26 de novembro de 2025, o que a levou a procurar alternativas, incluindo a realização da reunião num hotel.

Apesar dos constrangimentos, o PAIGC apela aos seus militantes e simpatizantes para se manterem firmes na defesa dos valores democráticos e na luta pela reposição da ordem constitucional na Guiné-Bissau.

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